sexta-feira, 20 de maio de 2011

Convite





Importante e merecida esta inicitaiva de homenagear o Dr Tomás Oliveira Dias, ilustre leiriense e impoluto cidadão que se distinguiu na defesa dos seus ideais democráticos desde antes da Revolução de Abril.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Flores da minha rua



Glória

Depois do Inverno, morte figurada,
A primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.

(Miguel Torga)



















quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cheira-lhes a p...oder...




(Imagem retirada da Net)

Há quantos anos não se ouvia falar do Fernando Nogueira (antigo Ministro de Cavaco) que nos idos anos de 90 se demitiu da presidência do PSD e depois lá arranjou um “tacho” no conselho de administração do Millenium-BCP de Angola?

Há quantos anos não se ouvia falar de Couto dos Santos que, depois de ter sido Ministro Adjunto (de Cavaco) e dos Assuntos Parlamentares e da Juventude e até da Educação – quem é que neste país ainda não foi ME?! – arranjado à pressa depois do desastre Diamantino Durão – tendo passado a pasta a Manuela Ferreira Leite (a durona...)?

Pois aparecem agora, pesos-pesados, para apoiarem o neófito, ainda levezinho (de ideias, diga-se) na escalada para o poder. Isto para o caso de não bastarem as subliminares e sub-reptícias invectivas que o PR (Cavaco, de novo) manda ao povo pelo Facebook (que ridículo!) dizendo que só dá posse a um governo apoiado por uma maioria alargada e forte e maioritária. (Só falta acrescentar de direita.)

Mas, pasmem agora, ó Portugueses, com a última notícia: Dias Loureiro aconselha e apoia a direcção do PSD. Isto é um verdadeiro regabofe, neste país! É o vale tudo e o salve-se quem puder e com as armas que tiver. E o Zé-Povo tudo aceita, tudo acata, tudo engole!

Imagine-se se o Presidente Obama se pusesse a ouvir os conselhos de Madoff! O que lhe aconteceria? Como reagiriam os americanos? E nós, que tanto gostamos de receber e de imitar tudo o que é made in USA, não aprendemos nada com o seu sentido de justiça e o seu respectivo cumprimento ainda que o comentador de serviço da SIC, Miguel Sousa Tavares, referindo-se ao tratamento dado pelos guardas norte americanos a Dominique Strauss-Kahn, tivesse ontem afirmado, naquele seu tom absolutamente brusco e irreverente que bem lhe conhecemos, que os procedimentos da justiça americana são ainda os do tempo do velho Far West.

Pois é. É que não é só a nossa justiça que está obsoleta e entorpecida. São as nossas mentes. É uma pena.


terça-feira, 17 de maio de 2011

Coisas de gatos


Ontem, ao princípio da noite, e depois de um dia de intenso calor, abateu-se sobre as nossas casas um imenso temporal. Ainda havia um clamor de luz no lado leste do céu, mas do mar cresciam nuvens cinzento-chumbo num redondo debruado por aquela luz branca crepuscular. Os relâmpagos iluminavam-se ao longe e ouvia-se cada vez mais próximo o ribombar dos trovões. Em círculos levantou-se um vento morno que fez rodopiar as folhas da oliveira e da nespereira no chão ao qual se começaram, aos poucos, a juntar grossos pingos de chuva que, calculei, em pouco tempo se transformariam em cordas de água.

Sozinha em casa e atormentados que andamos com as constantes notícias de inesperados e inusitados tornados, tempestades e tremores de terra, tratei de fechar janelas e estores e de chamar os meus gatos para casa.

- Bichinhos! Bichinhos! Bch! Bch! Bch! Bch!

O primeiro a correr para casa foi o Socas, grande e anafado, a abanar o traseiro para compensar a falta de cauda que lhe foi cortada depois de uma noite de farra. Machos! Delas, da Rita e da Branquinha, nem sombra de fuga da chuva que engrossava.


(Socas, sempre muito descansado)


Depois de muito chamar na porta de entrada e na porta de trás, lá apareceu a Ritinha, a mais velha e mais manhosa dos três, miando, exigindo o meu colo rapidamente. Mas da Branquinha, nem sinal!

