domingo, 17 de dezembro de 2017

Violência contra as mulheres? Culpa delas!

«Ele avança a morder-se o lábio, e da estalada ela esquiva-se, sentiu de que lado vinha, outra vez o jogo que sabemos como se joga, mas com a outra mão ele agarra-lhe o cabelo, e como vem quase a correr, consegue desequilibra-la, a puxá-la pela nuca, para o lado e para baixo e depois para o lado outra vez, e é incrível a rapidez de um corpo enlouquecido a atacar e a de um corpo aterrorizado a defender, ambos capazes de tudo, e com isto estão na cozinha

- Como é que vai ser então, como é que vai ser minha puta

Ela procura tapar a cara com as mãos, está com as mãos na cara desde o início, porque conhece o jogo, porque não quer ver, nem é tanto pela sova que vem aí outra vez, tapa os olhos e quase tenta cantar baixinho, tapa os olhos porque não quer ver a sua vida outra vez outra vez outra vez.

Mas só consegue proteger a cara com as mãos nas primeiras três pancadas contra o frigorífico.

Depois as mãos soltam-se, devagar, na ponta dos braços caídos ao longo do tronco, porque a quinta e a sexta vez que lhe atira a têmpora contra o frigorífico ela já não está bem ali.

E não disse nada, não vai dizer nada, sabe muito bem a táctica do jogo, mas é dentro de casa, porque ele vem a arrastá-la pelos cabelos da nuca para fora da porta, para as escadas do prédio, pelos degraus abaixo»

(«O Pianista de Hotel»; Rodrigo Guedes de Carvalho; D. Quixote; Lisboa; 2017, pp 97-98)

Este é um breve trecho de um romance (que ando a ler, se bem que sem grande entusiasmo porque, a páginas cento e tal, ainda não encontrei o fio condutor) mas podia muito bem tratar-se do testemunho de uma qualquer mulher deste nosso encantador país.

Mas – e aqui devo escrever um MAS com letras bem grandes – MAS teria de tratar-se de uma mulher sem instrução, provinciana, das berças, com a educação do tempo das nossas bisavós, ou burrinha de todo, demente talvez.

Não, meus caros amigos, não estou a ironizar e muito menos a duvidar dos muitos testemunhos das muitas mulheres que são agredidas e violentadas e até mortas pelos homens! Estou tão-somente a ir ao encontro da leitura que os juízes e JUÍZAS da “nossa” praça fazem dos casos que se lhes apresentam.

Que saibamos, já são dois os casos em que o homem agressor é ilibado de culpas pela “justiça” dado as respetivas mulheres serem consideradas “modernas, esclarecidas, destemidas e independentes pelo que têm a obrigação de se protegerem e aos respetivos filhos”. Palavras de juíz(a)! Isto sem esquecer o anterior caso do inexorável juiz Neto de Moura & Cª.


Ora nesta ordem de ideias, meus caros amigos homens, ficam – aqueles que assim o entenderem e que tenham mulheres modernas, destemidas e independentes – livres e à vontade para lhes carregar sempre que vos apetecer, mordê-las, cuspir-lhes, atirá-las ao chão ou pela janela fora, parti-las, matá-las e aos filhos! A responsabilidade não vos vai ser atribuída! Elas é que – algumas bêbadas, outras umas desarrumadas, outras umas devassas, umas putas – logo após a primeira bofetada, têm a obrigação de sair de casa, nem que seja para debaixo da ponte, para se porem a salvo da vossa abençoada força de macho latino protegido pela lei da Bíblia e da Justiça portuguesa!




sábado, 16 de dezembro de 2017

Passem bem...


... e tenham um bom fim de semana!




sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Procuro




Adenda: também se recebem cabritos.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Brahams no Barbeiro

Recebi de uma amiga e sorri e gostei. Com o magistral Charlie Chaplin. Com a vigorosa Dança Húngara nº 5 de Brahams de que aprendi a gostar, entre muitas outras, cedo na minha vida com os discos (alguns ainda de 78 rotações) que comprava em segunda mão na Feira de S. Pedro. 

Apreciem a mímica e a coordenação com a música.
Depois, se tiverem paciência, apreciem peça tocada por uma grande orquestra, que é uma maravilha. 
E depois, se conseguirem, imaginem o trambolhão que eu dei a pretender dançá-la numa aula de bailado naqueles bons belos tempos...








quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Conquistador

Foi por acaso (sou grande entusiasta dos acasos) que me veio ter às mãos a recente edição do livro «O Conquistador» que o escritor Almeida Faria lançou em 1990.

