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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Até para ser cão é preciso ter sorte!



Digo isto muitas vezes. Porque, ao contrário do que muita gente diz – que «a sorte se constrói» e assim – eu acredito mesmo na sorte. Indiscriminada. Aleatória. Desaparelhada. Sorte apenas!

Há muitos anos, lá para os finais de 80/ inícios de 90, assisti, de muito perto, ao desfazer de uma fraude de alguma envergadura no meio. No meio profissional e social. Um professor de carreira, na direção de uma escola C+S, como se dizia à época, dando provas de bom desempenho profissional,  de quem se provou ter forjado as habilitações e que não tinha feito mais do que o antigo 5º ano (actual 9º). Foi um caso sério como devem calcular. Não tenho como desculpar o seu feito, nem é desculpável, naturalmente. Mas nunca mais me esqueço da “armadilha” que um grupo de colegas lhe armou, nem o olhar de gáudio – senão mesmo de algum ódio – de uma delas ao apresentar a denúncia.

Nunca mais ouvi falar dele, nem sei o que lhe aconteceu. Nem me interessou saber, face à humilhação da pessoa – que até nem era das minhas maiores simpatias.

E é aqui que entra a sorte. Aquela com que comecei o texto de hoje. O «dr» Relvas não fez mais do aquele meu ex-colega de que falei: aldrabou, forjou, aproveitou-se. Só que enquanto o meu ex-colega teve um grupo de colegas que o cercou e abateu, naturalmente com justiça, o «dr» Relvas, depois de ser cercado e denunciado, saiu pelo seu próprio pé, refugiou-se no Brasil desempenhando um qualquer cargo (para o qual não tem habilitação, nem saber) e agora é resgatado pelo grande amigo (que por acaso é o primeiro-ministro de Portugal) que muito lhe deve (ou direi tudo?) e volta para a ribalta política, pela porta grande – mesmo sendo a porta grande de um palco pequenino como é o da vida politico-governamental deste país. Também pequenino.

Estão a ver porque é que eu digo que ate para ser cão é preciso ter sorte?

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Que vergonha!

Então o ministro Relvas «não tem condições anímicas» para continuar? 


 
E que condições têm os outros para continuar? Vejamos.
 


E o ministro (C)rato que zela tanto pela qualidade do ensino e tanto luta contra o "facilitismo" na educação e meteu os dados da infame "licenciatura" na gaveta "para fazer render o peixe"?






Que vergonha de governo!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O embaraço tranquilo

O sociólogo Alberto Gonçalves escreve todos os domingos no meu jornal diário. Faz um comentário-resumo dos acontecimentos da semana mas não é dos comentadores que me agrade ler por arrevesado que é nas suas opiniões chegando a ser mais embirrante que o próprio Vasco Pulido Valente...

Ontem porém, deixou um destaque que não resisto a transcrever de tão certeiro e... sugestivo. Diria mesmo, em linguagem mais informal: curto e grosso. Senão vejam.

O embaraço tranquilo

«Primeiro descobriu-se que Miguel Relvas obteve equivalência a cadeiras que não frequentou. Agora soube-se que o "dr." Relvas obteve equivalência a cadeiras que nem sequer existiam. Perante tais revelações, a consciência desse imperturbável homem permanece, na definição dele, tranquila. Acredito. Intranquilo anda o país, e convinha-lhe que os governantes encarregados de o empobrecer exibissem um esboço de decência e não semelhante embaraço. Em larga medida, o dr. Passos Coelho não tem culpa da pobreza forçada, mas é completamente responsável pelo embaraço. Isto se o embaraço não for o responsável pelo dr. Passos Coelho.»




domingo, 29 de julho de 2012

sábado, 7 de julho de 2012

Ainda o Caso "Público"


Ainda a propósito do “Caso Público” protagonizado pelo senhor doutor ministro Relvas, cujo caráter ninguém pode pôr em causa, vinha no jornal de anteontem esta noticiazinha discreta num discreto canto do fundo de uma das páginas mais interiores:

Vogal da ERC diz que foi alvo de “ameaças”

«Raquel Alexandra, membro (indicado pelo PSD) do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), afirmou ontem, segundo a Lusa, que foi vítima de “chantagens e de ameaças” por “quem queria” que a deliberação sobre o conflito entre Relvas e o Público “tivesse um determinado resultado”.

“Houve uma tentativa de instrumentalização dos membros do Conselho Regulador, indireta, triste, através do poder editorial, por quem não faço a mínima ideia, mas por quem queria que a deliberação tivesse um determinado resultado”, denunciou, na AR. “Foi extremamente grave. Não imagina o ponto a que as coisas chegaram”, afirmou.»


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Reconhecimento de competências


O senhor ministro (C)rato que é um elitista (por isso grande parte dos professores acreditou nele por nele se rever)  – e mais metade dos meus colegas, daqueles bem elitistas que bradavam pelos cantos das escolas como eles tinham sofrido para fazerem o ensino liceal para depois a senhora que lhes vendia as alfaces elaborar um dossier a contar as suas experiências de vida e ficar com o ensino básico ou o ensino secundário concluído pelo programa das Novas Oportunidades – barafustou contra aquele programa acabando por suicidá-lo o que deve ter dado imenso prazer à maioria dos nossos concidadãos que ainda suspiram pelo tempo em que “tinham de saber os afluentes dos rios, as linhas férreas de Angola e os sistemas orográficos de cor” e que não perceberam (como tantos professores) o verdadeiro significados das Novas Oportunidades ou do Reconhecimento das Competências obtidas ao longo de uma vida de trabalho por aqueles que não tiveram Primeiras Oportunidades como felizmente teve o senhor ministro (C)rato e grande parte dos professores como eu própria. Por acaso esqueceu-se o senhor ministro, ou então nunca soube, sei lá!... que esse programa foi criado pelo governo do seu “compadre” Durão Barroso, antes de este ter a Oportunidade de se  pisgar para a Europa – pobre Europa, que escolheu um chicharro apelidado de cherne para seu presidente – com o nome de Reconhecimento, Revalidação e Certificação de Competências (RVCC).

No dia em que o senhor ministro (C)rato apresentou uma avaliação daquele programa que encomendou a um grupo de “especialistas” por ele escolhidos e  anunciou a morte do dito programa, afirmou: «Nós não queremos, pura e simplesmente, distribuir diplomas e melhorar estatísticas, queremos que os jovens e os adultos melhorem a sua qualificação.»

Hoje que os telejornais e os jornais publicaram o «currículo académico» do senhor doutor ministro Relvas, cuja licenciatura foi “tirada”, ou melhor, “obtida”, ou melhor, “conseguida” ou deverei mesmo dizer “oferecida” em dois semestres «por reconhecimento do seu currículo político», que dirá o senhor ministro (C)rato deste processo de reconhecimento de competências?… …

Por outro lado, sabemos agora – não sabíamos antes?! – que o senhor ministro doutor Relvas mentiu (por lapso…) quando preencheu a ficha de deputado dizendo que era estudante do 2º ano de Direito e com frequência do curso de História e sabe-se lá o que mais… Da mesma forma que, certamente também por lapso, não falou verdade no caso da jornalista do jornal Público. Mas isso, como ficou registado oficialmente, foi «reprovável» mas não «ilegítimo».