Sei que ela gosta de passar muito do seu tempo de gata mimada no frondoso quintalão de uma vivenda em frente da minha casa, local onde foi abandonada ainda bebé. Por isso, (re)chamei-a pela porta da frente. Mas nada!

Aí, para meu grande espanto, o meu Soquinhas – que adora estar em casa deitadinho e bem confortável – saiu porta fora, tão lesto quanto tinha entrado, dirigindo-se determinado para a esquerda. Passados alguns minutos, regressava, encharcado com a Branquinha, não menos encharcada, atrás dele.

Os animais – neste caso os gatos – são assim uma coisa espantosa! E, a propósito, lembro a frase a Théophile Gautier sobre os gatos: «Quem não acredita que por detrás daqueles olhos cintilantes não há uma alma?»


(Branquinha, muito senhora da casa)


(A Rita, a mais velha e mais exigente)



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Lavadeira de Caneças...



Um dia destes tive de lavar uns sacos de praia e apeteceu-me lavá-los à mão no tanque de cimento que ainda guardo desde o tempo em que me casei. Sempre me deu algum prazer lavar roupa no tanque, com muita água, com bacias cheias de água à volta para enxaguar as peças de várias cores e tecidos.

Foi um hábito que me ficou de muito pequena. Como imaginam, não havia máquina de lavar roupa lá em casa da minha avó, em Algés, no início dos idos anos 50; havia um tanque de cimento na marquise da cozinha e bacias de zinco e de esmalte. Não havia detergentes, a roupa lavava-se com sabão azul e branco que cheirava muito bem e as nódoas tiravam-se com lixívia. A Sr.ª Arminda vinha uma ou duas vezes por semana lavar a roupa mais pesada, como lençóis, toalhas turcas e os fatos macacos do meu avô e do meu tio que eram tecelões numa grande fábrica de têxteis e deixava-me “ajudá-la” com as peças mais pequenas. Era uma festa para mim, (re)mexer na água, esfregar as toalhas pequenas entre os punhos tal como ela faia, ir com a Sr.ª Arminda enxaguar os lençóis na enorme banheira de esmalte branco que havia na casa de banho. Entretanto ficava toda molhada pés, braços, bibe, tudo e era uma festa!

Quando as filhas nasceram e que ainda não se usavam fraldas descartáveis nem a empregada era a tempo inteiro, muito jeito me deu saber dar as devidas voltas à roupa para lavar. Foi desse tempo a compra do referido tanque onde, num instantinho, entre a chegada das aulas e a preparação das do dia seguinte – tantas vezes com as meninas no colo – ia ao tanque preparar as fraldas para pôr na máquina, ou mesmo para lavar umas pecinhas mais delicadas das bebés.

Este “prazer” reminescente foi-se mantendo e até arranjei uma pequenino tanque de cimento onde a minha filha mais nova costumava brincar comigo também à lavagem da roupa. Ora, num desses dias de bom tempo como faz desde cedo no ano cá em Leiria, em que estávamos nos preparativos para o tratamento da imensa roupa que se junta para lavar numa casa com duas crianças, eu terei desabafado em voz alta: “Bolas! De certeza que na outra encarnação fui lavadeira de Caneças !” O meu sobrinho “cenourinha” mais velho – que era um doce! – e que andava sempre por aqui a brincar com as primas, perguntou acto contínuo: “Ó tia, foi?!”

Agora vejam a cara que eu fiz, no dia em que o meu próprio marido, me quis tirar uma fotografia a lavar no tanque para mais tarde mostrar às filhas...


(Maio/76)

domingo, 15 de maio de 2011

A pressão dos mercados






            A pressão dos mercados

Emprestem-me palavras para o poema ou dêem-me
sílabas a crédito para que as ponha a render
no mercado. Mas sobem-me a cotação da metáfora,
para que me limite a imagens simples, as mais
baratas, as que ninguém quer: uma flor? Um perfume
do campo? Aquelas ondas que rebentam, umas
atrás das outras, sem pedir juros a quem as vê?

É que as palavras estão caras. Folheio dicionários
em busca de palavras pequenas, as que custem
menos a pagar, para que não exijam reembolsos
se as meter, ao desbarato, no fim do verso. O
problema é que as rimas me irão custar o dobro,
e por muito que corra os mercados o que me
propõem está acima das minhas posses, sem recobro.

