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quarta-feira, 17 de junho de 2015

A formiga e a cigarra

Não sou nada dada a moralismos, nem sequer a moralidades, por isso não sou grande apreciadora de fábulas. Isto decerto porque, para além de me entender muito melhor com a ironia, na minha instrução primária fui – como todas as criancinhas nesse tempo de moralismos clericais – forçada a lê-las e relê-las nos livros de leitura e depois a recontá-las em redações sempre com a obrigação de, à laia de conclusão, retirar e fazer salientar a dita moralidade.

Bom, mas isto tudo para explicar que, não obstante, nos últimos dias o bom do La Fontaine não me tem saído da cabeça com a sua Formiga trabalhadora e a sua Cigarra desmioladamente gastadora. E isto porquê? Por causa do triste caso da dívida da Grécia e do estupidamente chamado grexit.

Quem não se lembra de ouvir o ministro formigo, digo, o ministro Miguel Macedo dizer aí por 2012 que Portugal não podia continuar um país de muitas cigarras e poucas formigas? De facto, o seu desejo foi-se transformando em realidade e, graças ao esforço aturado e gratuito (que se lixem as eleições quem não se lembra também) do “governo” e do seu representante em Belém, atualmente são muitas as formiguinhas, coitadinhas, abençoadas, e poucas a malandras, as desbocadas das cigarras.

O “nosso” primeiro não se cansa de dizer e bradar que Portugal está a salvo de qualquer turbulência e que tem reservas que aguentam qualquer embate (pois não é que temos os cofres cheios?!)

Entretanto a espécie de presidente da República foi para a Bulgária gabar «o bom aluno» que tem sido o seu governo (sabe-se lá a que custo por parte do povo, mas isso também não interessa nada). Disse ele: «O sucesso do programa de ajustamento é o exemplo de política responsável, quando há uma forte vontade política.» E tem o topete de se pôr a «pedir contas a Atenas» e de, armado em bom, lançar papaias deste tipo: «Não podem ser abertas exceções para nenhum país.» E continua: «num espaço tão integrado como a zona euro há regras que não podem deixar de ser respeitadas; o governo de Atenas não pode ignorar a realidade.»

 Isto sim é sinal de grande solidariedade institucional!

Socorro-me uma vez mais de Sérgio Figueiredo – que, repito, gosto de ler – que escrevia há dias: «É francamente difícil de entender a descontração do governo português diante do cenário do grexit grego. Há quase uma satisfação contida no sorriso de Mona Lisa que a nossa ministra das Finanças esboça, quando é confrontada com tal cenário. Lisboa devia ser a primeira a defender uma solução para a Grécia, mas prefere correr para os credores e pagar antes do tempo. Parece que a nossa colossal dívida externa se resolve com prestações antecipadas. Parece que a prioridade é deixar a "alternativa Syriza" sucumbir como prova de que afinal sempre estivemos certos. Parece que não se conhece a lógica implacável dos mercados. Parece que os juros da nossa dívida não voltaram a subir.»

São as belas, solidárias, altruístas, nada vingativas nem rancorosas formiguinhas à portuguesa.

E vem-me à memória aquela canção que diz…


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Encontrem as diferenças

... ou as semelhanças...






(mesmo que o nosso amigo Rogerito diga que "pô-los" aqui é dar-lhes visibilidade, mas eu não aguento... é mau de mais para calar... Até mete nojo!)



terça-feira, 11 de novembro de 2014

Anedota do dia


Perguntaram à querida Maria Luís Albuquerque por que razão continua, ao fim de três anos, a martirizar a classe média no que toca ao Orçamento de Estado para o próximo ano. E, com a habitual simpatia com que a divindade a bafejou, a loira senhora respondeu sorrindo: «De facto, tem sido a classe média a mais castigada porque temos a preocupação de poupar os que têm menos possibilidades e, por outro lado, os ricos que temos são poucos para pagarem. Se tivéssemos muitos, seriam eles a pagar.»

A propósito desta verdade absoluta saída da boca da financeira senhora que ouvi no telejornal das oito, lembrei-me de uma fábula da atualidade que ouvi há poucos dias. Chama-se «O coelho cego e a víbora cega». 


