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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Que fácil é criminalizar os pobres!


As notícias nos nossos telejornais (de todos os canais televisivos) são repetidas à exaustão. São dadas de manhã, repetidas à hora do almoço com as mesmas entrevistas e os mesmos comentários ipsis verbis, depois são-nos servidas requentadas e com sorrisinhos marotos e piscadelas de olho à hora do jantar. E se formos aos canais de notícias, temos de “levar com elas” de hora a hora. Nomeadamente as que pretendem denegrir o atual governo.

Foram os fogos, depois as boas das golas contra fumos (e não contrafogos, como eles quiseram muito fazer crer), seguidamente vieram as greves dos motoristas de matérias perigosas com o inefável Pardal e com os avisos supra alarmistas de que o país ia parar, que íamos ficar trancados em casa ou no Algarve, sem combustível para fazer andar os carros e, para cúmulo, a morrer de fome, porque iam faltar os alimentos nos supermercados.

Agora temos o triste caso das meninas gémeas de 10 anos que viviam e condições sub-humanas numa garagem, sem sequer terem ainda ido à escola. Horrível!

 Mas mau de mais é também estarem sempre a mostrar o local onde aquela família habita como mau de mais é também estarem sempre a repetir aquela miséria e a “entrevistarem” aqueles pobres pais.

Por esta altura, se houver alguém que leia este meu texto, já deve estar com vontade de me “pegar fogo” por estar a tratar aquelas pessoas por “pobres pais” sem os apodar de criminosos. Mas passo a explicar-me: quantas pessoas vivem no nosso país abaixo ou mesmo no limiar da pobreza? Que condições de vida têm? Que instrução/educação têm para se organizarem? Que grau de cidadania os assiste para saberem e conseguirem fazer as coisas direitinhas? Mas isso não interessa nada! O chamado ministério público já vai criminaliza-los, impede-os de contactarem as pobres crianças e pronto – ficamos todos com as nossas conscienciazinhas burguesas acalmadas…

Então e as meninas não tinham sido já sinalizadas em 2013 pela CPCJ? E de novo dois ou três anos depois? E os pais (pobres de dinheiro, de espírito, de educação, de apoio de toda a ordem) vão à escola matricular as crianças e são impedidos de o fazer porque não tinham mais nada senão a cédula de nascimento? Então e quem está à frente das escolas não tem o dever e a obrigação de denunciar esses casos abstrusos à polícia e aos tribunais a fim de serem regularizados?

Então e para que servem as CPCJ?! Faço-me esta pergunta há anos desde que, por inerência de funções, me vi forçada a participar nas reuniões multidisciplinares de um desses organismos! Ah, não temos pessoal! Ah não temos competências! Ah… não têm vontade, força nem sentido de cidadania! – gritei a alguns dos elementos que me contactavam na direção da “minha escola” quando tinham de tratar (ou não…) casos de alunos nossos.

E não se criminaliza aquela CPCJ que ignorou ou nada fez pelas miúdas?! Não! Criminalizam-se os pais que são pobres de tudo, de dinheiro, de comida, de instrução, de conhecimento e é mais fácil!

Que nojo!




terça-feira, 21 de maio de 2019

Que exagero!

Nada contra a equipa ganhadora do campeonato de futebol. Foi esta, ainda bem para os seus jogadores e para o seu jovem e esforçado treinador. 

Foi esta, mas até podia ter sido o Estrela da Amadora, ou o Esperança de Lagos ou o Sporting da Covilhã - os exageros teriam sido os mesmos, digo eu... Os exageros dos festejos, aquela alegria esfuziante e louca a que os adeptos de obrigam  - parece que lhes calhou o Euromilhões ou sei lá o quê...

Mas o pior, o piorzinho mesmo, é o exagero das televisões! Desde domino até hoje, os telejornais repetem a todas as horas e até à exaustão os golos, as declarações dos mandantes, a festa, a receção pelo Município e sei lá o que mais!

Não é exagero da minha parte, mas no domingo, na segunda-feira e ontem, à hora do almoço e ao jantar o mesmo, passei os canais todos até ao 8 e todos, sem exceção, estavam a passar e a repetir a grande vitória do clube de futebol! 

Nada contra o futebol. Nada contra as equipas ganhadoras, mas o que é demais enjoa. Não haverá nada de mais importante para transmitir?

Se calhar não... ou não convém...




É o que me ocorre...

domingo, 28 de outubro de 2018

Tristes imagens!


Vejo cada vez menos televisão – vá-se lá saber porquê…

Deixamo-la ligada a partir da hora do jantar, mas pouca atenção lhe vou dando.  Ontem, porém, duas imagens me impressionaram especialmente. 

