segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Tchin, tchin, tchin! À la santé!

Bom Ano Novo
Para todos os amigos e amigas.



quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Depois do Natal

Até dá para ouvir este Grito de desespero... depois do(s) jantar(es) de Natal...



terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Despertando a criança que há em nós!

Numa época em que os quase nos forçamos a que os nossos corações transbordem de alegria e de bondade - oh como me vem à cabeça aquele poema de um Gedeão mais desencantado que dizia «Hoje é dia de ser bom» - trago aqui uma representação, decerto já vossa conhecida, mas que pode despertar a criança que há em cada um de nós.

Desfrutem! E, já agora, Boas Festas!




sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Rapsódia de Bethlehem

Decalcada na belíssima Bohemian Rhapsody dos míticos Queen, não se resiste a ver e rever e divulgar esta Bethlemian Rhapsody que, de forma bem divertida, relembra o nascimento de Jesus.

Se não conhecem, não percam. (só lamento que as legendas não sejam em português)

E, já agora, Bom Natal!




quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O anúncio do orangotango

Se calhar, até já o conhecem, mas eu só hoje o vi; recebi por mail  de uma amiga.
Dizem-me que foi um anúncio censurado na televisão britânica.

Com esta moda das fake news, não sei se será mesmo verdade. Mas, de uma forma ou de outra, vale a pena vê-lo e revê-lo e divulgá-lo.




domingo, 16 de dezembro de 2018

Ite missa est...

Deus e os meus amigos sabem bem que não sigo os ritos católicos, nem religiosos em geral. Só que, de vez em quando, há aquelas obrigações familiares e sociais a que é preciso corresponder.

Foi o caso de hoje. Partiu desta vida a última dos ascendentes da família próxima do meu marido. Uma tia, viúva do tio irmão da minha sogra, a última matriarca da família, com 93 anos de uma vida cheia de altos e baixos – como as de todos nós que descemos a este paraíso terreal – e que, pelo menos na minha perspetiva, era um doce de senhora que, especialmente nos últimos anos de vida, depois de ficar sozinha, se tornou ainda mais doce.

Os filhos, nossos primos, portanto, decidiram-se por uma despedida religiosa e nós lá fomos acompanhar aquela nossa tia tão recetiva e compreensiva nos seus últimos momentos aqui connosco.

Entrou o celebrante, um jovem de hábito branco e até aí tudo bem. O pior foi quando abriu a boca: nem o nome da senhora conseguiu dizer direito: (senhora Maria Glória, dizia ele). Isto depois de falar várias vezes no marido da defunta, não percebendo, quem não fosse da família, se ele era vivo ou morto. Utilizou (mal quanto a mim, claro!) a parábola das dez virgens sensatas e das dez virgens descuidadas que foi tão maltratada que deixou o Senhor um bocado malvisto…

Entoava bem, mas quando falava, a voz não tinha força nem projeção e tropeçava no meio das frases. Uma lição mal preparada, cogitava eu, professora dos quatro costados… A única coisa que lhe saiu bem foi rezar o Pai-Nosso, até porque todos os rezaram em coro…
Quando eu pensava que ia continuar para missa por alma, o jovem pediu a colaboração de alguém para levar a cruz e terminou dizendo: «agora façam duas filas atrás e sigam atrás da cruz».

Pensei cá comigo: «Ai, Graça Maria, que está cada vez mais crítica; tu que nem segues estes ritos senão esporadicamente…» Mas depois lembrei-me do “meu” Padre Abílio, lá de Sintra, de quando eu ia ao “santo sacrifício da saída da missa”, que sabia como portar-se como um verdadeiro celebrante (missas em latim, naturalmente!) voz projetada e língua afiada para os adolescentes tontos feito eu quando lá aparecíamos… Que diferença!

Não fui apenas, porém, eu a notar o desconcerto do jovem pároco: havia quem rolasse os olhos de espanto. E até ouvi alguém dizer que o jovem não era padre, era apenas missionário.