E quando me vierem pedir o que tenho de pagar,
a quantos por cento o terei de dar? Abro a carteira,
esvazio os bolsos, vou às contas, e tudo vazio: símbolos,
a zero; alegorias, esgotadas; metáforas, nem uma.
A quem recorrer? Que fundo de emergência poética
me irá salvar? Então, no fim, resta-me uma sílaba – o ar-
ao menos com ela ninguém me impedirá de respirar.

Nuno Júdice (in Jornal de Letras)

Lamentavelmente!

(Banquete dos deuses)

Sabem bem os professores que para a pseudo-eleição dos directores das escolas e agrupamentos a legislação (DL 75/2008) previa a elaboração, por parte dos candidatos, de uma projecto de intervenção para os quatro anos de mandato. Mais um documento para ficar arquivado lá nas estantes – ou nas caixas de CD, ou nas pen-drive para ser mais moderna – como acontece com os projectos educativos, os projectos curriculares de escola e de turma e o planos de recuperação e toda essa parafernália que, burocratas como somos, governo após governo nos foram atirando para as escolas.

Como o que interessa neste país são as palavras e as frases bonitas que componham textos também muito bonitos mesmo que depois na acção nada corresponda ao que se escreveu, o plano de intervenção do actual mandante lá da “minha” escola/agrupamento foi elaborado de acordo com todas as mais bonitas normas da teoria do projecto que se podem ler em qualquer bom manual.

Numa (balofa) intenção de “implementar uma cultura de colaboração” no agrupamento e com o objectivo de “construir um projecto de mudança que [lá] introduza melhorias profundas” um dos cinco domínios do dito projecto era precisamente o “Bem-estar dos alunos e o controlo da indisciplina”.

Lembra-se quem leu a megalómana entrevista que aquele director deu ao Jornal de Leiria logo após a sua tomada de posse que ali foi dito e escrito para quem quisesse ler que « A indisciplina no Agrupamento de Escolas D. Dinis, em Leiria, é encarada como um “problema grave” pelo novo director», que «acredita que é possível solucionar o problema através do envolvimento de toda a comunidade educativa.» « Consciente que o controlo da indisciplina é um facto preventivo do insucesso, desmotivação e abandono escolar e, a longo prazo, da delinquência e da exclusão social» o director «propõe formar uma equipa de supervisão da disciplina para acompanhar problemas específicos nas escolas do agrupamento, apoiar os professores com crianças difíceis e dar formação no domínio do controlo da disciplina.» « O novo director da D. Dinis considera que a prevenção da indisciplina passa pela adopção de regras contempladas no projecto curricular de cada turma, realização de assembleias de turma, balanços periódicos e assembleias de delegados de alunos. O projecto de intervenção prevê ainda um sistema de controlo das “ocorrências”. Os casos mais graves serão encaminhados para o director ...» e « compromete-se a apoiar os professores no controlo da indisciplina, de modo a torná-los mais disponíveis para o processo de ensino-aprendizagem e incentivar o trabalho de equipa, a valorização profissional, o espírito de iniciativa e de abertura à mudança.» (in Jornal de Leiria de 1 de Abril de 2010) Belas palavras de quem parecia que tinha descoberto a pólvora ou de quem nunca tinha estado naquele agrupamento de escolas...

Mas, lamentavelmente, passado mais de um ano de actuação desta direcção, seguindo, sem dúvida (!) à recta o definido no projecto de intervenção que tanto encantou os representantes dos pais com assento no “colégio eleitoral” que foi o conselho geral transitório, são os pais (já para não falar dos professores) quem mais por aí se queixa do aumento da indisciplina na escola. E dizem mais: que os alunos indisciplinados vão ao gabinete da direcção e nada lhes acontece... que irem lá ou não irem é exactamente a mesma coisa... que os processos disciplinares são levantados e as medidas são aplicadas tardiamente... que os professores já nem mandam lá os alunos que se comportam mal nas aulas porque são reorientados para os mesmos professores ou para os directores de turma. Onde está a tão apregoada liderança?

Ouve-se falar mal da “minha” escola na rua. Lamentavelmente.