quarta-feira, 11 de maio de 2016

Da liberdade de escol(h)a

Está na ordem do dia a discussão sobre a “liberdade de escolha” e, naturalmente, sobre isso também posso e quero e devo dar a minha opinião.

Que, à partida, tenho para mim que de liberdade de escolha temos nós, pobres mortais, «bicho da terra tão pequeno», muito pouca. Tudo o que temos a veleidade de que escolhemos, já há foi determinado. Somos, de facto, metade biológico e metade social e são esses antecedentes, essas premissas (e não só) que determinam aquilo a que chamamos escolhas. Para esta discussão, teria de chamar aqui linguistas e hermeneutas e hoje apenas e somente trago aqui a discussão corriqueira que se arrasta pela comunicação social sobre a dita «liberdade de escolha» da escola para o meu filhinho…

É mais uma discussão à portuguesa: discute-se e “arrepelam-se os cabelos” pelo acessório, deixando para trás – muito para trás, ou mesmo para nunca – o essencial.

Quanto à «liberdade de escolha» entre a chamada escola pública e a privada, é tal como nos outros aspetos sociais todos: se eu «escolho» ir ao médico particular em vez de usar o Serviço Nacional de Saúde, pago. Se eu «escolho» ir de táxi em vez de ir no transporte público, pago. Se eu «escolho» o doutor advogado fulano de tal para me defender em vez de usar o que o Estado põe à minha disposição, pago (e não é pouco…) Sempre que eu «escolho» aquilo que melhor corresponde às minhas pretensões, eu pago! Tudo dentro da minha mais estrita «liberdade de escolha».

Então porque é que, se eu quero «escolher» o colégio privado em vez da escola que o Estado põe à minha disposição, porque hei de recusar-me a pagar?

Se a Igreja quer manter escolas de cariz religioso, então que subsidie quem quer e não pode pagar. Quanto aos restantes colégios privados não clericais do tipo do grupo GPS e outros, parece-me que estamos conversados…

Diz-se à boca cheia que os colégios ficam mais baratos ao Estado e têm melhores resultados. Pois claro! Os professores são explorados até ao osso (e eu sei do que falo) e, se não correspondem ao exigido, são despedidos; os funcionários desdobram-se em atividades diversas e se assim não fizerem, acontece-lhes o mesmo. Quanto aos alunos, bom, isso então ainda é pior: crianças com necessidades educativas especiais não têm lá entrada (portanto não há despesas com professores da educação especial, nem com terapeutas ou psicólogos, nem com materiais e condições específicas. A estes pais é-lhes negada, à partida, a tão propalada «liberdade de escolha». Se a criança revela dificuldades de aprendizagem e não têm o sucesso devido, ou se não tem o comportamento “padrão”, é “convidada” a sair. Para além de tudo isto e “a montante” – como é moda dizer-se agora – as criancinhas são escolhidas, antes da matrícula, de acordo com a profissão e até com o “pedigree” dos pais.


E mais não digo, embora muito tivesse para dizer da minha longa experiência nestas lides da Educação.


11 comentários:

  1. É o que a minha professora pensa e também me parece que faz sentido.

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  2. Em cima faltou irmã - a minha irmã professora :)

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  3. Apoiado, Graça!
    Penso o mesmo!!
    E mais não digo, porque o que havia para dizer já foi dito por quem sabe de direito adquirido!!

    Beijinhos

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  4. Respostas
    1. Claro... embora já pouco acredite em petições...

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  5. Haveria muito a dizer, mas o cerne da questão,
    ficou muito bem explícito...

    ~~~ Beijinho, Graça. ~~~

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  6. Concordo com o que dizes! Sabemos que este é um assunto que tem muita contradição, dificil de muitas pessoas encaixarem a verdade que está à vista de muitos que não a querem ver.


    Beijinho Graça.

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  7. A quem o dizes Gracinha!!
    Até as "nossas amigas", no fim do mandato, foram a correr criar um colégio!
    Bjinhos
    Pombalense (salvo seja!)

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    1. O que nós sabemos disso tudo, minha querida Pombalense (salvo seja!)

      Beijinhos e obrigada pela tua presença.

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  8. Tim-tim por tim-tim!
    Este país é de borracha: estica, apaga, encolhe...
    Liberdade de escolha?! se a maioria da população não pode mandar cantar um cego... Quem quiser "pradas" que pague. Não passa tudo de negociata. Não há quem processe os utilizadores das criancinhas nas "lamurientas" manifestações? Haja educação!

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