quinta-feira, 11 de maio de 2017

Meados de Maio

Chuvoso Maio!

Deste lado oiço gotejar
sobre as pedras.
Som da cidade ...
Do outro via a chuva no ar.
Perpendicular, fina,
Tomava cor,
distinguia-se
contra o fundo das trepadeiras
do jardim.
No chão, quando caía,
abria círculos
nas pocinhas brilhantes,
já formadas?
Há lá coisa mais linda

que este bater de água
na outra água?
Um pingo cai
E forma uma rosa...
um movimento circular,
que se espraia.
Vem outro pingo
E nasce outra rosa...
e sempre assim!

Os nossos olhos desconsolados,
sem alegria nem tristeza,
tranquilamente
vão vendo formar-se as rosas,
brilhar
e mover-se a água...   

Irene Lisboa, in 'Antologia Poética'




26 comentários:

  1. Muito belo, Graça.
    Não choveu na altura própria...
    Beijinhos rosados.
    ~~~~~~~~~~~~

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    1. Obrigada, Gracinha por olhares para este meu olhar...

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  3. Achamos que em maio já não chove mas é puro engano. E pingo a pingo, às vezes, a chuva é também um poema.

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    1. Estamos mal habituados, mas a chuva já está a fazer falta. E os poemas também...

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  4. Há dois dias que estou com aguaceiros muito violentos e os malvados estão a estragar as rosas que este ano estão esplendorosas :(
    As rosas são da minha vizinha mas posso usufruir da sua beleza.
    bjs

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    1. Que pena, não é? As minhas têm-se desfolhado todas com a ventania...

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    1. Por aqui tem chovido pouco. O Abril foi seco e quente, não foi águas mil como de costume. Só que agora parece vir fora de tempo com esta força toda!

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  6. Há muitos anos li a sua obra "Uma Mão Cheia de Nada Outra de Coisa Nenhuma"

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  7. supostamente devia era ter chovido em Abril!

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  8. Belo momento poético repleto de belezas naturais! Muito significativo!
    Abraço.

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  9. Inverno tardio em Portugal, poluição brutal em Macau.
    O Planeta está doido!
    Beijinhos, bfds

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  10. As chuvas de Maio deste ano são abençoadas. Vieram já as rosas sorriem por todo o lado, como as brancas acima expostas, levemente embaladas pelo vento. Que belo dia, Graça, olhar pela vidraça as gotas-rosas da Irene Lisboa a florir lá fora.
    Até Francisco ficará radiante com este jardim.
    Nada melhor, pelo menos para mim.

    Bj.

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  11. "Cai chuva, chora.
    Chora, chora.
    Solidão, solidão"

    Sabes que em Maio ainda se comem as cerejas ao borralho, Graça.

    Beijos.

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    1. Bem sei. A minha avó costumava dizer isso. «Em Maio, come a velha as cerejas ao borralho»... mas eu nem ao borralho ainda as comi... :))

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  12. Sabendo como sei da tua predilecção pelos bichanos o texto levou-me a pensar que te referias a algum gato de nome Maio; depois percebi que estes "meados" são outros.

    Não apreciei:
    "Os nossos olhos desconsolados,
    sem alegria nem tristeza,"
    Porque olhos assim lembram-me olhos mortos. Ou simplesmente porque não entendi a poetiza.

    Beijos

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    1. Credo, Kok!! Que mórbido estás!!!! :))

      Beijinhos

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  13. O poema é lindo, mas o GIF das rosas está o máximo (de acordo com o poema) ! :)
    E é verdade. Os Maios nem sempre são quentes e secos ! :)

    Bjs

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