quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quién subirá la cuesta d'enero?

Tem morrido tanta gente! E não me refiro apenas a figuras mediáticas estrangeiras e nacionais. São amigos e familiares deles que têm partido, alguns em grande sofrimento, em condições precárias de saúde.

O outono, com a sua proverbial queda da folha, e o inverno com o seu ar traiçoeiramente gélido, enfraquecem e fragilizam quem já está débil e levam ao apagar do último sopro de vida.

Lembro sempre um dito que a minha avó espanhola usava muito: «Quién subirá la cuesta d’enero?» Também repetia esta máxima porque o seu último marido se ficou no sono nos inícios de 60, a 8 de Janeiro. Tinha 51 anos. Ela própria não conseguiu subi-la que se apagou, aos 91 anos, já tão frágil, a 28 de Dezembro, nos alvores de 80.

Tem morrido tanta gente! «Quien subirá la cuesta d’enero?»



Sinto um prenúncio de morte
Dentro do meu coração.
Virá quando a der a Sorte.
Quando vier, virá em vão.

Porque a morte é sombra e nada,
É só a vida vulgar
Que de um lugar é tirada
E posta em outro lugar.

Ri, alma, do que acontece!
Nada existe, salvo seres.
A aranha da vida tece
Só teias de o não saberes.


(Fernando Pessoa, 16-03-1934)

11 comentários:

  1. Tenho sentido tanto isso, este Janeiro. E o medo frio de que alguns dos nossos se sigam...

    Beijos, Graça.

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  2. Não vale a pena pensar nisso, Graça.
    É deprimente e não adiante nada.
    Importa é pensar que se está vivo e viver intensamente.
    Beijinhos

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  3. Não quero pensar nisso. É uma espada que tenho sobre a cabeça desde que nasci. Fatalmente ela vai cair um dia. Basta-me saber isso, para tentar viver o melhor que sei e posso enquanto cá estou.
    Um abraço

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  4. Quando vimos ao mundo é com o destino de partir. O importante é o que fazemos nesse intervalo, seja mais ou menos longo.
    Esperemos que todos possamos subir com alegria la cuesta d'enero, Graça.Vamos subindo um dia de cada vez...

    Beijinhos

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  5. Também a minha avó dizia: “Quem de novo não morre de velho não escapa. ”. Que fazer? Aceitar!...
    Abraço, Graça.

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  6. Não penso na morte, meus amigos. Depois logo se vê. Mas lido mal com a morte. Os meus morreram-me muito cedo, muito novos. E isso marca-nos.

    Grata pelas vossas belas palavras.

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  7. A minha nostalgia começa em Dezembro fico cheia de vontade que as Festas acabem depressa e depois vem o Janeiro que associo sempre a "desastres" e tristezas!!!
    Quando passam estes dois meses...ufa que alivio.
    Beijinhos

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    1. ...e esqueci-me do principal: o poema que lindo e simples!
      bj

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    2. Obrigada, papoila. Por acaso sinto o mesmo...

      Beijinho.

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  8. Uma realidade iniludível que dá que pensar.
    Um trabalho que entendo superlativo.
    Bj.

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    1. Iniludível, mas tão difícil de entender e de aceitar...

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