«Numa manhã, um coelho cego ia a descer para a sua toca quando dá um encontrão numa grande cobra que ali estava.

- Desculpe-me - disse o coelho - não tinha a intenção de ir contra si, é que eu sou cego!

- Não há problema - responde a cobra - a culpa foi minha, não dei conta que tivesse chegado; é que eu também sou cega! Mas, pensando bem, que tipo de animal é você?

- Bem, não sei muito bem, sou cego, nunca me vi! Talvez você me consiga examinar e descobrir que tipo de bicho sou eu...

Então a cobra examinou o coelho e disse: - Bem, você é macio, tem longas e sedosas orelhas, uma cauda que parece um pompom e um pequeno nariz. Você deve ser um coelho muito bonito! 

O coelho ficou tão contente que dançou de alegria.

Então a cobra disse que também não sabia que tipo de animal ela era e o coelho concordou em tentar descobrir.

Após ter examinado a cobra, o coelho respondeu:

- Você é dura... fria... escorregadia... é viscosa... anda sorrateiramente... inspira medo... e não tem testículos, mas parece masculina... você deve ser a Maria Luís Albuquerque...!»

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Revivescências de um dia

  1. Baptista-Bastos, o intrépido comentador da realidade do país às 4ªs feiras no DN, foi, ao fim de sete anos de belas e intensas crónicas semanais, mandado calar. «Fui posto fora» - escreveu ele hoje. «Mas não posso calar o que me parece um acto absurdo, somente justificado pelas ascensões de novos poderes. Porém, esses novos poderes são, eles próprios, transitórios pela natureza das suas mediocridades e pelo oportunismo das suas evidências.»
  2. Mas entretanto, os «juízes são os primeiros a ter aumentos no pós-troika» - porque será? Serão os trabalhadores (recuso-me a usar o neologismo laboral de “colaboradores”) mais mal pagos do país, ou haverá outra razão um pouco mais profunda?!
  3. A ministra-sinistra das Finanças e o super-competente  governador do Banco de Portugal (que hoje também reviu em baixa o crescimento da economia previsto pelo governo) depois de jurarem a pés juntos, desde Agosto, que os contribuintes não poriam um cêntimo do seu bolso no desastre do BES, vieram agora dizer que, se calhar, não poderá ser bem assim… Enganaram-se, pois então! Mas estes nem pedem desculpa.
  4. A ministra da Justiça, essa pediu desculpa, mas foi sempre dizendo que não houve caos nos tribunais. Hoje, em entrevista informal a alguns repórteres em que deu conta que os tribunais vão, aos poucos, recuperando a plataforma e tal, pediu-lhes, tão humilde (!!) «Não me façam mentir…»
  5. Quem não se enganou, nem mentiu, nem nada, foi o inefável ministro (C)rato que, na semana passada,  afirmou no Parlamento que «nenhum professor seria prejudicado» por causa do erro nas colocações, vem agora dar o dito por não dito, declarando que não prometeu aos professores a manutenção no lugar. Ele disse tão-somente «mantêm-se» e não «manter-se-ão»! «Todas as minhas afirmações na altura têm de ser lidas com atenção e interpretadas dentro do quadro legal. Os professores mantêm-se, disse. Mantêm-se até às novas listas de colocação corrigidas, que tacitamente revogam a anterior. É a lei», declarou. – o senhor ministro sabe gramática…
  6. A comissão de inquérito aprovou no Parlamento o encerramento do caso dos submarinos com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS e com os votos contra de toda a oposição que apresentou uma declaração conjunta Relatório viciado, inquérito inacabado.” Nesse documento, PS, PCP e BE acusam o relatório de Mónica Ferro de “branqueamento”, “vontade de abafar o debate”, “selecção tendenciosa de depoimentos”, “tentativas de encobrimento” e “dúvidas graves”. Apesar de tudo isto, os senhores Durão Barroso e Paulo Portas podem continuar a dormir descansados...
  7. Frase do dia encontrada no facebook:
    «Este desgoverno é versado em cobardês, desavergonhês, e passa-culpês. Obviamente, prefiro o eduquês!!»
  8. Mais revivescências haveria a registar, mas fico-me por estas – que não são nada poucas, nem boas – não sem antes referir a última:
    Faz hoje quarenta anos que vim viver para Leiria.  E esta não comento...




terça-feira, 1 de julho de 2014

O cúmulo da hipocrisia!

