sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Bom Ano do Cavalo!


Não era já tempo de se fazer uma nova revolução de luta pela Democracia?!

Vamos ter esperança no Novo Ano do Cavalo!



quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Entre Sintra e Monserrate

No reencontro com muitos dos meus amigos e colegas de escola de Sintra no passado fim de semana, recebi do meu querido amigo e velho colega de turma no Colégio José do Nascimento, a quem prefiro chamar de ZéBranco, como no tempo de escola, nado, criado e vivido na Vila e grande amante das belezas daquela sua/nossa terra, uns versinhos amorosamente naïf  que vou deixar hoje aqui ilustrados com "fotos de arquivo"...


            Cascata

(Cascata dos Pisões)


Já passados os Pisões,
Ainda antes dos Milhões
Jorra a água dos montes
Nascida em várias fontes.

                  Gotas que escorrem errante
                  Risos e lágrimas de amantes!

Ora corre murmurante
Doce entre patamares,
Ora ecoa trovejante
Até ao rio de Colares.

(Rio de Colares)

                Regaleira



Ainda murmura a ribeira
Já se avista a Regaleira
De imponente estatura
Destaca-se na verdura.

                    Do poço solta-se a magia
                    Em dança de fé e heresia.

Melodia por todo o lado,
Deuses entoam o hino
Ao perfeito rendilhado
Do esplendor Manuelino.

                        Por amor, nada me enfada
                        E a distância não me abate
            Ainda é longa a estrada
                        Entre Sintra e Monserrate.

                 Seteais


Já ficou a Regaleira
E no topo da ladeira
Ouvem-se os ecos e ais
Dos campos de Centiais.

                        Passo o arco triunfal
                        Tributo ao rei de Portugal!

No Penedo da Saudade
Descanso o meu olhar
Voando à sua vontade
Entre Sintra e o mar.

                  Monserrate


Livres escorrem as águas
Que levam as minha mágoas,
Rebolo no verde manto
E afugento o meu pranto.

                        O meu destino foi amar-te
                        Quando te vi em Monserrate!

Cruzei-me com teu olhar
Corro em busca do sabor
Que anseio a encontrar
Nos teus lábios, meu amor!

                       Por amor nada me enfada
                       E a distância não me abate.
                      Como é curta a estrada

                      Entre Sintra e Monserrate!




quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ai o senhor da Gradiva!

Dei umas boas gargalhadinhas cínicas quando, no meu jornal diário, por baixo do artigo de opinião do jornalista Pedro Tadeu que sempre leio com gosto, um pequeno esclarecimento me prendeu a atenção.

Que, subordinado ao título «Edição da obra de Saramago», dizia assim: «Da editora Gradiva recebemos o seguinte pedido de esclarecimento: “Tendo lido a notícia do DN (edição de sábado) sobre a edição das obras de José Saramago, e tendo sido referido nessa peça que muitas editoras, que não foram identificadas, teriam manifestado interesse em a assumir, a Gradiva informa não ter sido uma dessas editoras, apesar, naturalmente, da óbvia admiração que tem pela obra do grande escritor.”»

Já viram a presunção (e o preconceito!) do senhor da Gradiva? Lembrei-me logo do Sousa Lara – vá-se lá saber porquê!

Por outro lado, imaginei as cinzas do nosso laureado em furioso volteio pelos ares só de pensar que passaria a ser editado sob a égide de um cinzentão retrógrado daqueles e lado a lado com o nosso best-seller, o Don Brown cá do sítio…





terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O Hotel Nunes/Tivoli

Nunca tinha ficado no Tivoli em Sintra. Era uma vontade antiga: é que durante anos passei ali naquele sítio, muito antes de ser Tivoli, várias vezes ao dia, a caminho do meu Externato Académico onde estudei e depois fui professora. E era uma das nossas referências no espaço: quando vínhamos do Colégio que era bem bem lá no fundo da imensa e íngreme rampa e chegávamos junto ao Hotel, no Largo, era altura de respirarmos fundo e descansar da subida; ao contrário, quando descíamos para as aulas ainda dava tempo de darmos umas corridinhas escada acima, escada abaixo na escadaria de pedra do Hotel (aquela por onde o Cruges «entusiasmado com Sintra, rompeu a assobiar, conservando aos ombros o xale-manta, de que não se queria separar porque lho emprestara a mamã») ou até – ai se a minha mãe alguma vez tivesse sabido!... – de experimentarmos umas cambalhotas no varão sem deixar que as saias nos deixassem “descompostas”…

Era assim o Hotel Nunes. O tal onde o Cruges e o Carlos da Maia iriam ficar na sua visita a Sintra.



«Chegavam às primeiras casas de Sintra, havia já verduras na estrada e batia-lhes no rosto o primeiro sopro forte e fresco da serra.

E a passo, o break foi penetrando sob as árvores do Ramalhão. Com a paz das grandes sombras, envolvia-os pouco a pouco uma lenta e embaladora sussurração de ramagens e como o difuso e vago murmúrio de águas correntes. Os muros estavam cobertos de heras e de musgos: através da folhagem, faiscavam longas flechas de sol. Um ar subtil e aveludado circulava, rescendendo às verduras novas; aqui e além, nos ramos mais sombrios, pássaros chilreavam de leve; e naquele simples bocado de estrada, todo salpicado de manchas de sol, sentia-se já, sem se ver, a religiosa solenidade dos espessos arvoredos, a frescura distante das nascentes vivas, a tristeza que cai das penedias e o repouso fidalgo das quintas de Verão… Cruges respirava largamente, voluptuosamente.

- A Lawrence onde é? Na serra? – perguntou ele, com a ideia de ficar ali um mês naquele paraíso.

- Nós não vamos para a Lawrence – disse Carlos, saindo bruscamente do seu silêncio e espertando os cavalos. – Vamos para o Nunes, estamos lá muito melhor!»

“Os Maias”


Mas o Tivoli que brotou das ruínas do Nunes (que teve melhor sorte que o vizinho Netto) é assim, bem mais confortável e modernaço e, apenas aos poucos, se vai integrando na paisagem feérica da Vila.




E de lá temos vistas como estas:








segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O País a nu


Anda o país todo eriçado com as praxes desde que se deram aquelas seis inefáveis mortes à beira-praia vai para um mês.

Somos assim. Reagimos apenas quando algo de muito grave acontece. Somos do tipo reativo e a longo prazo. Uma pena. Um deixa-andar, um desleixo de pensamento, um desinteresse por tudo (quanto não seja futebol, voyeurismo, e carros a ganhar no Cola-Cau) que só se explica pela enorme ignorância e pelo imenso provincianismo que nos define.

Sempre me crispei (e encrespei) de cada vez, desde há muitos anos, que via aqui nesta pequena cidade onde vivo, hordas de miúdos “mascarados” com as capitas pretas (que por história e tradição apenas se viam em Coimbra) com as caras pintadas com marcadores e com um penico na mão a berrarem que nem borreguitos desmamados aquilo que um outro borreguito saído há mais tempo da barriga mãe lhes vociferava ao megafone. E mais eriçada ainda ficava quando, ano após anos, numa qualquer tarde de 5ªa feira de maio, se entupia a cidade com carros ditos alegóricos dos cursos (diziam eles) com récuas de fedelhos insanos atrás a encharcarem-se em latas de cervejas que emborcavam e arremessavam ao chão deixando no ar um fedor a álcool e a transpiração absolutamente nauseabundo. Passavam na estrada defronte da “minha” escola, enlouquecendo os miúdos pté-adolescentes que abandonavam desvairados as salas de aulas e acorriam imparáveis para os recreios já que aqueles lhes ofereciam cervejas por entre as grades. Os pais e as mães, muitos bem vestidos e rebentando de orgulho pelas figuras que os seus meninos-doutores iam fazendo, apinhavam-se nos passeios para verem o espectáculo do “cortejo” que demorava horas! E, ao fim da tarde, quando eu saía da escola, ia encontrá-los muitos deles e delas, perdidos de bêbados, a chafurdarem em T-shirt na fonte luminosa. Entretanto, já as equipas de limpeza da Câmara lhes tinham seguido no encalço para lavarem as ruas enlameadas de cerveja e recolherem as centenas de latas que ficaram pelo chão.