Fosse o que fosse, prestou um mau serviço à Igreja. Além de que a nossa tia (Maria da) Glória merecia melhor…




sábado, 15 de dezembro de 2018

Política de Proteção de Dados

Eis um bom exemplo da aplicação da nova política de proteção de dados...




terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Incapacidades...


Tenho a nítida noção das minhas limitações (que são muitas) e das minhas muitas incapacidades. O que não quer dizer que lide bem com elas…

Enfureço-me quando dou de caras com as dificuldades em levar a cabo determinadas tarefas. Uma delas é acender a lareira. Normalmente vejo-me grega para a pôr com uma labareda de jeito com recuperador e tudo. E eu que até sou capaz de fazer um belo de um cozido à portuguesa, ou uma boa feijoada, ou até umas jeitosas de umas broas castelar; eu que até sou capaz de comentar um texto de Lobo Antunes ou mesmo uma cantiga de amor à maneira provençal; eu que até sou mulher para levar uma turma de 9º ano a Londres, ou dirigir uma escolona daquelas, não sou capaz de acender a lareira e pô-la com uma labareda de jeito?

Enfureço-me, a sério que só me apetece atirar com as achas e as acendalhas pelo ar… e, por muitos raminhos secos que lhe junte, por muitas tabuinhas finas que lhe acrescente, por muitas acendalhas com que a incendeie, a safada da lenha não pega! Uma hora nisto é de mais!

E é aí que eu penso como é que os incêndios nas florestas podem começar com um cisquinho de nada? (Quase) não dá para acreditar...




sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Natal de outros tempos

O DN - agora apenas semanário - está a trazer-nos à memória textos do Natal de outros tempos. 

Esta ilustração a preto e branco foi publicada no DN de 25 de Dezembro de 1928 e, com desenho do ilustrador e pintor modernista Bernardo Marques (1898 - 1962) e texto da escritora Fernanda de Castro (1900 - 1994), mostra-nos os brinquedos que faziam as delícias das crianças daquele tempo.




De notar a ingenuidade dos versos que eram, de igual forma, dedicados às crianças...


O cavalinho de pau
não precisa de chicote.
No reino da fantasia
anda a galope, anda a trote.

O vaporzinho de lata
não receia o mar profundo
Adeus! Adeus! Vai partir
Para onde? Para o mundo!

O soldadinho de chumbo
vive contente, é feliz
na caixinha de cartão
que lhe serve de país. 

o comboio vai partir,
a vida é o fim da viagem...
Quem não quer ir para a vida?
Quem não compra uma passagem?

Ninguém sabe quantas voltas
uma bola dá no ar...
Também as voltas do mundo
ninguém as pode contar.

Com esta caixa de tintas
todos nós somos pintores...
A vida é negra? Que importa!
Vamos nós pintá-la a cores.

A bonequinha de loiça
que tem anéis e cordão
chapéu, sapatos, vestidos 
terá também coração?

(Fernanda de Castro)

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Então já é Natal (outra vez)


É por todo o lado! Parece que o Natal já chegou (outra vez)





Que é como quem diz...


Então já é Natal e o que têm feito?
Termina outro ano e outro está a chegar

E por isso é Natal, espero que se divirtam
Os próximos e os queridos, os velhos e os jovens

Um Natal muito, muito feliz e um bom Ano Novo
Esperemos que seja bom e sem quaisquer medos

E então é Natal, para os fracos e para os fortes (a guerra já acabou)
Para os ricos e para os pobres, a estrada é tão longa! (se vocês quiserem)

E então já é Natal, para os negros e para os brancos (a guerra já acabou))
Para os amarelos e para os vermelhos (se vocês quiserem)
Esperemos que terminem todas as guerras

Um Natal mesmo muito feliz e um bom Ano Novo (a guerra já acabou)
Esperemos que seja bom e sem quaisquer medos (se vocês quiserem)