Passo a expor: a primeira foi num relance que me apareceu a Judite de Sousa (a quem eu gosto de chamar por gozo “carochinha de sousa”) que se mandou para o Brasil a semana toda para fazer a cobertura das eleições – dizem eles. Apareceu-me então a senhora diretora de informação da tal estação de televisão sentada, muito bem produzida, muito bem pintada, muito bem penteada e com uns óculos enormes (a fazer lembrar uma professorinha) a entrevistar um senhor que não sei quem era. Nem interessa porque o que impressionou foi mesmo a figurinha da dita diretora de informação. Que me desculpem os mais austeros, mas por milésimos de segundos pareceu-me ver uma daquelas “acompanhantes brincalhonas” que se mascaram de certas profissões para mais facilmente divertirem e excitarem os companheiros. Na situação em questão, a senhora estaria travestida de professorinha divertida… E como sou mesmo mazinha, pensei que a senhora foi até ao Brasil, desta vez sem o ex apresentador Marcelo e sem o ex banqueiro Salgado, pensando que ia para o Carnaval ou para mais uma festa de passagem de ano…

A outra imagem que me impressionou – e esta bem mais do que a anterior – foi ver o inefável presidente dos Estados Unidos, com aquela inexpressão facial que lhe é característica, e uma esvoaçante gravata bem encarnada, afirmar que, no trágico caso do tiroteio numa sinagoga em Pittsburgh, melhor teria sido se houvesse dentro da sinagoga forma de se defenderem. Nem quero imaginar que o serviço dentro das sinagogas e das igrejas passe a ser feito naquele país com uma arma encostada ao altar…





terça-feira, 24 de julho de 2018

Pérolas

O inafável José Rodrigues dos Santos abriu hoje o telejornal da hora do jantar com uma  pérola  digna de um Trump, sei lá!!!

Enquanto este nega as alterações climáticas...


... o senhor Rodrigues dos Santos que recebe o seu ordenado na estação pública, mas que ataca com unhas e dentes (eu diria até com as orelhas, mas não fica bem...) todas as ações do governo, afirmou, sem pestanejar, nem se rir, que os incêndios que lavram na Grécia devem-se às alterações climáticas (aumento das temperaturas e ventos fortes) que se têm registado na zona do Mediterrâneo. 

Já os fogos que tragicamente assolaram o nosso país no ano passado tinham-se devido a mera negligência do governo, falta de meios e falta de medidas preventivas e sei lá quantas mais falhas do governo...

Outra pérola que se seguiu no mesmo telejornal foi o inatacável e super confiante chefe do maior partido da oposição que afirmou que o atual ministro das finanças se contradisse nas declarações que fez sobre o próximo orçamento de Estado. E acrescentou, cheio de sarcasmo e de sabedoria popular, que «mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo».

O engraçado é que não me lembro de alguma vez ter visto coxear o anterior PM ou outras altas individualidades do seu partido que mentiram ao povo desde o primeiro dia em que chegaram ao governo (eles até nem iam cortar os subsídios de Natal e de férias e depois foi o que se viu...) até ao ultiminho em que prometeram devolver-nos a sobretaxa do IRS...


Enfim!

terça-feira, 10 de julho de 2018

Tudo está bem quando acaba bem...

Shakespeare é que sabia: all’s well that ends well… e, de facto, …

Terminou hoje e em bem o drama vivido por aqueles doze, ou melhor, treze rapazes (que o dito treinador pouco mais velho é do que eles) que se viram encurralados numa gruta exígua e escura, rodeados de água e quase sem hipótese de serem resgatados.

Sendo embora gente de uma cultura muito diversa da nossa, com uma educação muito mais virada para o domínio da mente e para o controlo das emoções tão exacerbadas por nós ocidentais, não dá sequer para imaginar a inquietação daquelas famílias, nem a tensão que se terá vivido dentro da gruta.

Não interessa agora esgrimir aqui argumentos, nem dar opiniões, nas quais nós, portugueses, conseguimos ser tão pródigos. (Espanto-me quase sempre com a pobreza dos temas que são postos à discussão naqueles fóruns televisivos e radiofónicos para avaliarmos da nossa (tacanha) propensão para o “achómetro”… Mas a SIC propôs para o fórum de hoje que os espectadores se pronunciassem sobre o que achavam sobre o caso…)

O que interessa mesmo – e isso fez o nosso dia – é que, rapidamente o mundo se uniu para enviar todo o apoio possível e impossível, recursos materiais e humanos, equipas médicas, equipas de mergulhadores especializados, polícias e outros profissionais que acudiram de forma completamente generosa para procederem ao salvamento daquele grupo de jovens.

Uma união, no mínimo, arrepiante! Bem hajam por isso!

Desculpe-se-me a minha talvez ingenuidade, mas só me pergunto por que razão este(s) movimento(s) cívico(s) e humano(s) não funciona(m), de igual modo, no sentido de obviar tanto sofrimento, tanta agonia que grupos de crianças (e não só) têm de enfrentar quando fogem da violência e do horror da guerra ou da fome.




quarta-feira, 4 de julho de 2018

Telemóveis na escola?

Há dias foi transmitida a notícia de que em França iam proibir os telemóveis nas escolas. Do jornal para onde escrevo uns textos pediram-me, na qualidade de ex-professora e presidente de escola, um comentário sobre o assunto para um fórum que publicam todas as semanas.

