domingo, 25 de maio de 2014

Que país é este?

(daqui)

Que país é este que em fins de Maio enche as praias num fim de semana e abre as pistas de neve do fim de semana seguinte?

Que população é esta que aumenta desmedidamente os preços nos hotéis, nos restaurantes, nos arrendamentos em dia de enchente?

Que povo é este que após três anos de saque aos seus benefícios, aos seus direitos, aos seus empregos, oferece 30% dos seus votos aos saqueadores?

Que povo é este que, em dia de eleições, deixa sessenta e tal por cento de votos por cumprir, tão grande é a indiferença e a displicência, esquecendo-se que ainda há 40 anos não podia exprimir a sua vontade pelo voto? Não, não se trata de desesperança nem de desencanto, nem tão pouco de descrença nos políticos. Trata-se mesmo de atraso.

Que gente é esta que sai da câmara de voto dizendo «nem sei o que é eu cá vim fazer!» «O quê? Não sabias qual era o desenho em que havias de votar?»

E ainda me vêm dizer que somos um povo maioritariamente de esquerda e cheio de sentido do dever e de cidadania?

Não! Não somos, não! Continuamos a ser um povo incauto, abúlico e indiferente que quer é férias no Algarve e automóveis do ColaCau como oferecia o inqualificável Carlos Cruz. Continuamos à espera de um qualquer D. Sebastião que até pode ser um fascista, um facínora, um cretino qualquer mas que nos obrigue a fazermos o que a ele muito bem lhe apetecer para depois andarmos a queixar-nos pelos cantos, a fazer manifestações com cantigas e a pôr piadas no facebook!

Estou mesmo zangada!

E mesmo que por de mais conhecido e um pouco até estafado, deixo aqui "O analfabeto político"  de Brecht que me parece tão acertado e tão actual. Infelizmente.

«O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha
Do aluguer, do sapato e do remédio
Depende das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que
Se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política.
Não sabe o imbecil
Que da sua ignorância nasce a prostituta,
O menor abandonado,
O assaltante e o pior de todos os bandidos
Que é o político vigarista,
O desonesto, o corrupto e o espoliador
Das empresas nacionais e multinacionais.»


19 comentários:

  1. são portugueses, com toda a certeza, Graça.

    daqueles que gostam do cavaco e do salazar.

    abraço

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  2. É isso, Luís! Gostam de porrada na garupa!

    Saloios!! Saloios incultos!!

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  3. Graça, nada do que está a acontecer me admira. Era isto que se previa. Só quem não conhece o povo é que poderia estar iludido.
    Continuamos a ser maioritariamente conservadores, cagarolas e analfabetos.
    Desconfio que o duo que nos desgoverna com uns pozinhos vai ganhar as legislativas. Pelo menos se não aparecer no PS outra cara e discurso, que ganhe a confiança dos eleitores.

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  4. ~
    ~ Também eu!
    ~ Também estou muito zangada.

    ~ Porque os políticos não entendem que a maior parte das responsabilidade
    da abstenção lhes cabe, por fazerem campanhas de baixo nível, destratando-se
    uns aos outros, ao invés de informarem.

    ~ Porque o tontinho do líder vencedor, passou o tempo de antena repetindo
    que tinham ganho, quando, ele, pessoalmente, foi o grande perdedor, pela
    péssima oposição que tem feito!

    ~ E naquele partido, parece que ninguém dá por isso!

    ~ ~ ~ Uma boa semana. ~ ~ ~

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  5. Percebo a tua zanga. De qualquer das formas já estava à espera de uma destas, de modo que não levei tão a peito... ;)

    Beijocas

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  6. Gracinhamiga

    As tuas palavras são as minhas palavras. E no cerne da questão está a falta de consciência de nós, Portugueses.

    Por certo abusarei das tuas paciência e bondade, mas roubo um bom pedaço do espaço que melhor seria usado por pessoa mais sabedora e competente. Mas, enfim, lá vai.

    Tenho escrito e repetido e tripetido (sei que a palavra não existe, mas nada me impede de a inventar e utilizar) que nós, sublinho, nós os Portugueses na generalidade não prestamos.

    Que estranha afirmação comentará uma esmagadora, que raio de estupidez deu a este gajo para dizer e escrever, o que pior, pois verba volant, scripta manent, ou seja as palavras voam a escrita permanece uma bacorada destas?

    Como assim, não prestamos? Alto lá, eu escrevi também na generalidade. Tenho presente que, apenas nos vivos, temos gente da maior qualidade, desde o futebol à medicina.

    Ninguém - penso eu... - contestará que Cristiano Ronaldo é o melhor do Mundo. Ninguém duvidará de que Siza Vieira é o melhor, ou dos melhores do Mundo e por aí adiante, desde a Paula Rego a Sobrinho Simões, etc., etc., etc.

