quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Diferenças


Fui, por força das circunstâncias, muitas vezes, desde que a avaliação do pessoal não docente foi legislada, em 1984, avaliadora do desempenho dos funcionários administrativos e auxiliares da “minha” escola. Pelo sistema antigo, imutável e com iguais parâmetros e resultados possivelmente iguais para todos e também pelo novo sistema de avaliação da administração pública, o chamado e bem conhecido SIADAP. Naturalmente nem sempre as pessoas ficavam satisfeitas com a avaliação feita, ou melhor, com a classificação atribuída e houve quem reclamasse e houve até quem tivesse interposto recursos hierárquicos. Tudo dentro da maior normalidade e legalidade.

Ainda hoje muitas, quando me vêm na rua me dão beijos e abraços, cumprimentam-me muito bem, conversam simpaticamente comigo – uma das senhoras que eu não via há uns três anos encontrou-me um dia desta semana e me disse “Ó professora Graça, tinha tantas saudades suas!”. Ainda ontem uma outra senhora esteve alguns dez minutos a falar alegremente comigo na rua. Imaginam como isto é agradável, não? 

Há dois anos, tive, igualmente por força das circunstâncias, de avaliar todos os meus colegas professores, o que, como se imagina, não foi nada fácil! Naturalmente que nem tudo correu como deveria e como eu gostaria dadas as dúvidas, as incertezas, os atropelos que decorreram da forma como o processo de avaliação – sendo o primeiro – progrediu, se bem se lembram. Mas, garanto, que tudo foi feito dentro da maior lisura, usando os mesmos parâmetros, os mesmos pesos e as mesmas medidas para todos por igual, sendo todo o processo acompanhado e fiscalizado pelos colegas da Comissão de Coordenação a Avaliação. Houve, como seria de esperar, pedidos de recursos da avaliação. Uns foram atendidos, outros não. Tudo dentro da maior normalidade e legalidade.

Hoje cruzei-me de perto com um colega daqueles que se sentiram mal avaliados que passou por mim como se eu fosse transparente. Tanto como me deixa verdadeiramente feliz a simpatia das senhoras do pessoal não docente, assim me deixou absolutamente indiferente a indiferença – ou falta de educação – do meu (ex) colega. 

A ninguém classifiquei qualquer parâmetro da ficha de avaliação abaixo do valor positivo mínimo. Hoje fiquei com a certeza que afinal, poderia, deveria tê-lo feito!


10 comentários:

  1. Infelizmente situações como essa são bem frequentes hoje em dia...que saudades do tempo em que a avaliação não era assim , que bom era o ambiente nas escolas...
    Bjs

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    1. Pois é, mas com a antiga avaliação tanto progredia o que se matava a trabalhar, como o que se baldava, não ligava nenhuma aos alunos e metia atestados médicos para ir viajar...

      Beijinhos

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  2. Carolamiga

    Nos dias que vão correndo, avaliações só as das antigas casas do prego, hoje empresas de ajuda a clientes desnaturados e depenados pelo quadrilheiros de Belém, São Bento, Terreiro do Paço, 5 de Outubro e outros prostíbulos & lupanares.

    Mas, não te amofines: um dia destes ainda vamos ser muito felizes, todos. A dar fé neles, ou seja, nos filhos da puta dos passos da crise...

    Qjs

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  3. Bem lá no fundo todos somos avaliadores...do carácter das pessoas que nos rodeiam! :-))
    Ainda bem que nunca estive nesse papel, excepto como orientadora de estágio mas esse papel também tu desempenhaste!
    Eu, se te encontrar na rua, já sabes, mudo logo de passeio! :-))

    Aquele abraço

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  4. Pois é, Carol, multiplica por cem e tenta aperceber-te do ambiente das escolas agora... Vale tudo, desde que esta avaliação começou. Há colegas de grupo que, pura e simplesmente se deixaram, de falar...

    Ambição e falta de carácter...

    Beijo

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    1. Uma vergonha, acácia! Como podem ser ... educadores?

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