sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Por Lisboa e arredores...

Ontem foi almoçar aqui...


Dormir aqui...


Beber um «chat» aqui...



Hoje foi mais modernismo.

Almada

Sarah Afonso

Amadeo Souza Cardoso
Amanhã, logo se vê...

Bom fim de semana a todos!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Cortes e mais cortes!



Esta vai ser a nossa figurinha à procura do dinheiro da nossa reforma a partir do próximo  mês de Janeiro depois de levar mais um corte sabe-se lá de quanto!


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Já fui muito feliz aqui!







Faz já 47 anos. Foi hoje, dia 6 de Agosto, que nos conhecemos ali, na praia da Ericeira.

Vejam a relíquia! (peço desculpa do estado da fotografia que encontrei cheia de humidade, Há fotografias da fuga da Família Real para o exílio que se deu naquela Praia dos Pescadores em muito melhor estado...)








Qualquer semelhança com a realidade (parece) mera coincidência... Mas é realmente a mesma realidade 47 anos depois...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O fascismo a bater-nos à porta


Corre pelo Facebook – abençoada janela aberta onde as vizinhas conversam de janela para janela como se costumava e eu vi fazer-se lá na minha terra, Algés, nos longos idos de 50 – e decerto muitos dos meus amigos já se deliciaram a ler, mas não resisto a passar aqui algumas partes deste extraordinário texto que saiu no DN do sábado passado.

Nem sempre leio os textos do provedor do leitor – o jornalista Óscar Mascarenhas – por demasiado longos, mas este realmente não me passou pelo apelativo e por de mais direto título «Poiares Maduro e Lomba sãotão-somente o fascismo a bater-nos ao de leve à porta».
Se não leram ainda, deem uma vista de olhos que merece a pena.

«Aldrabões. Não faço por menos. Mandam as artes e manhas dos artigos de opinião que não se diga logo ao que vem o autor, para manter o leitor agarrado ao prazer do texto. Mas desta vez, iconoclasta como me quero, finto as regras e vou direto ao assunto: os senhores (professores doutores ou doutorandos e mais o que desejarem ser no currículo e na mercearia do bairro) Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, nos poucos dias que levam de governo, já deram provas de terem sido aldrabões. Não digo que o sejam, que não sou tão pateta e desajeitado que abra um alçapão legal sob os meus próprios pés perante juristas assim ditos tão eminentes: afirmo que o foram. Episódica e admito que corrigivelmente.

E vou mais longe: nos poucos dias em que estes governantes exerceram o poder, o fascismo deu um passo em frente. Nem lhes vou dizer que limpem as mãos à parede, porque podem espalhar a peste, a cólera e a tinha. Lavem-nas, com sabão azul e branco e, de caminho - vão ao banho! (...)

Vejamos quem são estes figurões de que falo - e o leitor trace a opinião sobre o civismo, carácter, ou o que lhe aprouver deles. Miguel Poiares Maduro, ministro, colega de sala de um tal irrevogável Paulo Portas, que preferiu trocar a sua reputação pela salvação da pátria, numa espécie de martírio de Santa Maria Goreti mas ao contrário, no corpinho frágil de São Domingos Sávio que se finou aos quinze anitos. (Este mostra-se mais resistente, sinal de que o Senhor hesita em chamá-lo para junto de si, transferindo o ónus para a tolerante e inexcedível bondade de Cavaco Silva, sempre bem aconselhado pela sua nunca por demais citada esposa, não eleita pelo voto mas calculo que pelo coração de uma cabina telefónica cheia de portugueses, pelo menos!) Paz às almas! Miguel Poiares Maduro, igualmente colega de carteira de um tal Chancerelle Machete que, de ainda mais maduro, se atascou na podridão, ipsis verbis, de uma coisa que dá pelas siglas de SLN e BPN e o qual, diz o WikiLeaks, tem uma reputação tão elevada junto dos americanos que, quando eles quiserem fazer qualquer negócio em Portugal, não duvidarão em consultar certo escritório de advogados porque, como dizem os ianques naquela língua-de-trapos, every man has his price e... money is no problem. Gostaria patrioticamente de estar enganado, mas, em diplomacia, o que parece... é o que diz o WikiLeaks. O outro: Pedro Lomba, colega de Agostinho Branquinho, a criatura que não sabia o que era a Ongoing e teve de ter emprego na Ongoing para perceber o que é a Ongoing. E ser colega de tal figura é coisa para se trazer ao peito, com orgulho, como um broche de bom latão.

