segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Vamos contar mentiras

No seu início, lá para os idos bem idos dos anos 60, a RTP transmitia semanalmente uma peça de teatro. Nunca fui grande amante de teatro, até porque nesse tempo, o teatro era muito declamado – geralmente dramas de autores russos e outros do género – o que tornava os espectáculos muito pesados e muito aborrecidos.

De vez em quando, lá davam uma boa comédia com bons atores portugueses e essas eu não perdia. Lembro-me particularmente de uma que se chamava “Vamos contar mentiras” com os meus queridos atores Henrique Santana (filho do grande Vasco Santana) e Armando Cortês em que a protagonista representada pela ainda jovem Florbela Queirós tinha o hábito de estar sempre a dizer mentiras e dizia tantas que se convencia de que eram verdades em que todos acreditavam. Uma das mentiras recorrentes era telefonar para a mãe a fazer queixas do marido e a dizer que era muito infeliz. Depois de choramingar o habitual «Ai, mãezinha, sou tão infeliz!», desligava o telefone e, ato contínuo, começava a cantar e a dançar o Perompompero…

É esta cena que sempre me vem à cabeça de cada vez que me acontece ouvir na televisão estes pantomineiros – que não atores formados no Conservatório – do “governo” e os seus acólitos a debitarem mentiras em cima de mentiras pensando que o pessoal, a quem consideram como papalvos, come todas as suas trapaças. Quando desligam os microfones, talvez não cantem o Porompompero, mas devem ficar muito contentes a pensar: «Pronto, já os enganámos outra vez!»

Lembrei-me uma vez mais da boa da comédia hoje, ao ouvir as palavras tartamudeadas pelo governador do Banco de Portugal sobre o caso BES.

E já agora, lembram-se do Perompompero? 




24 comentários:

  1. Lembrava-me mas acho que de outra versão, gostei desta :) e vim até aqui rapidamente pelo tema descontos no continente porque pelo que sei ainda dará para conseguir o desconto, é só guardar o talão da compra e ir ao balcão de apoio ao cliente.
    um beijinho

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  2. Acho sempre piada ao que escreve... mas não posso deixar passar em claro o que deixa dito sobre o teatro nos anos sessenta... claro que não falo do teatro passado na salazarenta TV de então. Falo do teatro a sério, daquele que se passava no palco e que a censura perseguia.

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    1. Eu sei disso! Não vou esquecer-me nunca! (Não esquecer que o meu pai era do "reviralho"....) Mas o da RTP era cá uma seca!!!

      Obrigada pela simpatia!

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  3. Penso que eles também estão convencidos que falam verdade!
    É confrangedor!
    Antes fosse teatro e não a realidade do nosso quotidiano!
    E já agora cantemos para animar! :)

    Abraço

    Rosa dos Ventos

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    1. Cantemos! «Perompompero, perô, perompompero, pêro....»

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  4. Nisso de contar mentiras há muita concorrência.
    E muita gente importante a detestar concorrência.
    Beijinhos

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  5. Aprendi a desligar a TV. Já não suporto estas mentiras ditas como se fossem verdade...

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    1. O melhor é mesmo não vermos, nem ouvirmos, nem nada! Mas deixar andar também não dá com nada!

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  6. Graça, estes são mesmo daqueles amadores, apanham-se mais depressa que qualquer coxo.

    mas somos seguramente um povo que gosta de ser enganado, só pelo que se passou nos últimos oitenta anos...

    abraço

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    1. Também acho.... masoquistas até à medula! Ou mongos....

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  7. ~ ~ Se a Leo permitir, também subscrevo as suas palavras. ~ ~

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  8. A indignação aumenta à medida que os actos criminosos dos bandalhos e seus acólitos aumentam...

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    1. Mas indignação fica-se-nos pelas palavras... não há por aí um qualquer Buiça que nos valha?!

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  9. Ainda que amadores, Graça...!

    A mentira nem sempre tem pernas curtas. Vai-se a ver e o povo, enfartado de televisão, vota (quando vota) no "mais bonito".

    Beijo

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  10. Lembro-me perfeitamente da canção :)

    Querida, que eles mintam é uma coisa , mas que ainda haja quem os acredite enfurece-me ainda !!!!

    Beijinhos:)

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    1. Também a mim! E olha que continuam muitos a acreditar...

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  11. Lembro-me bem deste tema e da comédia a que te referes.
    Se esta me fazia rir, a actual comédia faz-me chorar.

    beijinho amiga Graça


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  12. a contar desgraças (que não graças, nem gracinhas), diria!

    beijo

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  13. Tinha comentado mais ou menos assim:
    Os senhores que estão escondidos atrás do pano dão corda aos bonecos para que estes papagueiam a pajela sem hesitação. Dizem e desdizem frequentemente, com a maior naturalidade, sem revelarem pinta de vergonha, embaraço ou rubor. A prova do que atrás refiro é que, apesar do ridículo papel que desempenham, não desertam para o deserto (não recusam o frete) onde poderiam entreter-se na novíssima técnica de comunicação - "falar oralmente" – como recomenda o homem do Belenenses, e deixar de poluir o nosso espaço.

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  14. Lembro-me perfeitamente dessa peça e cheguei a vê-la ao vivo com os meus pais no Monumental se a memória não me falha.
    Eu adorava ( e adoro) teatro, mas tem razão quando diz que as peças exibidas na televisão eram normalmente um bocado chatas.

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