sábado, 7 de setembro de 2013

A Gaiola Dourada


Devia ser a única pessoa das minhas amizades que ainda não tinha ido ver o filme do momento. Não estava com muita vontade, não. Por uma questão de autoproteção. Quando passou aquela série «Conta-me como foi» na RTP1 – bastante bem conseguida, diga-se – vi poucos episódios, o mesmo acontecendo com a série «E depois do adeus». Tenho alguma dificuldade em, de alguma forma, ver-me e ao povo de onde provenho ao espelho – às vezes com inverdades, mas sobretudo com a nossa forma de ser, com os nossos defeitos, as nossas fragilidades sem que para isso haja uma explicação, um conhecimento sociológico, psicológico da evolução da história dessa nossa maneira de ser. Tenho medo de ver o povo a que pertenço (sem nunca, em qualquer situação, ter dito nem dizer como oiço a muito boa gente: «tenho vergonha de ser portugês/a») metido a ridículo ou tratado de forma falaciosa.

Bom mas depois de ouvir dizer que era um filme bem-disposto e que nos arrancava algumas boas gargalhadas, hoje lá me decidi, até porque gosto muito do modo de representar da Rita Blanco já desde o tempo em que ela, muito nova ainda, trabalhava com o extraordinário Herman José.

No final da primeira parte estava a gostar do filme e, tirando alguns pequenos exageros, estava de facto a ser divertido. Mas quando chegámos ao clímax da história, a cena do jantar de noivado, dá-se o ponto de viragem e de filme pró-comédia passa-se ao filme pró-comédia romântica em que são explanados sentimentos e símbolos portugueses muito bem “metidos” como por exemplo a cena do fado – que começou por me contrariar bastante, mas cuja intenção entendi ainda antes de a canção ter chegado ao fim – a beleza verdadeiramente impressionante e de enorme impacto do Douro e, no fim, o aparecimento do jogador Pauleta. (Por mim, só retiraria a força com que aquele fado fascizante «Uma Casa Portuguesa» foi apresentado; mas isso sou eu que não gosto mesmo daquela canção.)

Trata-se de um filme cujo propósito é muito mais para nos roubar uma ou duas lagrimas do que para as tais boas gargalhadas.

Atrevo-me a dizer que este filme foi feito ao estilo dos últimos filmes de Woody Allen  sobre Paris e Roma.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Laranjas

Foi este o estado de euforia em que ficaram laranjas como Fernando Seara e Luís Filipe Menezes quando souberam que o Tribunal Constitucional lhes garantiu luz verde para concorrerem às autárquicas nas cidades grandes...



Que desconcerto!

Ontem à noite choveu e trovejou com força....



... mas hoje a manhã acordou cheia de sol e de calor!




Quem se entende com estes desconcertos?! Em termos de desconcertos pior mesmo só o "nosso" "governo"...


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Quem o viu e quem o vê

Tinha o nome de Grande Hotel. Era o Grande Hotel Lis. Ali mesmo no coração da cidade. Antigo. Não é do século passado (eu é que sou...); já é do outro século atrás!






Quando vim viver para Leiria, em Outubro de 74, e em muitos anos que se seguiram, diariamente lhe passava à frente, colocada que fui na velha Escola Preparatória D. Dinis que se situava na mesma rua do hotel. 




Como gostava - com o meu quê de voyeurismo - de espreitar pela grandes janelas do rés-do-chão os hóspedes que ali tomavam o pequeno-almoço! E lembro-me ainda de ter lá estado em reuniões e encontros partidários. 

Com a sua construção antiquada, transmitia uma ambiência azulada, que nos transportava para os romances de Eça. Atraía-me.

Anos mais tarde, fechou. Taparam tudo. Aferrolharam as portadas das janelas. Mas com o tempo foi-se degradando: as janelas abriram-se deixando os cortinados esvoaçar para fora. Uma tristeza!

Ouviu-se falar na sua requalificação. Em 2010, sofreu um incêndio. Depois, um senhor muito rico do meio construiu, por trás do hotel, a sua mansão de cidade. Não sei se os restos mortais do velho hotel lhe retiravam a vista, mas atualmente o que resta do Grande hotel Lis é isto.




E que mal fica ali mesmo no centro da cidade!





terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tão baixo, tão baixo...

Quem não se lembra das anedotas de tão … tão?

«Era uma beata tão beata, tão beata que passou um homem e fumou-a!»

«Ela era tão magra, tão magra que engoliu uma azeitona e parecia estar grávida!»

«Ela era tão magra, tão magra que passava pelo meio dos pingos da chuva!»

