terça-feira, 9 de julho de 2013

Antevisão

Hoje fica aqui uma antevisão do organograma do "governo" remodelado que vai receber a bênção presidencial depois da palhaçada das audições dos partidos e dos parceiros sociais.



E não vale a pena porem-se a dar palpites de mudanças porque já está tudo tratado e é uma decisão irrevogável!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O crime compensa!

 
(Tão envergonhados que eles estão!)


Pensei muito antes de escolher este título para o texto de hoje por o achar duro de mais. Pensei em escrever «A irrevogabilidade compensa»; «A dissimulação compensa»; «O disfarce compensa». Com efeito, em Portugal qualquer destes títulos fazem sentido. Mas depois voltei à primeira ideia porque é de facto de crime que se trata. Um “governo”, ou melhor, um grupo de pessoas que se encontram à quinta-feira em conselho, que leva dois anos a derruir a economia do país, que põe a quantidade de pessoas sem emprego em números nunca antes alcançados – porque não se trata de escrever aqui ‘a taxa de desemprego’ porque essa não contém as pessoas que já não têm direito ao subsídio de desemprego e que, portanto, passaram à condição de indigentes; um “governo” que destrói  a chamada “classe média”, que arrasa a saúde e a educação que em trinta anos deram saltos bruscos de qualidade desde o tempo da penúria da ditadura; um “governo” que rouba os reformados e embirra com os funcionários públicos; um “governo” que manda o povo emigrar e manda fora os seus jovens mais qualificados; um “governo” que destruiu o estado social e enriqueceu os mais ricos, aumentando a despesa e a dívida pública quando se tinha proposto ao contrário, um “governo” que fez tudo isto e muito mais em dois anos pode ser apelidado de criminoso! 

Mas hélas! Dois anos volvidos sobre os “crimes” lesa-pátria e lesa-indivíduo e um “golpe de estado” obrado na passada semana da forma mais reprovável por um ministro (do partido minoritário da coligação) em busca de mais e mais poder, tudo volta à harmonia estadística. Uma harmonia sustentada por um presidente da República que pertence e suporta e defende – contra tudo e contra todos e até contra a Constituição – o partido da maioria (relativa); uma harmonia apoiada pela Europa do cação, digo, do cherne: agora até “recebem de braços abertos” a pequena dos swaps que ascendeu a ministra da continuidade depois de o seu anterior chefe ter assumido o desastre total do seu trabalho desde que chegou ao “governo” mesmo sem ter sido eleito. Uma harmonia sustentada por um segundo resgate “soft” que a Europa quer oferecer aqui ao país de “bons alunos” para continuar a ser uma horda de “bons alunos”; uma harmonia suportada pelas carinhas de bonomia fingida de figuras (tristes) como o governador do Banco de Portugal e de outros banqueiros, já para não falar nos jornalistas/jornaleiros e comentadores que nos azucrinam o juízo nas televisões e nos jornais com o propósito de nos amedrontar e aceitar tudo. Uma harmonia escorada até e pasme-se! na Igreja que, segundo o recente Patriarca de Lisboa, considera que este “governo” tem toda a legitimidade para continuar porque é suportado por uma maioria no Parlamento…

É para continuar, sim senhor! E não me venham dizer que a culpa é do Seguro (independentemente da sua forma de estar pouco empolgada e “politicamente correta”) que não se comporta como oposição. Nada disso! 

É que cá em Portugal, a hipocrisia manda e o crime compensa!




domingo, 7 de julho de 2013

Calor!



Boa semana!


Irrevogável


Se fosse numa prova de exame, este exercício de escolha múltipla estaria muito mal elaborado porque todos as hipóteses são verdadeiras não havendo lugar a distratores, mas no nonsense que é o momento atual da política portuguesa tudo é possível e todas as hipóteses são verdadeiras e distratores a um tempo.

Para o dr. Paulo Portas, irrevogável foi mesmo "ir ali e já volto" e, mesmo junto daqueles que verdadeiramente votaram nele, ele fica efetivamente muito mal visto. Fez umas birras e agora volta para o governo como se nada se tivesse passado.

A não ser que, como disse há pouco o patrãozinho Nuno Melo, o dr. Paulo Portas tivesse usado a palavra irrevogável sem ter mentido porque saiu de ministros dos Negócios Estrangeiros e volta na figura - triste figura, digo eu - de vice-primeiro-ministro.
 
Dá-me vontade de pedir emprestado aquele poema de Pessoa "Autopsicografia" e apresentando-lhe todas as desculpas possíveis, parafrasear e escrever assim:


   O político é um fingidor.
   Finge tão completamente
   Que chega a fingir que é dor
   A força com que nos mente.

E todas estas paráfrases e perífrases e perifrásticas e esquemas periférico que aconteceram ao longo desta semana  bem como irrevogável e irreversível desfecho que se adivinha só acontece devido ao peripatético presidente que temos.



sexta-feira, 5 de julho de 2013

Cuidados a ter na praia


Com o calor que tem feito que, segundo as más línguas, vai continuar ou até aumentar, é provável que no fim de semana os meus amigos vão até à praia para refrescar um pouco. 

