segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Preconceito

A apresentadora de televisão Bárbara Guimarães vai ser julgada pelo crime de violência doméstica. Não por ter agredido ou violentado fisicamente o ex-marido, o professor e filósofo Manuel Maria Carrilho – que nesse campo é ele que é conhecido dizem que já do tempo da primeira mulher – mas antes por lhe ter infligido maus-tratos psicológicos. É que a apresentadora (se calhar sem motivos de força e apenas por maldade, sei lá…) aproveitou uma saída do país do ex e mudou a fechadura de casa e empacotou os livros do professor em caixas certamente para lhos mandar entregar.

Não me interessa aqui tomar defesa nem ataque por nenhum dos mediáticos elementos do casal porque nenhum deles me é próximo nem conheço minimamente os motivos que levaram ao seu desenlace. Trago aqui o caso apenas pelo caricato da “nossa” Justiça. Afirma então o Tribunal de Instrução Criminal que o comportamento da apresentadora “consubstancia actos de grande violência psicológica, o que terá provocado” no ex-marido “danos na sua saúde psíquica e física, “apresentando [ele] um quadro de depressão”, como referiu um psiquiatra ouvido em sede de instrução. O documento refere ainda “as condutas da arguida visavam atingir a dignidade do assistente, humilhando-o, o que configura maus-tratos psicológicos, emocionais e sociais que ofenderam a dignidade pessoal e a integridade psíquica e física do assistente”.

Carrilho terá alegado que se sentiu “profundamente perturbado, ansioso, esgotado emocionalmente, tendo, por via da somatização da situação de extremo sofrimento psicológico a que foi sujeito, apresentado queixas como privação do sono durante várias noites seguidas e perda de peso até aos 56,5 Kg que exigiram acompanhamento e tratamento médico.”

Coitado! E o Tribunal aceitou de imediato as queixas do marido deprimido, maltratado e magro e tratou de acusar a mulher e levá-la a julgamento pelos motivos psicossomáticos que o pobre homem sofreu!

Quantas e quantas mulheres, para além de levarem tareias de morte e de serem vítimas de todas as ofensas, humilhações, e maus-tratos psicológicos por parte dos maridos, sofreram e sofrem de depressões, de efeitos psicossomáticos e ficaram com muito menos do que 50 quilos sem que os tribunais façam alguma coisa por elas?

E aquele caso tão falado do juiz que cortou uma indemnização a uma mulher que há anos ficou estropiada por uma operação que correu mal e que, por ter já 50 anos, o sexo já não lhe fazia falta? Ah, se fosse um homem, que diferente seria a decisão judicial!

Infelizmente e para mal de todos nós, os “nossos” juízes têm dado provas de andar um pouco descontrolados (manietados?) nas suas acusações, nas suas decisões, nas suas sentenças. Podem, de facto, ser muito conhecedores das leis que aprendem na Faculdade e no CEJ, mas têm mostrado que lhes faltam muitos conhecimentos e práticas no âmbito do Desenvolvimento Pessoal e Social e da Educação para a Cidadania – é que as aulas de catequese não chegam!

Veja-se, a título de exemplo, a atitude de subserviência deste juiz-desembargador a agradecer à ministra tê-lo escolhido para director do SEF… 



27 comentários:

  1. Também não vou tomar partido mas, a verdade é que a violência psicológica por vezes pode ser pior do que a física.

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    1. Nem eu ponho isso em causa! Mas só funciona das mulheres para os homens?!!!

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  2. Mas isso é um grande escândalo! Uau! A justiça, afinal, não é neutra.
    Li num blogue o caso dessa senhora de 50 anos! Decisões medievalescas, essas dos juiz.

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  3. Gracinhamiga

    O Carrilho é bom companheiro, olá se é, olarilolé; o Carrilho é bom... etc.

    Qjs

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    1. ~ Henriquamigo, normalmente os psicopatas que agridem mulheres, são socialmente, de uma extraordinária simpatia...
      ~ ~ Binh. ~ ~

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    2. Zézéamiga

      A cantiga que cito é sobre a bebedeira.... olarilolé

      Qjs

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  4. Já li, muito por alto, quase tudo que nos relatas desse desenlace entre a apresentadora e o intelectual e ex Ministro da Cultura.

    Foi um casamento que chegou ao fim e não houve 'cultura' nem 'charme' na maneira como resolveram os desentendimentos.
    E ainda nós pensamos que pessoas de classe sabem resolver civilizadamente as diferenças que os separam e não partem para a pancadaria da ralé...

    Não vai ser fácil para o 'pobre' Juiz, resolver esta contenda. Se fosse um caso de violência doméstica, física ou psicológica, de uns simples e anónimos cidadãos, a coisa nem teria a mediatização que este caso tem.
    Por mim, não acredito nem num nem noutro. Acho que ambos se mereceram!

    Desculpa Graça, mas ela não é nenhuma coitadinha..
    De lamentar foi essa decisão judicial grosseira, sobre o corte na indeminização da senhora que foi vítima de incúria médica!

    Beijinhos...

    ...já me alonguei demais!

    Já li, muito por alto, quase tudo que nos relatas desse desenlace entre a apresentadora e o intelectual e ex Ministro da Cultura.

    Foi um casamento que chegou ao fim e não houve 'cultura' nem 'charme' na maneira como resolveram os desentendimentos.
    E ainda nós pensamos que pessoas de classe sabem resolver civilizadamente as diferenças que os separam e não partem para a pancadaria da ralé...