Considero o desemprego uma das piores chagas sociais já que acarreta muitas outras chagas sociais e familiares e todas.

Desde que esta espécie de governo, na sua sede incontida de «ir ao pote», tomou conta do país destruindo-o e vendendo-o a retalho, as vidas de tantas e tantas famílias sofreram o maior trambolhão em muitas décadas com a sua sanha furiosa do empobrecimento das pessoas e o aniquilamento da economia.

Indústria e comércio passaram a fechar portas dia após dia e o chamado funcionalismo público sofreu (e continua a sofrer) cortes inauditos. Nos Centros de Emprego as filas de desempregados nunca mais pararam de crescer e a emigração voltou aos níveis numéricos dos tristes anos 60 em Portugal.

As taxas de desemprego subiram a números nunca pensados sem que houvesse preocupação e muito menos estratégia por parte dos «governantes» para, a bem das pessoas, tentarem inverter a trágica situação das pessoas. Antes tem havido – ah lá isso tem! – um aproveitamento ao nível do nojento por parte do «patronato» para usarem de força, chantagem e abaixamento de salários e de benefícios. E quanto a criação de novos empregos, zero ou menos do que isso.

E agora, como que por milagre de alguma outra santinha da Ladeira, as taxas de desemprego descem, descem e continuam a descer… até o Eurostat vem corroborar. Como é que o desemprego desce sem que o emprego aumente? Só há uma explicação numérica, objectiva: os desempregados emigram ou então – que é pior – acaba-se-lhes o direito ao subsídio e são cortados das estatísticas. Passam à categoria de indigentes e pronto – é um alívio, um sossego para os “nossos” mui competentes “governantes”!

E aí vem o trampolineiro, o teatral, o irrevogável Paulinho das Feiras, amigo dos velhinhos que estão nos lares e não sei que outros apodos hei-de usar nele, exultar berrando aos sete ventos que «a descida do desemprego é um sinal de esperança».

É o cúmulo da hipocrisia!!




sábado, 21 de junho de 2014

Maravilhas

Pensavam então os meus amigos que eu vos ia mostrar maravilhas dos Açores, ou de Sintra ou do Gerês!







Não! Hoje vou voltar a deixar aqui algumas maravilhas desta espécie de governo que o voto de alguns portugueses comprometidos ou pouco avisados nos deu.

Vejam se são ou não verdadeiras maravilhas estas retiradas dos jornais e que vou passar a referir?
  • O PM – que ainda não conseguiu apresentar um único Orçamento de Estado sem medidas inconstitucionais – pediu ao presidente da República fiscalização preventiva de novas medidas a tomar porque «seria insuportável para os portugueses e muito custoso para a recuperação da economia que permanecesse uma incerteza demasiado elevada quanto às medidas que podem ser aplicadas ou não podem ser aplicadas»;
  • Governo recusa devolver cortes em subsídios de férias já pagos – disse o ministro Maduro (se bem que algo “verde”) num dia; no dia seguinte outro ministro mais maduro veio dizer o contrário;
  • Crise tirou 3,6 mil milhões a salários e deu 2, 6 mil milhões ao capital;
  • O número de desempregados caiu 9,5% em maio; e a taxa do desemprego não sobe há quinze meses; (o emprego, porém, não aumentou nem um número. Se bem que o ministro Portas diga que vai criar 400 postos de trabalho no interior.)
  • No último ano emigraram 128 mil portugueses; em apenas dois anos saíram de Portugal quase 250 mil pessoas entre emigrantes permanentes e temporários;
  • Portugal tem os preços mais baixos da Europa Ocidental; está 14% abaixo do nível médio praticado na União Europeia; está ao nível da Europa de Leste.

E podia continuar a desfiar maravilhas deste teor, mas penso que, por ora, chega.

Continuação de bom fim de semana! (se puderem...)


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Foi para isto?!



Já nem vale a pena falar nas mentiras que Passos Coelho pregou ao pessoal na campanha eleitoral que essas já lá vão…

Vale a pena é repisar a falta de idoneidade pessoal, política e ética por parte da súcia que ascendeu ao “governo” a começar pelo seu principal.

Disse ele: “Nós, na próxima semana, iremos comunicar essas medidas. Não são medidas que incidam em matéria de impostos, salários ou pensões, creio que já esclareci bem essa matéria e não creio sinceramente que devemos estar todos os dias a criar uma notícia em volta dessa matéria”.

Para atingir a meta de défice de 2,5% em 2015, o primeiro-ministro referiu que terão de ser identificadas “poupanças ao nível da máquina do Estado que honrem esses compromissos”.

Não é um trabalho que se faça de um dia para o outro, mas é um trabalho que será apresentado ao país muito proximamente e creio que, sinceramente, não há nenhuma razão para estar a criar um bicho-de-sete-cabeças à volta desses cortes que o Estado vai ter de fazer para o próximo ano”, sublinhou.

Passos Coelho salientou que, na próxima semana, será divulgado “o essencial dessas medidas, que serão depois completadas com a apresentação do Orçamento de Estado para 2015.

Vivemos, felizmente cada vez mais, tempos de normalidade e não deixaremos de transmitir com muita transparência aos cidadãos aquilo que são as nossas intenções”, afirmou. (Negócios Online).»

Passadas duas semanas, Passos Coelho e os seus ministros fazem o oposto do que prometeram. E aprovado o DEO – abençoada a moda das siglas que ajudam a tapar a lançar poeira para os olhos dos já cegos – ficamos a saber que:

  • Esta espécie de governo aumenta IVA para 23,25% e agrava TSU aos trabalhadores;

  • As pensões a partir de €1000 vão sofrer cortes definitivos entre 2% e 3,5%;

  • Os funcionários públicos terão os salários cortados durante oito anos (com a falácia de que vão começar a reaver o que lhes foi cortado);

  • Haverá 6 mil milhões de euros de austeridade até 2016;

  • A dívida pública ainda sobe mais em 2014.


E toda esta trapaça acompanhada por pérolas como estas:

«O aumento do IVA será amigo da economia(Passos Coelho)

«O DEO é um bom documento para a economia(Pires de Lima)

«O aumento da TSU deveu-se ao exigido pelo Tribunal Constitucional que quis equidade(Mª Luís Albuquerque)

«O aumento de impostos serve para sustentar as pensões dos reformados(Passos Coelho)

«O governo tem a preocupação de proteger os mais desfavorecidos.» (Mª Luís Albuquerque)

Privatizações ultrapassam os números da troika, mas o governo quer mais…



Foi para isto (e para muito mais) que a autodenominada esquerda impoluta e o senhor presidente da República tanto se empenharam em fazerem eleger esta espécie de governo?!


quarta-feira, 23 de abril de 2014

E viva o futebol!!


Recebi há pouco por e-mail um comunicado da Federação Nacional dos Médicos que deixo aqui para que conste. (os sublinhados são meus)

O Governo e o seu ministro da saúde desencadeiam o mais violento ataque para destruir o SNS!!!

O Governo e o seu Ministério da Saúde publicaram uma portaria (nº 82/2014) a 10/4/2014 que constitui o mais violento ataque ao SNS e ao direito constitucional à saúde, visando proceder ao integral desmantelamento de toda a rede hospitalar pública.

Nesse sentido, a FNAM considera urgente denunciar as seguintes questões fundamentais:

1- É inadmissível que um assunto desta enorme importância como é o estabelecimento de critérios para categorizar os serviços e estabelecimentos dos serviços de saúde seja remetido para uma mera portaria.

Esta medida só pode ser encarada como uma ação deliberada para fugir à discussão e até à negociação do seu conteúdo, dado que as portarias não estão obrigadas ao cumprimento dessas exigências legais gerais.