Os dois, Poiares Lomba e Pedro Maduro, são herdeiros - com pouco jeito - de Miguel Relvas, que, com muito menos estudos do que eles, lhes deu lições de como fazer política nestes tempos.

Pois os colegas de Portas, Machete e Branquinho - e aprendizes de Relvas - deram-se à missão de gerir a informação ao povo, através dos jornalistas, prometendo briefings diários que duraram dois dias e que retomaram agora, com a honradez da palavra que os caracteriza, em encontros diários duas vezes por semana, não sei se o leitor entende. (...)

Aqui é que estes grandes educadores dos jornalistas aldrabaram. Começaram por dizer - ponho no plural porque tão aldrabão foi o secretário de Estado que disse, como o ministro que mandou dizer ou, pelo menos, não o desautorizou - que os briefings com os jornalistas seriam umas vezes em on - isto é, podia dizer-se quem disse o quê - outras vezes em off (que na sabedoria analfabeta do secretário de Estado e do ministro não sei de quê nem interessa se convertia numa figura nova em que suas excelências expenderiam umas quantas patacoadas espremidas dos seus notáveis bestuntos e os jornalistas papagueá-las-iam, mas sem dizer quem esvurmou tais pústulas de sabedoria). E disseram, ex cathedra, que era assim que se fazia em Inglaterra. Aldrabaram. (Vês, Pedro Tadeu, que há uma palavra ainda mais forte do que "mentiram"? Quando a falta à verdade é rasca e torpe, a palavra é "aldrabice".) Os briefings em Inglaterra são sempre atribuídos ao PMS (Prime Minister Spokesperson), isto é, ao porta-voz oficial do primeiro-ministro, pessoa conhecida e identificada - e as respostas são sempre factuais, nada de divagações onanistas de ministros ou secretários de Estado fala-barato armados em palestrantes.

E, com esta aldrabice, intrujaram: no segundo dia de briefing, levaram uma conceituada jornalista da rádio a reproduzir todos os vómitos e regurgitações opinativas do ministro ou do secretário de Estado, atribuindo-os sempre a "fonte do Governo". Intrujaram a jornalista, que, eventualmente, por temor reverencial ou mau conselho, se esqueceu dos seu dever deontológico de não reproduzir comentários sem identificar a autoria. (...)

Mas não se fica por aqui a impertinência e a incivilidade destes dois cavalheiros: mais recentemente, o ministro Maduro esticou-se nas pontas do pés, esganiçou--se e verberou jornalistas sobre as perguntas que deveriam ou não fazer!

Mas quem é ele?

E, pior do que isso, porque é que não houve nenhum jornalista presente que dissesse a Sua Impertinência que lhe cabe responder ou não às perguntas dos Senhores Jornalistas (com maiúsculas, perante tão vulgar e efémero ministro) e não dizer-lhes o que devem ou não perguntar?

Aviso solene aos jornalistas do Diário de Notícias - e estou seguro de ser levado a sério: manda o nosso Código Deontológico, no seu ponto 3, que "o jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos."

Venham os Poiares Pedros ou os Lombas Maduros que vierem, jornalista do DN que se acobarde perante este fascismo com pés de lã, pode ter a certeza, à fé de quem sou, que fica com o nome num pelourinho de cobardolas que prometo expor aos leitores. Porque é dos direitos dos leitores que estamos a falar. Enquanto estiver nesta casa e nela tiver voz, o fascismo não entra de esguelha.

