sábado, 30 de novembro de 2013

What will tomorrow bring?







Nobody will ever know! (Ninguém alguma vez o saberá.)

Foi já há 79 anos!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Livrarias

Os nossos livreiros resolveram, como os seus colegas espanhóis, escolher o dia de amanhã para celebrar o dia da sua própria profissão, o Dia do Livreiro e das Livrarias. (ver mais aqui)

A propósito e com certa ironia talvez, deixo aqui imagens de duas livrarias muito especiais:

A Livraria Avis/Restaurante Book no Porto.(com fotografias do meu genro Francisco)










E da Livraria Cruz  em Braga (vê-se bem que as fotografias seguintes não são do genro: são mesmo da sogra...)











Não esqueçam: amanhã é dia de visitar as livrarias. Destas e/ou das outras. Como esta.




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Busy

Gosto mesmo desta cançãozinha desde a primeira vez que a ouvi. Uma cançãozinha tipo anos 50. E a miúda vai muito bem, não acham?

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ramalho Eanes

Nunca foi daquelas figuras da política que, à partida, me agradou. Não votei nele em 76 aquando da sua primeira eleição e, da segunda vez, foi uma antiga colega, mulher de um militar que o conhecia bem que me "convenceu" a votar nele. A criação do PRD, à saída de Belém, desiludiu-me de todo e, de então para cá, a figura do General desvaneceu-se-me completamente.

Daí que fosse surpreendida por esta homenagem repentina que nem entendi muito bem. Mais moderada do que penso que sou, fiquei, no entanto, um pouco chocada com o "verdete" que algumas pessoas da esquerda de que se pensam donos absolutos tentaram destilar sobre a dita homenagem chegando a afirmar que a ação do general, à época tenente-coronel, no chamado golpe do 25 de Novembro (de 1975) marcou o início do descalabro.

Não encontrei as palavras exatas nem o tempo necessário para, de alguma forma, aqui responder a esse tipo de provocação, mas que bom que há quem tenha as ditas palavras exatas para o fazer com a necessária elegância e subtileza, ainda por cima homem de esquerda. E é esse texto de Baptista-Bastos - uma vez mais (que não há de ser a última) - que deixo aqui como contestação de muitas opiniões, ou melhor, certezas absolutas que uma certa esquerda hermética e empedernida pretende sobrepor a tudo e a todos.


«Uma firmeza de carácter que poderia ser entendida com juízos contraditórios, tanto mais que ele raramente sorria. Conheci-o em 1977, durante o 11 de Junho, na Guarda. Fora enviado à cidade alta, para relatar, em uma página do Diário Popular, o que se me afigurava fastidiosamente desinteressante. Não o foi. E, em vez da página combinada, a qualidade comovente dos acontecimentos impeliram-me a escrever um suplemento de dezasseis. A acompanhar-me, Rocha Pato, correspondente do jornal em Coimbra, estimado camarada e jornalista fora do comum. O homem aparentemente distante, recém-eleito Presidente da República, foi à sala da imprensa. Quando lhe disse o meu nome, ele respondeu: "Sei muito bem quem o senhor é." E apertou-me a mão com firmeza e calor. António Ramalho Eanes. Ficámos amigos até hoje. Com ele viajei por Portugal e ao estrangeiro. Aprendi que ele dispunha de um sentido de ironia por vezes devastador, e que, apenas com uma frase era bem capaz de definir um homem e o seu cunho. Em épocas menos airosas da minha vida, havia sempre umas palavras, pelo telefone ou em carta. Certa vez, estava eu a passar pelos atropelos de uma insídia, ele telefonou e disse-me: "Não se esqueça de que só apedrejam as árvores que dão fruto." Não esqueci.

Um homem como este, que desperta a estima em pessoas tão diferentes como Miguel Torga, Jorge de Sena, Vasco da Gama Fernandes ou Manuel da Fonseca e Augusto Abelaira, terá de possuir algo de distinto e até de oposto aos hábitos e vícios da época. Num tempo desvairado, onde a mentira e a omissão se sobrepõem aos valores da integridade, da honra e da decência, Ramalho Eanes é peça quase única. Eu, pelo menos, conheço poucos ou nenhum que se lhe equipare. Ele é um homem com a respeitabilidade antiga, daqueles para quem o aperto de mão constituía um compromisso irrefragável; um desses raros cavalheiros da velha fidalguia de província que jamais quebra o pacto de decoro e de brio estabelecido consigo mesmo. De contrário, seria "uma vergonha."