Posso, de facto, ser apelidada de velha antiquada, mas nunca quando andei na Faculdade assisti a nada parecido sequer com desmandos destes. Praxes nesse tempo havia-as quando os agentes da PIDE iam “assistir” às aulas de Linguística e de Literatura para espiarem falas e comportamentos de alunos e de professores e depois prendiam ou torturavam uns tantos…

Mas também não me lembro de qualquer das minhas filhas – e essas, felizmente, nascidas já depois de Abril – se submeterem às ordens esquizofrénicas de nenhum colega mais velho para depois ganharem o estatuto de esquizofrenia necessário para fazerem submeter outros mais jovens.
Por outro lado, também me farto de dizer que, se os meninos e meninas se “submetem” a estas “cenas” é só porque querem e acham giro. E não me venham com a treta da integração e de virem a ser postos de parte se não as cumprirem.
E, enquanto tudo isto foi acontecendo em onda crescente, toda a gente, pais, professores, responsáveis governamentais, sorria com uma bonomia amarela que talvez mascarasse, em muitos, o medo, o acanhamento de mostrar uma posição contrária. Tão giro! Os meninos a brincarem às seviciazinhas para mostrarem que eram… universitários! Muito degradante!

Mas calo-me já! E deixo aqui o melhor texto dos que tenho lido sobre este assunto da estupidez das “praxes”!

O País a nu, como no Meco.

Amanhã, os jovens corvos voltarão às ruas. Não se escondem, o fato é comum para todos, preto e sobre ele uma capa pesada, faça sol ou frio. Aqueles fato e capa não escondem, expõem a aceitação da mais bizarra das afirmações: somos manada. Num jovem não seria de esperar rebeldia e inquietude? Ora, ora, talvez agora o padrão seja outro, ser rancho, ser grupo. E de grupo sem mérito nem voo. Ali, naquele país inculto e pobre, anunciar pelo fato e pela batina uma conquista, mesmo patética, já é conquista: olhem, sou estudante universitário! Fica com a taça, jovem corvo. Nunca saberás que o mérito seria teres participado em debates e ganho, ou perdido, mas participado; seria teres gozado o prazer de aprender, de duvidar, de perseguires, mesmo erradamente, a luz. Mas esse não és tu. Tu, goza os teus três, quatro anos de fato de luto - o único diploma que te distinguirá a vida inteira, três, quatro anos a andar pelas ruas a proclamar nada. Entretanto, sobe um patamar e praxa. Isto é, leva a tua ambição ao nível dos fundilhos do teu traje. No começo, obedece e humilha-te. Serás premiado, depois, com mandar e humilhar. Fica-te por aí, rasteiro. De grande, só a colher de pau. Fica-te por aí, és o País. Sem saberes que um só dos teus podia redimir a todos. Um só estudante, bela palavra, no pátio de uma universidade, bela palavra, dizendo as mais certas das palavras para um jovem: não vou por aí.

Ferreira Fernandes, DN, 25 de Janeiro de 2014



domingo, 26 de janeiro de 2014

Gatinhas

Hoje deixo aqui um problema para descobrirem as diferenças...





Tenham uma boa semana!!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Bodas de ouro

Faz amanhã, dia 25 de Janeiro, 50 anos que eles se estrearam a tocar. Rapazitos do liceu meus colegas a tentarem dar a tal «pedrada no charco» no cinzentismo da época numa vila fechada, suspensa na bruma da Serra. Aparentando os conjuntos de guitarras eléctricas que começavam a aparecer inspirados nos ingleses – que em termos de movidas foram (e vão) sempre à frente.

