domingo, 26 de fevereiro de 2017

Piada de domingo




(pelo menos enquanto a Le Pen não ganha, né?!...)


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Pensamentos rebatíveis

Hoje deu-me para isto: deixar aqui uma série de pensamentos – quase todos com muitos “picos” de roseira – que os meus queridos visitantes facilmente podem rebater, se assim o entenderem. Não levo nada a mal. (Até porque é Carnaval…)

E, já agora, começo por aí. O Carnaval – não o que dele resta que são aqueles desfiles de meninas seminuas a tiritar de frio porque isto aqui não é o Brasil e o dos rebanhos de criancinhas vestidas com ridículos fatinhos comprados nas lojas dos chineses ou feitos, com muitos esforço, pelas educadoras – o Carnaval, dizia eu, tal como a Maçonaria ou até mesmo a Revolução de Outubro são temas tabu num país inscrito como laico na Constituição, mas que continua (e gosta) inexoravelmente debaixo da asa da Igreja.

Pior que a saga dos SMS do Centeno e do outro, só mesmo a desgastada e balofa discussão em torno do “novo” acordo ortográfico. Novo?! Aprovado em 1990 fora o tempo de preparação e discussão anteriores. Não há paciência!

O Núncio mentiu e continua a mentir, omitiu, escondeu, mas agora assume a responsabilidade política e, como este é o paraíso da impunidade, o resto não interessa nada! E como não deixou SMS…

O Passos e os Portas mentiram 365 dias vezes 4 anos – ele foi sobre os cortes dos subsídios e das pensões, sobre os safados dos submarinos que devem ter submergido ou sei lá, sobre as ordens da malfada troika, sobre o que diziam em Bruxelas e o que diziam ao Parlamento e ao homem das quintas-feiras, sobre a irrevogabilidade das suas decisões e muito, muito mais, mas não houve uma voz que quisesse levar isso «até às últimas consequências» (seja isso o que for) como no caso Domingues/Centeno.

Aquela instituição a que eufemisticamente se chama de Ministério Público não para de arrolar arguidos à Operação Marquês  (ai se cá estivesse o Marquês, o de Pombal,  onde é que isto já ia!!!). Receio bem que, para alargar as ditas investigações da tal corrupção (O Jô Soares dizia com muita piada: «E sou só eu? Cadê os outros?!!) até ao fim dos tempos, não restem mais portugueses vivos para serem arrolados e tenham de se lançar pelos mortos até ao Infante D. Henrique – que foi um gastador inveterado. Lavagem de dinheiro, só pode!!

E, para não maçar mais os meus queridos visitantes, deixo aqui um último pensamento rebatível:

Aqui da minha câmara invisível, vejo tanta professora de Português – os das outras disciplinas não dá para observar… – que continua a pensar que avaliar – ou vá lá, mesmo classificar, já que elas não sabem de mais nada – pensam elas que classificar os alunos é rasteira-los torpemente nos “testes” pondo questões para as quais não os prepararam minimamente, sabendo, à partida, que não vão ter como responder-lhes. Entendo agora ainda melhor por que razão os professores se opuseram violentamente a ser avaliados…


Por hoje é tudo. Divirtam-se!!



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Há telemóveis e telemóveis...

E que tal um destes?




Bom fim de semana!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Dia Internacional da Língua Materna

Comemorou-se ontem. Mais um Dia de. Ontem foi a vez da Língua Materna, uma realidade por de mais importante na vida dos povos.

O Dia Internacional da Língua Materna foi instituído em 1999 na Conferência Geral da UNESCO. Teve a sua origem no Dia do Movimento da Língua celebrado em Bangladesh desde 1952.

O principal objetivo é promover a diversidade cultural linguística e alertar para as tradições linguísticas e culturais. 

Para celebrar, uma vez mais, a nossa Língua Materna, deixo aqui uma excelente prova de como a nossa língua materna é bela, doce e dúctil. 


Poesia, saudade da prosa

Poesia, saudade da prosa;
escrevia "tu", escrevia "rosa";
mas nada me pertencia,

nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou o que sabia.