O comentário que apresentei foi o seguinte:

«Parece-me uma ótima medida. Oxalá pudéssemos nós, no nosso país, aprender com esse bom exemplo. Durante as aulas, o processo de aprendizagem necessita de atenção, concentração e sossego para que se realize – talvez se poupasse muito dinheiro aos pais em explicações! Por outro lado, os intervalos servem para gastar energias acumuladas, descansar a mente e conversar de viva voz e não estar “enfronhado” nos aparelhos. Outra vantagem será o “desligar” dos pais, tornando as crianças e os adolescentes mais autónomos.»

Pois fiquem a saber, caros amigos, que o meu foi o único texto favorável à medida francesa. Senti-me autêntica «velha do Restelo»!

Os restantes participantes no fórum eram o Professor Daniel Sampaio, dois professores da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais aqui de Leiria, um diretor de agrupamento de escolas e o diretor de um centro de formação de professores. Todos liminarmente contra! com exceção do diretor de agrupamento, que ainda falou em mudança de metodologias na sala de aulas. Todos os restantes comentadores não são professores de adolescentes há anos e estão a ano-luz da realidade das escolas e do ensino que, de um modo geral, ainda se pratica nas salas de aulas.

Diz um: «Quando a escola diaboliza uma tecnologia perde a oportunidade de educar para ela. Ao diabolizar os telemóveis, perde também as múltiplas funcionalidades destes equipamentos para potenciar a renovação dos contextos de aprendizagem.»

Outro acrescenta: «Há mais vantagem no uso do telemóvel nas escolas do que na sua proibição para voltar ao uso do dicionário de milhares de páginas e à pesquisa em atlas ou enciclopédias tantas vezes desatualizadas.»

E ainda outro: «A proibição de levar o smartphone para a escola é, para mim, uma medida exagerada e que poderá revelar algum desconhecimento sobre estas matérias.»

O Professor Daniel Sampaio, por quem nutro a maior consideração, apresenta uma opinião um tanto naïf: «Não concordo porque o telemóvel faz parte da vida dos adolescentes e também dos seus professores. (…) Quer em família, quer na escola, é preciso criar regras de utilização, em que há períodos em que é possível utilizar o telemóvel, nos outros períodos não é.»

Todos eles falaram do uso do smartphone em termos de ferramenta de estudo e de pesquisa no âmbito da sala de aula, quando sabemos muito bem que a grande maioria das aulas – com honrosas exceções, naturalmente! – continuam a ser bastante expositivas, com base nos manuais adotados e pouco mais.

… … Mas como diziam os outros: don’t let me be misunderstood!  *  Nada tenho contrao uso das tecnologias! Eu própria tenho um I Phone e um I Pad e gosto. Os meus netos também têm os seus gadgets eue usam e gostam. Mas tudo tem o seu tempo e o seu espaço. Se os miúdos os tiverem ali à mão na escola, garanto-vos que – a não ser nas aulas de TIC ou nas bem programadas para o seu uso, que são poucas – eles não os usam senão para irem ao facebook ou ao Messenger, ou até com outras finalidades piores...


*



quinta-feira, 5 de abril de 2018

Que nojo que eu sinto!

Que me desculpem os meus amigos que por aqui passam, mas isto hoje vai muito fora do que se instituiu chamar de «politicamente correto» - seja isso o que for.

Foi logo de manhã que li na capa do jornal: «“Atos sexuais relevantes” com criança de 10 anos dão pena suspensa». E depois, lá dentro, o título da notícia era: «Um ano de abusos sexuais de criança punido em tribunal com pena suspensa», enquanto o respetivo subtítulo, despudoradamente, dizia: «Tribunal de Braga deu como provado que explicador de xadrez praticou “atos sexuais relevantes” com aluna de dez anos.»

Que nojo senti!

Então o “senhor professor” de xadrez, de 38 anos de idade, abusou de uma menina de dez anos durante um ano inteiro e o Tribunal condenou-o por um crime de abuso sexual agravado da criança. Apesar de o “senhor professor” negar sempre os crimes – pois claro! – o acórdão deu como provado que o homem forçou a vítima a “atos sexuais de relevo” ao longo de um ano, desde junho de 2015 até perto de o arguido ser detido pela Polícia Judiciária em julho de 2016.

O tribunal deu como provado que os abusos aconteceram na casa de banho do clube onde o arguido dava explicações e na sua própria casa.

Ora depois de isso tudo, o Tribunal condena o “senhor professor” a quatro anos e meio de prisão com pena suspensa e dez mil euros de indeminização à criança.

A notícia ainda refere que “cerca de 75% dos autores de crimes de abuso sexual de menores foram condenados a penas suspensas de prisão em 2015 e 2016.” (…) “Nestes dois anos houve um total de 696 condenações, em que os juízes puniram com penas suspensas em 523 processos.”

E se alguma dessas infelizes crianças fosse filho/a de um dos senhores juízes, será que agiriam da mesma maneira?