Deste autor sabia quase apenas que escrevera «Rumor Branco» quando tinha ainda 19 anos (1962) que, quando saiu, fora uma enorme pedrada no charco da nossa literatura, imediatamente adotado por Vergílio Ferreira (o que não era fácil…)

Este pequeno romance – chamar-lhe-ia novela até! – tem o seu encanto e a sua magia. É um verdadeiro pícaro: sonhador, divertido, imaginoso. Trata-se das aventuras de um rapaz que nasce na zona do Cabo da Roca, no dia do mês em que o rei D. Sebastião nascera, quatro séculos exatos depois do nascimento do rei virgem. Também se vai chamar Sebastião, o pai e a mãe também se chamavam respetivamente João e Joana e também tem seis dedos num dos pés.  Só que… ao contrário de D. Sebastião, este é um libertino, doido por mulheres.

O encanto de que falo acima vem da história da novela, da forma como nos é contada e das singularidades de muitas das personagens que fazem a ação evoluir, nomeadamente a avó Catarina.
A magia vem do ambiente em que se passa, desde a chegada do protagonista até à sua última aparição – a Serra de Sintra em todo o seu feitiço. De facto, Sebastião nasce e vive toda a sua infância e adolescência na casa do Farol, conhece e percorre as praias da Adraga, da Ursa, das Maçãs, toda a costa e todas as veredas da serra como ninguém, acabando por se recolher na Peninha.

As descrições são sublimes e de uma imagética exata e poética que, de imediato, nos lançam no meio das neblinas de Sintra.

«Vindas do mar, [no dia do seu nascimento] lufadas de névoa avançavam em direção à serra, como um exército desordenado recuando em debandada. Este espetáculo criou nos presentes, e ignoro se em meu pai, a convicção de que não seria casual a coincidência de el-rei e eu termos vindo ao mundo a vinte de janeiro, dia do santo do mesmo nome. Quando cresci e percebi que algo se esperava de mim, preferi, por instinto, fingir que não era nada comigo. Só muito mais tarde comecei a interrogar-me, como agora, quando olho aqui de cima, da Peninha, este mar hoje coberto de tiras de neblina.» (…)

«A nevoaça veio de manhã esvoaçando rente ao mar e agarra-se agora às rochas da costa, à orla das praias e ao cimo da serra donde não se dispõe a largar. O céu limpo e as temperaturas altas, anunciadas pela rádio, devem referir-se a outro país. Aqui, neste isolamento, envolto nesta espécie de manto de bruma encharcado em água, é inverno cerrado, embora haja sol a meia dúzia de quilómetros. Sintra é assim: um microcosmo e um microclima. Mas a bruma não me incomoda nada, condiz com a minha clausura e o meu cansaço.»

Foram descrições como estas que me devolveram a imagem das húmidas brumas que se esvaíam pelas encostas da serra e encantaram os primórdios da minha vida.

E que eram assim…
















(fotografias da página do facebook de Emília Reis)

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

domingo, 10 de dezembro de 2017

Notícias do Sousa da Ribeira do Puorto

Não sei se deram conta, mas o nosso queridíssimo amigo Rui da Fonte tem andado a entreter-nos com uns contos malandros passados lá no Puorto, carago, e bem à moda do Puorto, carago, com um sujeitinho chamado Sousa, da Ribeira do Puorto.

Ora o nosso amigo Sousa, que é muito malandrão e tem a escola toda, esteve há dias em Lisboa onde se foi encontrar com um colega, sabe-se lá para quê. 

Iam os dois a passear pela praia a combinar não sei o quê, quando um deles dá um pontapé numa pedra - ou assim lhe pareceu. De facto, tratava-se de uma lâmpada mágica da qual saiu um génio que se lhes dirigiu desta forma:




- Como prémio de me terem libertado de mil anos de prisão, cada um de vós tem direito a pedir-me aquilo que quiser.

O lisboeta, cheio de pressa, disse todo fanfarrão:

- Eu quero que seja construído um muro em redor de Lisboa, impedindo a entrada dos fulanos do Norte. Não precisamos de aguentar esses gajos nem outros menos capacitados do que nós...

- O seu desejo é uma ordem, meu amo...ZÁS... E o muro já está construído...

