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sábado, 26 de outubro de 2013

Compras na Cidade


Com a shopping-mania que se abateu sobre as cidades de há uns anos para cá – e até sobre Leiria, imagine-se! – e também com os sucessivos cortes com que os “nossos” governantes têm mimoseado os reformados, diga-se, fui perdendo o (bom) hábito de dar umas voltas pela cidade a ver as lojas e a fazer uma comprita aqui, outra acolá.

Ontem à tarde, para me recompor de tanta chuva e tanto tempo cinzento e de uma semana de algum mal-estar, resolvi ir passear pelas ruas e ver as lojas.

Nos anos em que, de acordo com as contas e as certezas deste “governo”, todos nós vivíamos “muito acima das nossas possibilidades”, por esta altura do ano já tinha feito quase todas as comprinhas de Natal para sobrinhos, amigas, filhos de amigas e parte da família chegada, “extravagância” para a qual muitas vezes me chegava menos de metade do subsídio de Natal. Como agora o que atualmente recebo de “prestação mensal” do dito subsídio não chega, nem pouco mais ou menos, para pagar a também mensal taxa de solidariedade social, ainda não tenho nada comprado e pouco vou comprar, claro.

Na minha voltinha de ontem, porém, pensei que talvez encontrasse algumas coisas que me surpreendessem pela novidade e/ou pelo preço, sei lá!




Entrei, saí, entrei, saí, entrei e voltei a sair e, das lojas que ainda não fecharam, saí sempre com a mesma sensação: espaços enormes vazios, ou enormes porque vazios, com as funcionárias, muitas delas “velhas conhecidas”, fingindo-se entretidas, ocupadas a arrumar cabides ou a ajeitar roupas ou a verificar códigos no computador… Que desânimo! Ver uma loja enorme de uma cadeia espanhola que costumava fervilhar de jovens em fila para experimentarem um fato, umas calças, um vestido, completamente vazia. Outra de roupa para crianças em tempos de preços acessíveis, completamente vazia. Outra que outrora tinha dois andares repletos de modelos masculinos e femininos mas que agora usa um só andar metade do qual ainda com saldos de verão, completamente vazia. Tudo vazio. Tudo como que para fechar. Como as pessoas: também parece que estão para fechar. Um desânimo!

Vim para casa. Como quem também está para fechar. Desanimada.



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Carta Aberta

(imagem da net)

Hoje (mas não é de agora) eu queria, do alto da minha idade, da minha experiência e das minhas vivências, boas e más, dizer ao senhor Pedro e ao senhor Paulo e ao senhor Nuno e às donas Assunções e à menina Luís e ao mestre Aníbal de Boliqueime que não queria voltar a ver como vi a mulher da casa a rebuscar os tostões pela casa para poder ir à praça comprar o almoço.

Que não queria voltar a ver a senhora que lavava a roupa ao tanque e passava o chão a pano de joelhos a ser paga em pouco mais que tostões e a levar os restos do almoço dos patrões para dar de comer à família.

Que não queria voltar a ver o homem da casa a ficar sem emprego e ato contínuo sem qualquer provento para continuar a manter a família.

Que não queria voltar a ver as crianças a abandonarem a escola porque os pais não conseguem mantê-los lá nem a isso são obrigados.

Que não queria voltar a ver as crianças e as pessoas portadoras de deficiência a serem escondidas em casa – quem não aparece, não existe.

Que não queria voltar a ver os doentes – os que puderem, claro! – serem tratados em casa ou em instituições privadas porque os hospitais não têm condições para os receber. E que não puderem morrer se deixam.

Que não queria voltar a ver o afastamento e a subserviência dos pobres, que serão cada vez mais, relativamente aos abastados, que serão também cada vez mais.

Que não queria voltar a ver chegar um qualquer «salvador da pátria» e tomar conta disto tudo e de todos nós em nome do equilíbrio das finanças.

Mas a avaliar pelo caminho que as coisas estão a levar, já não sei não!



quarta-feira, 3 de julho de 2013

Kafka no seu melhor!

O Google informa-nos que passam hoje 130 anos desde o nascimento de Franz Kafka. Francamente não sabia, nem nunca Kafka foi um dos autores de que eu gostasse ou conseguisse ler até ao fim por emaranhado de mais, por surrealista de mais, por insólito e absurdo de mais por sufocante de mais!