A homenagem que lhe fizeram vem na hora própria porque abre um parêntesis de memória virtuosa no lamaçal em que se pretende afogar-nos. O Marcelo, como lhe é costume, tentou confundir a reunião da Aula Magna com o tributo a Eanes, demarcando uma como de Esquerda e outra de Direita. Astúcias frequentes no comentador, tal o velho palhaço Chacrinha, na televisão brasileira, que dizia: "Estou aqui para complicar; não para explicar." A verdade é que tanto Soares como Eanes, se não obtêm unanimidades, conquistaram o afecto de muita gente de Direita e de Esquerda, indiscriminadamente. Viu-se, aliás, nos dois acontecimentos aludidos. E se esse afecto não é determinado pelos mesmos motivos e razões, outros há, de certeza, que aclaram e justificam a sua peculiar natureza. Uma certeza: nenhum destes dois está no outro lado da História.»

BB, DN, 27/11/2013

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Vida de gato

Com a devida vénia à Catarina, tem feito um frio de rachar. É que aqui em Leiria as amplitudes térmica são das mais acentuadas do país. temos acordamos manhãzinha cedo com 1, 2, 3 graus e durante o dia chegamos aos 16/17 graus.

Agora vejam o descanso deste gato cá de casa que, de manhã, aí pelas 10/11 horas, vai até ao quintal e aproveita os fiozinhos de Sol assim:



Chega a esparrameirar-se assim:


E assim:



E, a meio da tarde, quando o Sol arrefece, o fulano vem para casa e apodera-se do sofá enquanto o «dono» o vem regatear...



Isto é o que verdadeiramente se chama «viver acima das suas possibilidades»...

(Onde é que eu já ouvi isto?!)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Elas não são deusas!

No Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, escolhi este poema para, de alguma forma, reverenciar todas as mulheres que foram e, por infortúnio, continuam a ser humilhadas e mal tratadas.


Posso pedir, em vão, a luz de mil estrelas:
apenas obtenho este desenho pardo
que a lâmpada de vinte e cinco velas
estende no meu quarto.

Posso pedir, em vão, a melodia, a cor
e uma satisfação imediata e firme:
(a lúbrica face do despertador
é quem me prende e oprime).

E peço, em vão, uma palavra exata,
uma fórmula sonora que resuma
este desespero de não esperar nada,
esta esperança real em coisa alguma.

E nada consigo, por muito que peça!
E tamanha ambição de nada vale!
Que eu fui deusa e tive uma amnésia,
esqueci quem era e acordei mortal.

(Fernanda Botelho)



domingo, 24 de novembro de 2013

Despondency

("Despondency" desenho de Chris Riley)

Despondency


Deixá-la ir, a ave, a quem roubaram
Ninho e filhos e tudo, sem piedade...
Que a leve o ar sem fim da soledade
Onde as asas partidas a levaram...

Deixá-la ir, a vela, que arrojaram
Os tufões pelo mar, na escuridade,
Quando a noite surgiu da imensidade,
Quando os ventos do Sul levantaram...

Deixá-la ir, a alma lastimosa,
Que perdeu fé e paz e confiança,
À morte queda, à morte silenciosa...

Deixá-la ir, a nota desprendida
D'um canto extremo... e a última esperança...
E a vida... e o amor... Deixá-la ir, a vida! 


(Antero de Quental, in "Sonetos")

sábado, 23 de novembro de 2013

Preconceito à parte



Que fique, antes de mais, muito claro que não alimento qualquer tipo de preconceito contra a diferença. Diferença de cor de pele, diferença dos que têm a desdita de nascer com qualquer tipo de deficiência, diferença na orientação sexual que as pessoas seguem.  

Ontem fui a uma loja Nespresso onde fui atendida por um empregado – que agora se chama pomposa e superiormente de colaborador – que me acolheu com uns gestos e uns requebros de voz que nem a menina que minutinhos antes me instruíra sobre os tipos e preços de chávenas e copos da marca usara. Todo ele era estilo «tia de Cascais» na fala e sorrisinhos tipo Catarina Furtado. «Esnobou» um pouco (como dizem os nossos irmãos brasileiros) quando consultou a minha ficha e viu que eu vinha de Leiria, onde – disse ele com o ar mais superficial – estivera apenas uma vez para, parecia-lhe, o juramento de bandeira de um amigo. Mas acabou por me perguntar se eu aceitava um café quando viu a cor do meu cartão de pagamento (remanescentes de quando eu era remediada, claro! Nada tem a ver com o meu atual estado de riqueza, na opinião do “governo”…) Declinei sedutoramente (que eu também sei  armar-me em «tia de Cascais quando me apetece) o galanteado convite e saí da loja de sorriso aberto e a pensar cá para mim: «mas porque é que agora põem estes “panascas” (mil desculpas aos meus queridos amigos bloggers pelo vernáculo, mas foi esta a palavra que me ocorreu) a atenderem o pessoal?!

