Esta vai ser a nossa figurinha à procura do dinheiro da nossa reforma a partir do próximo mês de Janeiro depois de levar mais um corte sabe-se lá de quanto!
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Já fui muito feliz aqui!
Faz já 47 anos. Foi hoje, dia 6 de Agosto, que nos conhecemos ali, na praia da Ericeira.
Vejam a relíquia! (peço desculpa do estado da fotografia que encontrei cheia de humidade, Há fotografias da fuga da Família Real para o exílio que se deu naquela Praia dos Pescadores em muito melhor estado...)
Qualquer semelhança com a realidade (parece) mera coincidência... Mas é realmente a mesma realidade 47 anos depois...
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
O fascismo a bater-nos à porta
Corre pelo Facebook – abençoada janela
aberta onde as vizinhas conversam de janela para janela como se costumava e eu
vi fazer-se lá na minha terra, Algés, nos longos idos de 50 – e decerto muitos
dos meus amigos já se deliciaram a ler, mas não resisto a passar aqui algumas
partes deste extraordinário texto que saiu no DN do sábado passado.
Nem sempre leio os textos do provedor do leitor – o jornalista Óscar Mascarenhas – por demasiado
longos, mas este realmente não me passou pelo apelativo e por de mais direto
título «Poiares Maduro e Lomba sãotão-somente o fascismo a bater-nos ao de leve à porta».
Se não leram ainda, deem uma
vista de olhos que merece a pena.
«Aldrabões. Não faço por menos.
Mandam as artes e manhas dos artigos de opinião que não se diga logo ao que vem
o autor, para manter o leitor agarrado ao prazer do texto. Mas desta vez,
iconoclasta como me quero, finto as regras e vou direto ao assunto: os senhores
(professores doutores ou doutorandos e mais o que desejarem ser no currículo e
na mercearia do bairro) Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, nos poucos dias
que levam de governo, já deram provas de terem sido aldrabões. Não digo que o
sejam, que não sou tão pateta e desajeitado que abra um alçapão legal sob os
meus próprios pés perante juristas assim ditos tão eminentes: afirmo que o
foram. Episódica e admito que corrigivelmente.
E vou mais longe: nos poucos dias
em que estes governantes exerceram o poder, o fascismo deu um passo em frente.
Nem lhes vou dizer que limpem as mãos à parede, porque podem espalhar a peste,
a cólera e a tinha. Lavem-nas, com sabão azul e branco e, de caminho - vão ao
banho! (...)
Vejamos quem são estes figurões
de que falo - e o leitor trace a opinião sobre o civismo, carácter, ou o que
lhe aprouver deles. Miguel Poiares Maduro, ministro, colega de sala de um tal
irrevogável Paulo Portas, que preferiu trocar a sua reputação pela salvação da
pátria, numa espécie de martírio de Santa Maria Goreti mas ao contrário, no
corpinho frágil de São Domingos Sávio que se finou aos quinze anitos. (Este
mostra-se mais resistente, sinal de que o Senhor hesita em chamá-lo para junto
de si, transferindo o ónus para a tolerante e inexcedível bondade de Cavaco
Silva, sempre bem aconselhado pela sua nunca por demais citada esposa, não
eleita pelo voto mas calculo que pelo coração de uma cabina telefónica cheia de
portugueses, pelo menos!) Paz às almas! Miguel Poiares Maduro, igualmente
colega de carteira de um tal Chancerelle Machete que, de ainda mais maduro, se
atascou na podridão, ipsis verbis, de uma coisa que dá pelas siglas de SLN e
BPN e o qual, diz o WikiLeaks, tem uma reputação tão elevada junto dos
americanos que, quando eles quiserem fazer qualquer negócio em Portugal, não
duvidarão em consultar certo escritório de advogados porque, como dizem os
ianques naquela língua-de-trapos, every man has his price e... money is no
problem. Gostaria patrioticamente de estar enganado, mas, em diplomacia, o que
parece... é o que diz o WikiLeaks. O outro: Pedro Lomba, colega de Agostinho
Branquinho, a criatura que não sabia o que era a Ongoing e teve de ter emprego
na Ongoing para perceber o que é a Ongoing. E ser colega de tal figura é coisa
para se trazer ao peito, com orgulho, como um broche de bom latão.