Então já é Natal e o que têm feito?
Termina outro ano e outro está a chegar

E por isso feliz Natal esperamos que se divirtam
Os próximos e os queridos, os velhos e os jovens

Um Natal mesmo muito feliz
Esperemos que seja bom e sem quaisquer medos

E então já é Natal e o que é que temos feito?
Outro ano termina e outro está a chegar

John Winston Lennon / Yoko Ono




quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Um pedido de desculpas do tamanho do mundo


Sabemos todos nós que por aqui escrevemos que o fazemos para sermos lidos e disso termos algum retorno, que é, de facto, onde tenho vindo a falhar. Cada vez mais. Tenho falhado na visita e mais ainda nos comentários aos textos dos meus amigos bloggers.

Como publiquei há dias na minha página do facebook, «na escola ensinam-nos o passado simples, mas não o futuro complicado»...



 ... e, o facto é que, neste momento, o presente e o futuro cá em casa estão muito complicados. E, por isso especialmente, junto com todas as atividades em que (felizmente e ainda bem para distração do espírito) me envolvi, não encontro ânimo nem tempo para vos visitar e ler e comentar como muito bem merecem. Por isso vos peço muita desculpa.

Mas não me levem a mal se por aqui continuar a aparecer com um ou outro texto, uma ou outra música ou poema, ou até com uma ou outra brincadeira – há que manter as rotinas, fazer com que não se esqueçam de mim e aliviar o sufoco d’alma…





domingo, 25 de novembro de 2018

Não o fazem apenas os políticos...


Esta é mais uma história da minha rua.

A vizinha tinha (e tem) muito mau feitio. Diziam, por eufemismo, que “tinha o nariz arrebitado”. Eu, que sempre a conheci por dentro (e até gostava dela: se calhar ainda gosto, sei lá!) sempre achei que o fazia por grande défice de educação e de boas maneiras.

Por de mais autoritária, gritava tanto lá em casa que se ouvia em toda a vizinhança. Tudo a toque de caixa. A prole tinha-lhe um “respeitinho” exacerbado que os fazia obedecer-lhe ao minuto. Lá em casa não entrava (nem entra) ninguém – crianças então nem pensar – porque tudo estava (e está) museologicamente exposto sem lugar a mínimas mexedelas…

De um humor altamente variável, eram (e são…) mais as vezes que passa e quase não fala (ou não fala mesmo) às pessoas, mesmo as mais chegadas do que aquelas em que se digna notá-las. Algumas dessas vezes é capaz de falar sem parar, de contar chistes e de falar nos bons velhos tempos com a maior emoção.

Amigos fazia-os com grande facilidade e, enquanto lhe convinha eram umas amizades excessivas com encontros e prendas constantes, até ao dia em que, por qualquer motivo, se desagradava deles e pof! Acabavam-se as amizades…

Extremamente vaidosa e bastante conflituosa, sempre se arrogou o direito de desconfiar, julgar e maldizer quem quer que fosse – nomeadamente os que que eram mais próximos.

Daquelas pessoas com quem, apesar das prendas que, por vaidade, gosta(va) de distribuir pelo Natal, nunca se pôde, nem pode contar para nada.

Conseguiu, com os seus comportamentos desmedidamente azedos, afastar, ao longo dos tempos, os familiares jovens mais próximos que, já adultos, só lhe falam por educação.

Agora que – como a todos nós sempre acaba por acontecer – a Vida lhe tem desabado em cima com toda a espécie de maldades, quer dar uma imagem de santidade (que nunca se preocupou em ter) como aquelas pessoas que, para o fim da vida e com o terror da morte e da doença se viram para os deuses que sempre desprezaram. E trata de querer branquear todo um passado de desconformidade dizendo e repetindo: «que é que eu fiz, para merecer isto tudo?»; «qual foi o meu grande pecado?»

Entretanto, e perante educada indiferença com que é tratada por aqueles que toda a vida desfeiteou, lamenta e diz não entender as razões de tal distanciamento, de tal frieza de comportamentos… «Gostava de lhes perguntar que mal lhes fiz!» - reclama continuadamente.

