sábado, 22 de junho de 2019

Summertime

É sempre uma enorme tentação de cada vez que chega o Verão - recordar a lendária canção «Summertime» que integra a ópera «Porgy and Bess» escrita por G. Gershwin nos anos 30 do século passado. 

As bandas de jazz trataram-na, adaptaram-na e logo se tornou um enorme sucesso. Como melhor a conhecemos é pelo saxofone de  Louis Armstrong e na voz da Ella Fitzgerald.

Mas hoje vou deixá-la aqui nesta versão anterior.



Se bem que o original na peça de teatro era este - que é uma verdadeira delícia.

Ora deliciem-se!




quarta-feira, 19 de junho de 2019

A Fortaleza de Peniche

Então lá fomos com o objetivo de visitar o Museu da Resistência e da Liberdade que visou transformar a prisão dos dissidentes políticos do regime de Salazar em espaço museológico de Memória e de Liberdade.

(Também fomos com o propósito de comer uma bela de uma caldeirada, mas isso é outra história...)




(1935)

(Entrada do mar)



(Entrada principal)







(Memorial dos presos políticos)

(O chamado parlatório)





(O Parlatório por Júlio Pomar)

(Retrete)







(Vieira da Silva)




(O Fortim Redondo)

(...onde se encontravam três solitárias)




(História de uma fuga)





(A grande fuga de 1960)


(Uma parte da fortaleza está rodeada pelo mar)
(daqui)


(... e atiravam-se ao mar...)


(Ali por trás enxergam-se as celas ainda não visitáveis)


(Mas não faltava a capela...)


(... de Santa Bárbara)

(Monumento à Liberdade)




Foi uma visita intensa...

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Para desanuviar...





É o que me acontece dia sim, dia também...

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Pessoa nasceu num 13 de Junho

Foi no dia 13 de junho de 1888 que, no Largo de São Carlos em Lisboa, nasceu o poeta Fernando Pessoa Há precisamente 131 anos.




Não obstante o seu valor poético e inovador de enorme figura das Letras da primeira metade do século XX, não viveu uma vida feliz. 

A angústia existencial, a nostalgia de outros tempos mais felizes, a dor que lhe causava o seu pensar multifacetado estão patentes em muitos dos seus poemas enquanto Pessoa  pessoa, como em Álvaro de Campos, o seu alter-ego, como em Bernardo Soares, o seu semi heterónimo.

E porque o momento, por cá, também não é dos mais felizes, a minha homenagem deste ano ao grande poeta de Orpheu, fica-se por aqui:


Desperto de sonhar-te

Desperto de sonhar-te
Quando inda a noite é funda,
E um céu estelar faz parte
Do silêncio que inunda.
Perdi poder amar-te
E a treva me circunda.

Talvez que relembrasse,
Sonhando-te, outro ser,
E aquilo que sonhasse
Fosse tornar a ter.
Mas despertei, e faz-se
Claro em meu quarto a ver.

Insónia de perder-te!
Quem foste já não sei.
Pela janela verte
Cada astro a sua lei.
Como, sem sonhar ter-te?...
Porque não dormirei?

(1932)

Fernando Pessoa, in  Pessoa Inédito (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

No Dia de Portugal



Não, não vou comentar o discurso por de mais populista daquele rapazito do triste programa «governo sombra» que foi o escolhido pelo Presidente  (a minha avó espanhola costumava dizer com muito humor "Deus os cria e ele se juntam»...para presidir ao 10 de Junho de este ano. Para isso, convido-vos a ler o comentário do Jornal Tornado...

Para celebrar o dia, que também é de Camões, deixo-vos um dos seus sonetos e outros dois poemas que, tal como o dele, bem definem o perfil do bom português...


Que vençais no Oriente tantos Reis

Que vençais no Oriente tantos Reis,
Que de novo nos deis da Índia o Estado,
Que escureçais a fama que hão ganhado
Aqueles que a ganharam de infiéis;

Que vencidas tenhais da morte as leis,
E que vencêsseis tudo, enfim, armado,
Mais é vencer na Pátria, desarmado,
Os monstros e as Quimeras que venceis.

Sobre vencerdes, pois, tanto inimigo,
E por armas fazer que sem segundo
No mundo o vosso nome ouvido seja;

O que vos dá mais fama inda no mundo,
É vencerdes, Senhor, no Reino amigo,
Tantas ingratidões, tão grande inveja.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"




Português Vulgar

O meu gato deixa-se ficar
em casa, farejando o prato
e o caixote das areias. Já não vai
de cauda erguida contestar o domínio
dos pedantes de raça, pelos
quintais que restam. O meu gato
é um português vulgar, um tigre
doméstico dos que sabem caçar ratos e
arreganhar dentes a ordens despóticas. Mas
desistiu de tudo, desde os comícios nocturnos
das traseiras até ao soberano desprezo
pela ração enlatada, pelo mercantilismo
veterinário ou pela subserviência dos cães
vizinhos. Já falei deste gato
noutro poema e da sua genealogia
marinheira, embarcada nas antigas
naus. Se o quiserem descobrir, leiam
esse poema, num livro certamente difícil
de encontrar. E quem procura hoje
livros de poemas? Eu ainda procuro,
nos olhos do meu gato, os
dias maiores de Abril.

