sábado, 14 de setembro de 2013

A Rota do Crime do Padre Amaro

No Centro Histórico de Leiria foram sendo semeados enormes cartazes da autoria da jovem pintora Sílvia Patrício que pretendem celebrar aquilo a que chamaram a Rota do Crime do Padre Amaro. Como é sabido, Eça de Queirós escreveu este romance quando viveu como advogado aqui na cidade de Leiria entre 1870 e 71.

A rota inicia-se na mimosa Praça Rodrigues Lobo com a planta do roteiro.




Dirige-se para a Rua da Misericórdia.


Escuto-te Junto ao chão
A sacristia e as criadas
Praia da Vieira



Cada cartaz é acompanhado de uma passagem do romance.
Segue-se a Tentação representada por três quadros na rua do renovado Centro Cívico de Eça de Queiroz.







Na Rua Direita, está retratada a Paixão.






Os encontros na Torre Sineira
Descrição desses encontros entre o Padre e Amélia

No Largo da Sé (onde ainda assistimos a um casamento com pompa e circunstância) mais um episódio chamado Lá Vão os Cães.



Já na encosta que sobe para o Castelo,

A Tecedeira de Anjos

e
O Diluir da Esperança
Merece ser visto in loco para se ir apreciando as belezas (muitas em muito mau estado...) da
parte velha da cidade, sempre com o Castelo que nos espreita do topo da colina...





sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sexta feira 13





Para parafrasear o gato, não é ver um gato preto que dá azar; azar mesmo é cruzar com um humano ignorante!

Pois hoje tive o azar não de cruzar, mas de ouvir, logo de manhã, não com um mas com dois ignorantes do tamanho do Castelo a dizer um sem número de baboseiras Foi num daqueles fóruns da rádio em que é proposto um tema sobre o qual os ouvintes que assim o entenderem dão as suas opiniões.

Não sei qual era o tema mas também não interessa. O primeiro senhor em questão estava ali como propagandista do governo o que seria legítimo vivendo como vivemos em democracia (?) não fora estar a deitar pela boca fora uma quantidade enorme de disparates. Então dizia o dito senhor que o caso do BPN não abalou em nada a economia do país porque não implicou nada além fronteiras; foi um roubo, mas o dinheiro continuou a circular dentro do país pelo que não foi isso que pôs o país em baixo. E acrescentou: «Porque, Sr.ª D. Eduarda Maio, se eu lhe roubar a carteira, daí não vem qualquer mal para o país porque o dinheiro que eu lhe roubasse continuaria a circular por aí…»

Depois desta ainda largou mais umas pérolas que não consigo recordar de tão furiosa fiquei com aquela barbaridade! Ah! e ainda teve tempo de dizer que tinha feito o 2º ano de Sociologia… Mas deve ter sido na Universidade de Cacilhas como dizia o meu pai ironicamente  há muitos, muitos anos atrás!

Logo de seguida, tomou a palavra um outro «ilustre ignorante» que defendeu inexoravelmente o empobrecimento das famílias porque o nosso é e sempre foi um país pobre por isso para quê tantos carros, tantos telemóveis, tantos computadores? O que é preciso é produzir para exportarmos e mais nada. E claro que é preciso cortar ordenados e reformas aos portugueses em geral e não aos governantes que esses são uns mil e não é por aí que vem a despesa… Este não arrogou ter frequentado o ensino superior nem mesmo na Universidade de Cacilhas mas deve ser daqueles que apreciam aquele fado francamente fascizante que é Uma Casa Portuguesa, com certeza…

Ai que azar!

(Depois ainda ouvi um bocadinho do fórum dr António Barreto, mas isso é outra história.)


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ronda dos museus

Na última semana antes do reinício das aulas e como já não há como entreter as crianças, vá de ir com elas fazer a ronda dos museus propícios às suas verdes idades.

Primeiro fomos ver o renovado Moinho de Papel à beira Rio Lis, instalado ali  em 1411 para a manufatura de papel, o primeiro conhecido em Portugal.

Foi muito interessante e os miúdos gostaram bastante porque ficaram com a ideia de que tinham mesmo fabricado papel. De facto, a responsável pela visita, uma jovem senhora simpática, dinâmica e competente, contou aos miúdos a história do papel, explicou a sua manufatura e deu com eles, sendo apenas dois, todos os passos da mesma, pondo as noras a trabalhar para eles perceberem a força da água do rio, deixando-os ajudá-la a usar as prensas e sei lá o que mais, chegando no fim da visita a dizer-lhes que convidassem as suas professoras a trazerem as turmas ao moinho para uma visita.












Ontem foi a vez de visitarmos com eles o Agromuseu da Ortigosa também da responsabilidade da Câmara Municipal, mais conhecido pelo Agromuseu da D. Julinha, última proprietária daquela antiga casa agrícola, que cedeu aquele espaço para que se preservasse quer o espaço, quer a memória de todo aquele património rural.

