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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Ver-te e amar-te

Ericeira, 6 de Agosto de 1966 – Foi amor à primeira vista – toda a gente viu! Tão jovens e tão elegantes que éramos! O meu fato de banho rendado branco toldou-te as vistas, eu fiquei encantada com os teus olhos de veludo. «Ver-te e amar-te foi obra de segundos» - disse não sei quem…

Tinhas 19 anos e eu fizera 18 – ia entrar para a Faculdade. Depois de alguns outros (grandes) amores vividos, Eros fez com que seguíssemos juntos. E assim foi até há poucos meses.

Durante anos, tive de te lembrar do dia de hoje – distraído como eras destas coisas das datas, dos ciclos, das ligações cósmicas… «Ah, pois é faz hoje anos que nos conhecemos!» - dizias e logo vinha aquele abraço risonho, quase trocista, mas sempre sentido.

Hoje, lembro-me eu sozinha. Mas continuo a sentir o teu abraço, o sorriso belo que, como pudeste, mantiveste até ao teu último dia, os passeios que fizemos em celebração do dia, as romagens de saudade àquela terra azul onde nos juntámos para a vida.

Éramos tão jovens! E parece que foi ontem.





terça-feira, 6 de agosto de 2013

Já fui muito feliz aqui!







Faz já 47 anos. Foi hoje, dia 6 de Agosto, que nos conhecemos ali, na praia da Ericeira.

Vejam a relíquia! (peço desculpa do estado da fotografia que encontrei cheia de humidade, Há fotografias da fuga da Família Real para o exílio que se deu naquela Praia dos Pescadores em muito melhor estado...)








Qualquer semelhança com a realidade (parece) mera coincidência... Mas é realmente a mesma realidade 47 anos depois...

terça-feira, 12 de junho de 2012

12. Noites de Verão



Noites loucas de Verão foram as que passei naqueles dois Agostos na Nazaré aí pelos meus quinze anos. O grupo que juntámos era enorme e variado e, à noite, encontrávamo-nos na praça e depois era a galhofa máxima, a brincadeira, a gritaria, a cantoria pela marginal. Lembro-me de uma noite em que um de nós começou a apontar para o céu a gritar: «Olha, olha, está ali!» e em pouco tempo toda aquela gente das esplanadas da praça olhava para o céu sem saber porquê… Outras vezes, púnhamos o gira-discos à porta de casa com os discos do Cliff e dos Shadows e num instante armávamos ali um baile na rua. Foram os Verões da loucura e da irreverência.

(Ericeira à noite, foto de Ana Salvador)

 
Agora noites de Verão a sério foram as e 66/67 na Ericeira, onde conheci o meu último namorado-marido-a-ser, no encantador parque de Santa Marta, frente ao mar, com aquela enorme Lua alaranjada que nos enfeitiçava completamente. O cheiro da fresca maresia que nos atraía para as veredas ladeadas de olorosas plantas e arbustos; a pista de dança; a máquina dos discos – Strangers in the Night, Her  yesterday man, Saying something stupid, Yesterday, as tontas canções de Roberto Carlos (Calhambeque, Lobo Mau, Que vá tudo para o Inferno) e sei lá o que mais para dançar, dançar…


(Parque de Santa Marta, Ericeira)

(Lua de Verão, retirada da net)
 
Querem ver como escrevi no meu diário de versos? Só se prometerem não rir …

Em Santa Marta

Mil pontos brancos estrelavam
ontem o firmamento
e as ondas do mar quebravam
o silêncio do momento
em que nossos olhos falavam
em tão estranho entendimento.

Deixámos o ambiente vermelho
e a música para dançar
e fomo-nos refugiar
no muro que dá para o mar
que estava como um espelho
e cantava a sua trova,
melodia de embalar,
das noites de lua nova.
Fitei no mar o horizonte
encontrei  o teu amor,
procurei no céu Orionte
achei  teu olhar sedutor
que me atraía para ti
e me obrigou a lembrar
o primeiro dia em que te vi.

Senti-me contigo menina
nos joelhos do papá,
menina meiga e traquina,
Queria passar toda a vida
no meio de tanta beleza
e sentir-me para sempre
de teus braços possuída
no palco da Natureza
- como na noite de ontem,
personagens só tu e eu
tendo por cenário o céu.

Ericeira, 7/Ag/1967


terça-feira, 5 de junho de 2012

5. Um segredo de Verão


(Ericeira, do Parque de Stª Marta)

Queriam então saber um segredo de Verão! Segredo que é segredo não se pode contar sob pena de deixar de o ser…  Mas vou deixar-vos um dos meus segredos de antigamente que guardei ansiosamente nos meus papeis de outrora. Sim, que isto de escrever diários, para mim, não é de agora que se usa escrever estes web logs que mais não são que diários (de navegação, se tidos à letra). 

E este é um segredo que daria para rir às adolescentes de agora, mas que, nos idos de 60, era muito natural nas jovens que tinham o dever de se guardar intocáveis e intocadas até ao casamento. Se bem se lembram…


Dia de calor

Dia de calor
abrasador
em que o corpo
se abandona
à lassidão
e absorto
em tormento
se embriaga
de paixão.

Dia de calor
abrasador –
- beladona
que propaga
num momento
um desejo
insensato
de sem pejo
te envolver
com prazer
e beijar
tuas feições
de gaiato.

Dia de calor
abrasador
e a tontura
de te ter
cá comigo
para ser
tua frescura,
para estar
só contigo
e te amar
pura, pura…

(29/Jun/68)


segunda-feira, 5 de março de 2012

Rica vida...


Isto é que é mesmo uma rica vida!
Estivemos na...



Nesta rica vida...




Com a companhia de Cargaleiro


E com esta vista maravilhosa


Foi desta praia que o nosso último rei e sua mãe partiram para o exílio na manhã de 5 de Outubro de 1910.



Foi assim: