Lendo por aí, encontrei este belo soneto de D. Francisco Manuel de Melo, século XVII, que, parece-me, em nada está desatualizado.
Que dizem?
Dez figas para vós, pois com
furtado
Consular nome vos chamais
Prudência,
Se fazendo co’o Mundo
conferência,
Discursais, revolveis, e eis tudo
errado!
Quem vos vir, Apetite,
disfarçado,
Digno vos julgará de reverência;
E a vós, Ódio, por homem de
consciência,
Vendo-vos tão sesudo e tão
pesado.
Dois a dois, três a três e quatro
a quatro,
Entram, de flamas tácitas
ardendo,
Astutos Paladiões (1) em simples Tróias.
Quem enganas, ó Mundo, em teu
teatro?
A mi não, pelo menos, que estou
vendo
Dentro do vestuário estas tramoias.
(1) Heróis
valentes
(D. Francisco Manuel de Melo (1608 – 1666)
“Obras Métricas”)


