Por vezes penso que verdadeiramente a felicidade não existe.
Mesmo quando todos aspiram ao estado de felicidade e quando tudo se escreve
sobre os preceitos para o alcançar, a felicidade não existe. (Já a infelicidade
- mesmo correndo o risco de que considerem um contrassenso – existe, perdura,
derrama-se, pode levar-nos ao desespero.)
Acontecem(-me), por vezes e sem que se esperem, momentos breves
de felicidade quando o nosso espírito quase flutua para fora do invólucro que
somos nós deixando-nos de tudo esquecidos e entregues apenas à sensação que
provocou o momento, a sós com a nossa imanência (se fosse crente diria a sós
com Deus).
Como quando nadamos para longe e nos deixamos boiar livremente
sobre a água verde, transparente e plana e deixamos que o sol nos envolve numa
carícia. Nada de pensamentos – apenas a sensação.
O mesmo perante o inesperado aparecimento do arco-íris ou da
compassiva revelação de um simples botão de rosa.
São os verdadeiros momentos de espanto (de que nos fala Raul Brandão) que nos fazem sentir que vale a pena viver.





