Os interiores da casa, do celeiro, da adega, do lagar estão muito bonitos e muito bem arranjados, registando por meio do mobiliário, das loiças, dos fogões, as alfaias agrícolas, etc. o modo de viver dos finais do século XIX e da primeira metade do século XX. O espaço da quinta, porém, que é enorme e lindo, está um bom bocado abandonado, com meia dúzia e não mais de variedades na horta, sem árvores de fruto, tudo um bocado para o seco, os currais com dois ou três galarós de crista que cantavam que nem loucos e um coelho grande, sonolento de tão só. Nem uns porquinhos que são os animais de agropecuária da zona por excelência, nem umas gaiolas grandes com aves variadas, sei lá… E o facto é que estavam, que víssemos, quatro pessoas por lá, sem fazerem nada, absolutamente nada senão andarem por ali! Uma delas até estava sentadinha numa das salinhas a sorrir e a fazer crochet… Uma pena, com aquele manancial de história e de espaço!




































Com efeito, a atitude das pessoas é tudo no aproveitamento e desenvolvimento das realizações, dos empreendimentos e das instituições! Que diferença entre a senhora do moinho de papel e estas outras do agromuseu!


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O mentiroso compulsivo

Eu bem sei que muitos dos meus queridos seguidores não falham a leitura das crónicas das 4ªs feiras do jornalista/escritor Baptista-Bastos pelo que se torna repetitivo transcrevê-las para aqui. Mas a crónica de hoje é por de mais relevante e atual - e por de mais bem escrita - para não a reproduzir.

Não posso deixar de chamar a vossa atenção para o vocabulário meticulosamente escolhido para que o efeito nos leitores tenha a força contundente tão grande e tão contundente como é a atuação do visado sobre o povo. Muito bom!

O mentiroso

«Pouco há a fazer senão demonstrarmos a nossa indignada repulsa. O homem é um mentiroso compulsivo. Há dois anos ameaçou-nos com o empobrecimento, "única alternativa", dizia, à soberba que de nós se apossara para vivermos "acima das nossas possibilidades." Íamos, pois ficar mais pobres do que temos sido. Depois, como a Fénix que renasce das cinzas, gozaríamos de um cintilante futuro. O rol de miséria que se seguiu causou-nos infortúnios e desditas sem nome. Agora, o mesmo homem, possuído de amnésia contumaz, veio afirmar que nenhum político seria capaz de afirmar tal destino. A SIC, pressurosa e cheia de zelo informativo, foi aos arquivos e retransmitiu a primeira e a segunda mensagens. Acaso para avivar a lembrança do desmemoriado ou, simplesmente, para reforçar o que dele sabemos: transformou a mentira numa banalidade.

O pior de tudo é que não nos podemos esconder nem fugir deste homem. Ele está em todo o lado, com rostos diversos e múltiplos, a mesma voz enfática, a mesma mentira travestida, as mesmas maneiras afáveis e frias. Mentir a nós, que temos cama, mesa e roupa lavada asseguradas, é o menos. Mentir aos desempregados, aos velhos, aos miúdos famintos nas escolas, aos moços e moças que não sabem o que fazer porque lhes foi tirada a mais ínfima parcela de sonho - essa, sim, é uma mentira monstruosa, a merecer todas as maldições, os maiores dos desprezos, a mais vil de todas as execrações.

Como é possível que haja gente, presuntivamente de bem, a apoiar este mentiroso que não só nos empobreceu materialmente como nos enfraqueceu a alma, nos amolgou o espírito com perseverança infame, e continua a impelir-nos para uma perdição tão maldosa que, ela própria, nos escapa; como é possível?

A mentira multiplicada quebrou a coesão e colocou portugueses contra portugueses, numa endemia moral que irá prolongar-se. Com extrema dificuldade, os governos que se seguirão conseguirão repor o que nos indicava como o povo mais lógico, por mais unido, da Europa. O mentiroso conseguiu o que mais ninguém obteve, com repressão ou com o montante. Levou-nos até ao desgosto da palavra, porque houve quem acreditasse na voz de tenor, falsamente casta, e na insistência maviosa dos temas.


Redignificar a função, reabilitar a grandeza do falar verdade, é tarefa de resgate incomum; e não vejo quem disponha da elevação necessária e urgente para tal empreitada. Os políticos entenderam a facilidade como norma de uma vitória sobre o tempo, e abandonaram, por incúria e ignorância, as convicções e a consciência de missão. O seu combate é outro. E no caso português muito mais evidente, pelas debilidades culturais dos intervenientes. O mentiroso comum é desprezível; o mentiroso político, abominável: pertence a uma época estimulada pela incerteza, e incapaz de se opor às estruturas ideológicas que tomaram conta da Europa.»




terça-feira, 10 de setembro de 2013

A "minha" Praia D. Ana

(da net)
Foi assim pequenina e bela que se me deparou quando pela primeira vez a vi, de cima, em Outubro de 71, na minha «lua-de-mel». E confesso que fiquei absolutamente encantada como ficara, dias antes com Vila Nova de Milfontes.