Foi assim que se apresentaram, transparentes, tímidos, algo inseguros, mas já com aquela aura de quem sabe e quer enfrentar o mundo e que é tão típica da juventude.




Amanhã lá estarão, na mesma sala (da Sociedade União Sintrense) em que principiaram e onde tantas e tantas vezes atuaram, e lá estaremos muitos de nós que os conhecemos e os apoiámos desde muito antes do primeiro dia – que já foi há 50 anos – para os aplaudir, os acarinhar, os homenagear e para lhes pedir que se mantenham juntos por, pelo menos, mais 50 anos…

Os “meus” Diamantes Negros. (um tudo nada diferentes...)




quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Campanha eleitoral



A rapaziada do “governo” entrou em campanha eleitoral. E não se pense que o alvo dessa campanha é a eleição dos deputados portugueses para o Parlamento Europeu que terá lugar em finais de Maio próximo. De facto, em finais de Janeiro, ainda nem se conhecem os nomes que irão integrar as listas dos diversos partidos para essa eleição.

Não! Quando digo que o “governo” está em campanha eleitoral, refiro-me às legislativas (que terão lugar lá para Outubro de 2015) e até às presidenciais (que serão realizadas lá para Janeiro de 2016).

Primeiro vieram com os sinais positivos da economia (mesmo sem dizerem quais) e com a descida da taxa do desemprego que, sabemos bem, tem diminuído porque grande parte dos desempregados deixaram de ter direito ao respetivo subsídio passando a não contar como desempregados já que passaram à triste categoria de indigentes. Quanto a este assunto a nossa atemorizada comunicação social nunca diz que esses cidadãos passaram a não contar para nada, antes diz, da forma mais eufemística, que «deixaram de procurar emprego», empurrando para eles a responsabilidade dessa situação. Por outro lado, esconde-se o exorbitante número de pessoas que, não conseguindo trabalho cá no país, emigram fazendo também baixar a percentagem do desemprego.

Agora, como moeda de troca com o «criado de libré» a quem a «taluda» da guerra no Afeganistão arranjou um lugar como presidente da Comissão Europeia e a quem Passos Coelho prometeu lançar na corrida a Belém, vêm os seus “subordinados” ajudar à campanha interna fazendo o constante elogio da acção deste “governo”, dizendo que Portugal pediu o resgate tarde de mais – discurso que vem espevitar aquela ideia tão grata a este povo de que os socialistas estiveram, estão e estarão na origem de todos os males que lhes acontecem – declarando que a dívida pública portuguesa baixou não sei quantos pontos, e agora anunciando até que o défice para este ano ficará 1% abaixo do negociado com a troika.

Entretanto, o PM e apaniguados que até há poucas semanas ameaçavam o povo com um segundo resgate vêm agora apregoar que vamos sair deste resgate “limpinhos, limpinhos” (onde é que já ouvimos isto?!) como a Irlanda. A continuarmos neste ritmo, ainda passamos à frente da Alemanha!...

Apoiando a campanha em curso, a nossa comunicação social, seja com reportagens, notícias, debates, cometários escolhidos, todos os dias repete até à exaustão (e apenas) estes e outros logros ardilosos. Ainda há pouco, o telejornal do canal governamental pretendeu fazer um balanço da atuação dos três anos do “presidente” da República e para tal convidou algumas figuras absolutamente insuspeitas a pronunciarem-se: Proença de Carvalho, Francisco Van Zeller, Nicolau Breyner… (Nem os ouvi!)

Por último, mas não em último, um grande apoio da (vergonhosa) campanha do “governo” é o secretário-geral do maior partido da oposição que, segundo consta, se move pelo país mas em sapatinhos de lã para não dar muito nas vistas, não levanta aquela vozinha de menino de coro para nada, limitando-se a dizer, com muito pouca convicção, que o “governo” não pode contar com o PS para não se sabe muito bem o quê, e não se assume abertamente perante o país como uma verdadeira e forte alternativa.