Estamos a viver tempos perigosos. Em Espanha, o alegado recebedor por baixo da mesa Mariano Rajoy proíbe que se fotografe, que se grave, não sei mais quê. Em Itália, é o que sabe do império Berlusconi (ou é Burlesconi?). Na Grécia, silencia-se a televisão e mesmo com ordens do tribunal não se reabre.

O fascismo anda por aí. É bem visível no ovo da serpente.

Já não há a Europa da liberdade: somos governados por filhos de Putin.

Inúmeros filhos de Putin.

Cabazes de filhos de Putin.

Em Portugal, os devotos de Putin, discípulos de Miguel Relvas, condiscípulos de Agostinho Branquinho e quejandos chamam-se, entre outros, Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, lamentáveis expoentes de um passado que parecia inconformista e rebelde, transformados num estalar de dedos em esbirros da política da mordaça, assim que os convidaram a sentar-se num mocho cambaio a metro e meio da mesa do orçamento com direito a côdea bolorenta.(...)»



domingo, 4 de agosto de 2013

Tarde cultural

Não estava nada combinado, mas com as filhas e os respetivos rebentos todos partidos para as férias de praia e sem mais nada de útil para fazer, lá nos abalámos até à Casa Museu João Soares, aqui nas Cortes, para visitarmos a exposição “Viagem de Cosme III de Médicis a Portugal no ano de 1669”. O Grão Duque da Toscana incluiu no seu séquito o arquiteto Pier Maria Baldi que pintou mais de trinta aguarelas das cidades, vilas e aldeias portuguesas por que foram passando desde Campo Maior até Caminha, no seu caminho para Santiago de Compostela. A exposição compõe-se de excelentes cópias das aguarelas originais e respetivos textos e de imagens daquelas povoações na atualidade. Muito interessante de ver e tudo muito bem apresentado.

Lisboa

Coimbra
Porto
Santarém
Viana do Castelo



Às sete da tarde tínhamos a inauguração de mais uma exposição da nossa amiga Clotilde Fava, esta na sala de exposições do Museu do Vidro na Marinha Grande. Chegámos lá um pouco cedo e resolvemos ir dar uma vista de olhos ao recém-reaberto edifício, o Palácio Stephens, e a senhora que estava na receção convidou-nos simpaticamente a entrar e visitar o museu apesar de já estar fora das horas da visita. Foi um imprevisto muito bem aproveitado porque, para além da exposição de tantos objetos em vidro que foram, ao longo dos tempos, feitos e industrializados naquela fábrica, dos texto explicativos, fotografias e artefactos utilizados na manufatura do vidro, pudemos visitar o belo palácio, com as suas grandes salas, os seus tetos maravilhosos, a azulejaria das paredes, o belo e forte madeiramento da construção, tudo muito bem recuperado e muito bem tratado.


















E, por fim, lá atravessámos numa corrida o espaço de acesso à sala de exposições onde já se encontrava uma quantidade de gente para a inauguração da exposição de pintura e escultura “Hermafroditas com Pedras” da Clotilde e do Abílio Febra, meus ex-colegas ambos.





Harpa esculpida em vidro

Foi ou não uma tarde verdadeiramente cultural?!

sábado, 3 de agosto de 2013

Poema para quem viveu em Luanda - Angola

Para os meus amigos ou visitantes que tenham vivido em Luanda, hoje deixo um poema a eles dedicado.



"Nasci branco de segunda
Calcinhas ou kaluanda
Nasci com os pés no mar
... em São Paulo de Loanda

Brinquei de pé descalço
Em poças de águas castanhas
Tive lagartas da caça
Não escapei às matacanhas

Comi manga sape-sape
Fruta-pinha tamarindo
Mamão a gente roubava
No quintal do velho Zindo

Pirolito que pega nos dentes
Baleizão, paracuca
E carrinhos de rolamentos
Numa corrida maluca

Tinha o Gelo, tinha a Biker
Miramar e Colonial
O Ferrovia, o Marítimo
Chás dançantes no Tropical

O N'Gola era só ritmo
O Liceu uma lenda
Kimuezo e Teta Lando
E os Ases do Prenda

Havia velhas que fumavam
E velhos com ar de sábio
Enquanto novas músicas
Se insinuavam na rádio


(Tela de Clotilde Fava)


"E a cidade é linda
É de bem-querer
A minha cidade é linda
Hei-de amá-la até morrer"

Quem não estudou no Salvador?
Quem não se lembra do Videira?
E das garinas de bata branca
Nossas colegas de carteira?