A situação que se vive no país desde o meio da tarde de ontem, porém, é a maior homenagem que se pode fazer ao movimento surrealista. Escrevi ontem no facebook que o texto que o pseudo-primeiro-ministro leu ontem ao país à hora dos telejornais nem mesmo Kafka seria capaz de o redigir. De facto, o insólito, o absurdo, a alienação, a paranoia foram ali elevadas ao seu expoente máximo. 

O método kafkiano, no entanto, e para nosso mal, não se limitou à retórica do alienado primeiro-ministro. Infelizmente, esse processo alastrou a toda a situação, toda a conjuntura que vivemos desde ontem à tarde.

Senão, vejamos:
  • O número dois do governo – que anteontem era número três – demite-se ontem de manhã porque diz não concordar com a nomeação da substituta do anterior número dois que se demitira no dia anterior; o presidente da República diz que não sabia de nada e faz uma declaração impenetrável sobre a forma de fazer cair o governo.
  •   Enquanto o povo fica a saber pelas televisões que o atual número dois pedira a demissão do governo, o presidente da República dá posse apressadamente à substituta do anterior número dois que fora a causadora da demissão do atual número dois; dessa cerimónia de que estão ausentes os restantes ministros do mesmo partido do número dois demissionário, o pseudo-primeiro-ministro entra e sai num instantinho e a visada está tão feliz que não consegue despegar da cara um sorriso completamente idiota que lhe vai de orelha a orelha.
  • À hora de abertura dos telejornais, o insolitamente descarado e embusteiro primeiro-ministro faz ao país a tal declaração mais que kafkiana em que diz que foi surpreendido com o pedido de demissão do número dois que, na véspera, nada lhe terá dito contra a nomeação da rapariga do sorriso desmedido e diz que não se demite, que não abandona o país. (Suspeito, cá para mim, que o país queria era abandoná-lo a ele…)
  •  Logo após esta pseudo-diversão, em igual tom e quase com a mesma voz vem, sem ninguém lhe encomendar o sermão, o líder do maior partido da oposição dizer alegremente (quase tanto como naquele dia, há dois anos, em que o anterior líder daquele partido e então primeiro-ministro abandonou o partido, o governo e o país) que estava ali aos saltinhos prontinho para ser governo.
  •  As televisões pululam de comentadores que se multiplicam a prever cenários qual deles o mais arrevesado e o mais telúrico. Alguns canais anunciam que os restantes ministros e secretários de Estado do partido do número dois ora demissionário, devem demitir-se hoje de manhã. (Seria o mínimo que se lhes devia! Mas, quando cheguei às notícias do almoço e nada de pedidos de demissão, aí comecei a desconfiar…) Nas notícias da manhã, um elemento do partido do número dois afirmou que claro que o senhor presidente da República foi avisado em devido tempo do pedido de demissão daquele.
  • O povo – essa instituição vaga e abstrata de quem tanto se fala – que andou durante meses a fazer manifestações de rua a pedir a demissão imediata do governo e até do presidente e a escrever piadas no Facebook sobre esse mesmo assunto, agora está caladinho, cheio de medo, a dizer que não havia necessidade disto, que a troika vai-se vingar em nós, que a alternativa não é credível, que os políticos são todos iguais, ah! e que lá se vai o nosso esforço e a nossa credibilidade na Europa e que assim e que assado…
  •  E agora, ao fim da tarde, ficamos a saber que afinal o número dois não volta, mas que está disponível para negociar com o partido do número um para manter tudo na mesma!

É ou não é o que eu digo? Nem Kafka com a sabedoria dos seus 130 anos conseguiria escrever uma novela melhor!

terça-feira, 18 de junho de 2013

A notícia do dia

Num país – aqui e agora – vergado ao peso de um “governo” que, apesar de (cegamente) democraticamente eleito, já quase ninguém quer nem tolera; numa altura em que a economia está completamente arrasada; em que o desemprego e a miséria subiram a números nunca antes registados; em que a (clerical) Caritas apresenta um relatório em que declara que um quarto da população vive abaixo do limiar da pobreza e como saída para esta constatação sugere (na linha do empreendedorismo do inefável Relvas) que as pessoas criem o seu próprio emprego como sendo engraxador ou vendedor de castanhas; em que duas semanas depois de terminarem as aulas os alunos não conhecem as suas avaliações porque os professores têm de lutar pelos seus postos de trabalho e mantêm uma greve como nunca antes se viu; em que o ministro que se diz da Educação, de cabeça completamente perdida, dá ordens contraditórias e compele as escolas a procedimentos inacreditáveis e ilegais para tentar “ganhar” o braço de ferro que mantem contra os professores, forçando muitos por meio do medo a porem-se contra os próprios colegas; em que grande parte dos idosos nem aos hospitais já consegue ir por não poderem pagar as galopantes taxas moderadoras; em que a Justiça tem dois pesos e duas medidas conforme se trate de ricos ou de não ricos e fecha os olhos a todos os corruptos que desfalcaram o estado em milhões só porque…; em que o presidente da República que, depois de afirmar que o dinheiro não lhe chega, declara rendimentos no montante de um milhão de euros; em que, tal como fazia Salazar, o primeiro-ministro convoca os ministros para um dia de reflexão e não divulga o lugar onde se vão encontrar porque não podem sair à rua sem forte aparato de segurança policial;