Estamos feitos!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Como lavar os tintins!

Recebi há pouco e apresso-me a divulgar aqui por poder servir a alguém necessitado!



Para não danificar os tintins, lave-os apenas com um pano húmido esfregando suavemente. 


Ver imagem em baixo:








terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Bacoradas

O respeitável jornal diário DN brindou-nos, na passada sexta-feira, com mais uma «luminária» na rubrica «O Convidado» que pretendeu «iluminar-nos» com as suas doutas opiniões sobre a Educação no nosso país. Diz-se que não há país onde haja tantos “treinadores de bancada” referindo-se ao futebol. Pois eu atrevo-me a afirmar que todas as pessoas sem exceção neste país sabem tudo acerca da Educação. É o caso do convidado do DN da passada sexta-feira, o senhor Guilherme Valente, com o subtítulo de «editor da Gradiva».

Ora esse ilustre senhor, nado e criado em Leiria, esta também ilustre terra de direita, escreveu um livro (abjecto, diga-se) que tem o também abjecto título de «Os Anos Devastadores do Eduquês» que está muito para além da bibliazinha de bolso que o ministro (C)rato escreveu em 2005 e na qual dava a conhecer, com alguns anos de avanço, as bases da sua futura estilhaçante governação em termos de Educação.

Pois aquando do lançamento desse seu livro em 2012, o insigne leiriense foi convidado pela Livraria Arquivo para vir apresenta-lo na sua terra natal e teve honras de grande entrevista (que pode ser lida aqui) no Jornal de Leiria (que, aliás, pertence à mesma família da referida Livraria) na qual explanou, sem qualquer rebuço, toda a sua teoria – e o seu ódio – sobre os males da Educação desde a Revolução e de como era bom o ensino antes da mesma.

No texto que escreveu para o DN, «Os anos devastadores de eduquês – outra prova», o senhor Valente foi ainda além do que registou no seu  bisonho livrinho e do que disse na dita entrevista. Baseando-se num qualquer estudo da Universidade Católica e do Instituto Luso-Ilírio para o Desenvolvimento Humano, que, segundo este senhor, concluiu que «os portugueses com mais habilitações e mais rendimentos são os que dão menos importância à solidariedade e aos valores democráticos» [quanto a mim, na base desse estudo devem ter estado entrevistas aos boys do PSD e do CDS…] o senhor afirma, cheio de razão, que «quanto mais tempo na escola que temos tido, pior.» E continua: «A solidariedade, o seu sentimento e necessidade, a felicidade, seguramente, só podem assentar nos grandes valores e nas manifestações mais elevadas da cultura, do conhecimento, da religião, do altruísmo, da generosidade humanos. Valores, conhecimento e cultura que, pelo contrário, foram desvalorizados, durante todos estes anos, por esta escola, dita moderna, mas pós-moderna, das “ciências” da educação.» E vai acrescentando o omnisciente senhor: «Essa ideologia e essa prática “educativa” roubaram as crianças, deixaram que perdessem os valores tradicionais que transportavam, e que fossem substituídos por uma espécie de lei da selva, que chegou até, de algum modo, a ser valorizada.»

Se quiserem e tiverem paciência para ler a série de alarvidades que o senhor Valente lançou ao papel (é mesmo preciso ser muito valente para dizer tantas bacoradas…) podem ler aqui.

