terça-feira, 29 de março de 2016

Vendas pelo telefone



Aborrece-me que tentem vender-me produtos e/ou serviços pelo telefone. E, infelizmente, está sempre a acontecer. Aborrece-me por três ordens de razões (como dizia o Ângelo Correia…): Primeiro porque se eu quiser comprar, informo-me, pergunto, vou à procura. Segundo, porque os putativos vendedores têm de ler aquele arrazoado todo que lhes encomendam e depois tornam-se supinamente maçadores chegando a mostrar-se agressivos. E terceiro porque sei que se trata de assalariados de call centres que têm de alcançar objetivos definidos de forma desmedida pelos empregadores e eu encho-me de “pena” e não sou capaz de ser rude com eles ao ponto de responder mal ou de desligar o telefone.

Hoje, porém, consegui irritar a “senhora” do Círculo de Leitores. Cá em casa associámo-nos ao CL quando nos casámos, ainda antes do 25 de Abril, tendo retomado a figura de associados nos anos 80 depois da desorganização do Círculo que aconteceu à época da Revolução. É por isso, pelos laços criados pelo tempo, que ainda nos mantemos ligados àquela editora mesmo que já não nos apeteça muito comprar-lhes livros. Temos uma óptima relação com o assistente que conhecemos há anos e ele já conhece bem os nossos gostos e não gostos.

De vez em quando, liga-nos uma senhora da editora como que a avaliar o trabalho do assistente e aproveita sempre para tentar vender mais uma coleção.

Foi o que aconteceu hoje. A dita senhora ligou, perguntou como ia o nosso contacto com o assistente afirmando à partida que já sabia que ia bem como de costume e depois perguntou-me que género de leituras eu preferia: «romance, cultura geral…» Como não se trata de uma call centre girl, tratei de ironizar: «cultura geral não existe… gosto de romance, de poesia de autores portugueses…» 

Então a senhora muda de estratégia e diz-me que o CL está a comemorar mais um aniversário pelo que resolveu oferecer um grande desconto na coleção Rainhas de Portugal, mas apenas para as pessoas sorteadas e eu tinha sido uma delas!! [Admirável memória a minha!! Ato contínuo lembrei-me que esta senhora já tentara vender-me as “Rainhas” noutro telefonema!...] Que a coleção era de excelente qualidade e até tinha sido apresentada pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa, não sei se sabe – dizia a senhora. «Pois, de facto, não gosto muito desse senhor, não costumava ouvi-lo.» - respondi sobriamente. Aí, a senhora ficou furibunda e disse: «Não estamos aqui para saber se a senhora gosta ou não gosta do Professor Marcelo!» «Claro! Mas eu não costumava ouvi-lo e, como já conversei com o meu assistente, não tenho vontade de fazer mais coleções» - respondi cortesmente… «Então não está interessada nesta oferta, pois não?!» - quase vociferou a senhora… «Não, muito obrigada.» - respondi jovialmente…

Deus do céu! Mas esta gente pensa que somos todos uma cambada de burros


15 comentários:

  1. Também recebo esses telefonemas. Não sei se é a mesma senhora mas o que irrita também é que esses vendedores nem verificam o que o sócio está a comprar. No último telefonema que recebi, a senhora apresentava-me uma magnifica proposta para a obra do Padre António Vieira, que, por sinal, ainda estou a completar.

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  2. Aqui por casa, passa-se o mesmo. Quando quero comprar informo-me, pergunto, vou à procura. Não tenho paciência e despacho-os à primeira. Cabe-me sempre essa tarefa.

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  3. Descobri que atendendo a chamada não é maçador mas quando começam a vender eu pouso o telefone e deixo-os a falar sozinhos. Parece mentira mas resultou.

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  4. ~~~
    Ou a vendedora é apaixonada pelo Marcelinho, ou é, mesmo, muito néscia. Louvo a tua calma, ainda que irónica!

    Eu não tenho essa atitude paciente, vou dizendo logo que lamento, mas não estou interessada e que estou sem tempo...

    Em matéria de aquisição de obras, não há nada como o deleite de percorrer uma boa livraria...

    ~~~ Beijinhos literários ~~~

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    1. Também me parece que tenho paciência de mais, mas que se há de fazer? Não gosto de ser indelicada. Só mesmo quando me «passo dos carretos»...

      Beijinhos, Majo.

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  5. Algo a que felizmente escapamos aqui em Macau.
    As poucas promoções que aparecem, eles começam a falar chinês, eu respondo em inglês, e acaba a chamada :)))
    Beijinhos

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    1. Que sorte!! E se eu me pusesse a falar em chinês? :)))

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  6. Graça, eu dependendo do excelente estado de espírito tenho duas respostas preparadas:
    "no portuguese, no portuguese..." e eles desligam ou "tenho muita pena mas se me quer vender alguma coisa: eu não quero, passe um dia feliz e não perca tempo comigo, desculpe vou desligar"
    Beijinhos

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    1. Essa do «no portuguese, no portuguese» é de mais!!! Eh eh eh... de mais!!!

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  7. isso não é razão para andares triste rss
    deve haver alguma outra, mas não me vou por p´ra aqui a adivinhar rss

    beijo

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    1. Nem eu sei sou capaz de adivinhar, quanto mais...

      Beijinho

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  8. Veja bem a graça da vendedora a usar o trufo do Professor Marcelo. Temos um presidente a subir de valor, pois. O nosso destino é sermos salvos pelo senhor professor presidente: coloca-se o activo na Bolsa de Nova Iorque.
    Esta nova forma modernaça e agressiva de vendas por telefone são perigosas: somos enganados se não estivermos bem atentos. Ainda hoje estive a "ajustar contas" com uma operadora de telecomunicações por habilidades de "arredondamento" da facturação. Tendo renegociado o pacote contratado há um ano introduziram sub-repticiamente um suplemento de € 5.00 de tv. Como as facturas são pagas por desconto bancário só agora me apercebi de estar a "ser comido". Dei-me ao trabalho de ir pesquisar as facturas electrónicas. Resposta da operadora perante a minha reclamação: "realmente houve um lapso mas como o sr. usufrui do serviço há um ano vamos devolver-lhe (apenas) três meses na próxima factura".
    Boa tarde.

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