Ora eis-me de volta! Nunca, nem
nos meus treze anos, estive cinco dias sem escrever no meu diário. E, desde que
iniciei estas minhas lides bloguistas, nem quando vou de férias para o sul onde
não tenho tantas possibilidades de usar a net
estou cinco dias sem passar cavaco (credo, desculpem o termo, que isto de
cavacadas tem muito que se lhe diga…)
Mas voltando à minha inusitada
ausência: o certo é que estivemos sem luz desde sábado de manhã, pelo grande
vendaval, até à hora do almoço de hoje. Ah! Mas desde domingo à tarde até
segunda-feira à hora do jantar acumulámos com uma completa falta de água.
Não! Ao contrário do que diz o “nosso”
primeiro e a minha filha mais velha, eu não sou uma piegas! Por isso não venho
aqui queixar-me nem exortar a vossa compaixão, mas ver, a partir de domingo a
meio da tarde, todas as casas da minha rua, de toda a área residencial da zona com
luz e até a iluminação pública ligada e ser a única casa completamente às
escuras é dose! Naturalmente ligámos para os serviços de atendimento da edp que…
não atendiam. Eu sei, eu compreendo que as avarias foram imensas e mais que
muitas na zona centro. Depois, perto da noite, lá nos atendeu a senhora do call centre que, superdelicada e cheia
daquelas mesuras que aprendem naquelas formações do tipo americano que agora
estão na moda, registou o nosso ansioso pedido de ajuda.
Na segunda-feira, logo às nove,
recebemos a chamada de um diligente funcionário da nossa elétrica a perguntar
onde era a minha casa. Fiquei nas nuvens como se, adolescente tonta, estivesse
a receber um telefonema do primeiro namorado e, ato contínuo, comecei a dar as
indicações de como chegar até cá. Mas logo percebi que o senhor não entendia
nada do que eu dizia e foi quando ele me disse que estava em Oliveira de Frades
e tinha uma morada completamente diferente da nossa. Engano! Frustração… Toca de
voltar à saga de ligar para a senhora do call
centre (desculpem, não há designação em língua portuguesa para estes
serviços) e fazer novo pedido de ajuda.
Depois, dia após dia à espera de
uma chamada de esperança, corridas para a edp, pedidos especiais (cunhas…) a este
e àquele, funções básicas à luz de velas, mudança de alimentos para o frigorífico
da casa ao lado e para a arca congeladora de uma das filhas, acampar à noite na
casa ao lado que, para nosso bem, é apenas casa de férias da cunhada mais nova,
voltar ao passe-vite, lavar à mão as roupas mais íntimas e mais leves, ausência
de máquinas, ausência de televisão, de telefone, de música, de net, autêntica vida
de Amish…
E eu, citadina até à medula,
absolutamente apaixonada por este “admirável mundo novo”, pelas maravilhas do
século XX e expectante das maravilhas (ou não!) do século XXI que já não verei,
obrigada a tradicionalismos anacrónicos e retardados…
Enquanto isto, ontem à noite, o
falacioso (ou direi mesmo mentiroso?) senhor António Mexia, industrioso presidente
da edp, afirmava, impante, na televisão (que vi na casa da vizinha como boa
Amish…) que no primeiro dia depois do vendaval 90% das casas que tinham ficado sem
luz estavam servidas, que ontem era de 99%, que o número de casas sem luz era
residual e apenas em locais de muito difícil acesso. É o nosso caso: nós vivemos
na zona urbana de Leiria – que é, de facto, de muito difícil acesso… Nem
queiram saber o que eu vociferei!