Claro que estes tristes textos mereciam uma reflexão e uma resposta tão completa que não cabem no espaço exíguo de uma entrada de blog, mas não consigo não deixar um ou dois apontamentos que me ocorrem de momento:

  1. O senhor Valente, como infelizmente muita gente nesta terra, confunde solidariedade com caridade(zinha);
  2.  O senhor Valente, que tanto desdenha das “ciências” (aspas dele, claro!) da educação, e na sanha de aliar esta  “torpe educação” que se tem feito na chamada escola pública nos últimos anos aos governos da responsabilidade socialista, até parece que se esquece – ou ignora, que é o mais certo – que a génese da mesma remonta aos (bons) tempos da governação do (excelente) ministro Roberto Carneiro que, para proceder à reforma da Educação que realizou, encomendou atempadamente estudos de grande qualidade aos competentíssimos professores da Universidade do Minho e que ficaram registados nos magníficos Documentos Preparatórios que o ME publicou em finais de 80;
  3. Por último, e respondendo à minha conhecida radicalidade, aqui afirmo que nunca mais comprarei livro editado pela Gradiva!


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Magia

Não sei de que nos queixamos! Temos governantes verdadeiramente mágicos! Senão, vejam.

Cavaco sacou uma coelho da cartola.




E agora é a vez de Coelho fazer o seu passo de mágica e tirar um "cherne" da cartola...




Que outras magias nos irão cair em cima?!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Eugénio de Andrade



O poeta Eugénio de Andrade completaria hoje 91 anos. Todos sabemos que a sua terra do coração foi o Porto onde se radicou em inícios de 50 e onde morou até à sua morte em Junho de 2005.

E é por isso que deixo aqui um trecho de prosa sua (de que não encontrei a data) sobre a sua cidade querida. (e que tirei daqui)

(…)
«A grande trindade poética que lavra, nesta pedra escura, o perfil seguro do Porto – Fernão Lopes, Garrett e Camilo – leva fatalmente à cidade uma pessoal visão de mundo, o seu génio próprio. O Porto de Fernão Lopes é quase legendário: heróico e honrado; o de Camilo, grotesco e dramático; o de Garrett irónico, pitoresco e sentimental. São três tempos (em duplo sentido: histórico e musical) do seu carácter que, embora esquematicamente enunciados, nos permitem algumas aproximações. A cidade viril de Fernão Lopes é ainda a de Herculano, Ramalho, Jaime Cortesão e Miguel Torga; Raul Brandão, Pascoaes e Agustina estão, de algum modo, na continuação do pessimismo de Camilo; de Garrett parte, dessorada, perdido por completo o seu impenitente humor, toda uma toada que de Júlio Dinis e António Nobre vem desaguar em tanta loa tacanhamente regionalista e deprimente. Isto para falarmos apenas de quem mais se debruçou na alma destas pedras, bem pouco transparente, como se vê.

Não sei como é que a palavra se insinuou: convenhamos que vem pouco a propósito. A transparência é aqui nostalgia: até a luz terá a cor do granito. Mas o granito é às vezes de oiro velho, e outras azulado, como o luar escasso que nesta noite de outono escorre dos telhados. Quando o sol, mesmo arrefecido, incide nos vidros, as mil e uma clarabóias e trapeiras e mirantes da cidade enchem o crepúsculo de brilhos – o Porto parece então pintado por Vieira da Silva: é mais imaginário que real. Para as bandas de S. Lázaro, as ruas estão coalhadas de silêncio. Os passos de quem regressa tarde a casa são raros, até os mais leves se ouvem à distância. Na noite alta, o repuxo do jardim tem a nitidez de um coração muito jovem. Fora as magnólias, não há árvore com folha. Os bancos estão desertos – os trolhazitos que por aqui se aquecem ao sol, à hora do almoço, devem ter adormecido nalgum canto dessas casas em vias de construção, que há um pouco por toda a parte. Dormem enrolados no friinho que principia a rondar. Os cafés fecham as últimas portas. Saem os retardatários um pouco aos bandos, quase todos jovens. Barulhentos, sem pressa, encaminham-se para a Batalha. Um automóvel, rápido; outro; outro ainda. Um dos moços assobia. As palavras da canção ecoam-me na cabeça:

If you’re going to San Francisco
be sure to wear some flowers in your hair…» (...)


