quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Da desonestidade

De facto, não vivemos num país honesto. Não vivemos num mundo honesto. E não venho aqui falar das licenciaturas tipo-Relvas nem de outras parecidas desonestidades do tipo manipulação ou brainwash (desculpe-se-me o anglicismo, mas parece menos mal do que “lavagem ao cérebro”…) numa época em que os fins justificam (todos) os meios. 

Desde que a economia tomou o lugar da ética dos costumes e do humanismo, vale tudo para enganar o próximo. Pode ser imoral, mas desde que seja legal… ou pseudo-legal , tudo bem. Sabemos bem como somos peritos em fazer interpretações paralelas da legalidade.

Um dia destes, uma operadora de telecomunicações ofereceu-me um desconto de trinta euros mensais relativamente à minha atual operadora com menos um serviço que de facto eu não uso. Contactei a minha operadora, com cujo serviço estou assaz satisfeita, e informei que ia mudar apenas porque estava a pagar muito, a não ser que eles me baixassem de cinco serviços para quatro e fizessem o acerto devido. Passado não sei quanto tempo, ofereceram-se para me fazer um desconto mensal de cinco euros. Fui literalmente aos arames com semelhante oferta e perguntei se eles me tomavam por parva! Menos um serviço e tiravam-me cinco euros?! Que não, que eu não tinha entendido bem, que me mantinham os cinco serviços e me tiravam cinco euros. Vociferei! Disse que não utilizava o quinto serviço e por isso mudaria de operadora. Mais dez ou quinze minutos de espera ao telefone… Então mantinham-me os cinco serviços e far-me-iam quinze euros de desconto e não pagaria a box. Bom. Mas tive de dizer ao pobre do assistente do cal-centre, que não tem culpa nenhuma, que não vivemos num país sério, que se não “negociarmos” e vociferarmos não ganhamos nada. Se fossem sérios, não estariam à espera da ameaça para baixarem as mensalidades.

É assim em todas as áreas. Até na escola. Uma desonestidade geral, uma trapalhice própria de quem não é sério e está a ver se se safa à conta dos outros. Tudo isto porque vivemos num estado de impunidade geral. Infelizmente, não temos quem nos defenda das trapalhices, da falta de honestidade, da indiferença, do deixa-andar, da indolência instituída.

Pior é quando a desonestidade implica os alunos. Que dizer daquela professora que diz aos alunos que não se preocupem a estudar os conteúdos tal e tal porque já foram suficientemente avaliados e depois, pelo menos um terço do teste versa esses mesmos conteúdos? Que dizer do grupo disciplinar que adota um manual que explora determinada obra literária e depois, nas aulas, ignora-se essa obra e estuda-se outra que não consta do manual e que os alunos têm de comprar ou imprimir da net?


Poderia aqui apresentar mais uns tantos “episódios” de desonestidade para cima dos alunos, mas não quero maçar os meus leitores…




25 comentários:

  1. A diferença para outros países é que aqui há muitos (que está mais que provado que são desonestos), mas continuam por aí, alegremente, como se não fosse nada...
    Saudações poéticas!

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    1. É isso mesmo: andam por aí alegremente como se nada fosse! A impunidade é o que mais confrange!!

      Grata pela visita e pelo comentário.

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  2. Infelizmente a honestidade é um valor que parece que está em desuso :(
    Beijinhos

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  3. Lendo e relembrando de momentos tristes de mestres (se diziam...) que sequer tinham o trabalho de criar novas provas a seus alunos... Guardavam e reproduziam os mesmos textos... Um horror... E, há mais... muito mais a relatar... Esse é o ônus de se coordenar a educação, como nós fizemos, Graça!
    Abraço.

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    1. Tantas "histórias" tristes destas e de outras que nós guardamos nas nossa memórias, Célia!

      Beijinho.

