quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Insultos

Os órgãos de comunicação e as redes sociais não se cansaram de divulgar ontem o insulto que uma senhora Pamela qualquer (não, não é essa das mamas grandes das Marés Vivas – é outra que deve ter os miolos ainda mais pequeninos do que os da nadadora-salvadora da série) decerto uma das tantas apoiantes de Trump, escreveu no facebook:  “Vai ser tão revigorante ter uma primeira-dama elegante, bonita, digna primeira-dama de volta à Casa Branca. Estou farta de ver um macaco de saltos altos”.

Não é preciso acrescentar mais nada, pois não?! Esta é uma pequeníssima amostra do estilo de pessoas – não vou chamar-lhes “macacos” porque isso poderia parecer um enorme insulto aos pobres símios – que apoiaram e votaram naquele homenzinho de melena oxigenada que se tornou no próximo presidente dos Estados Unidos.

A propósito, transcrevo um texto do passado dia 10 que li no blog Aspirina B e que considero muito bom para o caso de o quererem ler.

United Deplorables of America

«Os EUA escolheram ser governados por quem se gaba de fugir aos impostos, ser trapaceiro nos negócios, prejudicar minorias, reduzir as mulheres à condição de fêmeas à disposição do macho e mentir sistematicamente. Podemos concluir com algum grau de certeza que a escolha não foi feita apesar destas características mas por causa delas. A explicação, como já disse o Eduardo Lourenço, está na televisão.

Tal como num outro país numa galáxia distante onde também uma super-vedeta da televisão foi escolhida como presidente principalmente por causa do seu poder mediático, o que a levou a manter esse estatuto quase até ao período eleitoral e a ter feito uma campanha despolitizada e despolitizante de forma a usar a sua fama para levar a luta eleitoral para o terreno da popularidade, assim nos EUA uma vedeta mediática de primeira grandeza entregou-se a um exercício donde sairia sempre vencedora, especialmente se perdesse as eleições ou nem sequer fosse nomeada candidata. O que tinha a fazer era só aparecer no circo da política a fazer o que já estava fartinha de fazer no circo do show business: dar espectáculo. Um tipo de espectáculo que há décadas, séculos e milénios tem ubíqua prática, e que podemos ver perto de nós na sua industrialização máxima com as seitas religiosa de bandeira cristã. O discurso dos pregadores obedece a esquemas testados com milhões de pessoas e apenas tem de se ser adaptado a outro conteúdo caso se pretenda usar a fórmula para obter uma audiência no campo político. Foi isso que fez Trump, usando uma retórica maniqueísta e alucinada onde o ódio foi instrumental para o tipo de marketing em causa. A iliteracia e alienação cívica da plateia que se formou para assistir ao seu número alimenta-se de fantasias para consumo imediato, seja um mar que se abre para fugir aos egípcios ou um muro que se levanta para fugir dos mexicanos. Porém, ao contrário de Hitler e quejandos, em Trump não há um pingo de ideologia, antes tudo se limitando ao simulacro, oportunismo e fruição. Ou seja, tudo se oferecendo à descodificação pelos instrumentos cognitivos do seu público, um público que em vez de um político a quem responsabilizamos pelos seus actos e palavras estava mesmo interessado em continuar a ver um palhaço na TV que tem licença para brincar aos racistas, xenófobos, misóginos, tiranos e crápulas. Porque nele tudo é simples, divertido, de final feliz e com repetição garantida semana a semana.

Estas eleições serão estudadas durante anos. Há tantos pontos de vista à disposição quantas as cabeças interessadas em explicar um fenómeno verdadeiramente maravilhoso. Algo equivalente a termos visto Roma invadida pelos bárbaros. Só que aqui a barbárie nasceu da civilização, da democracia, da liberdade, do voto. Essa a maravilha das maravilhas, pois a nação de Lincoln e de Roosevelt tem todo o direito a inscrever Trump na sua História como representante de um certo tempo e de um certo modo de conceber a comunidade. Trump não é menos legítimo do que Obama. E não é mais legítimo do que quem lhe suceder, quem sabe se já daqui por 4 anos ou menos.

Correu tudo ao contrário do que os Democratas esperaram: a sua celebrada máquina no terreno foi incrivelmente insuficiente, os afro-americanos não se preocuparam em garantir o legado de Obama, os hispânicos não se assustaram com Trump, e as mulheres americanas talvez gostem de tipos com a pinta e os modos dos patos-bravos. Para além disso, a operação russa através do Wikileaks e, em especial, a golpada do FBI mostram que foi preciso reunir este mundo e o outro para derrotar Hillary.»