(Fotografia do Francisco Mendes)

sábado, 18 de janeiro de 2014

Ary

Passados trinta anos sobre o seu desaparecimento, continua vivo na nossa lembrança, nas nossas canções, no nosso imaginário.

«Torrencial, apaixonado, firme, exuberante, truculento, corajoso. Qualquer destes adjectivos cabe em José Carlos Ary dos Santos, mas nenhum deles chega para qualificar plenamente o homem, o poeta, o militante. Em Ary, o todo é sempre mais do que a soma das partes e estas nunca são estanques entre si: Ary foi o poeta que foi por ser o militante que era, e não poderia ser uma diferente sem trair tudo aquilo que constituía a sua própria razão de ser.» (…) «Fumava, bebia muito e era visto como truculento, imprevisível e arrebatado. (…)» - dizem no jornal de hoje.

Fernando Dacosta em «O Botequim da Liberdade» sobre o Bar das tertúlias de Natália Correia, fala assim sobre o poeta Ary:

«Para Natália (…) Ary era o «Arycoffee português» (pela sua dependência da bebida). Ele retribuía-lhe com idêntico empenho: (…) chamava-lhe «jibóia bufona».

A certa altura «Ary difamou-me, dizendo que eu era da PIDE, mas Álvaro Cunhal, um verdadeiro príncipe, veio logo a público defender-me e desmenti-lo, criticando-o por essa infâmia!» revelou-me a visada [Natália].

Ary era useiro em comportamentos destes. Além de Natália, traiu (a seguir à revolução) Amália e Fernanda de Castro, três mulheres a quem, até aí, tratava por «tias do meu coração» (…) passando a referi-las por «velhas gaiteiras».

Num encontro literário no Solar do Vinho do Porto, Ary e Dórdio (ainda solteiro) entornaram-se ruidosamente rebolando, gordinhos, aos sopapos, aos insultos, ante o gáudio (mal) dissimulado dos presentes e o gozo de Natália – causadora de tão pífio duelo entre álcoois marados.
Os comportamentos pitorescos de Ary faziam-se, entretanto, cardápio de gozos no Botequim – e na cidade.

Numa madrugada cruza-se, no Rossio, com um jovem a quem convida para o acompanhar. Entrados em casa, rés-do-chão junto à Sé, o desconhecido tira da carteira um cartão: inspector da Judiciária.
Num ápice, Ary escancara as janelas e, carregando no vozeirão, grita: «Socorro, tenho aqui um polícia que é bicha, acudam. Socorro!»

Ao visado só restou fugir a sete pés, ante o acordar da vizinhança, que saiu para a rua em defesa do seu poeta. (…)

Ramalho Eanes, Presidente da República, conseguirá mais tarde que Natália aceite (com indisfarçáveis reservas) as desculpas de Ary. (…)

Justa, Natália Correia destacará, sempre que se proporciona, o talento poético, a ousadia social de Ary.(…)» (pág. 51 – 53)

Deixo aqui duas das muitas canções com poemas seus das que eu considero mais bonitas: «Cavalo à solta» e «Estrela da Tarde»








sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Mau tempo na capital

Diz quem sabe que hoje, em Lisboa, quem andou na rua aconteceu-lhe assim...




E preparem-se porque amanhã vai ser a mesma coisa...

Bom fim de semana!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Regresso aos mercados

Na linha ufana do "governo" e na linha embusteira dos órgão de comunicação que não se cansam, uns e outros, de nos matraquear com o regresso aos mercados, convido-vos a regressar comigo a alguns mercados aonde não vou há muitos anos...


Mercado de Algés (o 1º que conheci)

Mercado Velho da Vila - Sintra



Feira de São Pedro de Sintra  
Mercado dos Lavradores, Funchal
Mercado de Barcelona
Mercado de Barcelona no Carnaval

Mercado de Limoges
Ainda Limoges

Mercado de Bolonha
Bolonha


Podemos regressar ao velho mas sempre belo mercado de Leiria de 1924 aqui acima ou, por ironia, podemos regressar ao velhíssimo mercado que se realizava nos anos de 800 e início de 900 na Praça Rodrigues Lobo.