Aquelas águas transparentes, mornas e calmas fizeram os meus encantos e prometi a mim própria que haveria de passar ali umas belas férias.  

E assim aconteceu: a primeira vez que ali passámos férias foi no verão de 78 numa primeira quinzena de Setembro que esteve particularmente quente. 


O pai e a primogénita...

Depois voltámos lá vários anos na década de 90.Impossível não regressar àquelas águas límpidas e serenas.

Brincando na água




Pois ficámos hoje a saber que a "minha" Praia D. Ana, em Lagos, foi considerada pela revista espanhola Condé Nast Traveller a melhor praia do mundo pela “cor turquesa das suas águas que sobressai entre as escarpas naturais”, verdadeiros “fortes onde as crianças brincam durante todo o dia”.


Estivemos lá em Março último e, apesar do mau tempo, estava linda como sempre.




Apesar das escarpas aluídas e o bar da descida destruído pelo avanço do mar.




E do imponente Hotel Golfinho de cinco estrelas nos anos 90 completamente em ruínas.





segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Fermoso Rio Lis

Fermoso rio Lis, que entre arvoredos
Ides detendo as águas vagarosas,
Até que üas sobre outras, de invejosas,
Ficam cobrindo o vão destes penedos;

Verdes lapas, que ao pé de altos rochedos
Sois morada das Ninfas mais fermosas,
Fontes, árvores, ervas, lírios, rosas,
Em quem esconde Amor tantos segredos;

Se vós, livres de humano sentimento,
Em quem não cabe escolha nem vontade,
Também às leis de Amor guardais respeito.

Como se há-de livrar meu pensamento
De render alma, vida e liberdade,
Se conhece a razão de estar sujeito?

(Francisco Rodrigues Lobo)


Ficam aqui algumas "fermosuras" do Rio Lis que hoje registei junto ao velho/novo Moinho de Papel.


















Vale a pena dar uma volta por ali. E fazer uma visitinha ao Moinho de Papel renovado.

domingo, 8 de setembro de 2013

Ai os piropos!

E se eu encontrasse este jeitoso por aí e lhe dissesse:
«Ó jeitoso, vai um tirinho?»....

Anda meio país a discutir esta cena dos piropos e eu, francamente não entendo porquê. Há dias que não se fala de outra coisa nos jornais, mas eu cá acho o tema tão estéril que não me dei ao trabalho de ler nada. Ou quase nada. Li umas frases de uma daquelas breves crónicas diárias do meu querido Ferreira Fernandes e, como não achei interesse nenhum, passei à frente. Depois é que eu percebi que querem criminalizar o piropo porque o confundem com uma forma de assédio sexual.

Isto só acontece porque as pessoas cada vez sabem menos Português! Ironicamente, andam uns milhares de maduros a lutar contra um – apenas mais um, diga-se – acordo ortográfico por causa de menos uns cês e uns pês e por causa de mais acento ou menos acento com o argumento tremendamente falacioso da «defesa da língua de Camões» – quando grande, grandíssima parte deles nunca leu Camões – sem se preocuparem

  • com a invasão constante dos empréstimos de palavras do inglês norte-americano;

  • nem com a pobreza de linguagem dos nossos jovens que não fazem a mais pálida ideia do que seja «tirar significados» que é uma das melhores formas de ganhar vocabulário;

  • nem com a forma deplorável como os miúdos e os jovens – e muitas adultos que se querem armar em  jovens – escrevem mensagens e falam entre si;

  • nem com o desconhecimento da semântica, ou seja, do(s) significado(s) das palavras.

Ora diz o grande dicionário da língua portuguesa coordenado pelo professor José Pedro Machado que a palavra «piropo» significa galanteio, frase amável ou lisonjeira dirigida a alguém, especialmente a mulheres – muito diferente de palavras como «brejeirice», «grosseria» ou «ordinarice». Isto no âmbito da língua! Porque depois há condicionantes paralinguísticas como o tom, a expressão, a intenção entre outras que são, parece-me, quase impossíveis de quantificar e de provar por forma a criminalizar interações destas. (Eu juro que não estou escrever isto da língua por ser o Dia Mundial da Alfabetização!...)

Eu acho graça a um piropo bem mandado e gabo-me de, em jovem, ter recebido alguns com muita piada de desconhecidos sem que alguma vez me tivesse sentido humilhada e muito menos ameaçada de violência ou de abuso que são situações verdadeiramente deploráveis e completamente diferentes.

E, a propósito, até deixava aqui um desafio – ai, ai, ai que já estou a fazer concorrência ao Rui da Bica, ao Carlos e à Teté!... Seria então enviarem-me uma mensagem para aqui com o melhor piropo que ouvirem ou disseram e, se quiserem, de forma breve, a circunstância em que tal aconteceu. 

Depois eu faria a seleção e poria à votação para apurarmos o melhor piropo.

Que dizem? Alinham? Se assim o entenderem, receberei os vossos piropos até 15 de Setembro que é o próximo domingo. Depois informarei das restantes datas.

Vá lá! Deixem de se mostrar tímidos e venham de lá esses piropos!