quinta-feira, 12 de abril de 2018

Quando em Abril os doces aguaceiros caem...


The Canterbury Tales (Os Contos de Cantuária) de Geoffrey Chaucer, escritos em finais do século XIV, a partir de 1380, não são propriamente fáceis de ler, embora sejam de uma riqueza poética que toca o maravilhoso.

Em cada Abril rico em aguaceiros – como é o de este ano – vem-me sempre à memória o início do prólogo pela doce melodia que transporta: “When in April the sweet showers fall”… 

Hoje deixo-vos aqui a Introdução ao grande prólogo do Contos na língua original e numa tradução que retirei da extraordinária coletânea «Rosa do Mundo: 2001 Poemas para o Futuro»

Espero que gostem.



When in April the sweet showers fall
That pierce March's drought to the root and all
And bathed every vein in liquor that has power
To generate therein and sire the flower;
When Zephyr also has with his sweet breath,
Filled again, in every holt and heath,
The tender shoots and leaves, and the young sun
His half-course in the sign of the Ram has run,
And many little birds make melody
That sleep through all the night with open eye
(So Nature pricks them on to ramp and rage)
Then folk do long to go on pilgrimage,
And palmers to go seeking out strange strands,
To distant shrines well known in distant lands.
And specially from every shire's end
Of England they to Canterbury went,
The holy blessed martyr there to seek
Who helped them when they lay so ill and weak. (…)

(Geoffrey Chaucer
Canterbury Tales
The Great Prologue – introduction)
Quando em Abril os doces aguaceiros caem
E até às raízes secas de Março penetram,
E todas as veias são banhadas por um licor
Tão poderoso que até produz a flor,
Quando também Zéfiro que docemente respira
Exala em cada arvoredo e urze uma brisa
Sobre os rebentos delicados, e o sol de tenra idade
Do signo de Carneiro já percorreu metade,
E as pequenas aves fazem concertos
Passando as noites de olhos abertos
(Assim a Natureza as incita e a tal compromete os seus corações)
Então as gentes anseiam por sair em peregrinações
E os romeiros por encontrar os lugares remotos
De santos distantes, que em muitas terras encontram devotos,
E especialmente dos confins de cada condado
Da Inglaterra, até à Cantuária têm chegado
Para procurarem o mártir e bem-aventurado santo, tão diligente
A prestar-lhes auxílio quando estiveram doentes.

(Tradução de Cecília Rego Pinheiro
Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro)









22 comentários:

  1. Gostei muito da publicação.
    A Chuva anda "atormentar-nos"..Ou não. :))

    Hoje:- Ainda chove no meu caminho...
    -
    Bjos
    Votos de uma boa noite

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    1. Já não estávamos habituados a tanta chuva...

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  2. Pelos vistos os versos dos contos da Cantuária também dizem, à sua maneira, que "em Abril... águas mil"!
    A diferença é que este Março não teve raízes secas em lado nenhum... pois ele (Março) até tentou rivalizar com o seu vizinho Abril, tentando tirar-lhe protagonismo.

    E à espera de melhores dias, te deixo beijinhos molhados
    (^^)

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    1. De facto, este Março foi bem chuvoso, sim senhora! Mas é preciso ver que o poema foi escrito há mais de 600 anos tendo como cenário a Inglaterra...

      Beijinhos pingados... :))

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  3. Os meus pais já rogam pragas a tanta chuva.
    Beijinhos, bfds

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    1. Acredito! Já estávamos desabituados...

      Bom fim de semana.

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  4. Cheguei a decorar alguns versos. Ao reler alguns aqui, apenas me lembrei dos primeiros dois versos. Já se passaram muitos anos. :)

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    1. Em inglês foi mais fácil porque rima... fall... all. :))

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    2. Já és mais uma falante inglesa do que portuguesa, é o que é... :))

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  5. Não conhecia e confesso que gostei!!!
    ...
    Uma sexta 13 ... com muita SORTE!!!

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  6. mas quem poderá ficar indiferente a esse "licor poderoso" que até "produz a flor", sem um frémito que o empurre a esses "lugares remotos", muitas vezes ali tão perto, no limite do Condado?

    muito bem.

    beijo

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    1. Belíssimas imagens literárias, não são? Uma maravilha!

      Beijinho.

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  7. O poema de Chaucer é belíssimo, mas chamar sweet showers às tempestades d'água que têm caído este mês é mesmo uma liberdade poética!!
    Bom fim de semana (amanhã à noite em Leiria para o espectáculo da Olga Roriz!)

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    1. É verdade... Grande espetáculo inserido no Festival de Música do Orfeão.

      Beijinho.

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  8. Gostei muito, da belíssima introdução e do 'post'.
    Beijinhos poéticos.
    ~~~~

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  9. http://www.tvi24.iol.pt/videos/reporter-tvi/a-mafia-do-pinhal/5ad111850cf248a372349a08

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    1. Eu vi. E então? Nasa lhes vai acontecer. Atuaram a coberto... :(

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  10. Gostei destes versos que condizem bem com as bátegas de água que têm caído.
    Eu sei que fazia falta esta chuvinha, mas já chega, quero vadiar e não posso.

    Bom fim de semana

    Beijinhos Graça

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    1. Podes vadiar e levar o chapéu de chuva ... :)))

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