quarta-feira, 18 de março de 2015

O PET

Não, não se trata de falarmos de animais de estimação! É mesmo daquela invenção do ministro (C)rato: o Preliminary English Test (PET) que os alunos do 9º ano vão, pelo segundo ano consecutivo, ter obrigatoriamente de realizar e que, por acaso, não tem nada a ver nem com os conteúdos programáticos do inglês do 3º ciclo nem com o estilo de testes escritos a que os alunos estão acostumados. Os resultados não contam para a nota final dos alunos e se quiserem ficar com um qualquer certificado de Cambridge para encaixilharem e exibir numa parede da sala, terão de pagar 25 euros.




Não serve para nada a não ser para trazer mais sobrecarga de trabalho para os professores, constituindo mais uma forma de os achincalhar. Os professores corretores são sujeitos a uma formação (para a qual foram dispensados das aulas, ficando os alunos prejudicados) dada pelos professores ingleses e a prova oral é realizada pelos professores ingleses. Além disso agora, de Cambridge, vêm uns livrinhos para os alunos comprarem (não sei se serão os professores a venderem-nos...) e poderem praticar, certamente nas aulas de inglês, o tipo de exercícios que vão sair no dito exame...  (uma palhaçada, digo eu!)

Numa crónica do JN muito bem escrita por Francisco Teixeira, este diz a certa altura: «Nuno Crato manda que seja uma empresa privada planetária, de marca Cambridge, a regular e certificar o ensino do Inglês na escola pública portuguesa, para o que não só lhe paga o que um contrato, sem concurso, decidiu, mas, mais ainda, para o que disponibiliza os professores do ensino público de inglês, funcionários públicos, como base operacional e científico-pedagógica do instrumento de regulação privada. Tudo isto é ficção hollywoodesca, como vê. Só num mundo de ficção excelentíssima o ensino público seria regulado e certificado por uma empresa privada que, para tal, usaria os recursos do próprio ensino público a certificar, fazendo-se pagar por essa suposta regulação e certificação.»

A propósito lembrei-me de uma anedota muito antiga, do tempo em que andava no liceu (e não tinha de fazer esta espécie de exame de Cambridge) à qual achei muita piada à época. Era assim: 

«Um promotor da Coca-cola queria à viva força que o Papa autorizasse que os padres, no fim de cada missa, dissessem “Bebam Coca-Cola!” E, com esse intento, dirigiu-se ao Vaticano e pediu uma audiência ao Papa. Foi recebido pelo secretário de Sua Santidade que o demoveu de semelhante pedido afirmando que isso nunca lhe seria permitido. Sem entender os motivos da recusa, o homem saiu do gabinete do secretário muito desgosto e, chegando cá fora, teve o seguinte desabafo: “Quanto é que o gajo da Fiat terá pago para os padres todos dizerem nas missas fiat voluntas tuas?!»

É o mesmo que eu penso: quanto é que a Cambridge terá pago ao ministério do (C)rato para fazer baixar este decreto?

E concluo: é mau de mais!!!

20 comentários:

  1. Concordo que é muito mau, mas a história do Papa e da Coca Cola está demais!

    ResponderEliminar
  2. Amanhã vou publicar uma anedota que tem o Crato como protagonista :))
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não posso perder... O (C)rato é um dos meus odiozinhos de estimação...

      Eliminar
  3. os alunos já aprendem inglês com os filmes de Hollywood!

    feliz dia Graça

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E não precisam de provas de Cambridge... Isto aqui não faz parte da Commonwealth!

      Eliminar
  4. ~
    ~ ~ É mau de mais, Graça - é ultrajante e obsceno. ~ ~

    ~ Uma tocante dor de alma que faz marejar os olhos...

    ~ ~ ~ Ao que descemos! ~ ~ ~

    ~~~~~Bjs~~~~~~~~~~~~~~~
    .

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De degrau em degrau, Majo. Muito triste. E este povo tudo aceita sem reação!!! Os patarecos dos professores só souberam reagir quando os quiseram avaliar... fraquinhos...

      Eliminar
  5. Como estive enganada com este Crato...
    Beijo.

    ResponderEliminar
  6. PETices à parte, fartei-me de rir com a anedota final, Graça!

    Se o homem da coca-cola soubesse Latim, saberia porque 'não lhe foi feita a sua vontade'. Eheheheh

    Beijinhos!

    PS. No comentário anterior quis escrever "os" espargos, mas com o O perto do I e o S junto do A...saiu "ia".:))

    ResponderEliminar
  7. Muito bom post!!! Escreves muito bem, parabéns!
    Beijo

    http://simplesmentelilly.blogspot.com.br/

    ResponderEliminar
  8. Não me ri com este pet , mas ri-me a valer com anedota :)


    beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E é tão antiga!!! Ainda do tempo das missas em latim....

      Eliminar
  9. Gracinhamiga

    Ai dom-te quero gou a çaxe PET. Mai inglixe é gude inousse ende ai nou heverissingue abaute disse lenguaje, Ai uile çepique uide Mister (C)mauze déte ai çimque is a véri danqui.

    Escuze mi

    Kiçes litro, ups, litle

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ai Henriquamigo! Será que o problema da perna lhe subiu à cabeça?!!!!! Hope not!...

      Beijinhos e abraços.

      Eliminar
    2. Gracinhamiga

      O problema da perna está praticamente curado; mas, cautela e caldos de galinha...

      Assim, nada me subiu à cabeça, como dizes. E pergunto: gostaste do meu ferpeito inglês? Espero resposta STOP

      Qjs apimentados

      Eliminar