É que não foi a primeira vez que passei por esta experiência e que tive este tipo de pensamento. Aqui em Leiria a Zara Home também tem a atender uns meninos super, super magrinhos dentro daqueles aventais pretos e comprido, indumentária da casa, que lhes dão duas ou três voltas ao corpito. Dirigem-se-nos com um ar mais angélico que os querubins que lá vendem agora pelo Natal e, com uma vozinha que nem a minha neta de seis anos usa, nos perguntam: «Precisa de ajuda? … Esteja à vontade…»)

Isto para nem falar num outro menino também super coquette, também com não mais de 50 cm de diâmetro, de olhinhos azuis e pestanas enroladas com revirador que “colabora” na Douglas aqui no shopping e que todo ele se meneia para falar com o mulherio – tipo eu  – que lá vai ver o preço dos after-shaves

Eu nem sei, nem posso nem quero dizer que estes “meninos” – como eu lhes chamo – são homossexuais ou não, se gostariam de ser meninas ou não, nem me interessa, juro! Mas por que raio é que os empregadores agora escolhem estes coquettes travestidos em vez de contratarem mulheres, raparigas giríssimas, bem pintadas e de unhas esmaltadas, bem-falantes e genuinamente coquettes – homossexuais ou não, que isso (repito!) a mim não me faz diferença nenhuma – e que as há por aí aos montes? Ou então miúdos lindos e sedutores, tipo Clooney, Paulo Pires, Filipe Duarte ou outro, morenos de olhos verdes com maneiras bem masculinas e bem atraentes daqueles que fazem uma mulher olhar de esguelha e ter maus pensamentos, mesmo que à noite se deitem com o polícia de giro?!


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Estamos safos!

Amigos, estamos safos!!!



Tenham um bom fim de semana!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Demissão, já!



Foram dois momentos altos hoje:

  • O sinal de força que os polícias unidos deram ao país e a este "governo" ao chegarem às portas da Assembleia da República que não invadiram apenas porque não quiseram E gritavam: «Invasão!» «Demissão!»
  • O discurso de abertura da conferência organizada pelo ex-Presidente da República, Mário Soares em defesa da Constituição da Democracia e do Estado Social que terminou com grandes apupos e gritos de «Demissão!».«Demissão!»


Não é preciso dizer mais nada, pois não?!


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Que mau feitio!



Nos tempos da adolescência, lá em casa convenceram-me que eu era embirrante – e, se calhar, era mesmo, sei lá! – porque era (e sou) muito seletiva nos meus gostos quer fosse de pessoas, de sentimentos, de estados, de objetos, de música, de filmes, de palavras, de tudo sobre o que eu conseguisse ter opinião. Por isso houve uma altura em que a minha mãe – que era a pessoa de quem eu mais gostava mas de quem mais medo tinha – quase me proibiu de usar a palavra «detesto». Contive-me, que remédio! Tinha mesmo de me conter.

Mas de há uns tempos para cá, e agora que já não há quem me possa proibir de usar as palavras que me apetece proferir, tenho usado o dito termo mais do que quase todas os outros em geral. E hoje estou pior que sempre!

Detesto o Sapo do Mário Crespo e grande parte dos seus entrevistados!

Detesto as «cratinices» do (C)rato e estes professores que só se revoltam quando lhes falam em avaliações!

Detesto os «bons alunos» à moda do “governo” e a «Casa dos Horrores» da TVI!

Detesto o “político” Graça Moura grande defensor do «Eduquês» e a onda gigante da Nazaré!

Detesto as pessoas que sem saberem do que falam baralham as alterações propostas pelo Novo Acordo Ortográfico com as alterações que fizeram ao ensino do português!

Detesto a Moura Guedes, a Catarina Furtado, a Popota e a Leopoldina!

Detesto Fado e Futebol (e já só falta Fátima) que aturdem este povo!

Detesto a demagogia dos/das jornalistas que nos querem atirar poeira para os olhos e tentam pôr na boca dos entrevistados aquilo que eles querem que eles digam!

Detesto o Cavaco, o Rosalino, o Marco António e os restantes títeres do “governo”!

Detesto ter de ler romances que o primo ou o cunhado ou a tia daquele meu amigo ou conhecido escreveu.

Detesto pessoas boazinhas e o folclore da senhora da Apre!

Detesto que me façam de estúpida!

Detesto concursos e programas de culinária!

Detesto o Paulo Coelho e o papagaio do Marcelo da TVI!

Detesto o anjolas do Seguro e o inanimismo deste povo!

Detesto as lojas que compram ouro e o Pingo Doce!

(…)

Estaria aqui o resto da noite a despejar coisas que detesto! Mas não devo. Peço desculpa a quem possa ter ofendido e prometo enumerar aqui – qualquer dia – coisas e pessoas de que gosto. Será que consigo?!...



terça-feira, 19 de novembro de 2013

Troca de Miminhos

Já devem ter reparado no selo aqui do lado direito com uma árvores de Natal com a inscrição "Troca de Miminhos 2013".

Pois é! Fui "na cantiga" da Turista e aderi à brincadeira do bolg A Minha Vidinha e que é assim:



"Quem quiser entrar envia-me email ( a_minha_vidinha@hotmail.com ) com o vosso nome, morada e blog ate dia 30 de Novembro.

Depois faço o sorteio e envio-vos email com o nome do vosso amiguinho e respectivo blog.

