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segunda-feira, 12 de março de 2012

É d'homem!




A notícia espantou-me, confesso! Aconteceu num agrupamento de escolas do concelho de Leiria, não interessa qual. O Conselho Geral, que é o órgão da escola – constituído por representantes dos professores, dos funcionários, dos pais, da autarquia e da sociedade civil – que tem a competência para eleger o Diretor mediante procedimento concursal prévio à eleição, decidiu nem sequer aceitar a candidatura do único pretendente ao cargo deixado vago por aposentação do anterior Diretor por entender que o projeto apresentado pelo candidato não tinha qualidade e por ele, apesar de ter anos experiência no cargo, não se ter atualizado. Desculpem a expressão do meu comentário, mas é d’homem

Tendo em conta a legislação e se assumirmos que os elementos dos Conselhos Gerais regem a sua atuação pelos Princípios Éticos da Administração Pública, nomeadamente os de Serviço Público, da Boa-Fé e da Integridade, uma tomada de posição destas não deveria causar espanto. Mas, infelizmente, sabemos que – atrevo-me a dizer – na grande parte dos casos as coisas não funcionam da forma mais leal. A “promiscuidade” que se pressente em alguns dos Conselhos Gerais de que tenho conhecimento com os respetivos diretores deixa muito a desejar no que concerne à relação e ao equilíbrio de competências que a legislação prevê. Desde candidatos a diretor que se fizeram eleger para Conselhos Gerais Transitórios – que foram os primeiros que funcionaram para eleição dos primeiros diretores – com a finalidade de serem eleitos como presidentes do CG e assim poderem facilmente manipular a sua eleição como futuros diretores, até à concretização de irregularidades várias (devidamente denunciadas para a DREC e por esta ignoradas), até à situação de presidentes do CG que vivem em união de facto com diretores (como acontece num outro agrupamento de escolas das proximidades) acontece de tudo por este país chamado de “brandos costumes” mas que não sabe, nem quer cumprir as regras mais básicas da democracia.

Por isso, quando acontece que os órgãos desempenham a sua função com grande sentido de responsabilidade e de justeza e sem conivências nem medo de represálias ou de vingançazinhas pessoais (já que se as relações institucionais entre o diretor e o presidente do CG se movem na roda de “chefe-subordinado” versus “subordinado-chefe”) como aconteceu naquele agrupamento que comecei por referir, temos de lhes tirar o chapéu!


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fábula moderna




Era uma vez um leão já entrado na idade, um tanto pachorrento e pouco sabedor das andanças de gerir e decidir mas com muito boa opinião de si próprio que foi escolhido finalmente para rei da selva.

Não cabendo em si de orgulhoso e de contente, de imediato decidiu que afastaria de si e de qualquer pontinha de poder todos os descendentes do leão que morrera, deixando o trono livre.

Por outro lado, pensou que lhe seria favorável rodear-se dos animais do reino que sempre se lhe mostraram mais disponíveis e mais eficientes. E foi assim que se fez acompanhar no poder por umas tantas cobras e uns tantos tubarões que lhe juraram fidelidade eterna, prometendo-lhe que fariam todo o trabalho, podendo o velho leão passear-se pela selva bem disposto e livre, espalhando sorrisos pelos súbditos mais próximos.

O tempo foi passando e o leão continuava feliz. Tudo lhe aparecia feito pela corte, não tendo ele de fazer mais do que representar o seu reino nos encontros imperiais.

Mas – e há sempre um “mas” nas vidas das pessoas – a certa altura, o leão começou a notar alguma tristeza e desencanto entre os súbditos e resolveu chamar um velho elefante que nunca lhe fizera a corte nem lhe fora muito próximo para ele lhe dar a sua opinião mais desinteressada sobre o olhar baço e, por vezes, de rebelião que ele perscrutava no semblante dos próximos. E aí ficou a saber que os tubarões tinham começado a não se entender com as cobras; que estas trabalhavam com afã mas assentavam todo o seu trabalho em critérios de maldade e de vingança e que só os sequazes e apoiantes mais próximos do leão eram favorecidos e tratados com bonomia.

O leão ficou desagradavelmente surpreendido mas nada pôde fazer porque baseara toda a sua acção naquela corte que ele quase ingenuamente escolhera no princípio do seu reinado.

Diz quem se lembra que o leão foi ficando cada vez mais só, mais abandonado por todos e que até alguns elementos da corte inicial se foram afastando aos poucos.

Um chefe tem mesmo de conhecer muito bem quem tem à sua volta e tem de saber escolher muito bem os seus colaboradores mais próximos.