sábado, 23 de junho de 2012

Em noite de S. Joao


Quadras de São João

No altar de S. João
Nascem rosas amarelas
S. João subiu ao Céu
A pedir pelas donzelas.

S. João adormeceu
Debaixo da laranjeira;
Caiu-lhe a flor em cima,
S. João que tão bem cheira!

Ó meu S. João Baptista,
A vossa capela cheira,
Cheira a cravos, cheira a rosas
E a flor de laranjeira.

Agora no São João
É o tomar dos amores;
Estão os linhos nos campos,
E toda a terra tem flores.

(in “Tesouros da Literatura Popular Portuguesa”, Verbo,  1985)

 
Estas foram escritas por mim em Junho de 1970

S. João desceu à terra
Tentado pelo demónio,
Mas triste vê que as mais belas
Antes querem Santo António.

Não te zangues, S. João,
E vem daí às fogueiras;
Olha que as mais belas são
Quase sempre traiçoeiras.

 
E o meu pai, barcelense assumido (e muito maroto), cantava assim:

São João p’ra ver as moças,
Ai fez uma ponte de prata.
Ai as moças não passam lá
E o S. João todo se mata!

Rebimba o malho,
Rebimba o malho,
Rebimba o malho
E vamos todos para o … trabalho...

(desculpem qualquer coisinha... mas em noite de São João, não me levem a mal, não?...)

8 comentários:

  1. "A quadra é um vaso de flores
    que o Povo põe à janela da sua alma..."
    Fernando Pessoa

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  2. Recebi nas festas do meu bairro um vaso de manjerico com a seguinte quadra:

    S. João, S. João
    Que moras ao pé de mim
    Só neste dia do ano
    A noite não tem fim.

    Não está muito bem conseguida mas o manjerico cheira muito bem!
    Estava cá um frio...nem o tempo está a ajudar! :-((

    Abraço

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  3. Estimada Amiga Graça Sampaio,
    Adorei as quadras, são lindas.
    Por Macau nunca existiu esse costume das quadras nem saltar à fogueira.
    Sempre se festejou este dia de S, João por ser o padroreiro da cidade, já que foi nesse dia em que os holndeses tentavam ocupar Macau quando um padre disparou um tiro de canhão que foi atingir o barco paiol indo tudo pelos ares, e as tropas holandeses fugiram.

    Quiseram as tropas holandesas
    Macau um dia conquistar
    Mas foi um padre e as tropas portuguesas
    Que os derrotaram e com o rabo entre as pernas tiveram que zarpar

    Era dia de S. João
    e essa data ficou para comemorar
    pois esse tiro de canhão
    parece ainda hoje no ar soar.
    Abraço amigo

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  4. Levar a mal?
    (já vi de onde a menina herdou a marotice:))

    beijocas
    (eram 2:00 quando cheguei a casa:))

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  5. A tua paixão por Lisboa, não ficará indiferente, tenho a certeza, à obra «Lisboa - Livro de Bordo - vozes, olhares, memorações», do José Cardoso Pires. É das melhores descrições que conheço sobre a nossa bela capital! Já leste? Comprei o livro na última feira de velharias desta cidade do Lis e «devorei-o» num ápice! Se quiseres, terei o enorme prazer em conceder-te a sua leitura.

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  6. Por acaso já o tenho há uns anos. É excelente! Sendo livro e sobre Lisboa, é difícil escapar-me... Sou uma doida a comprar livros. É uma doença! Mas agradeço a sugestão.

    Frio em noite de São João não dá com nada, Rosinha! por isso é que eu nem saí de casa... Tenho uma vida muito divertida...

    Pois foi, Nina! O meu pai era do piorio! Sempre o ouvimos contar as anedotas mais atrevidas e, no entanto, nunca nos atrevíamos a dizer uma palavra menos própria à sua frente. Outros tempos, enfim!

    O amigo Cambeta tem sempre histórias e coisas giras para nos contar. E faz muito bem, que nós gostamos. Obrigada.

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  7. Aos santinhos populares
    Em junho se monta o altar
    Com engenho e marotice
    Que o povo não leva a mal

    Um beijo

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