A propósito da "princesa do Lis" como me chamou o nosso amigo Manuel Veiga, lembrei-me de um poema do poeta/escritor leiriense Afonso Lopes Vieira que tínhamos na Selecta Literária no tempo do Liceu, nos idos de 60, e que se chama Inês de Leiria.
Deve ser muito pouco conhecido porque não no acervo de Mister Google...
Diz assim:
Encontrou Fernão Mendes
no interior da China
(e em que apuros ele ia!)
a velha portuguesa
chamada Inês de Leiria,
que de repente reza:
Padre Nosso que estais
nos céus…
Era, de português, o que sabia.
Ouvindo Fernão Mendes
esta voz que soava
(Fernão cativo e cheio de tristeza!),
o Português sorria…
Padre Nosso que estais
nos céus…
A velha mais não sabia,
mas bastava.
Boa Inês de Leiria,
cara patrícia minha,
embora te fizesse
a aventura imortal
de Portugal
chinesa muito mais que portuguesa,
- pois por esse sorriso de Fernão
tocas-me o coração.
Deste-lhe em tal ensejo
entre as misérias da viagem,
o mais gostoso e saboroso beijo
- o da Linguagem!
Onde a Terra se Acaba
e o Mar Começa (1940)
Afonso Lopes Vieira



Conheço a poesia do Afonso Lopes Vieira, que é, infelizmente, um poeta muito esquecido.
ResponderEliminarÉ verdade, Teresa. Como tantos e tantos belíssimos autores nosso do século XX - tão esquecidos! Questões políticas...
EliminarNão conhecia.
ResponderEliminarAbraço
Lembro-me deste poema de não sei onde...
ResponderEliminarBeijinho, bom Outono
Da nossa "Selecta Literária" dos 3º, 4º e 5º anos do liceu...
EliminarBom outono, São! Se possível sem este calor que nos afronta...
Porque é que ia lendo e me ia recordando dos cantinhos do meu Macau??
ResponderEliminarBeijinhos
Lindo!!!!! Os seus comentários sempre com aquela elegância, aquela sensibilidade, Pedro.
EliminarBeijinho.
Brilhante publicação. Um poema magistral, não conhecia :))
ResponderEliminarBjos
Votos de uma óptima Quarta - Feira
Obrigada, Larissa. Assim vamos aprendendo uns com os outros... Que bom!
Eliminarora aqui está como o inocente epíteto "princesa do Lis" quase provoca um tsunami literário - com citação de Afonso Lopes Vieira e o Fernão "Mentes" Pinto e tudo... Só cá faltou o Eça! rss
ResponderEliminarmas a verdade é que a cidade de Leiria para além da Historia (Pedro e Inês estão no imaginário colectivo)tem para mim, por razões que não vêem ao caso, um encanto quase mítico - e a "princesa do Lis", se não estou enganado, consta de um belo fado de Coimbra. e, como tal, adequado a este espaço de criatividade e inteligência
mas percebo, enfim, que a nossa amiga Graça não queira o cognome, pelo que peço desculpa pelo meu excesso de à vontade.
mas não precisarei de rezar o Padre Nosso, pois não há aqui sombra de pecado.
com simpatia
beijo
Nada de pedir desculpas que as não tem! Eu achei lindo! E até deu para me lembrar e trazer aqui o Afonso Lopes Vieira, de Leiria citando o Fernão "Mentes? Minto"... Só não me sinto digna de tal epíteto.....
EliminarBeijinhos gratos por tudo e por esse seu sentido de humor.
Grande Afonso Lopes Vieira, o Poeta que dourou a minha infância.
ResponderEliminarBeijinhos, Graça... cheia de graça infinda!! :)
Obrigada, Janita, minha querida amiga!
EliminarAfonso Lopes Vieira foi, de facto, um poeta que nós líamos no liceu.
Beijinho.
Fernão Mendes Pinto fez-me lembrar o nosso Fausto Bordalo Dias
ResponderEliminarhttps://www.youtube.com/watch?v=YqxlHY0Y30c
Abraço para ti e para o Sidónio
Ui, o que eu gosto de ouvir o Fausto!!! Uma voz cristalina que utiliza uma poesia popular tão culta!!!
EliminarBeijinhos e abraços nossos.
Obrigada por o recordar!!!bj
ResponderEliminarBeijinho, Gracinha!
EliminarPrincesa, andas muito colada ao teu Lis...
ResponderEliminar«Fernão, mentes? Minto!» Que alcunha!
Gravada nos anais da história!...
O que faz o obscurantismo!
Gostei de recordar ALVieira... desejo que
o seu museu esteja bem participado e não
ande novamente em peregrinação....
Beijinhos literários...
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Beijinhos literários e musicais e culturais e tudo e tudo Majo!
EliminarJá o li, ao Afonso, por obrigação na escola e, mais tarde, por gosto.
ResponderEliminarLembro-me dele decididamente, ou definitivamente?, sempre que atravesso o Pinhal e passo rente ao seu refúgio de S. Pedro de Moel.
BFS, Graça.
E aquela casa em que ele viveu e escreveu olhos postos no mar revoltoso! Maravilha!!! A chamada Casa-Nau!
EliminarBeijinhos, Agostinho.
Curioso não me lembrar deste poema do Afonso Lopes Vieira. Tenho que ler algum livro dele, pois anda esquecido na minha memória…
ResponderEliminarUma boa semana, Graça.
Um beijo.