Os dois, Poiares Lomba e Pedro
Maduro, são herdeiros - com pouco jeito - de Miguel Relvas, que, com muito
menos estudos do que eles, lhes deu lições de como fazer política nestes
tempos.
Pois os colegas de Portas, Machete e Branquinho - e
aprendizes de Relvas - deram-se à missão de gerir a informação ao povo, através
dos jornalistas, prometendo briefings diários que duraram dois dias e que
retomaram agora, com a honradez da palavra que os caracteriza, em encontros
diários duas vezes por semana, não sei se o leitor entende. (...)
Aqui é que estes grandes
educadores dos jornalistas aldrabaram. Começaram por dizer - ponho no plural
porque tão aldrabão foi o secretário de Estado que disse, como o ministro que
mandou dizer ou, pelo menos, não o desautorizou - que os briefings com os
jornalistas seriam umas vezes em on -
isto é, podia dizer-se quem disse o quê - outras vezes em off (que na sabedoria analfabeta do secretário de Estado e do
ministro não sei de quê nem interessa se convertia numa figura nova em que suas
excelências expenderiam umas quantas patacoadas espremidas dos seus notáveis
bestuntos e os jornalistas papagueá-las-iam, mas sem dizer quem esvurmou tais
pústulas de sabedoria). E disseram, ex cathedra, que era assim que se fazia em
Inglaterra. Aldrabaram. (Vês, Pedro Tadeu, que há uma palavra ainda mais forte
do que "mentiram"? Quando a falta à verdade é rasca e torpe, a
palavra é "aldrabice".) Os briefings em Inglaterra são sempre
atribuídos ao PMS (Prime Minister Spokesperson), isto é, ao porta-voz oficial
do primeiro-ministro, pessoa conhecida e identificada - e as respostas são
sempre factuais, nada de divagações onanistas de ministros ou secretários de
Estado fala-barato armados em palestrantes.
E, com esta aldrabice, intrujaram: no segundo dia de
briefing, levaram uma conceituada jornalista da rádio a reproduzir todos os
vómitos e regurgitações opinativas do ministro ou do secretário de Estado,
atribuindo-os sempre a "fonte do Governo". Intrujaram a jornalista,
que, eventualmente, por temor reverencial ou mau conselho, se esqueceu dos seu
dever deontológico de não reproduzir comentários sem identificar a autoria. (...)
Mas não se fica por aqui a
impertinência e a incivilidade destes dois cavalheiros: mais recentemente, o
ministro Maduro esticou-se nas pontas do pés, esganiçou--se e verberou
jornalistas sobre as perguntas que deveriam ou não fazer!
Mas quem é ele?
E, pior do que isso, porque é que
não houve nenhum jornalista presente que dissesse a Sua Impertinência que lhe
cabe responder ou não às perguntas dos Senhores Jornalistas (com maiúsculas,
perante tão vulgar e efémero ministro) e não dizer-lhes o que devem ou não
perguntar?
Aviso solene aos jornalistas do
Diário de Notícias - e estou seguro de ser levado a sério: manda o nosso Código
Deontológico, no seu ponto 3, que "o jornalista deve lutar contra as
restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a
liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista
divulgar as ofensas a estes direitos."
Venham os Poiares Pedros ou os
Lombas Maduros que vierem, jornalista do DN que se acobarde perante este
fascismo com pés de lã, pode ter a certeza, à fé de quem sou, que fica com o
nome num pelourinho de cobardolas que prometo expor aos leitores. Porque é dos
direitos dos leitores que estamos a falar. Enquanto estiver nesta casa e nela
tiver voz, o fascismo não entra de esguelha.
Estamos a viver tempos perigosos.