Os presentes podem ser tudo o que vocês quiserem, até coisas vossas que já não queriam, mas que ainda é giro, vamos lá fazer uma reciclagem de presentes, uma blusa que já deixaram de vestir ou que nunca vestiram e que ainda esta nova e que até vai ficar muita bem à amiguinha do blog x.

É usar a imaginação, pois ninguém está à espera de um presente de luxo, mas sim dum miminho daquele que lemos e seguimos durante todo o ano.

E claro, se não der para oferecer nada, um postalito sabe sempre tão bem receber.

E então quem alinha nesta troca de presentes?"





segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Manuel António Pina


O escritor que adorava gatos, poeta discreto, prémio Camões, autor diário de crónicas «com saudade da literatura» no JN, completaria hoje 70 anos se não tivesse partido, também discretamente, há pouco mais de um ano. No Porto, onde vivia, a data foi assinalada de variadas formas: o Museu de Imprensa promoveu a leitura de dez dos seus poemas em sete locais que o autor frequentava nomeadamente a padaria Ribeiro, a belíssima Livraria Lello, o café Piolho, a estação de metro da Trindade, e os cafés Orfeuzinho e Convívio. Esta iniciativa foi acompanhada pelo lançamento de milhares de panfletos com poemas do poeta em diversos locais da cidade do Porto.

Em jeito de homenagem breve ao cronista que eu tanto apreciava, deixo aqui uma das muitas crónicas com que o jornalista/autor animou a última página de tantos e tantos exemplares do Jornal de Notícias. Podia ser uma qualquer outra, mas esta, além de falar de gato, parece-me tão atual!

Onde se fala de gatos e de homens

Os meus gatos dormem durante a maior parte do dia (e, obviamente, durante a noite toda). Suspeito que os gatos têm um segredo, que conhecem uma porta para um mundo coincidente e feliz, por onde só se passa sonhando. Um mundo criado como Deus terá criado o nosso humano mundo, à sua desmesurada imagem. Porque os que sonham são deuses criadores. Os gatos sonham dormindo, os homens sonham fazendo perguntas e procurando respostas.

Mas os meus gatos dormem e sonham porque não têm fome. Teriam, se precisassem de procurar comida, tempo para sonhar? Acontece talvez assim com os homens. Como se o espírito criador fosse, afinal, prisioneiro do estômago. Talvez, então, a mesquinhez de propósitos da nossa vida colectiva radique, como nos querem fazer crer, no défice, e talvez o cumprimento das normas do pacto de estabilidade seja o único sonho que nos é hoje permitido.

E, contudo, dir-se-ia (e isto é algo que escapa aos economistas) que é o sonho, mais do que a balança de pagamentos, que alimenta a vida, e que os povos, como os homens, precisam de mais do que de números. Os próprios números têm (os economistas não o sabem porque a sua ciência dos números é uma ciência de escravos) o poder desrazoável de, não apenas repetir, mas sonhar o mundo.

Há anos que somos governados por economistas e o resultado está à vista. Talvez seja chegada a altura de ser a política (e o sonho) a dirigir a economia e não a economia a dirigir a política. Jesus Cristo «não sabia nada de finanças, / nem consta que tivesse biblioteca», e o seu sonho, no entanto, continua a mover o mundo.

JN, 09/11/2005

domingo, 17 de novembro de 2013

O novo PRD!



Agora vem mais um ‘cromo’ com a ideia peregrina de formar um novo partido; um partido de união. Um senhor saído de um partido menor que foi para o Parlamento Europeu logo negando o seu próprio partido e agora quer armar-se em (mais um) salvador, não digo da Pátria que essa precisa de mais do que isto para ser salva, mas das consciências atormentadas. Mais um hipócrita a juntar a tantos que adejam como vampiros sobre as nossas cabeças. Este senhor, mais um iluminado da praça pretende criar «uma frente que devolva ao país a realidade da Constituição» que seja «um rumo novo, “uma esquerda nova”, ou um partido de “tipo novo”, que não seja “reaccionário”, como outros de esquerda.»

De imediato me vem à lembrança a erupção meteórica do PRD, em 1985, sob a égide de Hermínio Martinho, um outro ‘cromo’, que também pretendia “moralizar a vida política do país” e que, curiosamente, também apareceu após um episódio de crise e de austeridade – embora não nos moldes da que estamos a viver atualmente! Como é que o sério e íntegro Presidente Eanes (muito jovem para ficar sem visibilidade e sem ação política) foi colar-se a um projeto daqueles?!