Então, juntando a estas situações vergonhosas, as muitas outras em que os “senhores” juízes e as “senhoras” juízas perdoam os casos de violência doméstica contra as mulheres e mais aqueles casos em que aqueles supracitados “senhores” arquivam as poucas vergonhas de uma determinada área partidária como foram os casos dos submarinos e das Tecnoformas e das universidades portucalenses e do inexorável BPN com toda a “fauna” partidária que lhe está inerente e mais aquele caso em que um ex primeiro ministro esteve/está refém político dos ditos “senhores”, o que eu advogaria sinceramente e fazendo minhas as palavras do grande feitor de Abril, seria:

Esses “senhores e essas “senhoras” todos para o Campo Pequeno! Já!


(para ler mais:)




domingo, 25 de março de 2018

O Palacete Mendonça

Fiquei hoje a saber que há mais um palacete em Lisboa que está a ser recuperado e este com todo o luxo.

Que bom! Nada há que me entristeça mais do que a degradação, seja do que ou de quem for. De pessoas – naturalmente! – e também de casas. Ver casas abandonadas que, aos poucos, se vão degradando, esventrando, deixando os seus interiores à mostra, barbaramente violadas, estupidamente grafitadas, traz-me uma enorme tristeza. Quantos segredos ali se guardaram, quantas alegrias ali se viveram, quantas vidas ali se cruzaram – tudo levado pelo vento que entra livre pelas janelas partidas…

Essa não foi a sorte do Palacete Mendonça deixado há alguns anos pelo MBA da Universidade Nova e que foi adquirido para servir como sede mundial do Ismaili Imamat, liderada desde há 60 anos pelo Príncipe Aga Khan, amigo de Portugal. As obras de recuperação estão a decorrer em grande estilo segundo o projeto do arquiteto Frederico Valsassina. Tudo está a ser recuperado com o mínimo de alterações em relação ao original.

(daqui)

Procurei algumas informações sobre o edifício e fiquei a saber que foi mandado construir no início do seculo XX pelo senhor Henrique José Monteiro de Mendonça (1864-1942), proprietário da roça Boa Entrada, em S. Tomé e Príncipe.

O senhor Mendonça não se poupou a despesas, tendo contratado o arquiteto Ventura Terra, o melhor arquiteto da época (que também recuperou o Palácio de São Bento). Foram azulejos Bordallo Pinheiro, têxteis de Lyon, madeiras, pinturas e estuques do melhor que havia o estrangeiro e um jardim de três hectares. O palácio foi Prémio Valmor de Arquitetura do ano 1909.

(daqui)

Diz o arquiteto Valsassina: «É muito interessante perceber que o senhor Henrique Mendonça quando fez esta casa, vindo para Lisboa de São Tomé, com a sua mulher são-tomense, quis mostrar à sociedade que ia construir uma casa para não ser considerado um “nouveau riche”. Há sete ou oito edifícios em Lisboa, dos antigos fazendeiros, e todos primam por uma arquitetura do melhor que havia na altura, porque queriam ser admitidos na sociedade lisbonense como pessoas de fazer bem, pois eram considerados agricultores do mais rude que havia.»

Tudo muito bom e muito bonito. Mas… como viveriam as centenas de “escravos” que trabalhavam o cacau lá em São Tomé para o senhor Henrique Monteiro poder ser tão rico?









Para saber mais:


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Maria de Lurdes Rodrigues eleita reitora do ISCTE

Foi com grande surpresa e muita satisfação que li a notícia de que «A ex-ministra da Educação do primeiro governo de José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, ganhou a corrida às eleições para a reitoria do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, apurou o Negócios junto de fonte oficial. É a primeira vez que uma mulher comanda os destinos deste instituto de ensino superior.

As eleições para o mandato 2018-2022 decorreram esta sexta-feira, no ISCTE, e contaram com mais três candidatos. Maria de Lurdes Rodrigues venceu com uma larga maioria com 22 votos, seguida de Nuno Guimarães, atual vice-reitor, com 10, Gustavo Cardoso com um e Cláudio Startec com zero votos. O Colégio Eleitoral é constituído por 33 elementos.» Será a primeira mulher a dirigir aquela instituição de ensino superior.

Que dirão agora os muitos “meus colegas” que sempre a detestaram e destrataram porque o seu ministério achava – e bem – que os professores, como os restantes funcionários públicos, deveriam ser sujeitos a uma avaliação que fosse para além do ignóbil «relatório» em que cada um escrevia que era muito bom e que fazia tudo muito bem, sem que houvesse qualquer tipo de contraditório? E olhem que eu li dezenas e dezenas deles. Depois de os ler, tinha de reunir um pequeno “colégio" de outros professores que assinavam e pronto. Estava a avaliação feita.

Que dirão agora os milhares de “colegas meus” que se insurgiram em manifestações manietadas pelo senhor Mário Fenprof conseguindo o seu afastamento do ministério?
Que dirão agora aqueles que, impantes de uma raivosa vingançazinha pessoal, vieram há pouco mostrar nas redes sociais uma qualquer publicação em que noticiavam que a Professora não tivera avaliação positiva no ISCTE por não ter apresentado artigos científicos suficientes?

Que dirão os juízes do tribunal que a condenou a três anos e seis meses de prisão com pena suspensa por ter contratado, enquanto ministra da Educação, o “amigo” João Pedroso, por ajuste direto, para exercer tarefas de consultoria jurídica, mediante o pagamento de 220 mil euros (sem IVA)?