Não são, de facto, apenas os políticos que pretendem branquear os erros passados…




sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Isto da Black Friday...


Sabe bem quem já me vai conhecendo que não me incomodam nada nem beliscam a minha noção de identidade nacional as «importações» de hábitos culturais como atualmente acontecem nomeadamente aqueles que nos invadem vindos dos países anglo-saxónicos.

Foi o caso do Hallowe’en e do Dia de São Valentim de que tanto acusam os professores de Inglês (touchée…) Antes disso tinha-se «importado» o Pai Natal no seu vistoso fato vermelho da Coca-Cola montado no seu belíssimo trenó puxado por pares de renas do Polo Norte…

(Isto para não falarmos da constante «importação» de termos e expressões inglesas que vão enxameando a nossa belíssima lexicologia sem que os abespinhados defensores da ortografia anterior a 1990 disso façam o mínimo caso!)

Agora temos de aguentar a interminável torrente dos afamados (mas enfezados) descontos da Black Friday…

Faz parte das minhas rotinas ir ao shopping à sexta-feira de manhã para dar uma volta pelas lojas e fazer as compras da semana. Hoje calhou-me a tal da Black Friday. Os descontos andavam na casa dos 20% - sei que, até ao Natal, hão de aparecer descontos muito mais vantajosos, mas o shopping estava cheio e as pessoas parecia que andavam maluquinhas...




domingo, 18 de novembro de 2018

Cai a chuva abandonada


Cai a chuva abandonada
à minha melancolia,
a melancolia do nada
que é tudo o que em nós se cria.

Memória estranha de outrora
não a sei e está presente.
Em mim por si se demora
e nada em mim a consente

do que me fala à razão.
Mas a razão é limite
do que tem ocasião

de negar o que me fite
de onde é a minha mansão
que é mansão no sem-limite.
Ao longe e ao alto é que estou
e só daí é que sou.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'




sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Porque é preciso rir...

Isto dos homens e das mulheres é assim a modos que bem diferente. Eles, coitados, acabam por ser uns simplórios...

Senão vejam...


Um homem e sua esposa fizeram uma lista de 6 pessoas com quem eles gostariam de transar:


Ela escolheu:

George Clooney
Brad Pitt
Cristiano Ronaldo
Rob Lowe
David Beckham
Antonio Banderas

Ele:

A sua prima
A professora do filho
A vizinha
A cunhada
A melhor amiga da esposa
A empregadinha de 18 anos da vizinha.

Os homens são assim, simples, modestos, sem luxos…




terça-feira, 13 de novembro de 2018

Um tesourinho dos anos 70

De 1975, da parceria Vinicius/Toquinho, uma doçura.

Já quase nem dava para lembrar... Ouvi esta manhã na rádio e não resisti em trazê-lo para aqui.

Espero que seja também para vós uma boa recordação.




domingo, 11 de novembro de 2018

Dia da Papoila

No dia do centenário do Armistício da Grande Guerra, volto a trazer aqui o poema que o soldado canadiano John Mcrae escreveu em plena guerra., pouco antes de ser morto.


IN FLANDERS FIELDS

In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved, and were loved, and now we lie
In Flanders fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders fields.


(John Mcrae, em 3 de maio de 1915)
NOS CAMPOS DA FLANDRES

Nos campos da Flandres
as papoilas florescem entre as cruzes
que em fileiras e mais fileiras assinalam
nosso lugar; no céu as cotovias voam
e continuam a cantar heroicamente,
e mal se ouve o seu canto entre os tiros cá em baixo.

Somos os mortos... Ainda há poucos dias, vivos,
ah! nós amávamos, nós éramos amados;
sentíamos a aurora e víamos o poente
a rebrilhar, e agora eis-nos todos deitados
nos campos da Flandres.