Só espero que estes catões portugueses, em mais um acesso de sebastianismo serôdio, não mergulhem de cabeça nesta nova aventura que se vai chamar LIVRE (tudo pensado!) de Liberdade, Esquerda, Europa e Ecologia (ganda salganhada, no entanto!) como fizeram com o breve furacão que foi o PRD e que venham a arrepender-se depois de mais uns tantos estragos feitos!


sábado, 16 de novembro de 2013

Histórias da minha rua (6)

Quando toca o telefone fixo e o mostrador diz “desconhecido”, já se sabe que vem aí uma daquelas meninas que começam logo por dizer o nome (que nós não ouvimos ou nunca mais lembramos) e que nos querem despejar um texto com as vantagens de adquirirmos um determinado serviço ou que pretendem que respondamos a um inquérito sobre o nosso grau de satisfação sobre o nosso banco ou coisa parecida.

Hoje de manhã, estava a preparar-me para a habitual saída da manhã (e muitas vezes infelizmente única) para o café e compra do pão e do jornal, quando toca o telefone e me sai um simpático com uma forte pronúncia do Norte (nada contra, a sério!) que me falava da Optimus para saber o seguinte: «Você está interessada em baixar a conta do telefone?»

Detesto ser tratada por “você” por pessoas que não me conhecem de nenhum lado, mas como tenho toda a complacência com estes jovens que não arranjam emprego em sítio nenhum e acabam por ter de se sujeitar à tirania dos chamados «call centres», respondi amavelmente que estava satisfeita com a minha operadora e que não tinha interesse em mudar. Aí o rapazinho pergunta prazenteiro qual era a minha operadora e eu, cheia de paciência, lá lhe disse que tinha contratado os serviços da Meo. Agora vejam como foi hilariante(!)  a resposta do jovem: «Ah, tem o M4O! Então mesmo que você quisesse mudar, estava lixada porque esse serviço obriga a 24 meses de fidelização e você teria de continuar a pagar…»

Estes “meninos” não devem ter como habilitações nada menos do que o 12º ano. Ora será que ninguém na escola lhes ensinou os registos e os níveis de língua? É que fazem parte dos programas do Português no básico e no secundário! E será que na formação que lhes dão não lhes falam da forma de se dirigirem às pessoas?


Mas que digo eu?! Nestas situações – que por acaso acontecem cada vez com mais frequência – lembro-me sempre de uma outra que se passou comigo há mais de vinte anos quando era subcoordenadora da Coordenação da Área Educativa aqui de Leiria: um dia recebi um telefonema de uma jovem colega professora de uma das escolas secundárias da área que se me dirigiu assim: «Senhora Graça? Daqui fala a professora Madalena…»

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ai os homens!



Que será que este atrevido tanto espreita?!

Aceitam-se sugestões de respostas....

Bom fim de semana!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Quo vadis, schola?


Não é novidade para ninguém de quem por aqui passa a minha repulsa, desde longa data (desde a publicação daquele livreco que escreveu sobre o “eduquês”) pelo senhor (C)rato que para mal dos nossos pecados e da escola pública foi escolhido para ministro da Educação.

As tropelias infligidas à escola por todas as formas por aquele senhor de falinhas mansas e sorrisinho sedutor que tanto encantou os meus colegas professores têm acontecido em catadupa – por acaso sem aquele grande banzé feito pelo grupo do senhor Mário FENPROF há uns três ou quatro anos atrás. Porém a última de que tomei conhecimento – por acaso pela boca da jornalista/comentadora Constança Cunha e Sá, aquela senhora que eu considerava aberrante mas que agora raramente perco, imagine-se! – deixou-me (e a ela também que estava tão irritada que quase espumava e encavalitava as palavras umas nas outras) francamente fora de mim. Então o senhor (C)rato inscreveu no OE um corte de catorze milhões de euros na Educação Especial mas, em compensação, disponibilizou 19 milhões para o cheque-ensino. De facto o presente ano letivo iniciou e já vai em franco adiantamento sem que as escolas tenham recebido autorização para contratar os professores de apoio, os psicólogos e os terapeutas que desde há anos têm vindo a apoiar os alunos com necessidades educativas especiais nomeadamente os que integram as unidades estruturadas de autismo e de multideficiência.

Imagine-se o que vai acontecer para o próximo ano! Cada medida tomada pelo senhor “eduquês” é pior que a anterior. Mas o que francamente me espanta é a passividade dos professores, dos pais, dos sindicatos, das confederações de pais! Do povo em geral, enfim – mas isso não só em relação às coisas da Educação, infelizmente. Ou será que as crianças apoiadas pela Educação Especial poderão, também elas, ter a “liberdade de escolha” com que o senhor (C)rato enche a boca e passar a serem atendidas nos colégios privados?! Duvido… (Eh eh eh, brincadeirinha…)

Não quero nem vou repetir as minhas críticas e repreensões ao venal ministro (C)rato, mas deixo aqui algumas das melhores censuras que li nos últimos dias ao senhor “eduquês” e escritas por quem muito bem sabe fazê-lo.

