domingo, 28 de agosto de 2016

Turismo à portuguesa

É sabido que São Pedro de Muel é os meus encantos. E a casa do poeta Afonso Lopes Vieira, ali bem frente ao mar, a «casa-nau» ainda faz mais os meus encantos.



Quando íamos de férias para São Pedro, a casa era habitada por umas velhas senhoras, finíssimas, e na varanda sobre o mar viam-se as crianças da Colónia Balnear que o poeta recomendou que funcionasse ali para os filhos dos vidreiros e dos bombeiros da Marinha Grande e também para os do pessoal da Mata Nacional.

Sinto um encantamento especial que não consigo explicar por tudo o que envolve quem tem o dom da criação literária por isso (também por isso) aquela casa bem tratada e de recorte bem português (foi desenhada por Raul Lino) sempre exerceu sobre mim o maior fascínio. Sempre desejei lá entrar e, embora se visite de há uns anos para cá – foi chamada de Casa-Museu de Afonso Lopes Vieira – nunca consegui encontrá-la aberta ao público de cada vez que lá passo.

Este fim-de-semana, li, realizava-se em São Pedro o Festival Afonso Lopes Vieira com passeios pedestres, palestras, poesia dita, concerto para crianças, e sei lá o que mais. E então o que é que eu pensei? Que a Casa-Museu estaria aberta ao público. Nada mais natural. Assim, após o almoço, lá nos abalámos de passeio até à magnífica praia de São Pedro para, finalmente, entrar naquele espaço quimérico, surpreendente.

Mas surpreendente (para não dizer contundente…)  foi o facto de a Casa-Museu lá estar linda na sua aura poética, mas fechadinha, sem um horário, sem uma nota ao visitante. Nada.

Chegou outro senhor que tocou à campainha e nada. «Disseram-me ali no café que a menina devia vir às duas mas telefonou a dizer que estava um bocadinho atrasada…» Eram três e um quarto… e nada. Desistimos: o senhor e eu.

Dei uma volta e vi que no local da Colónia Balnear estava a funcionar um qualquer entretenimento de crianças com os inefáveis insufláveis onde perguntei se não se podia visitar a Casa. A jovem foi de uma extrema amabilidade e telefonou a saber. Que não, que no verão não havia visitas…  Mas no inverno também as não há que eu sei. Pois, dizia a jovem, que sabia que a Casa fora submetida a obras de restauro e que não tinha ficado pronta a tempo. Mas que se eu quisesse saber mais que fosse falar com o João da pastelaria «tal»…

Com o João da pastelaria?! O que é isto? Um espaço museológico de nome e não há uma informação, uma nota, um esclarecimento? Se não se tivesse passado comigo, eu não acreditava…

Mas não se perdeu o passeio! O tempo estava lindo, sem a habitual bruma (que tanto encantava o poeta), o cheiro a pinhal e maresia era intenso, o mar com bandeira amarela a permitir um bom banho e a praia cheia de gente…






25 comentários:

  1. Visitas por marcação prévia
    é prévia
    não é em cima da hora
    Não é não, senhora

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    1. Isso foi o que também li na informação online da Casa. O que não impede que haja uma nota escrita à porta para «o Zé ver»...

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  2. Já lá não vou há tantos anos!!!
    Beijinhos, boa semana

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    1. Mas vale sempre a pena voltar, Pedro.

      Boa semana também para si!

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  3. parece um local do "Portugal dos Pequeninos" (de Coimbra) !
    boa semana Graça
    Angela

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    1. Pois é! É uma coisinha linda, amorosa!

      Beijinhos, Ângela.

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  4. Tenho sempre grande dificuldade em compreender estes horários e as explicações que dão ou não dão para justificar o encerramento de qualquer edifício – igrejas, monumentos, museus – quando estes são supostamente atrações turísticas e, consequentemente, uma possibilidade de aumentar as receitas dos mesmos. Pensei que tivesse havido uma pequena evolução... mas parece que não.

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    1. Em alguns caso (poucos) tem havido alguma evolução. Pouca... Não temos emenda, Catarina! É tudo amador... Uma pena. Uma vergonha.

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  5. Nunca se perde ou perde-se...mas havemos de regressar!
    Estive aí há pouco tempo e regressar está dentro dos meus planos!
    Belos seus registos!
    Eu adoro viajar...cá dentro!!!
    bj

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    1. Também eu, Gracinha. Cá dentro e... lá fora...

      Beijinho.

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  6. Só fui uma vez a S. Pedro de Muel. Confesso que não sabia que lá tinha vivido o poeta Afonso Lopes Vieira. Fui ler sobre a Casa-Museu.
    É pena que quem a queira visitar não o possa fazer quando vai de férias de forma espontânea. À portuguesa, mesmo...
    Uma boa semana, Graça.
    Beijos.

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    1. Mas vale a pena cá voltar. É lindo por de mais! Mesmo com estes contratempos...

      Beijinhos, Graça.

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  7. Ainda bem que o passeio foi bom porque a parte cultural foi muito decepcionante...fico sempre irritada com essas coisas.
    beijinhos

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  8. Fico à espera que nos fales da queixa que apresentaste
    por escrito, junto dos responsáveis, aí em Leiria.
    ~~~ Beijinhos ~~~

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    1. Boa, Majo!! Mas achas que vale a pena? Neste país...

      Beijinhos.

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    2. Vale sempre a pena, apesar das CM deste país. só funcionarem com abaixo-assinados...

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  9. Também só conheço a Casa por fora...Já São Pedro de Muel, todos os anos a visito. Nem sempre desço à praia para o banho, mas um passeio ao redor, um café, um almoço e até já algumas vezes temos dormido no hotel virado para o mar. Um local encantador, de sonho, do melhor que tem a nossa Costa.

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    1. Sem dúvida, amigo Manuel. Vou lá muitas vezes e sinto sempre saudades dos Agostos que lá passei de férias.

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  10. Muito estranho Isso de ser na pastelaria que pode recolher informação sobre a casa-museu.
    Não conheço S. Pedro de Muel, pelo que me encantei com as suas fotos.
    Um abraço e boa semana

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    1. Tens de cá vir e fazer mais uma entrada no teu blog na bela rubrica «Locais de férias»....

      Beijinhos.

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  11. Eu sei que tens uma atracção especial por esta terra !
    Esta casa, muito especial, as muitas vivendas típicas com varandas de madeira, a "tua" casa do Galo, o Pinhal das Artes ! ... Realmente uma terra muito interessante !

    Abração, Gracinha ! :)

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    1. Será talvez o local para o 4º encontro de bloggers, Rui amigo!

      Beijinhos.

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  12. Caramba, que grande murro no estômago! :(
    Sabes, enquanto te lia ainda cheguei a acreditar que o desenlace da história ia ser diferente... e que terias conseguido fazer a visita.
    Mas não vais desistir, pois não?

    Beijinhos com o mar (das tuas fotos) nos olhos
    (^^)

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    1. Minha deusa, eu lá sou pessoa para desistir?! :)))

      Beijinhos com sabor à maresia de São Pedro...

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