terça-feira, 20 de outubro de 2015

Dia Mundial do Poeta

No Dia mundial do Poeta, que se celebra hoje não cá no país, mas no Brasil, deixo aqui um poema do nosso saudoso Manuel António Pina.

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?»    E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —


Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo”



23 comentários:

  1. E também escreveu assim:

    Lugares da infância onde
    sem palavras e sem memória
    alguém, talvez eu, brincou
    já lá não estão nem lá estou.

    A cultura é assim como uma semente que regada cresce e faz crescer um povo.
    Infelizmente são poucos os que, tendo poder para isso, apoiam esta "agricultura".
    Beijos cultivados em sorrisos

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    1. Somos um povo de poetas, mas pouca poesia lemos, Kok...

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    1. Helas!!! Eu amo os gatos, mas nem por isso sou poeta....

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  3. Tão bonito este poema, aliás, como todos de Manuel António Pina.

    Um beijinho, Graça

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    1. Beijinhos, menina das respostas com poemas dentro...

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  4. Creio que nunca houve ninguém (excepto tu, talvez - que tenha gostado tanto de gatos como este nosso grande Poeta/Escritor. Vivia rodeado por esses amigos, cujos olhares e miados, só ele entendia.

    Acerca dele, escreveu, um dia, Fernando Sobral:

    "Manuel António Pina, o ágil gato das palavras" . E tinha razão!

    O próprio dizia que tinha medo de ter medo, mas não temia, como os gatos!!

    Bonita e justa homenagem, Graça! De uma grande amiga de gatos para um outro amigo, que deles já não pode cuidar!
    Gostei muito, Graça.

    Beijinhos amigáveis! :)

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    1. Que lindo aforismo sobre MAP!! Não conhecia; gostei muito de o ficar a conhecer.

      Que bem escrevia e o que ele adorava gatos!!

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  5. Vejo na Wikipédia que Manuel António Pina faleceu a 19 de Outubro de 2012. fez ontem 3 anos. Uma merecida homenagem ao grande poeta.

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    1. Por acaso não me lembrava da data, embora tenha escrito um texto pelo seu passamento. Mas calhou bem!

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  6. Curiosamente, vejo na Wikipédia, que Manuel António Pina faleceu no dia 19 de Outubro de 2012, fez ontem 3 anos. Uma merecida homenagem ao poeta!

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  7. Olá Graça,
    os poetas falam à alma
    boa ideia vou tentar encontrar um poema de Manuel António de Pina para traduzir no meu blogue de poesias! e li que:

    Manuel António Pina foi um poeta e jornalista português, nascido em Sabugal a 18 de novembro de 1943. Publicou Ainda não é o fim nem o princípio do Mundo, calma é apenas um pouco tarde (1974), Aquele que quer morrer (1978), O pássaro da cabeça (1983), O caminho de casa (1989), Um sítio onde pousar a cabeça (1991), Algo parecido com isto, da mesma substância (1992), Atropelamento e fuga (2001), Gatos (2008) E Como se desenha uma casa (2011), entre outros
    .....http://revistamododeusar.blogspot.pt/2012/10/manuel-antonio-pina-1943-2012.html

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    1. Que bela ideia, Ângela! Mas a poesia de Manuel António Pina não é fácil, não... Vale a pena tentar, sim senhora!!!

      Bisous.

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  8. Engraçado festejar o dia mundial da poesia a 21 de Março e o dia do poeta a 20 de Outubro. Faz sentido um sem a outra? Gostei do poema. Conheço poucos poemas de Manuel António Pina. Creio que só os que os vários blogues publicaram aquando da sua morte.
    Um abraço

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    1. Encontram-se muitos no Google - e eu sei que vai gostar de os ler.

      Beijinhos

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  9. Poetas? Poesias? Poemas? Ahhhh... Isso não dá lucro... não tem pasta / gabinete / poder ou título que os representem... Simplesmente descartados.
    [ ]

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  10. Conheci-o pessoalmente. É um poeta grande e autêntico, mas e na literatura infanto-juvenil que mais me impressiona, pela inteligência, pela graça, pela originalidade e proximidade ao universo infantil. Os gatos, claro!

    Lídia

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    1. Que honra tê-lo conhecido pessoalmente! Devia ser uma pessoa incrível! A avaliar pelas crónicas que escrevia para o JN e para o DN... Que saudades de as ler...

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  11. Graça, obrigada pela bela partilha!
    Beijo

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  12. Um santo da minha devoção, aqui, neste precioso altar.
    E o gato que bem que está, a ilustrar toda uma filosofia de vida...

    Este, merece um beijo, Graça.

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