Em Espanha, o alegado recebedor por baixo da mesa Mariano Rajoy proíbe que se
fotografe, que se grave, não sei mais quê. Em Itália, é o que sabe do império
Berlusconi (ou é Burlesconi?). Na Grécia, silencia-se a televisão e mesmo com
ordens do tribunal não se reabre.
O fascismo anda por aí. É bem
visível no ovo da serpente.
Já não há a Europa da liberdade:
somos governados por filhos de Putin.
Inúmeros filhos de Putin.
Cabazes de filhos de Putin.
Em Portugal, os devotos de Putin,
discípulos de Miguel Relvas, condiscípulos de Agostinho Branquinho e quejandos
chamam-se, entre outros, Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, lamentáveis
expoentes de um passado que parecia inconformista e rebelde, transformados num
estalar de dedos em esbirros da política da mordaça, assim que os convidaram a
sentar-se num mocho cambaio a metro e meio da mesa do orçamento com direito a
côdea bolorenta.(...)»
domingo, 4 de agosto de 2013
Tarde cultural
Não estava nada combinado, mas
com as filhas e os respetivos rebentos todos partidos para as férias de praia e
sem mais nada de útil para fazer, lá nos abalámos até à Casa Museu João Soares,
aqui nas Cortes, para visitarmos a exposição “Viagem de Cosme III de Médicis a
Portugal no ano de 1669”. O Grão Duque da Toscana incluiu no seu séquito o arquiteto
Pier Maria Baldi que pintou mais de trinta aguarelas das cidades, vilas e
aldeias portuguesas por que foram passando desde Campo Maior até Caminha, no
seu caminho para Santiago de Compostela. A exposição compõe-se de excelentes cópias
das aguarelas originais e respetivos textos e de imagens daquelas povoações na
atualidade. Muito interessante de ver e tudo muito bem apresentado.
| Lisboa |
| Coimbra |
| Porto |
| Santarém |
| Viana do Castelo |
Às sete da tarde tínhamos a
inauguração de mais uma exposição da nossa amiga Clotilde Fava, esta na sala de
exposições do Museu do Vidro na Marinha Grande. Chegámos lá um pouco cedo e
resolvemos ir dar uma vista de olhos ao recém-reaberto edifício, o Palácio
Stephens, e a senhora que estava na receção convidou-nos simpaticamente a
entrar e visitar o museu apesar de já estar fora das horas da visita. Foi um
imprevisto muito bem aproveitado porque, para além da exposição de tantos objetos
em vidro que foram, ao longo dos tempos, feitos e industrializados naquela
fábrica, dos texto explicativos, fotografias e artefactos utilizados na manufatura
do vidro, pudemos visitar o belo palácio, com as suas grandes salas, os seus
tetos maravilhosos, a azulejaria das paredes, o belo e forte madeiramento da
construção, tudo muito bem recuperado e muito bem tratado.
E, por fim, lá atravessámos numa
corrida o espaço de acesso à sala de exposições onde já se encontrava uma
quantidade de gente para a inauguração da exposição de pintura e escultura “Hermafroditas
com Pedras” da Clotilde e do Abílio Febra, meus ex-colegas ambos.
| Harpa esculpida em vidro |
Foi ou não uma tarde
verdadeiramente cultural?!
sábado, 3 de agosto de 2013
Poema para quem viveu em Luanda - Angola
Para os meus amigos ou visitantes
que tenham vivido em Luanda, hoje deixo um poema a eles dedicado.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
O bom senso
Sabe quem me conhece bem que eu
sou – sempre fui – esquisita. Esquisita com o comer; esquisita com o aspeto das
coisas; esquisita com a forma de fazer as camas; esquisita com as amizades;
esquisita com os gostos em geral. Lembro-me de, jovem adolescente e mesmo jovem
adulta, detestar (quase) tudo e (quase) todos e de a minha mãe, que tinha uma
forma de ser bem austera, me chegar a proibir de usar o verbo «detestar»… Lembro-me
de um colega/amigo com quem há anos trabalhei e bem lá na direção da “minha”
escola diariamente durante dois anos (e que depois se “passou” para a “oposição”
mas que, apesar de tudo, nunca detestei…) me perguntar um dia em tom de
brincadeira: «Mas haverá alguém do teu partido que tu não detestes?!»