Logo, logo  o génio dirigiu-se ao Sousa perguntando-lhe qual era o seu desejo.

Então o Sousa, que, como já ficou dito, é muito malandrão, perguntou:

- Oube lá, ó morcõn, o muro que construíste é sólido?

 - Nada neste mundo o pode destruir, meu amo!

- E é mais alto que tuodos os edifícios em Lisboua?

- É mais alto que os edifícios mais altos de toda a Lisboa - garantiu o génio.

- Tem políticos? - pergunta o Sousa, muito maroto.

- Todos os grandes lá vivem, meu amo!

- Tá benhe! Atón einche d'água até beinhe ao ciminho...


sábado, 9 de dezembro de 2017

Não gaste seu tempo sem conta...

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...


Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII, por António Fonseca Soares.

Frei António das Chagas, de seu nome António da Fonseca Soares, também conhecido por Padre António da Fonseca, (Vidigueira, 25 de Junho de 1631 – Varatojo - Torres Vedras, 20 de Outubro de 1682)




sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Caeiro tinha razão...

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.

Ambos existem; cada um como é.

(Alberto Caeiro)


Senão vejam se as minhas rosinhas não estão lindas mesmo num dia de chuva...














Tenham um fim de semana florido!



quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Johnny Hallyday (1943-2017)

Do tempo dos idos de 60, do rock, do twist, da bela música francesa - como não recordar aqui?

Uma das "minhas canções" (daquelas que os "meus" Diamantes também cantavam e nós dançávamos, dançávamos... muito apaixonados...) «Toi qui regrette» (1961) Tão bonita!




Mais um dos "nossos" que parte
Que descanse em paz!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Estilo Polémica

Sabemos o quanto nos agrada uma boa polémica. Para tomarmos partido, para teimarmos defendendo o nosso ponto de vista, para nos irritarmos com o parceiro, etc. etc.

A polémica que hoje aqui trago é uma polemicazinha, até porque não deve ser conhecida do público em geral. Por isso lhe chamei «estilo polémica»; se fosse a malta nova diria «tipo polémica». Enfim.

Então houve um concurso de literatura que decorreu no Brasil que foi o «Prémio Oceanos» (antigo Prémio Telecom de Literatura de Língua Portuguesa) de que tive notícia em meados de outubro num tímido retangulozinho do jornal que informava que, da lista de 51 semifinalistas de autores, tinham sido escolhidos dez finalistas dos quais quatro eram portugueses, a saber: Ana Margarida de Carvalho, Ana Teresa Pereira, Hélder Moura Pereira e Maria Teresa Horta. Apesar do meu encantamento pela poeta Maria Teresa Horta e a sua obra de arte «As Luzes de Leonor», comecei imediatamente a “torcer” pela Ana Margarida de Carvalho de quem li os dois romances verdadeiramente alucinantes no passado verão. Confesso que dos seis finalistas brasileiros nada sei, “desculpe ignorância de macaco” – estou citando Jô Soares no seu extraordinário programa «Planeta dos Homens» dos incríveis anos 70/80.

Na semana passada li que a escritora Maria Teresa Horta repudiava o 4º lugar ex-aequo que lhe tinha sido atribuído juntamente com o escritor Bernardo Carvalho, bem como o respetivo prémio pecuniário (cerca de quatro mil euros). Numa carta endereçada ao júri, Maria Teresa Horta afirma: "Faço-o por respeito pela Literatura, por respeito pelas minhas leitoras e os meus leitores, e sobretudo pelo respeito que devo a mim própria e à minha já longa obra (…). Assim sendo, caros senhores, sois livres de dar a aplicação que vos aprouver aos 15 mil reais que me caberiam, não fosse esta inultrapassável questão que se me coloca e dá pelo nome de dignidade".

Entretanto, na sua página do facebook, a prestigiada crítica de literatura, a professora doutora Maria Alzira Seixo, no seu estilo frontal de sempre, escrevia que os dois portugueses que faziam parte do júri, o crítico literário António Guerreiro e a poetisa Ana Mafalda Leite, tinham sido alunos dela, fracos alunos, que estiveram quase para reprovar e que não entendia como pessoas dessas eram convidadas para integrarem júris de concursos literários.