E que dirá agora o senhor Mário Fenprof que, ao longo dos anos, tanto a desdoirou para depois andar a fazer vénias ao ministro (C)rato?




domingo, 28 de janeiro de 2018

Desculpas frouxas

Volto ao tema do passado dia 25 Impunidade. É que se nesse dia me sentia furiosa, hoje não o fiquei menos com as notícias dos jornais: «MP não está preparado para lidar com casos de violência doméstica» - em grandes parangonas na primeira página.

E continuam: “Os funcionários do MP não têm formação nessa matéria, não lhes é dada por parte do Ministério da Justiça e não existe número de funcionários que permita um atendimento personalizado, nem pelos funcionários nem pelos magistrados.” – afirma o presidente do sindicato.

Para além da minha fúria crescente e incontida, duas observações acorreram, ato contínuo, ao meu pensamento:

             Uma, que tem a ver com a minha vasta experiência de professora enquanto presidente executiva: quando, perante novos projetos, novas tendências pedagógicas, reviravoltas nos programas, os colegas bradavam: “Não temos formação para isso! O ministério não nos deu formação para isso!” – Eu respondia-lhes muito simplesmente: “Há bibliografia sobre o assunto. Há aquilo a que se chama autoformação [já para não invocar o brio profissional!...] Se conseguimos tirar uma licenciatura [e ainda era daquelas de cinco anos…] também conseguimos fazer a nossa autoformação!”

                A outra, talvez mais violenta, é que me parece que o MP só tem formação para averiguar “delitos” de primeira grandeza como o pedido de dois bilhetes para ir ao futebol, ou umas viagens para ir ver o Europeu. “Delitos” que sempre implicam figuras da atual governação. Esta formação que o MP tem em barda esbate-se, esfuma-se, dissipa-se quando estão em causa delitos menores como o caso dos inexplicáveis roubos no BPN, o caso dos submarinos, dos Panama Papers, da Tecnoforma, o caso das adoções feitas a trouxe-mouxe pelos ditos bispos da IURD – só para referir os mais mediáticos.

E, lamentavelmente, tenho de concluir que somos um povo manso que mansamente aceita todas as desculpas frouxas que nos põem pela frente…





sábado, 30 de dezembro de 2017

Paradoxo

Chamo-lhe paradoxo porque não quero parecer mal educada. Mas na época de ser bom, parece que ainda custa mais saber disto:


Notícia 1

A filha do ex presidente de Angola é a primeira mulher bilionária africana (1000 milhões de dólares).

Notícia 2

A UNICEF precisa de 4 milhões de dólares para salvar as crianças angolanas subnutridas.




domingo, 17 de dezembro de 2017

Violência contra as mulheres? Culpa delas!

«Ele avança a morder-se o lábio, e da estalada ela esquiva-se, sentiu de que lado vinha, outra vez o jogo que sabemos como se joga, mas com a outra mão ele agarra-lhe o cabelo, e como vem quase a correr, consegue desequilibra-la, a puxá-la pela nuca, para o lado e para baixo e depois para o lado outra vez, e é incrível a rapidez de um corpo enlouquecido a atacar e a de um corpo aterrorizado a defender, ambos capazes de tudo, e com isto estão na cozinha

- Como é que vai ser então, como é que vai ser minha puta

Ela procura tapar a cara com as mãos, está com as mãos na cara desde o início, porque conhece o jogo, porque não quer ver, nem é tanto pela sova que vem aí outra vez, tapa os olhos e quase tenta cantar baixinho, tapa os olhos porque não quer ver a sua vida outra vez outra vez outra vez.

Mas só consegue proteger a cara com as mãos nas primeiras três pancadas contra o frigorífico.

Depois as mãos soltam-se, devagar, na ponta dos braços caídos ao longo do tronco, porque a quinta e a sexta vez que lhe atira a têmpora contra o frigorífico ela já não está bem ali.

E não disse nada, não vai dizer nada, sabe muito bem a táctica do jogo, mas é dentro de casa, porque ele vem a arrastá-la pelos cabelos da nuca para fora da porta, para as escadas do prédio, pelos degraus abaixo»

(«O Pianista de Hotel»; Rodrigo Guedes de Carvalho; D. Quixote; Lisboa; 2017, pp 97-98)

Este é um breve trecho de um romance (que ando a ler, se bem que sem grande entusiasmo porque, a páginas cento e tal, ainda não encontrei o fio condutor) mas podia muito bem tratar-se do testemunho de uma qualquer mulher deste nosso encantador país.

Mas – e aqui devo escrever um MAS com letras bem grandes – MAS teria de tratar-se de uma mulher sem instrução, provinciana, das berças, com a educação do tempo das nossas bisavós, ou burrinha de todo, demente talvez.

Não, meus caros amigos, não estou a ironizar e muito menos a duvidar dos muitos testemunhos das muitas mulheres que são agredidas e violentadas e até mortas pelos homens! Estou tão-somente a ir ao encontro da leitura que os juízes e JUÍZAS da “nossa” praça fazem dos casos que se lhes apresentam.