«(…) Escrevo destas coisas banais para designar o verdete e o vómito que me provocam o ministro Crato e o seu sorriso de gioconda de trazer por casa, quando, por sistema e convicção, destrói a escola republicana, aduzindo-lhe, com rankings e estatísticas coxas, a falsa menoridade da sua acção. Este ministro é um mentiroso, por omissão deliberada e injunção de uma ideologia de que é paladino. Não me interessa se abjurou dos ideais de juventude; ou se mandou às malvas o debate que manteve com o professor Medina Carreira, num programa da SIC Notícias. Sei, isso sim, que os homens de bem devem recusar apertar-lhe a mão.»


__________________________

«(…) Crato não quer ser despesa, é essa a sua pulsão dominante. Ele nem imagina o muito que está a custar ao país. Não são apenas as ideias incapazes e os métodos de guerrilha pessoal, são os muros que ele levanta a cada passo e que bloqueiam tudo à sua volta, em todas as áreas da governação, não apenas na dele.

O Ministério da Educação e os sindicatos de professores vivem hoje entrincheirados numa guerra suja. Talvez seja aqui, mais do que em qualquer outro ministério, que se torna mais chocante o grau de impreparação. As dificuldades financeiras tornam inevitáveis os sacrifícios, a poupança, a redução de professores. É verdade, não há dinheiro. Mas na educação exige-se mais, porque não se joga apenas o presente (isto é tão simples que até custa escrever...), determina-se o futuro próximo.

Crato não olha para a frente, olha para o chão, espezinha, suprime, humilha; e assim torna um pouco mais respeitáveis alguns dos sindicatos mais imobilistas que há em Portugal. Não tenho dúvida alguma: são restos do mesmo caldo, embora hoje o ministro se inspire no ar do tempo e no que ele julga serem as boas práticas do sector privado, o procurement, blá-blá-blá. O funcionário Crato não pensa, martela banalidades. O que sobra é isto: o ensino público transformado num vazadouro de lugares-comuns.»

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Broas de espécie

Estou cada vez mais preguiçosa! Comprei os ingredientes necessários para fazer broas para o Dia do Bolinho, como se chama aqui na zona de Leiria ao dia um de Novembro (que agora deixou de ser dia feriado para se mostrar à Frau Merkel como os povos do sul deixaram de ser calaceiros e passaram a trabalhar mais dias e mais horas...) Pois passou o dia um e mais uns poucos de dias e eu, nada de fazer as boas das broas.

Pois ontem fui dar com as batatas-doces a ficarem tristes e como detesto deixar estragar seja o que for de comida, lá me decidi a pôr mão à obra. Mas… é que este ano tinha pensado em fazer outro tipo de broas, sem ser as castelar que são as que normalmente saem cá em casa.

Toca a ir reler as receitas que já tinha espreitado e, de acordo com as quantidades de ingredientes que tinha, lá me abalancei a fazer as chamadas broas de espécie que sei que são deliciosas.

Só vos digo: que trabalheira! No que eu me fui meter! Experimentar receitas novas é sempre uma aventura porque não sabemos exatamente os tempos e as voltas a dar às coisas. E é o que eu digo: estou cada vez mais preguiçosa!


Mas o resultado foi este, querem ver?




Ah! E, já agora, aqui fica a receita para os/as menos preguiçoso(a)s do que eu…

Ingredientes

550 g de açúcar
225 g de água
700 g de batata-doce
75 g de coco
4 gemas de ovo
100 g de miolo de amêndoa moída
1 colher de café de canela
1 limão
1 pitada de cravo-da-índia em pó
gema de ovo para pintar

Leva-se o açúcar com a água ao lume até obter ponto pérola grosso. Mistura-se a batata-doce cozida sem casca e passada pelo passe-vite, o coco e a amêndoa moída, a casca do limão ralada, a canela e o cravo-da-índia. Volta ao lume para ferver e engrossar. Retira-se e, quando está morno, juntam-se as gemas batidas. Volta ao lume para cozer as gemas, até fazer estrada no fundo do tacho.

Descansa de um dia para o outro. Depois, com a ajuda de farinha, formam-se umas broas oblongas, que se colocam sobre obreira ou hóstia (eu usei folha de alumínio com que forrei os tabuleiros), pintam-se com gema de ovo e vão a forno quente durante mais ou menos meia hora.


(Uma grande trabalheira, mas são tão boas!... Aventurem.se!)


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Mãe de filhas...



Garanto-vos: é muito difícil ser mãe de filhas!

Nunca ouvi filhos rapazes exigirem a perfeição às mães nem a apodá-las de todas as falhas e mais algumas. E a mim, que sempre quis ter só rapazes, calharam-me duas raparigas! 

Ainda estou a ouvir o meu professor João Flor – fraquinho que ele era, mas também ainda era só assistente – na Faculdade de Letras, no dia em que nos anunciou que tinha sido pai e que, quando lhe perguntaram se tinha sido um menino ou uma menina, ele, baixinho, coxo e de olho sempre piscante mas muito feliz, respondeu: «Nós estávamos à espera de um Pedro, mas nasceu uma Pedra…» 

E mim, anos mais tarde, aconteceu-me o mesmo: estava à espera de um Pedro Miguel mas nasceu uma… Ana Margarida… E depois, não contente com isto, três anos e tal mais tarde, nasceu outra “Pedra”! E tão contente fiquei que quando o médico me anunciou que era outra menina, eu exclamei feliz: «Não faz mal. O mundo é das mulheres!»