Num país em que, em que, em que…

… há um pequeno deputado da maioria (veio-me à cabeça aquela palavra que o dr Catroga utilizou há dois anos, mas há que respeitar os meus possíveis leitores…) que se levanta impante na Assembleia da República e apresenta um relatório – ao que me parece elaborado por ele próprio – de uma tal comissão de inquérito às parcerias público-privadas em que culpa o anterior governo por mais não sei o quê e que os responsáveis devem ser responsabilizados e que o dito relatório deve ser enviado para o Ministério Público! 

Não me cabe a mim estar a defender aqui as decisões do anterior governo. Mas o facto é que perante o descontentamento (quase) geral da população e face à oposição que o anterior primeiro-ministro faz ao governo e ao dito presidente da República apenas em meia hora por semana – aliás a mais forte, senão mesmo a única, que se faz sentir publicamente do lado do PS – há necessidade de fazer reviver no povo o ódio que tanto o animou contra ele. 

Não sei se o homem tomou decisões erradas ou não – algumas deverá ter tomado porque, do que conheço dele e conheço-o pessoalmente, não foi tocado pela divindade – mas pegar num relatório preliminar, fazer aquele aparato todo em plena Assembleia da República e mandá-lo para a comunicação social que, obediente – ai, não! Há que zelar pelo emprego, pois claro! – fez dele a notícia do dia, é de mestre! E nisso estes pequenos PSD(s) – lá me vem outra vez aquela palavra do dr Catroga!... – são mestres!

É que já passou muito tempo desde que disseram que o homem vivia com o Diogo Infante; que tinha enchido os bolsos com o dinheiro do Freeport; que o tio e o primo (e o gato) tinham não sei quanto dinheiro em offshores; que tinha feito a licenciatura ao domingo; que vivia “à grande e à francesa” em Paris; etc. etc. E como tudo isso se foi provando não ser verdade, há que agitar outra vez o papão do ladrão do Sócrates para reavivar no povo o ódio por ele e por  aqueles fulanos do PS. Sim, porque como agitar o povo contra inócuos como o Seguro ou o Zorrinho?


domingo, 26 de maio de 2013

Shop on

No passado sábado realizou-se mais uma edição – a 4ª ou 5ª talvez – do Shop on em Leiria, uma iniciativa desenvolvida pela Câmara Municipal e pela Associação dos Comerciantes e Industriais de Leiria, a ACILIS, com o propósito de promover o comércio atraindo o público às lojas que estão abertas até à meia-noite. A par deste horário excecional, há sempre ofertas especiais, degustação de produtos e animação nas ruas com música, folclore, grupos de ginástica e de dança, teatro, entre outras atividades.

Costumo ir à noite dar uma volta pela cidade para ver a animação. Houve um ano que foi particularmente animado com montras com manequins vivos passando lingerie, passagem de modelos na rua e muita música. E algumas compras, naturalmente.

Desta vez não fui. Essencialmente para me proteger do espetáculo triste e deprimente de ver as lojas abertas até tão tarde com esforço de patrões e de empregados sem que para seu reconforto haja clientes que entrem para comprar. É que não há poder de compra nenhum. O dinheiro escasseia, não chega, as pessoas temem pelo que possa acontecer amanhã – ou daqui a meia hora, com este “governo” nunca se sabe! – deprimem e abstêm-se de comprar. De andar pela cidade até! 

Deixo aqui algumas imagens do Shop on do passado Setembro. Que já foi para o pobrezinho...























E o JP, nosso antigo aluno lá da escola, a exibir-se para a fotografia!

terça-feira, 21 de maio de 2013

quinta-feira, 16 de maio de 2013



... Mas eu não estou já a conseguir.

E como poderá alguém conseguir quando ficamos a saber que:



e que: