Parte II (continuação - ou talvez não - do texto de ontem)
Tudo fui fazendo dentro das
minhas possibilidades e das minhas limitações, com mais ou menos entusiasmo,
com mais ou menos resultados. Mas o mais humilhante, o mais ignóbil de todos os
“exames” a que me submeti, foi aquela entrevista a que o decreto-lei 75/2008 –
diploma cheio de incongruências, diga-se, que denunciei em devido tempo e a
quem de direito – obriga no concurso ao cargo de diretor de escola ou
agrupamento de escolas. O júri foi o conselho geral do agrupamento que, como
sabem, é constituído por representantes de professores, de pais, de
funcionários, dos autarcas e da sociedade civil. E a presidente do dito
conselho, colega sem a força e sem o saber necessários para “ter mão” numa
assembleia daquelas, deu todo o poder da entrevista a um paizinho (desculpem a
ironia, mas é mesmo um paizinho: pequenino no tamanho físico e não só) só
porque tem uma daquelas licenciaturas em gestão, de recursos humanos ou coisa
parecida. Digo-vos: coitados dos recursos humanos que se veem obrigados a ser
geridos por ele, que deve ser um pequeno ditadorzinho daqueles que estão a aparecer
nos tempos que correm. O senhor já tinha decidido (porque tudo fora pré “cozinhado”)
que o diretor do agrupamento não ia ser eu e, por isso portou-se da forma mais
deseducada e pequenina (tão pequenino como ele) que podem calcular: bocejou,
fechou os olhos, deixou cair a cabeça, enquanto eu falava e “embirrou” com a minha
forma de falar sobre “liderança” – um daqueles conceitos americanos que tanto
gostamos de importar, como “assertividade” e “mediação” e “sinergias” e “benchmarking”
e análises SWOT e sei lá o que mais que o senhor gestor de recursos leu nos
livros lá no ISLA ou não sei onde.
Bom, mas o paizinho gestor
decidiu convencer parte do grupo que o outro candidato, muito menos experiente
e menos habilitado para o cargo, é que era o tal da liderança!

E o tal da liderança é o que,
entre muitos outros desastres de que eu talvez venha a falar aqui, já promoveu
acareações entre pais queixosos e professores apontados pelas queixas, tomando
o partido dos pais, naturalmente; é o que atafulhou o pavilhão gimnodesportivo
com mobiliário antigo vindo da secundária requalificada; é o que – espante-se! – fecha a
Biblioteca durante três dias durante a Semana da Leitura que foi marcada a
nível concelhio para lá receber os senhores inspetores da avaliação externa; é
o que – espantem-se ainda mais! – vai realizar a Feira do Livro da escola, que
é uma tradição das boas daquela escola desde os idos de 80, da forma mais invulgar
e disparatada: os alunos poderão, se quiserem, dirigir-se a uma livraria da
cidade, que até nem está próxima da escola, fazem prova de que são alunos do
agrupamento e têm direito a 15% de desconto nas compras. Para promoção da
leitura, diga-se que é, no mínimo, original…
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| (Desfrutando a Biblioteca) |
Alguém devia dizer àquele
paizinho pequenino que, para se der diretor de um agrupamento de escolas – onde
há alunos! – não chega saber papaguear umas coisas sobre liderança (e
jactância…) É preciso ter conhecimento, saber
de experiência feito, pedagogia, abertura ao outro, entusiasmo no trabalho e, mais do que tudo,
sensibilidade para as coisas da educação. E isso, garanto-vos, não vem escrito
nos livros de gestão.
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| (Uma verdadeira Exposição/Feira do Livro) |
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