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quinta-feira, 30 de julho de 2020

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,

não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas


Carlos Drummond de Andrade




(Da próxima vez, trarei um outro poema de um outro excelente poeta que diz completamente o contrário...

É que, como costumava dizer aos meus alunos, em poesia (e na linguagem poética) tudo é possível, tudo se aceita...)

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Rancho das Flores

Ando tão vazia de ideias - e de vontade e de tudo, enfim! - que hoje trago aqui imagens do meu nano-mini-micro-jardim que, esse sim, está bem cheio de beleza!

E assim ajudo a embelezar este pedacinho de blogosfera...
























E, a propósito, deixo-vos com um poema de Vinicius sobre as flores.

Rancho das Flores

Entre as prendas com que a natureza
Alegrou este mundo onde há tanta tristeza
A beleza das flores realça em primeiro lugar
É um milagre do aroma florido
Mais lindo que todas as graças do céu
E até mesmo do mar
Olhem bem para a rosa
Não há mais formosa
É flor dos amantes
É rosa-mulher
Que em perfume e em nobreza
Vem antes do cravo
E do lírio e da Hortência
E da dália e do bom crisântemo
E até mesmo do puro e gentil malmequer
E reparem no cravo o escravo da rosa
Que é flor mais cheirosa
De enfeite sutil
E no lírio que causa o delírio da rosa
O martírio da alma da rosa
Que é a flor mais vaidosa e mais prosa
Entre as flores do nosso Brasil
Abram alas p'ra dália garbosa
Da cor mais vistosa
Do grande jardim da existência das flores
Tão cheias de cores gentis
E também para a Hortência inocente
A flor mais contente
No azul do seu corpo macio e feliz

Satisfeita da vida
Vem a margarida
Que é a flor preferida dos que têm paixão
E agora é a vez da papoula vermelha
A que dá tanto mel p'ras abelhas
E alegra este mundo tão triste
No amor que é o meu coração
E agora que temos o bom crisântemo
Seu nome cantemos em verso e em prosa

Porém que não tem a beleza da rosa
Que uma rosa não é só uma flor
Uma rosa é uma rosa, é uma rosa
É a mulher rescendendo de amor

Vinicius de Moraes


terça-feira, 7 de abril de 2020

Da efemeridade da vida

Floriu ontem, certamente para me desejar os parabéns, a primeira rosa do jardim.

Linda, amarela e com picos - como convém aqui ao blog...




Hoje, pobrezinha, está já desfolhada e à beira da morte.




Como não recordar o poeta?


As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
        Que em o dia em que nascem,
        Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
        Antes que Apolo deixe
        O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
        Que há noite antes e após
        O pouco que duramos.

11-7-1914
Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa


«A vida é o ai que mal soa...» (João de Deus)

sábado, 21 de março de 2020

Dia da Poesia

Porque há que celebrar a Poesia, a Primavera e o nosso Portugal - nestes estranhos tempos de confusão e dor -  aqui fica um poema  (algo inquieto, como é o momento) de Ruy Belo (1933-1938).


PEREGRINO E HÓSPEDE SOBRE A TERRA

Meu único país é sempre onde estou bem
é onde pago o bem com sofrimento
é onde num momento tudo tenho
O meu país agora são os mesmos campos verdes
que no outono vi tristes e desolados
e onde nem me pedem passaporte
pois neles nasci e morro a cada instante
que a paz não é palavra para mim
O malmequer a erva o pessegueiro em flor
asseguram o mínimo de dor indispensável
a quem na felicidade que tivesse
veria uma reforma e um insulto
A vida recomeça e o sol brilha
a tudo isto chamam primavera
mas nada disto cabe numa só palavra
abstrata quando tudo é tão concreto e vário
O meu país são todos os amigos
que conquisto e que perco a cada instante
Os meus amigos são os mais recentes
os dos demais países os que mal conheço e
tenho de abandonar porque me vou embora
pois eu nunca estou bem aonde estou
nem mesmo estou sequer aonde estou
Eu não sou muito grande nasci numa aldeia
mas o país que tinha já de si pequeno
fizeram-no pequeno para mim
os donos das pessoas e das terras
os vendilhões das almas no templo do mundo
Sou donde estou e só sou português
por ter em portugal olhado a luz pela primeira vez

"Transporte no Tempo" (1973)





quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Da efemeridade da vida

A rosinha (da minha roseira brava) estava em botão quando a vi de manhã.