Inês Lourenço, in 'Logros Consentidos'
Anti-Soneto

    (Ao Mário Saa )

O nosso drama de portugueses,
O nosso maior drama entre os maiores
Dos dramas portugueses,
É este apego hereditário à Forma:
Ao modo de dizer, aos pontinhos nos ii,
Às vírgulas certas, às quadras perfeitas,
À estilística, à estética, à bombástica,
À chave de ouro do soneto vazio
- Que põe molezas de escravatura
Por dentro do que pensamos
Do que sentimos
Do que escrevemos
Do que fazemos
Do que mentimos.

Carlos Queirós, in 'Cadernos de Poesia'

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Você é estrebaria...

Hoje tive de ir a uma agência bancária que não é a minha de sempre e, depois de alguma espera – e era eu a única cliente presente – os três funcionários à vista azafamavam-se muito frente aos monitores dos seus computadores – lá fui atendida por um jovem daqueles de fatinho muito justo e de sorriso estampado no rosto imberbe.

Depois de um cumprimento daqueles de mão morta – que não vai bater àquela nem a nenhuma outra porta – fez sinal para que me sentasse e perguntou em que me poderia ajudar.

Pus a minha questão que de imediato foi desfeita pela sua resposta pronta. E, para tal, toca de me tratar e destratar por você – você para cá, você para lá e aquele sorrisinho condescendente de garoto que está ciente de toda a informação perante a idosa que é capaz de nem entender o que ele está a dizer...

Desenhei também o meu sorrisinho condescendente e disse-lhe: «Não diga você. É feio e fica-lhe mal.» Ele manteve aquele sorrisinho que trazia estampado na carinha deslavada e, orelhas moucas, lá continuou o horrível tratamento por você…


De há uns tempos para cá, tudo quanto é vendedor, promotor de operadoras e empresas de eletricidade e gás de porta em porta, meninos com o secundário feito e até mais acima, tudo usa o tratamento por você!

Fazem parte da gramática do português as formas de tratamento bem como os níveis de língua. Será que os professores TODOS se têm esquecido de abordar essas áreas?
E, se assim foi, o que fazem nos programas de formação destes jovens (e até menos jovens) profissionais?

Devia ser-lhes dito que o tratamento por você está reservado a certas castas da aristocracia seja ela de que tipo for, dos namorados nos tempos de fervilhante apaixonamento e a pessoas que se conhecem bem.

De resto, você é estrebaria…




segunda-feira, 3 de junho de 2019

Agustina (1922 - 2019)


Infelizmente morta há anos de mais para a escrita, a imensa escritora Agustina Bessa-Luís deixou-nos hoje fisicamente, aos 96 anos.

Figura controversa desde sempre, sobre ela escrevia Sophia de Mello Breyner na sua correspondência com Jorge de Sena:

[Paris, Março de 1961]

(…) Fui para Florença com a Agustina Bessa-Luís que era a delegada portuguesa [ao Congresso COMES – Comissão Europeia de Escritores] (…) Vim para Lisboa pensando que se tratava dum congresso apenas literário. Vim encontrar um congresso político, praticamente exclusivamente político, anti-fascista. (…) O Congresso era anti-fascista – coisa com que concordo, mas os métodos usados foram fascistas, mal-educados e policiais. (…)

 Criaram à volta de Agustina um clima de suspeição e inquisição. E isto foi-me dito por uma pessoa de direita e de carácter: Disseram-me que eu a devia abandonar pois o facto de eu andar com ela me comprometeria. Como você sabe, eu não sou capaz de abandonar nenhuma pessoa que está só e que é injustamente acusada e perseguida na sua liberdade. (…)

Quanto à atitude política de Agustina penso poder garantir que ela não é nem salazarista nem fascista. Considera o nosso governo criminoso mas considera também inoportuno afirmá-lo no estrangeiro. Pensa também que a COMES deve defender a liberdade do escritor mas sem espírito partidário.

A minha atitude política é diferente da de Agustina, como você sabe, mas penso que a atitude dela deve ser respeitada porque acredito na liberdade. Acho que não se pode criar em nome do anti-fascismo um novo fascismo. (…)

Hoje no caminho em Montpellier fomos abordados por um jornalista espanhol que nos fez um interrogatório habilíssimo e cerrado ora dizendo bem do Salazar e do Franco, ora dizendo mal – foi muito estranho. Admirei a extrema inteligência com que a Agustina conseguiu não responder a nada. Fiquei com a impressão que éramos seguidos. Tenho quase medo de que não me deixem entrar em Portugal. (…)
……………………………

Esquecida da coterie literária depois da Revolução pelas suas escolhas políticas encostadas à chamada direita, tem visto ultimamente a sua imensa obra literária reeditada. 