Que saibamos, já são dois os casos em que o homem agressor é ilibado de culpas pela “justiça” dado as respetivas mulheres serem consideradas “modernas, esclarecidas, destemidas e independentes pelo que têm a obrigação de se protegerem e aos respetivos filhos”. Palavras de juíz(a)! Isto sem esquecer o anterior caso do inexorável juiz Neto de Moura & Cª.


Ora nesta ordem de ideias, meus caros amigos homens, ficam – aqueles que assim o entenderem e que tenham mulheres modernas, destemidas e independentes – livres e à vontade para lhes carregar sempre que vos apetecer, mordê-las, cuspir-lhes, atirá-las ao chão ou pela janela fora, parti-las, matá-las e aos filhos! A responsabilidade não vos vai ser atribuída! Elas é que – algumas bêbadas, outras umas desarrumadas, outras umas devassas, umas putas – logo após a primeira bofetada, têm a obrigação de sair de casa, nem que seja para debaixo da ponte, para se porem a salvo da vossa abençoada força de macho latino protegido pela lei da Bíblia e da Justiça portuguesa!




segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Do telejornal das 8

A notícia tinha a ver com os incendiários que foram apanhados este Verão – alguns deles “repetentes”. Contavam-se pelos sessenta e tal homens e treze mulheres. E aí o apresentador/jornalista tratou de falar no psicólogo da PJ. Não consegui ouvir o que o psicólogo terá feito ou irá fazer porque me pus, ato contínuo, a vociferar!

Psicólogo, psicólogo! Eu lhes dava o psicólogo! E desculpem-me a violência ou a ausência do “politicamente correto”, mas por causa de tanto psicólogo e de tanta lei a proteger os direitos de não sei quem…  e mais não sei o quê e mais os paninhos quentes com que nos habituaram (por medo, por ignorância ou por incúria até) a tratar os prevaricadores é que chegamos aos limites ou muitos para lá dos limites do humanamente e do socialmente aceitável. No caso dos incêndios e não só!

Disse!

Ah, mas depois o dito apresentador/jornalista/escrevinhador lá continuou com as notícias e, a propósito do enfermeiro alemão acusado de matar dezenas de pessoas com overdose de medicamentos, o dito apresentador, naquele seu ar teatral cheio de  trejeitos com os olhos e de entoações do discurso, saiu-se com a seguinte “bojarda”:  «O enfermeiro terá morto mais de trinta pessoas!!!»

Terá morto?! Terá morto? – senhor apresentador/jornalista/escrevinhador? Ou terá querido dizer: terá matado? É que se trata de um tempo composto pelo que deverá usar-se o particípio passado normal. Enfim… sem importância…

Depois o telejornal passou a mostrar os passeios da Senhora Cristas por Mação, bem como o discurso do presidente CDS da dita vila ribatejana a zurzir o governo por causa do incêndios, que eu já ouvira em todos os telejornais anteriores, ou seja, propaganda eleitoral do partido em questão, seguido de uma arrastada e desenxabida reportagem sobre a importantíssima universidade de Verão do PSD na qual iam ser apresentados quase todos os betinhos participantes, ou seja, propaganda eleitoral do PSD…  Nada de novo no canal público… e eu decidi passar para o Canal Panda ou para o futebol… esses, ao menos, não apresentam “propaganda institucional” dos partidos … do sistema!




quinta-feira, 6 de julho de 2017

O que é preciso é desacreditar a escola

De vez em quando, especialmente em tempo de pré-férias, quando os reatores das notícias começam e entrar em ritmo lento, os nossos “jornaleiros” lá puxam de novo pelo demagógico e enganoso título “as escolas estão a passar alunos com quatro e cinco negativas”.

Aconteceu esta semana outra vez. Não venho aqui defender nenhuma teoria da conspiração, mas parece que, de há uns tempos para cá, os nossos serviços de notícias e de comentários têm funcionado como uma verdadeira oposição às forças governamentais. Veja-se o triste aproveitamento que foi e continua a ser feito acerca dos trágicos acontecimentos de há duas semanas no pinhal interior aqui do distrito e com o inexplicável assalto ao paiol de Tancos com os respetivos ataques aos elementos do governo, bem como as notícias inventadas de suicídios, aviões despenhados e desaparecidos, manifestações fantasma e assim.

Ora para continuar a desacreditar o governo e a pedir a demissão rápida e pura e dura de ministros, nada melhor do que incendiar a opinião pública sobre um tema por de mais sensível a toda a população e que é a escola. Ou melhor, a “bandalheira” que vai nas escolas!

Desacreditar a escola (pública) é o melhor que podem dar a estes “noticiadores” incendiários. Por isso, vai de desenterrar a velha, velhíssima questão das escolas que “passam alunos com quatro e cinco negativas” para deixar no ar a ideia que isso foi mais uma “orientação” que as escolas receberam do ministério da Educação.

Desculpem-me, mas “vou aos arames” com estas patranhas. Mais ainda se se trata da escola.