Poderia ter muita razão com essa minha exclamação, o que eu não sabia, nem imaginava era quão difícil me ia ser tornar-me mãe de filhas!

Desde que deixaram de ser meninas, deixaram de ser amorosas… Agora são elas que sabem tudo. E de repente eu deixei de saber vestir-me, arranjar-me, falar, tratar com as pessoas… Tornei-me numa mimalha, numa chantagista de sentimentos, numa egocêntrica, naquilo afinal que nunca fui (nem sou!) Enfim! Estou completamente ultrapassada.

O que ainda me vai valendo é que não têm “atacado” as duas ao mesmo tempo… Mas olhem, mesmo que deem em “atacar” em uníssono, que hei de eu fazer? Muito pior seria que não tivesse quem me “atacasse” com esta intensidade, com este amor.


Mesmo assim, garanto-vos: é muito difícil ser mãe de filhas!


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O Dia da Lembrança



À 11ª hora do 11º dia do 11º mês de 1918, a paz voltou à frente ocidental. O Armistício assinalava o fim da I Grande Guerra. De então para cá, os países de língua inglesa celebram o dia 11 de Novembro como o Remembrance Day lembrando-se dos mortos caídos em combate nas duas Guerras Mundiais, usando uma papoila de feltro na lapela.

Tudo começou com o poema In Flanders Fields escrito pelo major canadiano John McCrae, no qual evocava os campos de batalha da frente ocidental.


In Flanders Fields
In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved and were loved, and now we lie
In Flanders fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders fields.

 by John McCrae, May 1915


Esta é a história de como a papoila vermelha campestre passou a ser o símbolo da Lembrança reconhecido internacionalmente.

Associada às papoilas que floriram na primavera de 1915 nos campos de batalha da Bélgica e da França, esta flor vermelho vivo tornou-se sinónimo da grande perda de vidas na guerra.



A forma como a papoila vermelha da Flandres se tornou o símbolo moderno da Lembrança foi inspiração de uma mulher americana, a Senhora Moina Michael que trabalhava na organização YMCA Overseas War Secretaries em Nova York onde tomou conhecimento do poema escrito por John McCrae. Nesse momento ela prometeu “guardar a lembrança” e fez votos de usar sempre uma papoila vermelha como sinal da lembrança. Passaria a ser um emblema para “guaradar a lembrança daqueles que morreram”.


domingo, 10 de novembro de 2013

Vejam como era modernaça!

(Em 1943, num dos passeios de bicicleta)

(Ao centro, sempre risonha e bem disposta)

(Ainda aluna, à entrada do Colégio)

(Em Algés, com Joaquim Filipe Nogueira e outro amigo)
Digam lá se a minha mãe não era mesmo modernaça!
Não foi muito feliz, porém... E partiu muito nova deixando muitas saudades.
Faria hoje 88 anos.


sábado, 9 de novembro de 2013

Outra vez os "rankings" das escolas!



Lá vem outra vez o fadário dos “rankings” das escolas! Todos os anos a mesma falácia da comparação do incomparável, os mesmos motivos, as mesmas razões, as mesmas conclusões precipitadas, os que defendem e os que atacam.

Não vou esgrimir agora as minhas razões porque já o fiz em tempos aqui  e, de então para cá, não alterei a minha opinião nem um centímetro!

Este ano o alarido é maior porque convém ao senhor ministro (C)rato mostrar como o ensino privado é bom … E claro está que os meios de comunicação, desertinhos de agradarem ao “governo” repetem os “resultados” até à exaustão.

A ministra Maria de Lurdes Rodrigues, de quem os professores não gostavam nada, desvalorizava sempre os resultados dos “rankings”, mas o inefável inventor do “eduquês”, que prometeu não deixar pedra sobre pedra no ME (e como está a consegui-lo!) cujas promessas tanto agradaram aos professores em geral, hoje, na televisão, congratulou-se com esta mostra dos “rankings” porque e cito «é uma forma dos pais saberem o que acontece nas escolas»

Demagogia e manipulação é o que não falta a estes “governantes”! Até o meu gato deve saber que não é por uma escala organizada a partir exclusivamente dos resultados dos exames nacionais que «os pais ficam a saber o que se passa nas escolas»… E, entretanto, já veio o “puxa-saco” do Ramiro Marques do ProfBlog, que por acaso sempre foi professor (fraquinho) no ensino público, perguntar (de forma retórica, claro!) «porque é que as escolas públicas não fazem o mesmo dos colégios privados?»