Só depois li que a vencedora do prémio tinha sido Ana Teresa Pereira – de quem nunca ouvira falar – com o romance Karen. Fiquei também a saber que a autora premiada, nada e criada na Madeira, já não é uma jovem (nasceu em 1958) e publica desde 1989, sendo-lhe conhecidas cerca e duas dezenas de obras.

«Nos últimos dezoito anos, Ana Teresa Pereira construiu uma das obras mais coerentes e sólidas da ficção nacional. De facto, sem que quase déssemos por isso, os mais de vinte romances que publicou, oscilando entre os fairy tales, o fantástico, o policial e o western, não necessariamente por esta ordem, fizeram do seu nome uma referência incontornável.» Eduardo Pitta; Público.

Ignorância minha (outra vez…) Que diria de mim a Professora Maria Alzira Seixo? Não lhe passei pelas aulas lá em Letras porque ela estava mais dedicada às Românicas… 

De qualquer modo, sei que tenho de ler o tal romance Karen.


(Ana Teresa Pereira)


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Não vi a Super Lua!

Dizem-me que teria sido no início da noite de domingo que poderíamos ter visto a Super Lua, a única deste ano. E que, ontem, o bom do nosso satélite continuaria a parecer maior do que de facto é. Não vi!

O Observatório Astronómico de Lisboa explica que a sensação de proximidade é uma mera ilusão de ótica.

A NASA (devem pensar que somos todos burros, ou que ainda vivemos no século XIX...) avisa que o acontecimento, apesar de invulgar, “não causa inundações, terramotos, fogos, erupções vulcânicas, condições meteorológicas extremas ou tsunamis”...

Mas que é bonito de se ver, lá isso é... E eu não vi! 

Para aqueles que, distraídos como eu, não viram, fica aqui um luar como não há outro - o Luar do Sertão . (Catullo da Paixão Cearense, 1914)




domingo, 3 de dezembro de 2017

Arte popular

Já em jeito de Natal, hoje deixo aqui algumas imagens da exposição de presépios e figuras afins que teve lugar no átrio da nossa Biblioteca Municipal.

Não temos a Rosa Ramalho, mas temos a Lena do Zé Riscado que também tem mão para o barro.



















(São José)




(O Anjo Gabriel e Maria)


(Santa Ana, a mãe de Maria)


(São Joaquim, o pai de Maria)

E, por fim, a artista a trabalhar no seu espaço.




sábado, 2 de dezembro de 2017

Com este frio...

Com o frio que está, também eu metia na máquina de secar... e dormia...





sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A Restauração


«Sábado, primeiro de Dezembro de 1640 (dia memorável para as idades futuras), a nobreza da Cidade de Lisboa, para remédio da ruína em que se via, e ao Reino todo, aclamou por Rei o Duque de Bragança Dom João, príncipe begniníssimo, magnânimo, fortíssimo, piedoso, prudente, nos trabalhos incansável, no governo atento, no amor da república cuidadoso, de seu acrescentamento ardentíssimo, e vigilante, legítimo sucessor do Império Lusitano.»

(A Elrey N. S. D. João IIII, Coimbra, 1641, p. 3)


Assim se descrevia numa edição da Universidade de Coimbra, menos de um ano depois dos acontecimentos, os primórdios da aclamação do 1 de Dezembro, posteriormente consagrada como uma das datas emblemáticas da História nacional. Fica claro que o ponto de partida foi, pois, uma conspiração urdida por um número razoavelmente definido e bem delimitado de fidalgos (…).

Nos seus primórdios, o 1 de Dezembro foi, pois, um típico golpe palaciano, perpetrado por um grupo de algumas dezenas de fidalgos, depois identificados como os referidos «quarenta restauradores». O golpe, rigorosamente executado para tomar conta de uma cidade onde estanciavam apenas algumas centenas de soldados castelhanos, foi acompanhado de uns poucos assassínios políticos, incluindo a célebre defenestração ritual – com antecedentes na Europa barroca – que atingiu Miguel de Vasconcelos, secretário de Estado em Lisboa e símbolo local da administração espanhola do conde-duque de Olivares.

(in «História de Portugal», Rui Ramos (coord), A Esfera dos Livros, Lisboa, 2009, pp 295-296)





(Ai se no 25 de Abril tivessem, de igual modo, defenestrado uns tantos traidores e assassinos...)

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

In memoriam

(Reeditado, por erro meu...)