Depois havia o Kinaxixe
Futebol era nos Coqueiros
Havia praias, um mar quente
Savanas imensas, imbondeiros

E havia o som do vento
O cheiro da terra molhada
As chuvas arrasadoras
O fogo das queimadas

E havia todos os loucos
Do progresso e da guerra
A Joana Maluca, o Gasparito
A desgraça daquela terra

Nasci branco de segunda
Calcinha ou kaluanda
Nasci com os pés no mar
Em São Paulo de Loanda"

(Nicolau Santos, um kaluanda)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O bom senso

Sabe quem me conhece bem que eu sou – sempre fui – esquisita. Esquisita com o comer; esquisita com o aspeto das coisas; esquisita com a forma de fazer as camas; esquisita com as amizades; esquisita com os gostos em geral. Lembro-me de, jovem adolescente e mesmo jovem adulta, detestar (quase) tudo e (quase) todos e de a minha mãe, que tinha uma forma de ser bem austera, me chegar a proibir de usar o verbo «detestar»… Lembro-me de um colega/amigo com quem há anos trabalhei e bem lá na direção da “minha” escola diariamente durante dois anos (e que depois se “passou” para a “oposição” mas que, apesar de tudo, nunca detestei…) me perguntar um dia em tom de brincadeira: «Mas haverá alguém do teu partido que tu não detestes?!»

Vem todo este introito ao caso para dizer que sou bem esquisita também com as palavras e com as expressões que ouço e que uso. Claro que somos todos assim e que a psicolinguística achará explicação para estas nossas preferências ou embirrações na escolha dos imensos e variados vocábulos que temos à nossa disposição para usarmos.

Ora uma das expressões com que eu mais embirro e que detesto ouvir ou ler é o “bom senso”. Para mim, o “bom senso” não existe. Existe a sensatez, a prudência, o senso até, mas nunca o “bom senso”. Primeiro porque se trata de uma redundância e depois porque todo o conceito que vem acompanhado pelos adjetivos “bom” ou “mau” já vem absolutamente carregado de juízos de valor da pessoa que o profere pelo que não tem qualquer valor preciso. E, a partir das minhas “análises de conteúdo” caseiras, tenho concluído que quem mais utiliza esta expressão (e desde já peço desculpa se vou suscetibilizar alguém) são, entre outras, as pessoas ligadas à direita, à igreja, os “escuteirinhos” de Massamá e quejandos, ou seja, quem se sente na obrigação de se mostrar muito bonzinho e, claro está, quem sofre de manifesta falta de vocabulário.

Agora imaginem a cara com que fiquei quando hoje fui ler a crónica das 6ªs feiras da Fernanda Câncio, que até uma mocinha que eu gosto bastante de ler, e me deparo logo a abrir com a minha mal-amada expressão. Depois, incrédula, lá retrocedi, voltei a ler e concluí que se tratava de uma citação. E sabem retirada de onde? Do acórdão da Relação do Porto! É verdade! Mal está a coisa quando juízes, que deveriam ser o mais objetivos possível e deter-se o mais próximo possível da(s) lei(s), também apelam (espero que não por falta de vocabulário…) para o dito “bom senso”, conceito moralista, impreciso, polissémico até mais não, mais maleável e escorregadio do que uma enguia viva, a fim de dar razão ao homenzinho que estava trabalhar podre de bêbado. Salazar (infelizmente) cada vez mais na moda: «Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses!»



(A propósito da questão que motivou este triste acórdão lembrei-me de uma brincadeira que se contava acerca de um presidente de uma qualquer sociedade recreativa que terminou um dos seus discursos em noite de festa  da seguinte maneira: «Cômamos e bêbamos para que esta coletividade próspere!»…)