E se regressava pelo
mesmo caminho
não encontrava

senão palavras
e lugares vazios:
símbolos, metáforas,

o rio não era o rio
nem corria e a própria morte
era um problema de estilo.

Onde é que eu já lera
o que sentia, até a
minha alheia melancolia?

(Manuel António Pina,1999)



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O centenário da Revolução Russa

(in esquerda.net)

Não foi em Outubro. Em Fevereiro de 1917, um movimento revolucionário derrubava o czar Nicolau II e instituía um governo provisório, maioritariamente menchevique (movimento de oposição ao czar de orientação mais burguesa, ao contrário do movimento bolchevique liderado por Lenine, que considerava que o governo devia ser entregue às classes trabalhadoras).

Foi a primeira fase da revolução russa que, não conseguindo dar resposta aos graves problemas do país, provocou várias insurreições e culminou com a chegada dos bolcheviques ao poder em Outubro.

Um historiador contemporâneo – Orlando Figes – diz que a Revolução de Fevereiro de 1917 começou pelo pão, ou pela falta dele e pela consequente revolta. As derrotas nos campos de batalha da I Guerra Mundial engrossaram as queixas do povo. Faltava pão, faltava açúcar, faltava tudo e anunciavam-se mais catástrofes. Tudo isto no frio extremo do inverno russo. No dia 23 de Fevereiro, dezenas de milhares de operários e de mulheres vieram para as ruas para pedir pão e a gritar “abaixo o Czar”. A insurreição não foi dominada pelas forças dominadoras e as manifestações e as greves continuaram até que, no dia 26 a polícia e os militares abriram fogo sobre os manifestantes. Aos poucos os soldados começaram a juntar-se ao povo e atacaram o Arsenal apoderando-se das armas, assaltaram as prisões e libertaram os presos.

O Czar abdicou em Março e o Governo Provisório foi constituído por liberais e socialistas em volta da figura de Alexander Kerensky. Mantiveram-se na Guerra ao lado dos Aliados; não foram capazes de constituir um governo forte e coeso com uma linha governação determinada; as grandes desigualdades sociais mantinham-se; os sovietes, os conselhos operários, tornavam-se cada vez mais reivindicativos. Os democratas não conseguiram responder aos dois grandes problemas da Rússia: a guerra e a profundas desigualdades económico-sociais, acabando por dar o poder aos bolcheviques que tinham os seus chefes em Lenine, Trotsky e Estaline.

A Revolução de Fevereiro teve, porém, os seus aspetos positivos e determinantes: primeiro pôs fim ao czarismo e a um sistema de governação fortemente centralizada, autoritária e repressiva que dominara a Rússia durante séculos; foi uma revolução de caráter reformista; e criou as condições para uma segunda revolução mais profunda socialmente.


(texto baseado nos textos apresentados sobre o assunto pelo Jornal de Letras de 1 a 14 de Fevereiro)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Animais de Estimação

Então fiquei a saber pelo jornal que se celebra hoje o Dia do Animal de Estimação. A propósito e também pelo jornal fiquei a saber que os municípios estão a transformar, por força da legislação, os velhos e tenebrosos canis de abate por casas de recolha e tratamento dos animais abandonados para possível adoção. Lisboa orgulha-se de ser a cidade pioneira na recolha e manutenção dos animais abandonados na Casa dos Animais.

Todos os animais de estimação que tive – e já tive alguns! –  foram resgatados da rua ou dados por amigos. Todos sem nome, sem dono, sem raça, sem pedigree… E todos foram muito amados, muito bem tratados. Claro que cada pessoa é como é e faz com o seu dinheiro o que muito bem entender, mas fico completamente de queixo caído quando me dizem que dão centenas de euros por cão ou por um gato “de marca”… Ostentação?

E, a propósito, lembrei-me desta canção que já tem uns aninhos mas que continua muito atual já que está carregadinha de ironia.


Lembram-se?




domingo, 19 de fevereiro de 2017

Passam 20 anos sobre a morte de Rómulo de Carvalho

Em jeito de homenagem.

