Digo isto muitas vezes. Porque,
ao contrário do que muita gente diz – que «a sorte se constrói» e assim – eu acredito
mesmo na sorte. Indiscriminada. Aleatória. Desaparelhada. Sorte apenas!
Há muitos anos, lá para os finais
de 80/ inícios de 90, assisti, de muito perto, ao desfazer de uma fraude de
alguma envergadura no meio. No meio profissional e social. Um professor de
carreira, na direção de uma escola C+S, como se dizia à época, dando provas de bom
desempenho profissional, de quem se
provou ter forjado as habilitações e que não tinha feito mais do que o antigo
5º ano (actual 9º). Foi um caso sério como devem calcular. Não tenho como
desculpar o seu feito, nem é desculpável, naturalmente. Mas nunca mais me
esqueço da “armadilha” que um grupo de colegas lhe armou, nem o olhar de gáudio
– senão mesmo de algum ódio – de uma delas ao apresentar a denúncia.
Nunca mais ouvi falar dele, nem
sei o que lhe aconteceu. Nem me interessou saber, face à humilhação da pessoa –
que até nem era das minhas maiores simpatias.
E é aqui que entra a sorte. Aquela
com que comecei o texto de hoje. O «dr» Relvas não fez mais do aquele meu
ex-colega de que falei: aldrabou, forjou, aproveitou-se. Só que enquanto o meu
ex-colega teve um grupo de colegas que o cercou e abateu, naturalmente com
justiça, o «dr» Relvas, depois de ser cercado e denunciado, saiu pelo seu
próprio pé, refugiou-se no Brasil desempenhando um qualquer cargo (para o qual
não tem habilitação, nem saber) e agora é resgatado pelo grande amigo (que por
acaso é o primeiro-ministro de Portugal) que muito lhe deve (ou direi tudo?) e
volta para a ribalta política, pela porta grande – mesmo sendo a porta grande
de um palco pequenino como é o da vida politico-governamental deste país. Também
pequenino.
Estão a ver porque é que eu digo
que ate para ser cão é preciso ter sorte?







