terça-feira, 17 de agosto de 2010

Tradução do poema "Go and catch a falling star"


(Nascimento de Vénus de Botticelli)

No passado dia 14, a propósito da chuva de estrelas, fiz referência e transcrevi um poema inglês do século XVI de John Donne cuja tradução vale a pena deixar aqui para eventual discussão e também para responder ao pedido da minha amiga Rosa dos Ventos.

Trata-se de um poema satírico e metafísico da influência de Dante, poeta renascentista, sobre a rara existência de mulheres belas e virtuosas. Donne usa exemplos fantásticos e impossíveis tais como apanhar uma estrela cadente, engravidar de uma raiz de mandrágora, ou ouvir o canto das sereias para dizer como é difícil encontrar uma mulher bonita que se mantenha fiel ao seu marido...

Atenção que isto foi no século XVI !!! Mas aqui fica uma tradução caseira desta canção – forma que chamam a este poema:

Vai apanhar uma estrela cadente,
Engravida da raiz de uma mandrágora,
Diz-me onde se encontra o passado,
Ou quem fendeu o pé do diabo,
Ensina-me a ouvir o cântico das sereias,
Ou a afastar o ferrão da inveja
E descobre
O vento
Que serve para melhorar uma mente honesta.

Se nasceste para ver coisas estranhas
Ou coisas invisíveis,
Cavalga  dias e  noites sem fim
Até que a neve cubra os teus cabelos,
Quando regressares, contar-me-ás
Todas as maravilhas que te aconteceram
E jurar-me-ás
Que em lugar algum
Vive uma mulher bela e honesta.

Se encontrares alguma, diz-me,
Tal peregrinação seria para mim uma doçura;
Mas não, não me digas, eu não iria,
Mesmo que fosse na porta ao lado,
Mesmo que ela fosse real, quando a encontrasses
E por fim me escrevesses a contar,
Enquanto eu lá chegasse,
Ela já teria sido falsa
Para dois ou três...

3 comentários:

  1. Depois da leitura deste poema satírico só posso concluir que os homens evoluíram imenso e…
    (Ai! Ai! Não me batam mais, por favor!)

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  2. Agradeço a tradução que achei deveras interessante e "lisonjeador" para as feias! :-))
    Para elas é fácil ser fiel...
    E a beleza espiritual não conta, homens de visão limitada?! :-))

    Abraço

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  3. Ai, ai, ai, o amigo Rui! Que grande maroto! Isto foi no século XVI! Agora as mulheres já são diferentes...

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