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  4. O desígnio do negócio das empresas de telecomunicações, não só, é a "manhozice".
    Esta minha opinião resultou dos confrontos que tive ao pretender, por mais de uma vez, alterar o conteúdo dos serviços recebidos. São de tal forma inconvenientes que perguntei se a PIDE tinha voltado, tal foi o interrogatório e a sessão de venda de "banha da cobra" a que fui sujeito. Porque será que nos querem obrigar (o propósito é mesmo o de obrigar, não se ficam pela sugestão) a comer o que não queremos?
    Beijo.

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    1. Telecomunicações, seguros, clínicas dentárias, organizações de vária ordem... etc, etc, etc.... Publicidade enganosa e agressiva pelo telefone, na porta.... enfim!

      Beijinho.

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  5. Respostas
    1. Obrigada, São, pela tua compreensão e anuência.

      Beijinho.

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  6. pois é.

    vários cartões vermelhos eram precisos.

    beijinho

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  7. Não apresentes mais casos. aumenta a minha tensão arterial ... rss
    e as fidelizações? um "liberalismo" da pacotilha.

    beijo
    e

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    1. Uma vergonha e tudo na maior impunidade neste país à beira mar plantado...

      Beijinho.

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  8. Já me aconteceu o mesmo com uma operadora, ameacei-os que mudava e fizeram-me um desconto brutal.
    Infelizmente neste país prima a desonestidade :(

    Beijinhos Graça

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    1. Não suporto esses comportamentos das operadoras!!! Vigarice!

      Beijinho.

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  9. Leio estas e outras histórias de "mundos" diferentes do meu e tristemente concluo que há desonestidade em todas as frentes!!!!
    Bjs

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  10. Há muito que o nosso país é considerado um dos mais corruptos da velha Europa...
    Lamentável de mais, na medida que obriga os utentes a usarem expedientes para se defenderem.
    Até a DECO foi desonesta comigo! Autorizei o levantamento bancário da mensalidade que pagava a revista... Doia anos depois, fui alertada pela CGD, que a referida instituição ia juntando panfletos à revista e subindo-lhe o preço. Fiquei indignadíssima!
    Depois de cancelar a revista, recebi - durante muito tempo - 'e. mails' com ofertas de aparelhos, cujo preço deveria ser superior ao que me tinham tirado indevidamente, ou seja, roubado... Uma sedução ridícula... A DECO!!
    Gostei desta abordagem.
    ~~~ Beijinho ~~~

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    1. Com a DECO também já fui vítima de intrujice e publicidade enganosa. Até me pareceu impossível!! Enfim! É o que temos!

      Beijinhos, Majo!

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  11. Não massas, partilhas a tua experiência, o que é sempre válido. Gostava de saber de mais exemplos dessa desonestidade escolar. Se bem que não me surpreende. A pesar do meu tempo de escola já estar bem no passado, já sentia essas coisas todas.

    Sinto a mesma tristeza e pesar por as coisas funcionarem assim. O exemplo que dás é perfeito e já o conhecia. Não está bem impregnado, mas não é desconhecido. "Quem não chora, não mama"- aprende-se vezes sem conta que estas expressões populares de origem desconhecida são como as melhores lições de vida dos grandes filósofos da antiguidade: certeiras.

    Qual é a tua operadora??
    Vê bem que a «minha», recusou-se a abater 5€ na conta se fosse devolvida uma das duas boxs que todos os meses custam 5€ cada. Onde já se viu? Paga-se o serviço e paga-se o equipamento, para todo o sempre! É pior do que a extinta taxa de televisão. São uns sanguessugas oportunistas e escorreguios. É mesmo preciso a pessoa zangar-se, refilar, «ameaçar» ir para outro operador, para eles apresentarem o pacote mais atractivo.

    Sabias, por exemplo, que uma pessoa que adira hoje a um pacote, tem-no mais económico que a pessoa que aderiu ao mesmo há 5 anos? Eles não actualizam os antigos pelo que fica mais económico andar a mudar de pacote e de condições a cada novo ciclo de promoções. Vergonhoso.

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    1. Sei disso tudo, Portuguesinha! Vigarice e roubo descarado!! A minha operadora é a MEO, mas as outras são iguais. Lêem todos pela mesma cartilha!!

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