Pelo meio do dia toda ela se abria em cor.




E, ao fim da tarde, dava já sinais de morrer em breve.



Então lembrei-me das rosas dos jardins de Adónis de Ricardo Reis «que em o dia em que nascem, em esse dia morrem».

E trouxe-o aqui para refletirmos...



As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres 1 amo, Lídia, rosas,
        Que em o dia em que nascem,
        Em esse dia morrem.

A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
        Antes que Apolo deixe
        O seu curso visível.

Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
        Que há noite antes e após
        O pouco que duramos.

1.  efémeras


11-7-1914

(Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1946)


domingo, 9 de setembro de 2018

O carro dos noivos

Vi-o ontem aqui na rua e tive de o fotografar de tão lindo e tão amorosamente ornamentado.












Depois vi passar o noivo e o padrinho lá dentro, bem divertidos, que seguiam para a cerimónia. 

Que sejam felizes!

E aí lembrei-me de "outros", vai fazer, não tarda, 47 anos... 





Estavam bem felizes... :)

terça-feira, 17 de julho de 2018

A minha trepadeira roxa

O colégio onde fiz a minha terceira classe nos idos de 50 lá em Algés (Colégio Gil Eanes) era uma daquelas lindas moradias à antiga portuguesa com a parede principal toda coberta por uma trepadeira roxa que fazia, já naqueles tempos, os meus encantos. Pela cor e pelo xaile com que parecia aconchegar a casa.

Há uns anos, chegou a moda das buganvílias e aí redescobri a trepadeira do meu velho colégio. (Uma amiga nossa plantou algumas buganvílias em volta da piscina da sua bela casa nova e quando as crianças corriam e se atiravam para dentro de água salpicando todo o relvado em redor, ela gritava desesperada: «Ai, as minhas buganvílias!» Ainda hoje – as crianças são já adultas e mães de outras crianças – brincamos com o grito da minha amiga «Ai, as minhas buganvílias!»… (que já não existem…)

Depois de me reformar do trabalho na escola, comecei a dar mais atenção ao meu já conhecido nano-mini-micro jardim e, quando encontrei uma, comprei uma pequenina trepadeira roxa da cor da do meu colégio de Algés.

Trouxe-a num pequenino vaso e mudei-a para um vaso grande onde ela se foi fazendo adulta.





Dois anos depois transplantei-a para o tal nano-mini-micro jardim à frente da minha casa, junto à entrada e aí a boa da trepadeira roxa trepou e pôs-se linda!






O inverno de há dois anos teve uns dias de temperatura baixas de mais até mesmo aqui para Leiria com grandes camadas de geada que secaram completamente a minha trepadeira roxa.

Posso dizer que o desgosto que tive foi parecido com o que sempre sinto e passo de cada vez que me morre um gato.

Cortei-lhe os ramos secos e ficou apenas o pequeno tronco central para não a arrancar de vez e também na esperança de que ela conseguisse rebentar na primavera.

Passaram mais duas primaveras e nem sinal de um rebentinho sequer. Lamentava a morte da minha trepadeira quase de cada vez que entrava em casa.

Não sei se por causa das chuvas que caíram em quantidade este ano, começámos um dia a ver um raminho verde a crescer naquele tronco seco e outro e outro, e aí está ela a deitar florzinhas pequeninas mas roxas, lindas e a rejuvenescer de dia para dia.







Que maravilha é a Natureza!

sábado, 7 de julho de 2018

Almoço no Castelo

Subir ao Castelo é sempre cativante, especialmente quando o tempo está aprazível e luminoso.

Foi o caso. Fomos subindo devagar e, ao mesmo tempo, observando as flores e outras belezas.





















Mas depois de muito (a custo...) subirmos...







... não! Não nos sentámos, nem nos deitámos... Mas tivemos um lauto almoço na nave principal...






... e até fomos saudados pela dama do castelo...




terça-feira, 5 de junho de 2018

Flores para alegrar o ambiente

No Dia do Ambiente, flores para alegrar ... o ambiente.


















«Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.»

Ricardo Reis