Vem todo este introito ao caso
para dizer que sou bem esquisita também com as palavras e com as expressões que
ouço e que uso. Claro que somos todos assim e que a psicolinguística achará
explicação para estas nossas preferências ou embirrações na escolha dos imensos
e variados vocábulos que temos à nossa disposição para usarmos.
Ora uma das expressões com que eu
mais embirro e que detesto ouvir ou ler é o “bom senso”. Para mim, o “bom senso”
não existe. Existe a sensatez, a prudência, o senso até, mas nunca o “bom senso”.
Primeiro porque se trata de uma redundância e depois porque todo o conceito que
vem acompanhado pelos adjetivos “bom” ou “mau” já vem absolutamente carregado
de juízos de valor da pessoa que o profere pelo que não tem qualquer valor
preciso. E, a partir das minhas “análises de conteúdo” caseiras, tenho
concluído que quem mais utiliza esta expressão (e desde já peço desculpa se vou
suscetibilizar alguém) são, entre outras, as pessoas ligadas à direita, à
igreja, os “escuteirinhos” de Massamá e quejandos, ou seja, quem se sente na
obrigação de se mostrar muito bonzinho e, claro está, quem sofre de manifesta falta
de vocabulário.
Agora imaginem a cara com que
fiquei quando hoje fui ler a crónica das 6ªs feiras da Fernanda Câncio, que até
uma mocinha que eu gosto bastante de ler, e me deparo logo a abrir com a minha
mal-amada expressão. Depois, incrédula, lá retrocedi, voltei a ler e concluí
que se tratava de uma citação. E sabem retirada de onde? Do acórdão da Relação
do Porto! É verdade! Mal está a coisa quando juízes, que deveriam ser o mais
objetivos possível e deter-se o mais próximo possível da(s) lei(s), também
apelam (espero que não por falta de vocabulário…) para o dito “bom senso”,
conceito moralista, impreciso, polissémico até mais não, mais maleável e
escorregadio do que uma enguia viva, a fim de dar razão ao homenzinho que estava
trabalhar podre de bêbado. Salazar (infelizmente) cada vez mais na moda: «Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses!»
(A propósito da questão que
motivou este triste acórdão lembrei-me de uma brincadeira que se contava acerca
de um presidente de uma qualquer sociedade recreativa que terminou um dos seus
discursos em noite de festa da seguinte
maneira: «Cômamos e bêbamos para que esta coletividade próspere!»…)
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quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Pagando, já se vê!
Há uns anos atrás, contava-se,
por brincadeira, que, numa qualquer receção de industriais ricos do Norte no
Palácio de Belém quando Eanes era Presidente da República, um deles, na sua
maneira de ser e de estar menos comedida e menos polida, ter-se-á abeirado da Dr.ª
Manuela Eanes e ter-lhe-á sussurrado ao ouvido: «Que bela cambalhota que eu
dava com a senhora…» Claro que a primeira-dama terá ficado chocadíssima e, perturbada,
terá balbuciado quaisquer palavras de espanto e de repúdio. O industrial,
atrapalhado e querendo de alguma forma emendar a grosseria, apressou-se a dizer:
«Pagando, já se vê!»…
Foi desta resposta brejeira mas pretensamente
delicada de que me lembrei ontem quando vi na primeira página de todos os jornais
principais nacionais que «os funcionários públicos que rescindam com o Estado
podem manter a ADSE». Assim à laia de bombom, de prémio de consolação.
Esqueceram-se foi de dizer como o
dito industrial: «Pagando, já se vê!» É que o pessoal, para ter direito à ADSE,
sempre pagou e agora, por ordem deste “nosso” “governo” que o povinho, todo
contente, elegeu – aliás como fez com o senhor presidente e, se calhar, vai
continuar a fazer nas autárquicas do próximo mês – vai pagar ainda mais!
Este país está uma festa!
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