domingo, 2 de novembro de 2014

Barcos da Vieira

Não resisto aos barcos de pesca da Vieira. Fazem parte do imaginário da minha infância. 
Fiquei, tinha os meus sete anos, absolutamente marcada pelo colorido, pelo tamanho que me parecia desmedido, pela quantidade de remos que os movia, pela alta quilha viking dos barcos que, cheios de homens, se faziam àquele mar alteroso e medonho. 

E aquele vigor brutal das mulheres que, com os seus canos de lã, e com uma força que iam buscar não sei onde, entravam mar adentro para puxarem, com a ajuda das juntas de bois, as redes e os próprios barcos. Não esqueço o barulho do mar e a toada dos homens e das mulheres (que ainda sou capaz de trautear) naquele trabalho ingente de tirar os barcos do mar, cheinhos de peixe!

Eram assim.





Agora restam as miniaturas. E, mesmo a essas, dificilmente resisto.  Vi-as na Junta de Freguesia.






Também são o ex-libris da praia.



Apetece relembrar o poema

«Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal...»


21 comentários:

  1. Imagens de barcos muito bonitos na realidade e o poema do Pessoa faz todo o sentido:

    Ó mar salgado, quanto do teu sal
    São lágrimas de Portugal!
    Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
    Quantos filhos em vão rezaram!
    Quantas noivas ficaram por casar
    Para que fosses nosso, ó mar!

    Valeu a pena? Tudo vale a pena
    Se a alma não é pequena.
    Quem quer passar além do Bojador
    Tem que passar além da dor.
    Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
    Mas nele é que espelhou o céu.


    É mais uma praia bonita de Portugal !

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  2. Boa noite, Gracinha
    Que boas recordações me trouxeste com este post!
    Era exactamente assim na praia da Figueira, na minha infância.
    Deve ser por isso que também eu gosto tanto de barcos desse género.

    Um semana feliz.
    Beijinhos
    Mariazita

    Obrigada p.p. na «CASA»

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  3. Memórias com barcos
    com sabor a sal
    e a mar
    e a lágrimas
    de Portugal

    (bonito, isto)

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    1. País de marinheiros, Rogerito! (agora a navegar em águas paradas e turvas....)

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  4. A primeira vez que vi o mar não vi os barcos.
    Penso que nem era dia de Verão,mas estava muito calor.
    Sentados nas dunas onde agora fica a marginal fiquei abismado a olhar para o mar e só pensava na outra margem que ficava lá...depois de muitos dias a olhar.
    Comemos o farnel ali todos sentados junto de uma casa de madeira assente por cima de umas estacas de madeira.
    Aquele cheirinho do mar nunca mais me esqueceu.
    Mais tarde recordo os gritos e os prantos daquelas mulheres pedindo aos Céus e a São Pedro que lhes trouxesse os maridos e os filhos...
    ...O mar é um cão...ai Senhora d'Agonia...O mar tá bravo...

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    1. Era mesmo assim, amigo Luís!! Medonho e constrangedor...

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  5. Barcos orgulhosos de quilha bem levantada para enfrentarem o mar sem medo!

    Abraço

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  6. ~ ~ ~ ~ ~ ~ A Arte Xávega. ~ ~ ~ ~ ~ ~

    ~ ~ A bravura das gentes do mar !! ~ ~
    ~ ~ Homens e mulheres intrépidos! ~ ~
    ~ ~ Pessoas muito sãs e audazes !! ~ ~

    ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~
    ~

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  7. Nunca tinha ouvido falar destes barcos, e é triste que a minha geração não os conheça :(

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    1. Obrigada, Joaninha, pela visita. Se procurares, há pelo menos um filme no YouTube sobre como era nos anos 50, 60 do século passado.

      Beijinho.

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  8. Sempre tive um enorme respeito pelos Homens (e Mulheres) do mar.
    Que profissão honrosa que deveria ser bem reconhecida.

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  9. Penso que teria sido no ano de 1971, que vi, pela primeira e última vez, juntas de bois puxando os barcos nesta Praia da Vieira. Hoje tudo é mecânico e ainda bem!
    Os tratores fazem esse trabalho com perfeição e rapidez, até levarem os peixinhos para venda ao público lá no alto...
    Cumprimentos,.

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  10. as memórias da minha infãncia invocam mais os rabelos e os moliceiros, mas também me lembro desses de cores garridas.
    Boa semana

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    1. Rabelos e moliceiros que eram/são lindíssimos! Talvez até mais bonitos que os da Vieira. Só que estes ... enfim!

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  11. Não foi Pessoa que me veio à memória mas sim Raul Brandão e o seu "Os Pescadores"...

    Gostei muito de vir aqui ( como sempre,:) )

    Boa semana

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  12. Conheço mal essa praia , mas gostei do que li e vi ( fotos).
    M.A.A.

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  13. Não tinham chão que pisassem nem sequer pão que comessem.
    Plantados num pinheiro iam desafiar o destino no mar
    com a certeza a fugir-lhes dos pés entre o céu e a morte.

    Bom trabalho, Graça.

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  14. É "Uma Batalha Sem Fim"... como escreveu Mestre Aquilino Ribeiro.

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