Esta questão é tão antiga quanto a publicação do modelo de avaliação dos alunos do ensino básico prescrito pelo ministério do ilustradíssimo Ministro da Educação Roberto Carneiro em 1992. Essa legislação inovadora à época remetia para um profundo conhecimento da realidade de cada aluno por parte dos seus professores e dizia claramente: «A decisão da retenção tem sempre carácter excepcional, depois de se ter esgotado o recurso a apoios e complementos educativos, devendo, portanto, revestir-se de especial cuidado para garantir a sua necessidade, utilidade e justiça

Repare-se nos conceitos que norteavam a retenção de um aluno: o seu caráter excecional e apenas quando se registasse a sua necessidade, utilidade e justiça.

Por essa época, numa das diversas vezes em que fui presidente dos conselhos diretivo e pedagógico, dei passagem a alunos (poucos, diga-se) de 6º e 9º anos que tinham já um grande número de retenções e idade de entrada no mercado de trabalho, garantindo-lhes assim o diploma que lhes permitia irem trabalhar e até tirarem a carta de condução. É que, de facto, não havia necessidade de os reter, nem era útil nem justo para eles nem para a escola retê-los.

Qual não foi o meu espanto, quando recebi um telefonema da minha colega (e amiga) presidente da escola secundária nossa vizinha, a perguntar-me, muito escandalizada, se eu tinha autorizado a passagem desses alunos para o 10º ano. «Não – disse-lhe eu – Apenas lhes dei o diploma da escolaridade básica.» E ela: «Ah, mas eles estão a matricular-se aqui na secundária!» - esperneava ela. «Vocês têm de aplicar o vosso modelo, nós aplicámos o nosso.» - disse-lhe eu. Duvido que ela tenha entendido.


Só que os objetivos do ensino secundário – nesse tempo – eram muito diferentes dos objetivos do ensino básico. Atualmente, com o alargamento da escolaridade obrigatória para o 12º ano (quer se concorde ou não com esse alargamento – e eu não concordo) os objetivos do secundário já não são assim tão diferentes dos do ensino básico como eram nos idos de 90…




terça-feira, 20 de junho de 2017

Aquecimento global

Texto recebido do nosso querido amigo blogger Rui da Fonte.

«As alterações climáticas que produziram um dia como o de sábado em meados de Junho ameaçam destruir a floresta portuguesa. E perante a iminência de um cataclismo desta dimensão, o país tem de ir muito para lá das perguntas de contexto ou da justa expressão das dores do momento: precisa de uma energia, de uma determinação e de um conjunto de meios para debelar o problema que parece estar para lá das nossas capacidades actuais.

Ainda assim, parece cada vez mais claro, a intervenção no ordenamento florestal tal como a conhecemos, parece cada vez mais condenada a resumir-se a uma medida paliativa para um problema de dimensões colossais. O planeta está a aquecer, Portugal está a aquecer e as nossas florestas, altamente vulneráveis ao fogo, parecem ser as primeiras vítimas dessas mudanças profundas. Um incêndio com as proporções do deste sábado em meados de Junho é algo inimaginável na geração dos nossos avós. E um dia nesta estação com tão altas temperaturas e zero humidade é uma circunstância meteorológica que vai tornar-se num novo normal. O pinhal em Pedrógão ardeu como ardeu porque não há defesa natural possível a um fenómeno desta intensidade.

Não sabemos se teremos recursos, energia, meios humanos, ciência ou perseverança para responder a esse dramático desafio. Soubemos sim com o fogo descontrolado deste sábado no Pinhal Interior que o aquecimento global está a tornar a aposta em leis avulsas para os proprietários ou estratégicas de combate com o nome de grandes operações militares num esforço condenado a fracassar.

Não está em causa a culpa ou a omissão dos políticos, dos proprietários florestais ou dos bombeiros: está em causa a constatação de que há uma ameaça que elevou a sua escala de periculosidade e de destruição e a noção de que, nas circunstâncias actuais, não temos forma de a travar.

Está na hora de tomarmos consciência do que nos espera. De ano para ano a temperatura vai subir e cada vez mais horrores como o de Pedrógão hão-de repetir-se. Não está em causa uma fatalidade. Está apenas em cima da mesa a pergunta dolorosa: seremos, colectivamente, capazes de encontrar meios para enfrentar um tão grande desafio?»

Manuel Carvalho – Público




sábado, 17 de junho de 2017

Por outro lado...

Os meus planos de aula de Inglês começavam sempre pelas Assumptions que o mesmo é dizer dados adquiridos. De facto nada acontece do nada, tudo tem uma ligação, uma associação com o passado próximo ou distante. E hoje, as minhas Assumptions são as seguintes e para que constem: (i) reconheço a importância e a necessidade de se decretarem greves; (ii) fui, desde os inícios das atividades sindicais logo após a Revolução, professora “grevista” num tempo em que tivemos forçosamente de organizar a nossa vida profissional que até então se desenrolava num pano de fundo sem lei nem grei…

Então agora vamos ao que interessa. Tenho vindo a acompanhar as notícias sobre o bendito anúncio de greve de professores feito pelo senhor Mário Fenprof para o próximo dia 21, dia em que se realizam provas de exame nacionais e provas de aferição. Muito bem!