De referir ainda a completíssima biografia da romancista modernista e neo-romântica (como diz Eduardo Lourenço) «O Poço e a Estrada» da autoria da escritora Isabel Rio Novo.


Agustina, Sophia e Eugénio de Andrade (1958)

sábado, 1 de junho de 2019

Para colorir o Dia da Criança

A cidade de Leiria está geminada com a cidade japonesa de Tokushima faz este ano 50 anos.

Este ano, a Câmara Municipal lançou um concurso de desenhos de crianças de ambas as cidades para celebrar o Dia da Cidade de Leiria que acontece a 22 de Maio.

É parte desse colorido que deixo hoje aqui para homenagear a criatividade de crianças que participaram.





O painel principal que "mistura" as duas cidades.


















(...)
«Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças» (...)

(F. Pessoa)

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Dia de espiga

Dizem-me que hoje foi a 5ª feira da Ascensão , dia de ir à espiga.

Já ninguém vai à espiga. Já pouca gente se lembra do Dia da Espiga. E desta cançãozinha que se chama Dia da Espiga, alguém se lembra? Dizem-me que nasceu no já longínquo ano de 1924 e que foi um dos grandes êxitos populares. 

Eu lembro-me bem desta musiquinha que a minha mãe cantava - quando ainda tinha alegria e voz para cantar - e de a ouvir no programa Melodias de Sempre que passava na RTP nos idos de 60 e era apresentado pelo muio falador Jorge Alves. (Letra: Maestro Silva Tavares....música: Alves Coelho. Interpretação de Lina Demoel.)

Lembram-se?

Ora oiçam...





A letra descreve bem o que deveria ser uma ida à espiga...

Esta vida é uma cantiga
Este dia de alegria
Vale um ano de aflição

Porque é o dia da Espiga
É o arauto do dia
Em que o trigo há de dar pão

Maria! São teus olhos azeitonas
Cachopa! São teus lábios qual cerejas
E os teus seios cachos de uvas que abandonas
À vindima desta boca que os deseja

Jorra o vinho dos pichéis
Para os lábios das moçoilas
Mais vermelhas que papoilas
Das larachas dos Manéis

E há merendas pelos prados
Gargalhadas pelo ar
E à beirinha dos valados
Ouve a gente murmurar.



Não sei porquê lembrei-me deste outro belo - bem mais belo - poema do nosso poeta impressionista, Cesário Verde (1855 - 1886)




Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!



quarta-feira, 29 de maio de 2019

Conhecem a Vila de Ançã?

Pois, se não conhecem, vale bem a pena passar por lá. Situa-se no concelho de Cantanhede (terra que acolheu o poeta Carlos Oliveira) e por lá nasceram o grande político e historiador Jaime Cortesão, médico e o escritor Augusto Abelaira.

Quem for a caminho de uma opípara refeição de leitão, pode bem passar por lá e deixar-se encantar pelas suas belezas naturais. Foi o que fizemos lá na "minha" escola sénior. E que bem acompanhados fomos por um jovem guia que nos falou e bem da história da vetusta vila e nos levou a visitar os pontos mais importantes.

Ficámos a saber que a vila de Ançã remonta ao tempo da ocupação romana com o nome de Anzana e que há um documento de 937 que refere ser um território reconquistado aos árabes pelos cristãos. Em 1371 o rei D. Fernando torna-a vila tendo-lhe sido outorgado foral apenas no reinado de D. Manuel I.

Mas é no século XVII que o Marquês de Cascais terá caído em desgraça junto da corte e vai acolher-se à terra de Ançã onde desenvolve o património arquitetónico construindo o seu palácio, o chamado Terreiro do Paço e a cobertura da sua bela nascente.

É muito conhecida pelas suas pedreiras de onde saiu a chamada pedra de Ançã para a construção de muitos monumentos portugueses.


Palácio do Marquês de Cascais

Terreiro do Paço e Pelourinho

O Brasão do Marquês

O Largo da vila

A Igreja matriz





Imagem de Nossa Senhora do Ó

O nosso jovem guia


A piscina natural no centro da vila

A nascente natural coberta por pedra de Ançã




A água da nascente corre pelo meio da vila









Aqui fomos recebidos com bolo de Ançã e água fresca da nascente

                           


O conhecido bolo de Ançã


No interior ainda havia estes achados arqueológicos



Ah! E também vimos maravilhas destas:














E uma janela manuelina perdida pelo meio das casas.





Depois de tudo isto e já muito atrasados, rápido rumo ao Hotel da Curia para o leitão. Eu cá comi bacalhau com broa, em vez...