O secretismo da elaboração desta medida culminou com a sua publicação em portaria para criar a política do facto consumado.

Não é conhecido qualquer tipo de fundamentação para as medidas aí contidas, nem qualquer estudo dos impactos para as populações em termos assistenciais.

2- Os objetivos fundamentais desta portaria são o encerramento arbitrário de serviços hospitalares, alguns deles de elevadíssima qualidade assistencial e dotados de sofisticada tecnologia, colocar os vários sectores de profissionais de saúde em mobilidade forçada, despedimento de milhares de profissionais de saúde, diminuição acentuada da capacidade formação de novos profissionais, encerramento da maioria das maternidades do país, diminuição acentuada da capacidade de resposta global do SNS, criar condições incontornáveis para uma rápida expansão das entidades privadas, à custa dos subsistemas de saúde, e dar mais um passo, desta vez decisivo, para uma acelerada desertificação de vastas zonas do interior do país.

3- A portaria confere liberdade às entidades privadas das PPP de escolherem a carteira de especialidades que mais lhe convêm mediante os processos de negociação dos contratos de gestão e atribui à ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde) do Ministério da Saúde o poder exclusivo e arbitrário de autorizar, sem estarem previamente definidos quaisquer parâmetros, a instalação de novos serviços hospitalares.

4- As especialidades médicas de endocrinologia e de estomatologia são eliminadas dos hospitais públicos, os hospitais pediátricos são eliminados, o mesmo acontecendo ao Instituto Oftalmológico Dr Gama Pinto (Lisboa), que possui uma elevada diferenciação técnico-científica nessa área médica, e a dois importantes serviços de cirurgia cardiotorácica como o do Hospital de Gaia e do Hospital de Santa Cruz (Lisboa). Neste último caso, é curioso verificar que se trata de um hospital especializado na área do coração e que ao mesmo tempo que se estabelece a decisão de o liquidar são mantidos vultuosos contratos nesta área com o hospital privado da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa.

É indispensável lembrar a polémica já existente em torno das cirurgias cardiotorácicas na cidade de Lisboa, há cerca de 6 meses, com a divulgação de um relatório de uma comissão nomeada pelo Ministério da Saúde e que visava tão-somente a justificação dos contratos com aquela entidade privada.

É agora mais do que evidente que o Ministério da Saúde está a preparar, de facto, o encerramento do Hospital de Santa Cruz, tal como já na altura alertámos em comunicado.

É, ainda, indispensável sublinhar que os Hospitais de Anadia, Cantanhede e Ovar desaparecem da relação dos hospitais públicos, o que significa que o Ministério da Saúde já tomou a decisão de os privatizar ou entregar às misericórdias das respetivas zonas.

5- De acordo com o conteúdo da portaria, grande parte das maternidades do nosso país vão ser encerradas.

Nos hospitais do chamado Grupo I deixa de existir a especialidade de obstetrícia, o que implica o encerramento das respetivas maternidades.

Assim, irão desaparecer até 31/12/2015 as maternidades nos seguintes estabelecimentos hospitalares:
- Unidade Local de Saúde Norte Alentejo (Portalegre); Unidade Local de Saúde Baixo Alentejo (Beja); Unidade Local de Saúde Litoral Alentejano (Santiago do Cacém); Centro Hospitalar Cova da Beira (Covilhã e Fundão); Centro Hospitalar de Leiria; Centro Hospitalar do Baixo Vouga (Aveiro, Águeda e Estarreja); Hospital da Figueira da Foz; Unidade Local de Saúde da Guarda; Unidade Local de Saúde de Castelo Branco; Centro Hospitalar Barreiro/Montijo; Centro Hospitalar de Setúbal; Centro Hospitalar do Oeste (Torres Vedras/Caldas da Rainha); Centro Hospitalar do Médio Tejo (Abrantes, Torres Novas eTomar); Hospital de Santarém; Hospital Fernando da Fonseca (Amadora/Sintra); Centro Hospitalar do Alto Ave (Guimarães e Fafe); Centro Hospitalar do Médio Ave (Famalicão e Santo Tirso); Centro Hospitalar entre Douro e Vouga (Feira, Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira); Centro Hospitalar Póvoa do Varzim/Vila do Conde; Centro Hospitalar Tâmega e Sousa ( Penafiel e Amarante); Hospital Santa Maria Maior (Barcelos); Unidade Local de Saúde de Matosinhos; Unidade Local de Saúde do Alto Minho (Viana do Castelo); Unidade Local de Saúde do Nordeste (Bragança, Mirandela e Macedo de Cavaleiros).