    Mas, se estes extractos da sociedade Portuguesa me são permitidos (e mesmo que o não fossem já os tinha escrito...) ´como excepções, bastantes, muitas, também me será (seria?) permitido afirmar que, na generalidade nós os Portugueses não prestamos. E volto à mesma tecla: nós, Portugueses, na generalidade, e eu também o sou, não faço parte de qualquer excepção.

    As eleições para o Parlamento Europeu (?) são, em meu entender, exemplo gritante do que afirmei e por isso subscrevo na totalidade as tuas palavras, querida Gracinha. Também eu estou zangado. Zangado? Furioso!

    Quantos de nós foram votar? Se a abstenção chegou aos 66%, quer dizer que fomos às urnas 34%. Ridículo. Ridículo que se vem repetindo, cada vez para pior. Mas, na Europa, houve abstenções muito semelhantes. Pois sim, mas com o mal dos outros...

    E vou terminar. Contados os votos que entraram, a chamada Aliança Portugal ficou-se pelos 27/28%, o que quer dizer que mais de 70% dos que exerceram o direito
    do voto estão contra ela e, obviamente, contra o (des)Governo que ainda subsiste.


    O que quer dizer, na realidade que há dois Portugais: o que vota e o que se abstém. Maniqueísmo? Será, mas também realismo - porque se baseia na realidade. Ponto final.

    As minhas desculpas a ti, Graça, que és a excelente proprietária do Picos de Roseira Brava e aos que te comentam. Foi um abuso de um Português que votou. E, para que não haja dúvidas, votou no PS.

    Qjs

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  7. Posso roubar o comentário da Majo?
    Boa semana

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  8. Também estou zangado e muito.
    Que povo é este, que povo...
    Recebemos o desencanto das politicas dos nossos meninos birrentos mas que teimam em coisas baixas e sem razão deixando de fora os grandes temas e as verdadeiras razões para motivar as pessoas a votar e participar.

    Agora brincam:
    - Ganhou o PS
    - Não ganhamos nós e o CDS...
    Coitados como são loucos ...

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  9. Gostaria de lembrar que a abstenção na U.E. foi de 57%...
    Se calhar, mais do que perguntar "que povo é este? que gente é esta?", melhor seria então questionar "que U.E. é esta?" e tentar perceber o que verdadeiramente se passa!...
    A quem quer explicar as atitudes políticas dos outros com os fantasmas do salazarismo, do fascismo e outros ismos, há que lembrar que ninguém é dono da Verdade... Na Europa, ganhou a abstenção e isso é que devia ser objecto de reflexão criteriosa, tanto pelos políticos, como por todos nós...

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  10. Somos um povo muito esquisito...somos um povo que diz " quanto mais me bates , mais gosto de ti " e por aí adiante...
    Uma vergonha.
    M.A.A.

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  11. Pork é k ñ muda de povo, M.A.A.?!...

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  12. Somos realmente um povo Sebastianista. Se na sexta-feira passada me dissessem que a votação se aproximava destes valores, eu consideraria isso impossível. Isto é o resultado duma miopia em grande escala...

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  13. Eu acho ridículo todos os partidos verem resultados positivos nestas eleições, quando TODOS perdemos !

    beijinho




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  14. Eu acho ridículo todos os partidos verem resultados positivos nestas eleições, quando TODOS perdemos !

    beijinho




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  15. Analfabeto e burro! Também estou zangado. Muito zangado, mesmo.

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  16. Peço desculpa à Graça Sampaio, que tem este espaço de qualidade aberto, por vir aqui mais uma vez escrever mais umas palavras, pedido que estendo aos caros comentadores. É que mais do que zangado estou danado!
    Li todos os comentários.
    Portugal e os seus habitantes são o que são e não podemos mudar essa realidade.
    O que eu percebo (sinto), é que calçaram-nos umas pantufas que, por vantagem, interesse mesquinho, burrice (alimentada durante décadas), egoísmo, eu sei lá que mais, não descalçamos de modo nenhum. Quem arrisca?
    Os políticos que temos (a esmagadora maioria) são "profissionais" da política cujo objetivo se esgota na satisfação dos interesses da corporação que o arregimentou e o seu próprio. E Portugal e os portugueses. Criou-se um mito a dada altura que a CEE/UE seria a salvação. Viu-se.
    Se largássemos as pantufas a abstenção desceria para números insignificantes e varreríamos os oportunistas que por aí andam.
    O QUE FAZER?

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  17. Agostinhamigo II

    Se o voto fosse obrigatório muita gente entrava de baixa com atestado médico e tudo. Repito, triste: não prestamos.

    Abç

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