Continuai a lutar contra o nosso inimigo;
 a nossa mão vacilante atira-vos o archote:
mantende-o no alto. Que, se a nossa fé trairdes,
nós, que morremos, não poderemos dormir,
ainda mesmo que floresçam as papoilas
nos campos da Flandres.





sábado, 10 de novembro de 2018

Mais um lugar comum...


A internet está cheia de lugares comuns. Não desses em que estais pensando “viver um dia de cada vez”, “dar a volta por cima”, “é complicado”, “basicamente”, “então é assim” – e tantos, tantos outros.

O lugar comum a que hoje me refiro é de outro teor. Nos blogs e no facebook, pululam mensagens de real e profunda tristeza que dizem: «Pai, partiste há [tantos] anos…» ou «Faria hoje [tantos] a minha querida mãe/o meu querido pai partiu…»   

Temos, de facto, uma enorme necessidade de expurgar a saudade, o vazio que nos ficou na alma (e no espaço físico que é bem mais visível) e por isso expomo-los aos olhos de todos, talvez com a esperança de que as palavras carinhosas de retorno nos aliviem o coração (ou nos envaideçam o ego, sei lá!)

Pois hoje é dia de ser eu a vir aqui plantar mais um desses lugares comuns: a minha mãe foi, de certo, a pessoa que mais marcou a minha vida e, se bem que tenha partido inesperadamente há trinta anos, nem por um só dia deixo de me lembrar dela. E tantas vezes, ao fim da tarde, sinto aquela vontade de lhe telefonar como fazia todos os dias quando a deixei sozinha em Sintra para finalmente vir viver a minha vida de mulher casada.

Pois é: faria hoje anos – muitos, mas não posso esquecer que tão cedo partiu…

Parabéns, mamã. Tenho muitas saudades tuas.




quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Ainda e sempre a nossa Língua

Reparem bem, meus amigos, no título deste desenho que descobri numa exposição de trabalhos antigos ali na galeria do antigo Banco de Portugal.

Viaducto no Valle d'Alcantara



Não estava datado, mas, pela ortografia usada, é com certeza anterior ao acordo ortográfico de 1911.

Imagine-se o que os contemporâneos desse acordo tiveram de gritar e barafustar quando se passou a escrever Viaduto do Vale de Alcântara...

Se não houvesse reformas ortográficas ainda estaríamos a escrever em galaico-português...

Boa noute... :)))



terça-feira, 6 de novembro de 2018

No aniversário de Sophia



Nascida no Porto em 6 de novembro de 1919, faria hoje 99 anos a voz helénica que sempre se elevava contra todas as injustiças do seu tempo.

Aqui fica um dos seus poemas sempre belos e atuais.

Com Fúria e Raiva

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

sábado, 3 de novembro de 2018

A vida é o ai que mal soa...

Li o mail esta manhã: "o nosso amigo Carlos Oliveira, (do sempre interveniente blog Crónicas do Rochedo,) morreu na passada 2ª feira. Foi cremado."

Triste de mais. Triste de mais. Apesar daquela sua despedida algo desassombrada em 6 de setembro último, apesar de se estar já à espera, a realidade bate sempre forte e crua.

Não sei se acredito naquela frase de conveniência que se diz: «Descanse em paz.» Mas que descanse em paz se for caso disso.

E, como sempre, é a poesia que me vem de imediato à ideia. E evoco aqui João de Deus.

«A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa.

(...) 

A vida o vento a levou.»




Até um dia, Carlos!



terça-feira, 30 de outubro de 2018

Do Dia das Bruxas




Desengane-se quem, com algum desdém, afirma que os festejos do dia 31 de outubro foram importados da América. Errado! É uma tradição celta e os celtas também andaram por cá pela Península. Só não se chamava Halloween, que é, de facto, um termo celta, inglês, que foi importado e popularizado pelos países americanos.

E eu, que já vou na sétima década de vida, sempre me lembro de se falar no Dia das Bruxas, em véspera do Dia de Todos-os-Santos.

Se tiverem paciência, leiam este textinho que transcrevo do DN.