21 comentários:

  1. Insultos são o pão nosso de cada dia no FACEBOOK e até mesmo nos blogues. Quem não tem argumentos, insulta.

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  2. O que vou escrever a seguir não são insultos. São o resultado da minha observação diária, da minha avaliação contínua (à distância, através do televisor) do senhor em questão. É narcisista, incompetente para o cargo a que se candidatou (e que não esperava ganhar – já foi confirmado), tem um fraco poder de concentração (não tem culpa!), mente e desmente, assume sem verificar/comprovar factos, “brinca” com a xenofobia; é incongruente; é inculto; não é eloquente (Bush tb não era); é vaidoso e, não medindo o que diz verbalmente e por escrito, é perigoso. Poderia continuar... mas estou cansada!! : )

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  3. Esses insultos apenas revelam que quem os proferiu é uma pessoa cobarde, sem carácter e desprezível.
    Há oito anos que Michelle Obama é primeira-dama dos EUA, é só agora, com as costas quentes, é que começam a destilar veneno?
    O que vale é que Michelle já provou ser uma Mulher superior a esse tipo de baixaria.
    Esperemos que sejam só latidos de cães a ver a caravana passar.
    Uma vergonha para o mundo, o que está a passar-se na América.

    Beijinhos

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    1. Uma vergonha sem tamanho! E ainda nem começou!!

      Beijinho.

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  4. Tomara muita drª de nariz empinado e pele leitosa, ter metade da classe de Michelle Obama.
    Um abraço

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    1. Não lhe chega nem às capas dos saltos altos! Reles!

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  5. E eu, como já é meu hábito, não venho dizer mal de nada, muito menos do teu post tão oportuno. Venho apenas dizer que sou fã de Michele Obahma. Michele nunca foi apenas e só a mulher do Presidente Obahma; ela conseguiu destacar-se não por ser «a great woman behind a great man»... mas por estar sempre a seu lado.

    Beijinhos elogiosos
    (^^)

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  6. Hoje faço referência ao dinheiro de Macau que vai financiando Trump.

    A besta referida no post nem me merece comentários.

    Beijinhos

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    1. Um ordinário! E pensar que meio USA votou naquele tijolo!

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  7. Tinha eu alinhavado uns "considerandos" a propósito, que metia até a peta das pamelianas mamas arvoradas em damas, (quase primeira-dama!) e a subversão da imagem que mudou o mundo, para pior, e zás catrapaz: volatizaram-se.
    Vou resumir como a Graça sabiamente fez: uma imagem perfeita de um pato-bravo, proto-presidente made USA: um tijolo, tijolo-burro.
    Bj.

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    1. Um calhau com olhos (e muitos milhões na conta bancária...) É ao que todas as pessoas aspiram!

      Vai ser bonito, vai...

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  8. insultos, hoje, são normais, Graça.
    infelizmente...

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    1. Ó Graça... mas "calhau com olhos", "tijolo", "ordinário", "reles"... também são insultos...
      E olha que não estou a dizer com isto que ele não os mereça!! :))

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  9. Deixem-me tentar ser apaziguador (na linguagem) ! :))
    Gosto de ler argumentações , mas não insultos e felizmente, argumentos não faltam !
    Eu acho que nenhum insulto se pode considerar "normal" !
    Se, infelizmente eles são hoje habituais, a culpa é exclusivamente nossa ! ... Nós é que estaremos errados ou frustrados !
    São tipos de linguagem a evitar, principalmente quando se escreve !
    Poderemos sempre criticar de outro modo ! Com factos, com argumentos, de um modo civilizado e sereno!
    Eu não gosto nem um bocadinho do Sr Trump, mas tenho que reconhecer que ele ganhou as eleições democraticamente e receio o que por aí possa vir ! Mas, se nos dizemos democratas, teremos que aceitar a decisão da maioria, por muito que isso nos desagrade !

    Um Grande Abraço aos meus Amigos ! :))

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  10. Graça parece-me do tipo reality-show,
    mas quando ha tanto dinheiro envolvido ?!

    pelo menos espero que esta analise se concretize:

    "Porém, ao contrário de Hitler e quejandos, em Trump não há um pingo de ideologia, antes tudo se limitando ao simulacro, oportunismo e fruição..."

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