Hoje regressámos aos mercados; outro dia referir-me-ei aos sinais positivos...



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Ruralidades

Vejam a vizinhança com que me deparei esta manhã quando subi ao terraço...





E ali na rua abaixo, os patos andam livremente pelo asfalto, acreditam?






O que dariam tantas pessoas  para viverem ruralidades destas....

O mesmo daria eu para viver ali na Praça do Saldanha...




terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Pensamento




Para quando um novo




Muito a propósito recomendo um saltinho ao crónicas do rochedo...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Malabarismos



Foram quilómetros de notícias, crónicas e comentários que se publicaram nos jornais sobre o chamado tráfico de influências, crime – porque de crime se trata realmente – atribuído a governantes, políticos e pessoas altamente influentes. Isto no tempo do governo anterior, claro! porque o atual tudo o que faz é bem feito, a bem da nação e dentro da maior legalidade. Por isso nunca mais os jornais gastaram energia e tinta a escrever sobre esse mal tão português que é o dos «empenhos», o das «cunhas».

E falo nisto porque estes malabarismos usam-se agora e cada vez mais nas escolas. Suponho que não acontecerão apenas nas escolas, mas como toda a minha vida foi esteve ligada às escolas, dói-me saber que,  com a desculpa da tão apregoada «autonomia das escolas» que mais não é senão a crescente desresponsabilização dos serviços do ministério, as direcções mandam e desmandam a seu bel-prazer nas contratações de professores e técnicos contratados. As seriações dos candidatos são díspares: sei de um candidato que no espaço de um mês e no universo dos mesmos candidatos desceu na seriação da um primeiro concurso para um segundo, do 1º para o 4º lugar…

Depois, a coberto da entrevista, são feitas as maiores injustiças que se possam imaginar ancoradas em «critérios» das ditas «influências», de vingançazinhas pessoais, ou tão-somente de pura incompetência. E infelizmente não adianta recorrer para instâncias superiores porque, num país em que os desempregados são mais que muitos e em que os empregos escasseiam cada vez mais, o empregador, mesmo sendo do sector público, pode tudo enquanto o candidato tem de curvar a cabeça e limitar-se a aceitar – vêm-me à cabeça vivências destas lá para os idos de 50/60 nesta nossa terra.

Lembro-me, por oposição, da primeira das muitas contratações que fiz lá “minha” escola nos anos 80. Tive de contratar duas funcionárias auxiliares e caíram-me no regaço dezenas de candidaturas (e de «cunhas» também!) Os critérios de seriação vieram da Direção-Geral objectivos e apertados e eu segui-os – como sempre fiz o resto da vida – com todo o rigor. Pois não sei por que boatos que correram, veio a responsável regional pedir-me contas da minha seriação para verificação. E não pôde mexer numa linha sequer! Infelizmente agora os responsáveis dos serviços desapareceram e os que ainda se mexem pelas ex-DRE(s) são do tipo jurista de 3ª classe que não tem outro lugar onde desempenhar os seus maus serviços e por isso são tudo menos fiáveis.

Mas esta «autonomia das escolas» “negra” que nada tem a ver com aquela “branca” que o ministro Roberto Carneiro tão bem lançou e definiu em 89, não se fica pelos malabarismos (para não dizer “sacanices”) nas contratações. Infelizmente, por completa falta de cidadania e de autêntica vivência democrática, os conluios, a promiscuidade crescente entre as pessoas das direcções e dos conselhos gerais é de tal ordem que se fazem malabarismos inacreditáveis a nível das “eleições” para uns e para outros dos órgãos, muitas vezes afastando quem sabe do ofício para lá se manterem os menos apetrechados para os cargos…


Mas qual é o meu espanto? O exemplo vem de cima…