Esconjurar o mal

A culpa é do Mago Merlin. Ou, se quisermos viajar para ainda mais longe no tempo, talvez mesmo dos antigos egípcios que tentavam apaziguar os espíritos dos mortos com requintadas oferendas de bens terrenos. Esperava-se que, assim, devidamente saciados, chegassem e bom destino e não votassem para infernizar os vivos.

O Halloween, que hoje se vende nos hipermercados para deleite dos miúdos e angústia suplementar dos adultos, tem as suas origens no riquíssimo manancial das tradições celtas pré-cristãs. No final do verão, encerrado o ciclo das colheitas, celebrava este povo o festival de Samhain, durante o qual eram levantadas, em cada aldeia, enormes fogueiras. Acreditava-se que na noite que corresponde sensivelmente ao nosso 31 de outubro os espíritos dos mortos visitavam quem tinham deixado por cá. O fogo, bem como as celebrações dos sacerdotes, os famosos druidas, servia para exorcizar quaisquer espíritos malignos que se dispusessem a acompanhar as boas almas nessa “peregrinação” anual.

O culto dos mortos e o ritual de sazonalmente lhes apaziguar a “inveja” pelos que vivem e a saudade do que deixaram e, no entanto, tão universal quanto a espécie humana. Não admira, por isso, que quer os invasores romanos (que também erguiam altares domésticos aos antepassados) quer os cristãos tenham assimilado essa tradição celta, em detrimento de outras (como a crença em fadas ou nos espíritos da natureza, como das árvores) que foram perseguidas com furor. O cristianismo primitivo passou, assim, a festejar o All Hallow’s Day (também conhecido por Dia de Todos-os-Santos), destinado a recordar os mártires sacrificados em nome da Igreja. Originalmente celebrado a 13 de maio (curiosa coincidência com a festa de Nossa Senhora de Fátima), foi transferido, no século VIII, por determinação papal, para o final de outubro, de modo a coincidir com o Samhain que continuava a celebrar-se, aqui e ali, na Grã-Bretanha, Irlanda, França e no norte da Espanha. Devidamente cristianizada, a data continuava a evocar os santos mártires da Igreja, mas mantinha a crença de que essa era uma noite especa, em que, por artes mágicas, se abria um canal de comunicação entre vivos e mortos. Chamaram-lhe All-hallows-even, mais tarde Hallow Eve [véspera dos Santos], depois Hallowe’en e, finalmente, Halloween.

(Texto de Maria João Martins in DN 1864)



domingo, 28 de outubro de 2018

Tristes imagens!


Vejo cada vez menos televisão – vá-se lá saber porquê…

Deixamo-la ligada a partir da hora do jantar, mas pouca atenção lhe vou dando.  Ontem, porém, duas imagens me impressionaram especialmente. 

Passo a expor: a primeira foi num relance que me apareceu a Judite de Sousa (a quem eu gosto de chamar por gozo “carochinha de sousa”) que se mandou para o Brasil a semana toda para fazer a cobertura das eleições – dizem eles. Apareceu-me então a senhora diretora de informação da tal estação de televisão sentada, muito bem produzida, muito bem pintada, muito bem penteada e com uns óculos enormes (a fazer lembrar uma professorinha) a entrevistar um senhor que não sei quem era. Nem interessa porque o que impressionou foi mesmo a figurinha da dita diretora de informação. Que me desculpem os mais austeros, mas por milésimos de segundos pareceu-me ver uma daquelas “acompanhantes brincalhonas” que se mascaram de certas profissões para mais facilmente divertirem e excitarem os companheiros. Na situação em questão, a senhora estaria travestida de professorinha divertida… E como sou mesmo mazinha, pensei que a senhora foi até ao Brasil, desta vez sem o ex apresentador Marcelo e sem o ex banqueiro Salgado, pensando que ia para o Carnaval ou para mais uma festa de passagem de ano…

A outra imagem que me impressionou – e esta bem mais do que a anterior – foi ver o inefável presidente dos Estados Unidos, com aquela inexpressão facial que lhe é característica, e uma esvoaçante gravata bem encarnada, afirmar que, no trágico caso do tiroteio numa sinagoga em Pittsburgh, melhor teria sido se houvesse dentro da sinagoga forma de se defenderem. Nem quero imaginar que o serviço dentro das sinagogas e das igrejas passe a ser feito naquele país com uma arma encostada ao altar…





sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O voto

Do melhor que já vi sobre o voto.