Assim, não posso deixar de lembrar alguns cuidados a ter.

Primeiro, muito cuidado com a exposição ao Sol!




Não se esqueças dos seus óculos de Sol!



 Cuidado com os atrevidinhos...




E... proteja-se com um (ou mais) bom chapéu, se possível de abas largas.



E ao fim da tarde, depois de um belo dia de praia, não se esqueça de se sentar no sofá com uma bebida bem fresquinha frente à televisão para ver o casal de pombinhos do "governo" a arrulharem depois de terem feito as pazes...



Bom fim de semana!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Parceiros de coligação

Comportamento dos chefes dos parceiros da coligação que integram este "governo".

Anteontem foi assim:



Ontem e hoje têm estado assim:




Amanhã ou quando aparecerem nas televisões, vão estar assim:



Depois desta canzoada toda, o presidente vai sentir-se assim:



Embora o povo considere que ele, o presidente, esteja e tenha estado sempre assim:



Cá por mim, bem como muito boa gente mais, sinto-me e sentir-me-ei assim:




quarta-feira, 3 de julho de 2013

Kafka no seu melhor!

O Google informa-nos que passam hoje 130 anos desde o nascimento de Franz Kafka. Francamente não sabia, nem nunca Kafka foi um dos autores de que eu gostasse ou conseguisse ler até ao fim por emaranhado de mais, por surrealista de mais, por insólito e absurdo de mais por sufocante de mais!

A situação que se vive no país desde o meio da tarde de ontem, porém, é a maior homenagem que se pode fazer ao movimento surrealista. Escrevi ontem no facebook que o texto que o pseudo-primeiro-ministro leu ontem ao país à hora dos telejornais nem mesmo Kafka seria capaz de o redigir. De facto, o insólito, o absurdo, a alienação, a paranoia foram ali elevadas ao seu expoente máximo. 

O método kafkiano, no entanto, e para nosso mal, não se limitou à retórica do alienado primeiro-ministro. Infelizmente, esse processo alastrou a toda a situação, toda a conjuntura que vivemos desde ontem à tarde.

Senão, vejamos:
  • O número dois do governo – que anteontem era número três – demite-se ontem de manhã porque diz não concordar com a nomeação da substituta do anterior número dois que se demitira no dia anterior; o presidente da República diz que não sabia de nada e faz uma declaração impenetrável sobre a forma de fazer cair o governo.
  •   Enquanto o povo fica a saber pelas televisões que o atual número dois pedira a demissão do governo, o presidente da República dá posse apressadamente à substituta do anterior número dois que fora a causadora da demissão do atual número dois; dessa cerimónia de que estão ausentes os restantes ministros do mesmo partido do número dois demissionário, o pseudo-primeiro-ministro entra e sai num instantinho e a visada está tão feliz que não consegue despegar da cara um sorriso completamente idiota que lhe vai de orelha a orelha.
  • À hora de abertura dos telejornais, o insolitamente descarado e embusteiro primeiro-ministro faz ao país a tal declaração mais que kafkiana em que diz que foi surpreendido com o pedido de demissão do número dois que, na véspera, nada lhe terá dito contra a nomeação da rapariga do sorriso desmedido e diz que não se demite, que não abandona o país. (Suspeito, cá para mim, que o país queria era abandoná-lo a ele…)
  •  Logo após esta pseudo-diversão, em igual tom e quase com a mesma voz vem, sem ninguém lhe encomendar o sermão, o líder do maior partido da oposição dizer alegremente (quase tanto como naquele dia, há dois anos, em que o anterior líder daquele partido e então primeiro-ministro abandonou o partido, o governo e o país) que estava ali aos saltinhos prontinho para ser governo.
  •  As televisões pululam de comentadores que se multiplicam a prever cenários qual deles o mais arrevesado e o mais telúrico. Alguns canais anunciam que os restantes ministros e secretários de Estado do partido do número dois ora demissionário, devem demitir-se hoje de manhã. (Seria o mínimo que se lhes devia! Mas, quando cheguei às notícias do almoço e nada de pedidos de demissão, aí comecei a desconfiar…) Nas notícias da manhã, um elemento do partido do número dois afirmou que claro que o senhor presidente da República foi avisado em devido tempo do pedido de demissão daquele.
  • O povo – essa instituição vaga e abstrata de quem tanto se fala – que andou durante meses a fazer manifestações de rua a pedir a demissão imediata do governo e até do presidente e a escrever piadas no Facebook sobre esse mesmo assunto, agora está caladinho, cheio de medo, a dizer que não havia necessidade disto, que a troika vai-se vingar em nós, que a alternativa não é credível, que os políticos são todos iguais, ah! e que lá se vai o nosso esforço e a nossa credibilidade na Europa e que assim e que assado…
  •  E agora, ao fim da tarde, ficamos a saber que afinal o número dois não volta, mas que está disponível para negociar com o partido do número um para manter tudo na mesma!

É ou não é o que eu digo? Nem Kafka com a sabedoria dos seus 130 anos conseguiria escrever uma novela melhor!