Zé Pedro, guitarrista e fundador dos Xutos & Pontapés e uma das figuras mais queridas da música portuguesa, morreu hoje, aos 61 anos. O músico faleceu em sua casa, em Lisboa.


Nascido a 14 de setembro de 1956 em Lisboa, José Pedro Amaro dos Santos Reis formou, aos 22 anos, os Xutos & Pontapés, em cuja formação se manteve sempre, como guitarra ritmo.




Que descanse em paz.


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Bali Hai







A inesperada entrada em erupção do vulcão Agung na ilha de Bali trouxe-me à memória uma belíssima canção do filme musical daqueles muito românticos Ao Sul do Pacífico, de 1958, e que eu vi em inícios de 60. Nunca mais me esqueci da canção e são muitas as vezes que trauteio o refrão.

Bali Ha'i é o nome dado a uma ilha mítica que se avista no horizonte mas que é inalcançável. No filme tem uma conotação mágica, romântica. O filme passa-se no tempo da Segunda Guerra e a ilha encontra-se ocupada  pelas tropas americanas. A matriarca da ilha vende produtos aos soldados que lhe chama Bloody Mary.

Suponho que ninguém se lembrará, mas a canção é tão bonita e está tão bem cantada pela misteriosa Bloody Mary!  Ora vejam.




terça-feira, 28 de novembro de 2017

A milonga de Buenos Aires

Dava dinheiro para saber dançar assim...



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Saudades de Manuel António Pina

Fez anos que partiu no dia 19 de outubro; faria anos (74) no passado dia 18 e eu nada disse, nada escrevi, nada aqui recordei. Mas é daquelas personalidades, daqueles escritores que deixa tanta saudade. Fazem-me falta as finas observações que fazia nas suas crónicas que publicava no JN e no DN. Os seus poemas ficaram e falarão por si e por ele, mas nem sempre são fáceis de lhes apreender o justo sentido.

Por isso hoje, que não faz anos de nada, mas apenas porque me lembrei dele, e sempre com saudade, deixo aqui uma das suas crónicas retirada da coletânea que a Assírio e Alvim publicou, depois da sua morte, com o título Crónica, Saudade da Literatura. Sintam-lhe e ironia.

Eterno retorno

"Começam a perceber-se as misteriosas razões que terão levado 2 159 742 portugueses a votar em Passos Coelho.

O eleitorado português tem sido repetidamente elogiado pela prudência e sensatez. Tirando a parte, humana, demasiado humana, da lisonja, resta o que é talvez fundamental, que os portugueses não gostam de surpresas e votam no que conhecem. E há que admirar a sua intuição: votando em Passos Coelho, o jovem desconhecido vindo do nada, que é como quem diz da JSD e de uns arrufos com a Dra. Ferreira Leite, votaram no mesmo de sempre, na incomensurável distância que, em política, vai do que se diz ao que se faz.

E, pedindo ajuda a O’Neill, o eleitorado «tinh’ rrazão»: disse Passos Coelho que era um disparate afirmar-se que que tributaria o subsídio de Natal e foi a primeira coisa que fez mal chegou ao Governo; que não mexeria nos impostos sobre o rendimento e idem aspas; que iria pôr o Estado em cura de emagrecimento e o «seu» Estado só tem engordado adjuntos, assessores, «especialistas» (e até «superadjuntos» e «superespecialistas»); agora foi de férias «para recuperar algum tempo do [seu] papel enquanto marido e pai» depois de ter anunciado que «o Governo não gozará férias» dada a necessidade de , «com rapidez», «traduzir os objectivos (…) que estão fixados em políticas concretas».

Estou em crer que o eleitor português típico, se tal coisa existe, nunca votaria num político imprevisível."

JN, 10/08/2011

(… enganou-se o nosso bom poeta e cronista. Esse “eleitor português típico” cuja existência ele até pôs em dúvida e que, de facto, não deve existir, voltou a votar no tal “político imprevisível” quatro anos mais tarde e depois de todas as “tarrafias” por que fez o tal eleitor típico - e os outros todos - passar… Mas a essa inexplicável incongruência do eleitor já o poeta foi poupado por um trágico revés da vida.)




domingo, 26 de novembro de 2017

Leiria veste-se de Natal

A cidade começa a preparar-se para a época mais festiva do ano.

Para vos desejar um bom início de semana, deixo aqui as primeiras imagens de Natal que iluminam as belezas da cidade.














Last but not least...






Boa semana, amigos!