segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Dia de Finados



Dia de Finados. Dia de lembrar os que já partiram. Dia chuvoso de Outono. Dia triste. 
Dia de poesia, contudo.



Poema de Finados

Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.

Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.

O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.


(Manuel Bandeira, in Libertinagem, 1930)

16 comentários:

  1. Quantos mortos/vivos por aí?

    Comovente, ainda assim!

    Bj.

    Lídia

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    1. Tantos mortos/vivos por aí....
      Mas não foram esses que o poeta evocou! Gostei do poema e decidi divulgá-lo.

      Beijinho

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  2. Não nos lembramos nós, todos os dias, de quem já partiu? Não precisamos de dias especiais para deles nos lembrarmos, não é?

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  3. Todas as semanas vou ao cemitério desde que meus pais faleceram . Nunca em dia de finados, pois o dia para mim é sempre que me lembro deles e acredite é praticamente todos os dias.
    Ainda assim o poema é muito bonito.
    Um abraço

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  4. Bela imagem, Graça!
    Respeito quem assinala este dia, mas não me identifico com as práticas.
    Beijo

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    1. Eu também não, Isabel. Mas é (mais um) dia de nos lembrarmos dos nossos que já nos deixaram.

      Beijinho

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  5. Não é mistério
    para atender aos mortos
    escuso de ir ao cemitério

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    1. Claro, Rogerito!
      Não é preciso «fazer bonito»...

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  6. Os poetas são os únicos que mesmo falando de morte, a tornam mais bela !!!

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    1. É bem verdade, Ricardo! Por isso trouxe o poema...

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  7. Gostei de conhecer este poema.

    Paz para quem já partiu

    Bons sonhos

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    1. Esses estão já em paz. Só deixaram a saudade...

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  8. Os mortos são matéria, excepto os que são cremados que se transformam em cinza.
    Prefiro respeitar os vivos.
    É evidente que há pessoas que morrem e nos deixam enormes saudades mas isso é outra coisa.

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