domingo, 20 de setembro de 2015

Fala do Homem Nascido

Se bem repararam, este poema é - desde o primeiro minuto de existência deste espaço - o meu ex-libris. Há frases, pensamentos, poemas (poucos) que me marcaram uma vez na vida e ficaram. Para sempre. Sou (muito) fiel aos meus gostos e aos meus pensamentos.

Já conhecia o poema, mas marcou-me indelevelmente quando nos idos de 70, já depois da Revolução, numa das muitas e boas formações que tive em Lisboa no âmbito da Reforma Veiga Simão, a formadora pediu-nos para nos apresentarmos da forma que quiséssemos, que fosse mais de acordo com a nossa maneira de ser. E aí, uma colega, já não me lembro de onde levantou-se e cantou:

«Venho da terra assombrada,
do ventre de minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.»

E eu, vinte e tal aninhos, (ainda) bastante tímida, arrepiei-me com a força dela e do poema e guardei-o para sempre bem perto de mim.

(só nunca entendi como é que um Professor de Físico-Química - Rómulo da Carvalho - teve talento e arte para escrever poemas tão belos e tão profundos como foram os de António Gedeão...)

(de notar que Físico-Química foi sempre a minha pior disciplina...)


Hoje voltei a ouvi-la na rádio, e resolvi trazê-la aqui na excelente voz metálica do Adriano. Para recordarmos.



Boa semana!

24 comentários:

  1. A Graça continua com o bom gosto das coisas aparentemente simples mas que são profundamente significativas e marcantes na vida das pessoas.
    Gosto muito da poesia do Gedeão e da voz do Adriano.
    Parabéns.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Agostinho. Realmente sou grande apreciadora da simplicidade - que é uma qualidade própria só de alguns...

      Beijinho.

      Eliminar
  2. Incansável, é muito ouvida cá em casa.

    Uma boa semana e um beijinho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito bonita e cheia de significado!

      Beijinhos, Flor.

      Eliminar
  3. «Quero eu e a Natureza,
    que a Natureza sou eu,
    e as forças da Natureza
    nunca ninguém as venceu.»

    ResponderEliminar
  4. Desconhecia! Mais um aprendizado que recebo em seu blog!
    Obrigada!
    Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu é que agradeço a sua simpatia, Célia!

      Beijinho

      Eliminar
  5. O Adriano cantou os grandes poetas.
    Como muitos dos cultores da canção de Coimbra.
    Beijinhos, boa semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pedro - o eterno apaixonado por Coimbra...

      Beijinhos

      Eliminar
  6. Eu que nem sou grande apreciadora de poesia, adoro Gedeão. Essa pergunta do professor de Físico-Química (que foi disciplina com a qual também tive um grande contencioso ao longo de 3 anos), pode fazer o seguinte sentido - creio que o Homem por vezes precisa de manter algum equilíbrio, e quando se lida com fórmulas químicas e a física das coisas, a poesia deve contrabalançar assuntos tão terra a terra... :)

    Beijocas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Claro! São mentes prodigiosas...

      Beijinho, Teté!

      Eliminar
  7. ~~~
    ~ Torga era médico e tantos outros escritores... Penso que não há muita diferença...
    ~ As pessoas mudam com a idade... Depois de se dedicar a livros de cariz didático,
    da sensibilidade dos cinquenta anos brotou estes poemas tão belos e especiais...
    ~ Não há dúvida que o professor era muito inteligente e sempre deve ter apreciado
    poesia.

    ~~~ Beijinho, com parabéns pelo teu «ex-libris» e bom gosto. ~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Era polivalente! Escreveu também uma História da Educação em Portugal muito boa.

      Obrigada, Majo.

      Eliminar
  8. Com licença! Com licença!
    Que a barca se fez ao mar.
    Não há poder que me vença.
    Mesmo morto hei-de passar.
    Com licença! Com licença!
    Com rumo à estrela polar.

    Rumo à estrela polar um dia hei-de voar !
    Um beijinho agradecido amiga Graça

    ResponderEliminar
  9. Não deixemos morrer os nossos mortos
    Memória viva
    Bj

    ResponderEliminar
  10. beijo, beijo...

    (sem mais, por não ser necessário)

    ResponderEliminar
  11. Já não ouvia esta canção há muitos anos!
    Bjs

    ResponderEliminar
  12. Como eu costumo dizer... nós temos muitas "metades"... e não temos apetência apenas para uma área do saber ou arte. Mas concordo que possa ser uma surpresa encontrar-se pessoas ligadas às áreas das ciências exactas e dos números que mostram elevada sensibilidade para a poesia.

    (quantos dos que conhecem o meu percurso na blogosfera adivinham a minha área profissional?)

    Beijinhos consolados por recordar este tema que também aprecio bastante
    (^^)

    ResponderEliminar