Hoje lembrei-me destas tolices ao ouvir e ler as luminárias que o “nosso” primeiro-ministro lançou pela boca fora no encerramento da “universidade” de verão do seu iluminado partido. (Nem me falem no ridículo de chamarem universidade às reuniões que os partidos fazem no fim do verão em que uns tantos meninos jotinhas se inscrevem para serem vistos por quem os possa chamar para lugares que lhes assegurem a vidinha.)

E perguntam-me vocês o que terão as bacoradas que o senhor pm (com letra pequena!) largou boca fora a ver com as piadas de tão…tão? Bom, eu explico: é que o senhor pm não fez mais nada senão tropeçar nas palavras e nas frases que usou. E aí lembrei-me da piada que falava daquela anã que era tão baixinha, tão baixinha que tropeçava no cordão do tampax…

Pois o senhor pm não é baixinho (embora seja pequenino) nem usa tampax, mas realmente tropeçou nas palavras, nas frases, nas ideias que lançou ao acusar os juízes do Tribunal Constitucional de «falta do bom senso» (já sabem como eu odeio a expressão bom senso, mas não é por aí que….) e por arrasto, sem se dar conta disso, acusou o presidente da mesma falta de bom senso…

Não contente com isto, ainda largou aquela outra pérola que toda a gente já referiu e que foi: «O que é que a Constituição fez pelos 900 mil desempregados?» Que tropeção! Pior, bem pior do que a pobre anã que todos os meses tropeçava no cordãozito do tampão…

Não vou gastar palavras a comentar esta incomensurabilidade porque já toda a gente o fez; posso no entanto sugerir um desses comentários que achei muito bom.

Não posso porém deixar de dizer que, face a estes tropeções e a estas trapalhadas antidemocráticas, anticonstitucionais, baixas, boçais e torpes, em qualquer país civilizado – que não é o caso do nosso, infelizmente – este pm seria forçado pelas instituições a demitir-se.



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A Praia da Samarra



Foi bem nos inícios de 1960 que a nossa amiga TZ disse à minha mãe – que era uma grande amante de praia – que deveria gostar de conhecer a Praia da Samarra, uma prainha ótima ali no concelho de São João das Lampas.

E aí vai a minha mãe convencer o meu pai – que detestava praia e quando lá ia era só para nos levar e descia à areia de sapatos, fato e gravata – a levar-nos ali a São João das Lampas para irmos conhecer a dita praia.

Lá nos metemos todos não sei se no Volkswagen, se no Dauphine com destino à “saloiada”. Nunca percebi como cabíamos todos nos carros que o meu pai foi tendo! E todos eram os meus pais, eu, o meu primo-irmão que vivia connosco e sempre, mas sempre, mais um ou dois amiguinhos da casa.

Chegados a São João, toca de procurar o caminho para a Samarra. Que achámos por orientação da TZ. O primeiro sinal de que as coisas não iam correr bem foi o facto de o dito caminho terminar um bom bocado longe da praia. Mas pior foi ver que o acesso à mesma era feito por montes e pedregulhos.

Cheios de boa vontade de passar um bom bocado à beira-mar, lá nos metemos por caminhos exíguos aos altos bem pedregosos e baixos bem poeirentos para chegarmos lá abaixo. Claro que o meu pai ficou lá em cima muito sossegado!

Mas o melhor, o mais inesperado, o mais pitoresco, o mais divertido, foi o cenário com que nos deparámos: uma quantidade de homens de ceroulas arregaçadas e de mulheres em combinação com a água a dar-lhes pelos joelhos a lavarem-se com sabão e tudo!

Eu teria, à época, os meus doze anos, mas nunca mais me esqueci daquela nossa ida à Praia da Samarra. Nunca mais lá voltámos, mas ríamos a bom rir de cada vez que recordávamos aquela experiência.

Este fim de semana fomos a Sintra visitar uns amigos e pensei em aproveitar a viagem para passarmos por São João das Lampas para ver se dava para revisitar a Samarra. E lá fomos.

Não encontrámos pessoas a lavarem-se no mar – mal fora! – mas o acesso continua a fazer-se por caminhos e pedregulhos. Se bem que esteja agora a ser feita uma estrada de cimento com locais para deixar os carros e tudo. 


Pessoas que se dirigiam à praia no passado sábado:




A praia e os seus pedregulhos

Deixo aqui uma fotografia de 1963 da praia que encontrei na net e de que vão gostar.

A "piquena" na foto não sou eu, juro!





domingo, 1 de setembro de 2013

Setembro

Chegou Setembro e tristemente os dias estão a ficar mais curtos. Há já árvores que começam e vestir-se de vermelho escuro e de castanho dourado.

É tempo de ouvir e de cantar a lindíssima September Song.



Mas aproveitem os últimos tempos de Verão! Ainda é Summertime!




Boa semana!