segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Formatados



Não tem importância nenhuma, eu sei, mas eu gosto de enviar postais! É um sinal de presença, de lembrança, de proximidade, de amizade, se se quiser. E duradoiro. Não se apaga com um toque, nem se manda para a “nuvem” ou para um qualquer arquivo que nunca mais nos lembramos de visitar. Fica lá. E quando se for remexer aquela gaveta, ou aquela divisória da secretária, ou aquela caixa, ou aquele livro, encontra-se lá e (re)lê-se, revisitamos o passado e sorrimos.

Eu gosto de comprar e de enviar postais.

Quando a minha amiga canadiana vivia (triste) nesta terra, dizia que sentia muita falta das imensas lojas de postais de toda a espécie como as que havia na sua terra. Hoje ela está lá (bem mais feliz!) e para além das imensas mensagens que manda por correio eletrónico, ela manda-me imensos postais lindos a marcar todas as datas festivas do seu país e todas as outras que ela considera importantes.

E eu que sei o quanto ela gosta de postais e quanto eu gosto de os enviar, ando há quanto tempo à procura nesta terra de um ou outro que seja bonito, chamativo, especial e não há! Nem um postal com vistas da cidade se consegue encontrar! Isto é que é uma região de turismo, hein? Simplesmente não há! Nem na Fnac, nem nas tabacarias, nem nos quiosques, nem nas livrarias… não há! Apenas postais/cartões de aniversários, casamento, chegada de bebé e mesmo esses, são todos iguais em todos os sítios, foleiros, parolos, cheios de frases estúpidas e alguns acentos ao contrário – de fugir! Até a Arquivo, a livraria, que tinha postais e cartões lindos e que tanto quer primar pela finesse e que até é a representante nacional da Taschen, acabou com a sua coleção de postais.

E não me venham com a treta de que caíram em desuso, que agora é tudo por mail. Quem viajar por essa Europa fora, encontrará toda a espécie de vistas e cartões divertidos que marcam e promovem as regiões. E mesmo cá dentro, por todo o lado há lojinhas com postais, lembranças, ímanes, dedais, e sei lá o que mais a promoverem as cidades, as vilas, as praias. Pois por cá, não há!

Não tem importância nenhuma, eu sei. Mas dá-me cá uma fúria! Irrita-me esta falta de imaginação, esta necessidade bacoca de imitar tudo e apenas o que «o meu vizinho» tem, esta tacanhez, esta falta de visão. E não é pelos postais – embora tenha de ir a Lisboa para me abastecer (imagine-se!) É porque parece que andamos todos com talas nos olhos. O que me irrita mesmo é a formatação a que nos rendemos em nome de uma qualquer “modernidade” que nos impõem. O que nos é dado é ver programas tipo Goucha e Cristina Ferreira e Fátima Lopes e Júlia Pinheiro, para não falar na inefável Teresa Guilherme. Ou novelas. «Ah, mas eu não vejo novelas!» - dizem impantes - «vejo séries…»  Que são outro tipo de novelas, americanadas – outro estilo de formatação.

Para não falar nos noticiários e nos comentadores políticos – opinion-makers?!

14 comentários:

  1. Agora veja essa situação por aqui...é um horror.Mas não são só postais..se lhe disser que boas lâs , por exemplo , nesta terra tão fria , só no Porto e até botões e outra coisas de retrosaria que por cá têm fechado.
    M.A.A.

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  2. Quando os CTT eram do Estado
    Havia postais em todo o lado

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    1. Ai as privatizações
      e outras maldades destes figurões...

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  3. Já não envio um postal há muitos anos.
    Pura preguiça.
    Porque têm muitos mais romantismo, muito mais presença, que um mail.
    Beijinhos

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    1. Mas devia... Os postais de Macau devem ser bem originais!!

      Beijinhos

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  4. Não sinto que me tenha rendido/submetido a nenhum tipo de 'Formatação' derivada do avanço tecnológico.
    Não sou moldável, por natureza, mas gosto bastante das 'coisas boas' que vieram com as novas tecnologias....pelo que me estou a borrifar para os 'fazedores de opinião'...
    Como dizia o Solnado "A mim ninguém me vira". :)

    Cada qual vê e escolhe o que mais gosta...Gostam de reality shows?... pois vejam!...Gostam de telenovelas?...Nada contra...também gosto de algumas!

    Agora, que guardo, com muito carinho, postais ilustrados que recebi de amigos e familiares...Ah, isso, sem dúvida!

    As coisas só caem em desuso para quem deixa de as utilizar. Eu gosto de sentir o cheiro e tactear os meus antigos postais. Quando calha, também os envio.
    Quando estive em Cartagena e em Munique comprei vários, mas nunca os enviei.
    Fiquei eu com eles!!

    Até me deste uma rica ideia para um post, Graça!!

    Beijinhos

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  5. Graça, estou plenamente de acordo. Quem não gostará de ver um postal, que num ano longínquo, a sua avó enviou para alguém? Há uns anos, numa estação de correios em Lisboa, observei uma turista que me pareceu holandesa, senhora com os seus 80, puxar de uma lista de endereços autocolante, que teriam sido feitos previamente na sua Terra, talvez uns 20, e colou-os nos postais que ali mesmo comprou. Isto é que é organização!...

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    1. Os estrangeiros são organizados e educados, cultos, civilizados. Já nós... enfim!

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  6. A mim o que mais pena tenho é das fotos serem quase todas digitais....é que eu adoro passar uma tarde a ver fotos mas gosto de pegar nelas , virá-las, ler a dedicatória, a data e a identificação das pessoas....
    também gostava muito de enviar postais mas fui deixando pois respondiam-me sempre por telefone !!!! bjs

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    1. É isso: é mais prático, mais rápido, mais moderno...

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  7. É bem verdade. Também gosto de reencontrar postais recebidos há anos e anos e recordar... O facto é que perdi o hábito de escrever cartas ou postais, do mesmo modo que já não os recebo. :(

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