quarta-feira, 25 de março de 2015

Os cofres cheios



Muito se tem dito e escrito acerca desta (e de outras) bacorada(s) que a ministra (esta sim) sinistra lançou boca fora para os jotinhas do partido, mas ninguém de uma forma (quase) literária como só BB sabe fazê-lo! A crónica chama-se «O Insulto» e vale a pena lê-la.

É sempre um prazer lê-lo! Só lamento que tenha de ser naquele jornaleco de baixo nível.

«Num conclave do PSD, Passos Coelho apareceu na defesa da ministra Maria Luís, a qual, dias antes, trémula de orgulho, afirmara, à puridade, que o Governo tinha os cofres cheios de dinheiro.

E Passos, muito feliz, acrescentou: ao contrário do que sucedia com o Governo anterior. Como o têm dito economistas de todas as cores, a verdade não é esta, e a teoria da bancarrota só faz sentido para quem é mentiroso, e usa o imbróglio como lança para alcançar ou permanecer no mando.

Infelizmente, este Governo, com as práticas demonstradas ao longo de quatro anos pavorosos, repletos de escândalos, de confrontos com a própria noção de república, tem sido, é, o maior aborto democrático e o mais grave insulto a todos nós. (...)

Talvez estejamos no turbilhão de uma profunda mudança, cujas conveniências escapam ao modelo de humanismo no qual, mal ou bem, temos vivido.

Inclino-me a admitir o facto. Mas também não conjecturo um grupo de serventuários tão inepto e iletrado como este a servir essa transformação.

Se o faz, desobedecendo ou ignorando as leis da convivência social e da cordialidade mais rudimentares, dá como resultado a frase execranda de Maria Luís e o apoio despudorado de Pedro Passos Coelho.

Portugal estrebucha na miséria, com fome, sem esperança e sem norte, e aqueles dois bolçam em nós o critério do cofre cheio, como no tempo do Salazar.

Com, entre outras, uma diferença: o Salazar era um conhecedor da língua, por frequentador diurno e nocturno do Padre Vieira, e aqueles que tais nem sabem quem este foi.

A pátria está dividida, mas o desvio de vida e de consciência acabará, talvez mais cedo do que se pensa, e o episódio Passos Coelho e os seus, não serão mais do que isso mesmo: um episódio. Nefasto, bem entendido, mas episódio, circunscrito a um tempo em que a mentira vicejou."

(Baptista-Bastos, in CM, 25/03/2015)

15 comentários:

  1. Também acredito que, com as próximas eleições, estas figurinhas desapareçam.
    Perdem as eleições vão pregar para outra freguesia.
    Beijinhos

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    1. Oxalá, Pedro!! Tem sido um sufoco estes quatro longos anos!!

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  2. ~ Só, mesmo, quem viu a figurinha da Maria, enfunando empáfia, num balançar de altivez e soberba visivelmente falso e hipócrita!

    ~ É certo que esta gentinha ocupa cargos transitórios, porém, deixam-nos resíduos que não são fáceis de remover e danos morais indeléveis.

    ~ Nódoas negras na história da democracia, esperamos que sirvam de exemplo a quem confiou e apostou no 'jotinha' bonitinho e estroina, secundado pelo famigerado vegetal baixinho, o tal - da nossa estimação - que se formou num ano!

    ~~~Bjs~~~~~~~~~~~

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    1. Receio, Majo, que este povo não tenha emenda...

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  3. Quanto eu gosto de ler quem escreve bem como o BB.
    M.A.A.

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  4. Já tinha lido ( Não perco uma do BB nem do FF). Como sempre, excelente.

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  5. Eles podem ser efémeros mas as vidas que eles destruíram não o são.
    Cada dia que passa com este (des)governo mais fundo vamos caindo.

    beijinho amiga Graça

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  6. É preciso varrê-los, quanto antes. O rasto de destruição deixado ficará para a história.

    Obrigada, Graça, por tanto...

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  7. Gracinhamiga

    O Baptista Bastos é incomparável, incontornável e desagradável para os pulhas deste (des)Governo; mas nós também as nossas culpas: permitimos-lhes estarem nos poleiros

    Qjs de Goa

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  8. Gracinhamiga

    O Baptista Bastos é incomparável, incontornável e desagradável para os pulhas deste (des)Governo; mas nós também as nossas culpas: permitimos-lhes estarem nos poleiros

    Qjs de Goa

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