    Não vai ser fácil para o 'pobre' Juiz, resolver esta contenda. Se fosse um caso de violência doméstica, física ou psicológica, de uns simples e anónimos cidadãos, a coisa nem teria a mediatização que este caso tem.
    Por mim, não acredito nem num nem noutro. Acho que ambos se mereceram!

    Desculpa Graça, mas ela não é nenhuma coitadinha..
    De lamentar foi essa decisão judicial grosseira, sobre o corte na indeminização da senhora que foi vítima de incúria médica!

    Beijinhos...

    ...já me alonguei demais!


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    1. Alonguei-me tanto ou tão pouco, que até o comentário duplicou!
      Desculpa, não sei o que aconteceu...

      Janita

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    2. Não estou a tomar partido por ela, Janita! Estou a dizer que ela vai ser julgada essencialmente por ser mulher. Ponto!
      Para além disso, a minha crítica vai direitinha para os senhores juízes em geral,

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  5. Só tenho um comentário, Graça - este não-assunto já mete nojo.
    Beijinhos

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    1. Serão um não-assunto o preconceito e a subserviência da Justiça?

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  6. Bom dia Graça,
    Acho interessante que traga este tema à baila, e entendi perfeitamente que não está em causa A ou B, mas o retrata pelo absurdo da situação. Concordo.
    Embora haja casos em que a violência psicológica reconhece-se e é devastadora, para além do que, raramente vem desacompanhada da física, porque violência física não se restringe a fraturas e grandes hematomas, os empurrões, os tabefes, também são agressores.
    Como se trata de pessoas muito mediáticas, por vezes, ao contrário do que seria de supor, os julgamentos à mulher, já por norma severos, chegam a atingir proporções ultrajantes, e se for uma mulher do naipe da dita em questão, de beleza e presença forte, a reação chega a ser agressiva, como por ser mulher bonita e aparentemente forte, não mereça apoio, como a pobre do bairro vizinho.

    Por outro lado, o homem agressor, por norma, usa a tática de fazer-se passar por vítima, e faz questão de trazer para a rua factos que deveriam ficar guardados, de modo a envergonhar e desconsiderar a mulher. As coisas tomam a dimensão em proporção dos conhecimentos que têm, se são mais sociais, o espalhafato será maior. Uma questão de proporção.
    Por isso, a mim, nada neste caso me causa admiração, nem mesmo a queixa dele em tribunal. Tudo na cabeça doente dum homem-agressor é válido para denegrir a imagem da mulher.
    Cabe agora a ela safar-se.

    Há quem não goste que se diga, mas a sociedade, apesar da evolução reconhecida, ainda é preponderantemente machista. Para ser mulher é necessário não apenas parecer forte, mas ser dona duma força superior.
    Homens, os há maravilhosos, mas, ainda há muitos que estão num nível abaixo.

    bj

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    1. Esse é o ponto, Carmen, o machismo e o preconceito! Agora a Babá e o Manel não me interessam nada!!!

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  7. .
    ~ É notória a depressão do coitadinho do homenzinho da Cultura - de baixíssima estatura moral - quando agride publicamente a mãe dos seus filhos, levando-a a tribunal.
    ~ Há pior agressão psicológica do que esta?!

    ~ Injúria gratuita praticada a sangue frio - fora do contexto da exaltação das emoções.
    .

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    1. Ele é um paravalhão machista.... ela poderá ser tudo o que quiserem mas está a ser «julgada» tão-somente por ser mulher!

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  8. Carrilho é um energúmeno (espero que não lei esta minha apreciação e não me acuse também de danos psicológicos ...) e os juízes portugueses uma cambada de criaturas sem dignidade , dispostas a agradar ao Poder seja como for !

    Beijinhos, Graça

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    1. É isso mesmo, São! Os "nossos" juízes são um nojo!!

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Eu arranhava alguns dos nossos "juízes" se os apanhasse...

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  10. É sempre complicado tomar partido, eles é que sabem o que se passa lá em casa mas, realmente os nosso juízes deixam muito a desejar...
    Bjs

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  11. Do fim para cima.

    Pelos vistos a senhora ministra experimentou um certo deleite, deduzo pela pelingrafia.

    O senhor juíz será da escola do Morgado, o que se tornou famoso pelo facto de ter quebrado a abstinência por duas vezes na vida pela intervenção que fez na AR; porque raio uma velha de 50 há de querer truca-truca se já não é fértil? “raciocinou” o dito juíz no seu douto acórdão.

    O senhor filósofo pensava que tudo eram flores. A mediatização da estampa traz sempre vantagens efémeras. Há sempre o reverso da medalha. Arranjou uma menina que até serviu como trunfo em campanha eleitoral, lembram-se? O tempo passa os resultados não são atingidos, a saturação encharca…
    Pela maledicência de gentinha, que espalha fumos e por vezes fogos, o cavalheiro já tinha a folha um bocado amarrotada do primeiro a(c)to - da primeira dos pinhais da Marinha.
    O tribunal, claro está, só julga em função de provas, das que lhe são apresentadas. É sabido que dá muito jeito fundamentações, avalizadas a troco de grado milho, no negócio (como dizem os irmãos brasileiros) da justiça.

    Muito bom dia, Graça.

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    1. Muito obrigada pelo comentário, Amigo Agostinho. Tanto para criticar nesta nossa "santa" terrinha, não é verdade? Enfim... cá vamos cantado e rindo...

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