sábado, 18 de agosto de 2018

Quem não tem cão...

... treina gatos... o que não há ser fácil. É que sabemos bem que os gatos (e as mulheres...) só fazem o que querem...

Vale a pena ver!



Bom fim de semana!

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

In memoriam

Não me canso de repetir a frase que li de um amigo meu: «O século XX está a deixar-nos.»

E de lágrimas nos olhos.

Hoje foi a vez da cantora soul Aretha Franklin (1944-2018)

Resta-nos recordar a sua atribulada vida (aqui)

E dizer uma pequenina oração com ela, por ela e para ela.

Descansa em paz!




terça-feira, 14 de agosto de 2018

Ode ao Futebol



Agora que (infelizmente) os campeonatos estão de volta com os respetivos resumos, relatos, transmissões, comentários de comentadeiros musculados e tudo, parece-me bem, deixar aqui uns versos engraçados do desenhador, ilustrador, caricaturista e também poeta quase desconhecido  António Fernando dos Santos - o Tóssan.


“Retângulo verde, meio de sombra meio de sol
Vinte e dois em cuecas jogando futebol
Correndo, saltando, ziguezagueando ao som dum apito
Um homem magrito, também em cuecas
E mais dois carecas com uma bandeira
De cá para lá, de lá para cá
Bola ao centro, bola fora.
Fora o árbitro!
E a multidão, lá do peão
Gritava, berrava, gesticulava
E a bola coitada, rolava no verde
Rolava no pé, de cabeça em cabeça
A bola não perde, um minuto sequer
Zumbindo no ar como um besoiro,
Toda redonda, toda bonita
Vestida de coiro.
O árbitro corre, o árbitro apita
O público grita
Gooooolllllooooo!
Bola nas redes
Laranjadas, pirolitos,
Asneiras, palavrões
Damas frenéticas, gordas esqueléticas
esganiçadas aos gritos.
Todos à uma, todos ao um
Ao árbitro roubam o apito
Entra a guarda, entra a polícia
Os cavalos a correr, os senhores a esconder
Uma cabeça aqui, um pé acolá
Ancas, coxas, pernas, pé,
Cabeças no chão, cabeças de cavalo,
Cavalos sem cabeça, com os pés no ar
Fez-se em montão multidão.
E uma dama excitada, que era casada
Com um marinheiro distraído,
No meio da bancada que estava à cunha,
Tirou-lhe um olho, com a própria unha!
À unha, à unha!
Ânimos ao alto!
E no fim,
perdeu-se o campeonato!”

Tossan  (1918-1991)


Tóssan

domingo, 12 de agosto de 2018

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Alquimia

Por vezes acontecem coisas que não têm explicação.

Ontem, estava eu de saída do átrio da escola (a minha) quando entraram duas senhoras com uma menina, linda, mestiça, olhos oblíquos, amendoados, sorriso encantador – lembrava as bonecas do Sião – para saberem que escola a menina iria frequentar. Perguntei à menina se já ia para o 1º ano. Disse que sim e logo começou a mostrar-me e a contar-me as aventuras do seu unicórnio pinypon que trazia consigo. Entrei numa conversa com ela como se toda a minha vida tivesse tratado com os unicórnios pinypon – assim de adulto para adulto, como sempre fiz com os miúdos. E diz ela, muito entendida: «Tu davas uma boa professora!»… Uma das senhoras, que ouviu a “sentença” e que talvez me conhecesse, disse-lhe: «Anda, filha, que esta senhora já aturou muitos meninos!»

Mais espantoso ainda foi logo de seguida, de caminho para a cidade, no largo fronteiro à Câmara Municipal, vem uma menina mais pequena do que a outra seguida de longe pelo pai e, sem mais, me entrega um pequeno malmequer recém apanhado de um dos canteiros e diz: «Toma, é para ti.»

Perante inesperadas situações destas, de uma ingenuidade tão doce, uma pessoa fica sem palavras.

Senti-me ungida…




quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Ode ao Gato

Dizem que hoje é o Dia do Gato. Sabia do dia 17 de fevereiro, mas se o facebook  diz que é hoje, é porque é hoje.

Para mim, todos os dias são dias dos gatos, por isso, pouca diferença me faz. Procurei e encontrei este belo poema que dedico aos gatos e a todos os amantes de gatos.

Ode ao Gato

Tu e eu temos de permeio
a rebeldia que desassossega,
a matéria compulsiva dos sentidos.
Que ninguém nos dome,
que ninguém tente
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,
pois nós temos fôlegos largos
de vento e de névoa
para de novo nos erguermos
e, sobre o desconsolo dos escombros,
formarmos o salto
que leva à glória ou à morte,
conforme a harmonia dos astros
e a regra elementar do destino.

José Jorge Letria, in "Animália Odes aos Bichos"






domingo, 5 de agosto de 2018

Onde se estava bem era em Coz

Faz tempo que andamos para lá ir dentro. Já o tínhamos visto de fora, em ruínas. Que pena! Pois fomos mesmo "escolher" o primeiro dia da onda de calor para irmos visitar a Igreja, que foi o que restou do Mosteiro de Santa Maria de Coz, cuja construção remonta, dizem, ao século XIII, para abrigar as senhoras devotas que por ali se juntaram para auxiliar os frades de Cister do Mosteiro de Alcobaça, em tarefas caseiras. Dizem-nos que as senhoras vinham discretamente lavar as roupas dos frades ao rio de Coz, senhoras viúvas e sós que queriam levar uma reservada vida religiosa.

A ordem destas monjas de clausura foi reconhecida pela Ordem de Cister no século XVI, sendo a partir de então que o convento recebe melhoramentos condignos, nomeadamente a construção da Igreja cuja riqueza em azulejo e talha dourada contrasta com a severidade da construção inicial.

Aquando da expulsão das ordens religiosas na primeira metade do século XIX, as monjas retiraram-se para o Convento de Odivelas e as instalações de Coz foram vendidas, tendo sido destruída grande parte das dependências em que as monjas viviam. Resta parte de um dormitório, que ainda está vedado ao público, e a sumptuosa Igreja.

Entra-se para a Igreja por um átrio interior que dá acesso ao convento e ainda sentimos o fresco - diria frio, se estivéssemos em dias de um verão normal e diria gelo, se estivéssemos no inverno - que as monjas teriam de suportar... (Devo dizer que foi bastante agradável, visto que cá fora o calor era já insuportável...)

Passemos às imagens.




Entrada pela portinha castanha


Ruínas




As traseiras do Mosteiro, ao lado do rio de Coz

O rio de Coz

A lindíssima grade em madeira
onde as mojas contactavam com o público


O altar-mor, barroco, em talha dourada

A Sagrada Família: Jesus apresentado como uma criança crescida
o que raramente acontece.







O teto da Igreja todo em madeira pintada


As paredes em azulejo do século XVII



Um quadro da pintora Josefa de Óbidos

O riquíssimo consistório

Porta manuelina no consistório


A sacristia cujas paredes estão revestidas por
azulejos representado a vida de São Bernardo




Um fresco que restou das instalações medievais do convento
e que mostra como as monjas se vestiam naquela época.

É, de facto, um monumento que merece ma visita atenta. (mas não no inverno...