«...As minhas dores no estômago e nos intestinos continuam sem descanso e os médicos não descobrem o que tenho apesar de todo o seu saber, simpatia e generosidade. É preferível morrer. É neste estado que vos escrevo embora a minha letra, que aqui vêdes, não dê sinal de tantos males e de tão profundo abatimento. Fui sempre pessoa de grande coragem e espero conservá-la até ao último momento.

A todos os que me estimaram e, no extremo, me amaram, um longo adeus com os olhos tristes. Muito em particular para os meus mais íntimos. Deixo, neste vale, a minha mulher Natália, dois filhos (uma filha e um filho) e cinco netos (duas netas do filho, e uma neta e dois netos da filha). Todos me estimaram, e até me amaram muito, cada um com a sua capacidade de expressão.

E é tudo.

Chamo-me Rómulo e nasci no dia 24 de Novembro de 1906 com sete meses de gestação. Faleci em 19 de Fevereiro de 1997.
Adeus.

(Rómulo de Carvalho em "MEMÓRIAS" - uma edição da Fundação Gulbenkian em 2010)

(retirado da página do facebook de sua filha, a escritora Cristina Carvalho)




A morte do poeta António Gedeão deu-se anos antes como muito bem explica o escritor Urbano Tavares Rodrigues. Foi em 1984 com o lançamento de “Poemas Póstumos. O poeta morre, tal como nasceu, pelas mãos do seu criador— Rómulo de Carvalho.

"Em «Poemas Póstumos», Gedeão continua a dar-nos poemas de vibração colectiva, mas as suas tonalidades tornam-se com frequência mais escuras e o tecido lírico é invadido por um certo cepticismo. Lembro o triste, terrível «Poema do Amor Fóssil» (Poemas Póstumos), com o seu advertido receio de insensibilidade do mundo cibernético. Um dos poemas capitais desta segunda fase de António Gedeão é o doloroso «Poema sem Esperança», onde o sujeito poético conta ter simulado por vezes, como um médico, como um soldado, mais esperança do que aquela que sentia.

(…)

Ao optimismo do século XIX, à sua crença ilimitada no progresso, sucede neste final do século XX, uma habituação ao pesadelo.

(…)

Hoje, perante as desigualdades, o desemprego, as monstruosidades sociais e intercontinentais que estão nascendo dos modelos da globalização, sob a tutela de um pensamento único - o do neoliberalismo venerador do dinheiro acima de tudo, sentimos a falta de mais vozes como a de António Gedeão, que se calou após os seus Poemas Póstumos»."

(TAVARES RODRIGUES, Urbano, "Decifrados do mundo, Alquimista do sonho", in Jornal de Letras, Lisboa, 26 de Fevereiro, 1997)

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Poema do amor fóssil

Quem de nós falará aos homens que hão-de vir
quando o grande clarão encher de luz
e pasmo as nossas bocas?
E como?
Que língua entenderão eles?
Que símbolos, que sinais, que apagados murmúrios,
lhes falarão de nós,
desta fluida e versátil multidão,
destes seres que aparentam rosto humano
e como tal comovem,
mas que olhados do alto são lepra do planeta.
Que significará sofrer, amar, lutar,
quando as nossas misérias e tormentos
não forem mais do que pegadas fósseis?
Que palavras há-de o poeta reservar
para o coração de plástico dos homens que hão-de vir?
Que santo e senha entenderão
Que de nós restará neles?
Que parecenças terão com estes hominídeos
que amaram a Natureza porque lhes era hostil
e suportaram o próximo porque não eram livres?
Que verbo deverá ficar gravado na pedra que o vento não corroa,
que lhes fale dos humilhados e dos ofendidos,
dos sonhadores e dos impotentes,
dos ansiosos, dos bêbados e dos ladrões,
desta ridícula, miserável e corrupta humanidade
que instala os arraiais da morte alegremente
num campo que foi verde e que não volta a sê-lo?
Amor?
Como será amor em língua cibernética?

(António Gedeão, in Poemas Póstumos)