Atenção Brasil! E Portugal. E o resto do mundo.

Atenção a todos nós!


(in Jornal de Letras)

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Da efemeridade da vida

A rosinha (da minha roseira brava) estava em botão quando a vi de manhã.



Pelo meio do dia toda ela se abria em cor.




E, ao fim da tarde, dava já sinais de morrer em breve.



Então lembrei-me das rosas dos jardins de Adónis de Ricardo Reis «que em o dia em que nascem, em esse dia morrem».

E trouxe-o aqui para refletirmos...



As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres 1 amo, Lídia, rosas,
        Que em o dia em que nascem,
        Em esse dia morrem.

A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
        Antes que Apolo deixe
        O seu curso visível.

Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
        Que há noite antes e após
        O pouco que duramos.

1.  efémeras


11-7-1914

(Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1946)


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Burgueses somos nós todos ...

Foi Mário Cesariny, poeta surrealista, quem o escreveu pelos anos 40, embora apenas fosse publicado em 1959 no livro Nobilíssima Visão.

Falava, no seu todo, da vidinha, o real do dia-a-dia na vida de gente com pouco que contar. Por isso me lembrei de o trazer hoje aqui - o poema Raio de Luz, título que é a antítese da sua essência.

Burgueses somos nós todos
    ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos
    desde pequenos.

Burgueses somos nós todos
       ó literatos.
Burgueses somos nós todos
      ratos e gatos


Burgueses somos nós todos
    por nossas mãos.
Burgueses somos nós todos
    que horror irmãos.


Burgueses somos nós todos
    ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos
     desde pequenos. 


(Mário de Carvalho utilizou os dois primeiros versos deste admirável poema como título de mais um dos seus belíssimos livros de contos.)

(daqui)


domingo, 21 de outubro de 2018

Depois da paralisação dos táxis...

... espera-se nova paralisação em Lisboa...

E não são os professores do Mário Fenprof! Nem os enfermeiros da menina Cavaca....

São mesmo OS CARTEIROS!!!





terça-feira, 16 de outubro de 2018

sábado, 13 de outubro de 2018

Ai as pessoas que dizem ser frontais!


(daqui)

Talvez seja por ter sido educada para a contenção, mas não lido bem com quem apregoa aos quatro ventos que é frontal.

A frontalidade, assim como a assertividade, são conceitos atuais que têm por princípio a franqueza e a sinceridade, mas numa base de boas maneiras. E é este último traço é que falha muitas, mas muitas vezes.

Quando vejo alguém muito ufano a anunciar que é muito frontal, quase adivinho borrasca…

Quem tem uma qualidade, um talento, uma aptidão, não tem necessidade de andar a apregoá-los por aí, sob pena de mostrar que de facto não os tem, mas gostaria…

Uma pessoa que se dirige a outra ou a outras anunciando à partida alto e bom som «eu cá sou muito frontal» deixa, de imediato, prever que é daquelas que usa a chamada frontalidade para mostrar a sua grosseria. E logo, logo berra, gesticula e barafusta. Acontece muito com quem tem um enorme autoconceito e não sabe o que são bons modos.

Tenho pena de não conseguir reagir de igual forma quando sou alvo de um desses comportamentos. Sorrio e respondo o mais serenamente que consigo o que leva a pessoa “frontal” a pensar que ganhou o diálogo porque sou mesmo “totó”. Depois fico danada comigo própria e passam dias até que me passe a birra.

Aconteceu-me ontem à tarde e ainda não me passou…