Analisemos então os motivos que levam ao anúncio de greve. Reorganização da estrutura da profissão de professor e dos horários de trabalho? Alargamento e/ou abertura de quadros de escola que se foram fechando desde há pelo menos dez anos? Aumento da contratação de professores para fazer face ao ainda tremendo insucesso escolar? Diminuição do número de alunos por turma? Diminuição da carga burocrática que se tem vindo a abater sobre o pessoal docente? NÃO! Os motivos são: o descongelamento da carreira e o regime especial de aposentação. Motivos importantes? SIM, sem dúvida. Mas não agora que se está a reverter a situação das devoluções dos direitos que foram furiosamente arrancados aos professores (e não só). Devagar, mas em marcha.

A opinião pública – leia-se nomeadamente pais e encarregados de educação – também ela fortemente penalizada pelos cortes nas suas carreiras e nas suas vida brutalmente realizados pelas forças ultraliberais que (des)governaram o país  não é capaz de entender os motivos desta greve. Eu, pessoalmente, também não e tenho filhos e familiares próximos professores. Ora o ónus da questão vai recair sobre quem? Sobre os professores grevistas. Não sobre o senhor Mário Fenprof que, no tempo em que tudo foi retirado aos professores andava caladinho e completamente desaparecido!

Não esqueço, não posso esquecer a raiva cega que o senhor Mário Fenprof instilou nos professores (e eles, coitados, tão pequeninos, também se deixaram facilmente instilar…) contra a ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Foi essa raiva cega, esse ódio inspirado que não deu para reconhecer no senhor Mário Fenprof relativamente ao ministro (C)rato. Tendências…

Será que temos de concluir que as greves violentas (sim, porque marcar greve para dias de exames é violento e só se aceita se o motivo também tiver sido violento!) são para ser usadas apenas contra governos do PS?
De igual modo, vemos os senhores procuradores, os senhores magistrados, os senhores juízes, os senhores oficiais de Justiça cheios de vontade de paralisar as eleições autárquicas porque o documento da revisão do Estatuto das suas carreiras ainda tarda a ser concluído pela Ministra da Justiça. Por acaso, dá vontade de rir… Qual é o atraso dos tribunais em geral na análise e decisão dos processos que lá entram? E os prazos não são “apenas indicativos” segundo os senhores juízes?

Por outro lado, também não me lembro de ver anunciadas greves e outras ações de protesto por parte dos magistrados ou dos oficiais de Justiça quando o anterior governo fechou tribunais, transferiu (e perdeu) processos, deslocou o pessoal para longe de casa e sei lá o que mais…

Assim que vemos uma abertazinha na prepotência e na arbitrariedade e um leve abrandamento no chicote, vai de reclamar. Dê lá por onde der e doa a quem doer… Como alguém diz: «Fortes a reclamar, fracos a obedecer!»

Não somos um povo sério!

Lamento.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

As piscinas de S. Pedro de Moel

Posso dizer que é a minha praia do coração. Visitei-a pela primeira vez em finais de 60 pela mão do meu namorado da época (e atual marido) que passava lá os verões desde criança e logo me apaixonei por aquele cantinho implantado entre o pinhal do rei e o mar.

Praia de grande prestígio à época (lembro-me de como algumas pessoas ficavam admiradas quando, ainda a viver em Lisboa, eu dizia que vinha passar férias a S. Pedro de Muel – escrevia-se assim e eu gosto!) tinha já um moderno complexo de piscinas que até teve direito a ser inaugurado pelo Presidente Tomaz. Fez 50 anos no passado dia 1, leio no Jornal de Leiria.

De referir que era local de veraneio de gente rica, grandes e lindas moradias de férias dos industriais de Leiria e da Marinha Grande incrustadas no pinhal, tudo muito bonito, muito arranjado.

«Natural da Marinha Grande, José Nobre Marques era sócio de José Lúcio da Silva em fábricas de plásticos e borrachas. "O José Lúcio da Silva oferece o teatro a Leiria e o José Nobre Marques ficou assim um bocado pendurado na opinião pública, porque também era um homem muito rico. E então ofereceu as piscinas", conta Gabriel Roldão Pereira, morador em São Pedro de Moel e investigador da história local.»  (in JL)

O complexo das piscinas incluía piscina olímpica, restaurante, esplanada, salão de festas, cinema, bar - todos os equipamentos de lazer e bem-estar para a classe alta e média-alta daquele tempo. Era chique. E caro! Lembro-me de ter isso lá almoçar uma vez com o meu (já) noivo e pagámos cento e vinte escudos! Nessa altura eu almoçava na Tarantela, na D. Estefânia, por uns doze a quinze escudos no máximo…


(postal dos anos 70)

Muito mudou e se alterou neste cinquenta anos, mas as piscinas lá se foram aguentando com adaptações, com altos e baixos de lucros e de gestão até que fecharam em Setembro de 2013 e, desde então, encontram-se abandonadas e praticamente em ruínas. Uma tristeza!

Vejam só...