Ouvem-se sirenes e tiros, muitos tiros. Há gente baleada no chão, gente a correr. E reza-se em português, tão longe de Lisboa. Foi há 20 anos o massacre que pôs os olhos do mundo em Timor-Leste, mas o país ainda procura as vítimas que morreram naquele dia.
No dia 12 de Novembro de 1991, o exército indonésio atira numa multidão que prestava homenagem a um estudante morto pela repressão no Cemitério de Santa Cruz. 271 pessoas são assassinadas no local e outras tantas na caçada humana que continuou dias e noites, inclusive nos hospitais.As imagens do massacre realizadas por jornalistas estrangeiros fazem com que o mundo descubra a tragédia de Timor.
Em jeito de homenagem a este povo que só anos mais tarde, em 2002, ganhou a sua independência, deixo aqui um poema coletivo escrito em 1995 pela minha (querida) turma do 9º A (que acompanhei desde o 7º ao 9º ano) com o professor de Língua Portuguesa, o meu caro amigo Luís Lobo.
A TIMOR
Timor é dor
fome de amor.
Derramas o teu sangue
para resistires,
povo oprimido
povo sofrido.
Lutas com honra
contra a intolerância
que teus filhos levou,
que teus filhos massacrou.
Timor é dor
fome de amor.
Disparam-se lágrimas
em teus olhos. Desolação,
desespero e mágoa
em luta desigual.
Soam sirenes,
avisos de guerra,
gritos de armas:
a orquestra da morte.
Timor é dor
fome de amor.
Foste abandonado,
desgraçado pela violência,
discriminado pelo poder.
Pesada é a tua cruz!
Cruzamos os braços,
acendemos uma vela…
rezar não adianta.
Desculpa-nos, Timor!
Timor é dor
fome de amor.
Outubro de 1995
Poema coletivo do 9º A
