domingo, 3 de novembro de 2013

Num tapete de água



Num tapete de água
vou bordando os meus dias,
os meus deuses e as minhas doenças.

Num tapete de verdura
vou bordando os meus sofrimentos vermelhos,
as minhas manhãs azuis,
as minhas aldeias amarelas e os meus pães de mel amarelos também.

Num tapete de terra
vou bordando a minha efemeridade.
Nele vou bordando a minha noite
e a minha fome,
a minha tristeza
e o navio de guerra dos meus desesperos,
que vai deslizando p'ra mil outras águas,
para as águas do desassossego,
para as águas da imortalidade.


Na Terra e no Inferno, Assírio e Alvim
(tradução de José A. Palma Caetano)

5 comentários:

  1. Sou exigente com os poetas
    (por isso escrevo tão poucos poemas...)

    Este passa,
    seu destino é o desassossego
    exactamente o ponto
    onde me encontro

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  2. excelente escolha poética e fotográfica.

    abraço Graça

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  3. No desassossego dos dias
    o poeta bordou águas,
    desamores e perfídias,
    cores duma vida de mágoas.

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  4. Comentários de quem aprecia... Muito obrigada!

    Beijinhos desassossegados...

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