Como lamento tudo o que está a acontecer neste país sem que ninguém mova uma palha, sem que as pessoas se indignem, se deixem de fazer manifestaçõezinhas de brincar com palavras de ordem e cantiguinhas revolucionárias de antanho e se mexam, se revoltem!

(Para quem estiver interessado recomendo a leitura do texto sobre o assunto publicado hoje pelo Professor José Matias Alves no seu excelente blog terrear.)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O que é um LOOP?



Trata-se de uma terminologia usada pelo pessoal de informática para definir uma situação do tipo "pescadinha-de-rabo-na-boca". Diz-se que um programa "entrou em LOOP" quando acontece uma situação do tipo exemplificado abaixo:

O Diretor chama a sua secretária e diz:

- Vanessa, querida, tenho um seminário na Argentina durante uma semana e quero que me acompanhe. Por favor, faça os preparativos para a viagem.

A secretária liga para o marido:

- João! Vou viajar para o estrangeiro com o diretor por uma semana. Cuida-te querido!

O João liga para a amante:

- Elvira, filha. A bruxa vai viajar para o estrangeiro por uma semana. Vamos estar juntos, minha princesa.

De seguida, a amante liga para casa de um menino a quem dá aulas particulares:

- Luisinho, na próxima semana estou com muito trabalho e não vou poder dar-lhe as explicações.

A criança liga para o seu avô:

- Avozinho, nesta próxima semana não tenho explicações, a professora vai estar muito ocupada. Vamos passar a semana juntos?

O avô (que é o diretor desta história) chama imediatamente a secretária:

- Vanessa! Suspenda a viagem: vou passar a semana com o meu neto, que não vejo há algum tempo, por isso não vamos participar no seminário. Por favor, cancele a viagem e o hotel.

A secretária liga para o marido:

- Ouve, João, querido! O idiota do diretor mudou de ideias e acabou de cancelar a viagem.

O marido liga para a amante:

- Amorzinho, desculpa! Não podemos passar a semana juntinhos! A viagem da bruxa foi cancelada.

A amante liga para o menino a quem dá aulas particulares:

- Luisinho, alteração de planos: afinal esta semana teremos explicações como de costume.

A criança liga ao avô:

- Avô! A estúpida da minha professora ligou a dizer-me que afinal terei explicações. Desculpa, mas assim não poderemos ficar juntos esta semana.

O avô liga para a secretária:

- Bom, Vanessa, o meu neto acabou de me ligar a dizer que afinal não vai poder ficar comigo essa semana. Portanto, dê seguimento à viagem para a Argentina.

-A secretária liga para o marido...


Entendem agora o que é um LOOP??? 


Tenham um bom fim de semana!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Gaba-te, cesto!


(Antes de mais, as minhas mais humildes desculpas pela minha imodéstia – passe o paradoxo…)

Ajudo um jovem familiar, que frequenta o 8º ano, a estudar Inglês. O rapaz não é grande amante da escola e do estudo senão não precisaria de acompanhamento particular, mas não é destituído de inteligência e tem conseguido fazer “os mínimos”.

Ora hoje trouxe-me ele o primeiro teste realizado já corrigido com uma negativa de quarenta e poucos por cento. Perante o meu ar de desencanto, o miúdo lá deixou cair que só tinha havido quatro positivas na turma. «Mau!» – pensei. «Nunca na minha (longa) vida de professora tive um resultado desses senão teria ficado muito aborrecida comigo própria!»

Analisei o teste e, de facto, tratava-se de um teste bastante bem feito, equilibrado e de acordo com as matérias previstas para o ano de escolaridade. Só que… nada tinha a ver com as atividades, o vocabulário e as estruturas gramaticais e desenvolvidas nas aulas. Desde o início das aulas as matérias sumariadas andaram à volta do presente simples versus o presente progressivo, ausência de interpretação oral e muito menos escrita de textos e quanto a elaboração de textos escritos, népia! Depois, em antevésperas do dia do teste, a senhora professora elencou a matéria a estudar para o teste e aí toca de carregar com o passado simples (uma estrutura difícil e exigente para os alunos médios portugueses) que não fora minimamente revisto nem trabalhado. Para a composição, a professora “agendou” o tema “personalidades”, mas afinal, o tema que saiu foi “ a importância do Inglês no mundo”…

Nunca ninguém terá ensinado àquela senhora professora que os testes não são ratoeiras para “apanhar” os alunos, mas tão-somente (mais) um elemento da avaliação contínua e que servem para testar aquilo que se ensinou e se trabalhou nas aulas? Para isso, é preciso programar as aulas de forma a que, quando chegar o momento do teste, os alunos, ou pelo menos a sua grande maioria, estejam conhecedores do estilo de exercícios e das matérias que vão ser avaliadas.

Foi assim que sempre funcionei – mas isso dava realmente algum – bastante –  muito trabalho de preparação das aulas. Ah, e mais! Era eu que elaborava os meus próprios testes…

Foi por isso que, quando o miúdo saiu, dei comigo a dizer: «que boa professora que eu era!»…