6- As várias declarações já emitidas pelo Ministério da Saúde e seus serviços centrais negando o encerramento de qualquer maternidade ou qualquer redução de serviços é uma atitude lamentável e revela uma chocante falta de seriedade política.

O conteúdo da portaria é claro e muito objetivo nas suas disposições gravosas.

Muitos milhares de cidadãos vão ficar impossibilitados de aceder aos serviços de saúde.

7- A gravidade desta portaria ministerial culmina o trabalho disfarçado do Ministério da Saúde em aplicar continuadamente cortes muito superiores aos exigidos pela Troika, colocando agora a nu uma política premeditada de destruição do SNS.

É tempo de parar definitivamente com esta ação de destruição social encetada pelo Governo que se comporta perante os cidadãos portugueses como se de uma força bélica de ocupação do nosso país se tratasse.

A FNAM apela a todos os médicos, em particular, e aos cidadãos, para se oporem a estas novas e brutais medidas.

Reafirma, também, o seu empenho em colaborar com todas as forças e entidades que defendem o SNS e o Estado Social.

É preciso dizer basta. E já!!!

Porto, 22/4/2014
A Comissão Executiva da FNAM


Ao ler este amontoado de aleivosias, lembrei-me de um desabafo que um amigo escreveu há dias no facebook (e não se pense que se trata de um qualquer iletrado; trata-se de pessoa por de mais culta e conhecedora.)

«Povo de enconados!
Vão-lhes ao bolso, calam-se como escravos cobardolas!
O clube da preferência ganha ou perde, berram a plenos pulmões e saem todos à rua!»

Pois a mim parece-me que, ao ter-se conhecimento de uma enormidade como é a “consagrada” na referida Portaria, a Praça do Marquês de Pombal deveria ser pequena para reunir todos os que se considerassem prejudicados por essa lei ignara de forma a abanar as consciências (e também o físico, porque não?) destes facínoras que muitos cegamente ajudaram a eleger!


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Um filme à Fellini

Dava um filme! Ou melhor, uma novela da TVI daquelas que inicialmente têm previstos 297 episódios, mas que com o sucesso das audiências passam para 439 intermináveis episódios.

Refiro-me à saga da venda/não venda da colecção de quadros de Miró.

O argumento, digno de um Fellini, começa pela criação de um Banco (Português – diziam eles, mas foi apenas para alguns) de Negócios – negócios apenas para alguns, leia-se.


Ora os senhores que criaram esse banco tinham como intuito principal fazer enriquecer muito os seus associados que, por acaso também eram, na sua grande maioria, associados do mesmo partido. Daquele partido que sempre se bateu por controlar uma maioria, um governo e um presidente, acrescentando a essa trilogia o controlo de um banco. Uma forma de usar e aplicar os milhões que conseguiram sabe Deus (e muitos de nós) como foi comprar, comprar, comprar. Tanto que até comprou, entre outras obras de arte, uma colecção de 85 – não foram dois ou três, foram 85! – quadros do pintor Miró. Tudo no mais fechado segredo. De tal modo que nunca deu ao povo (que ajudou a comprar esse tesouro) a oportunidade de poder apreciar essa arte toda nem numa simples exposição que fosse.

Abreviando, a coisa «deu para o torto» e o banco foi-se abaixo – apenas o banco, porque os seus mandantes continuam algures muito bem – acabou por ter de ser resgatado primeiro (à custa de todos nós) e vendido depois (a um dos amigalhaços daqueles).

Passados dois anos, os senhores que ascenderam ao governo, na sanha insana de alienar tudo o que possam e não possam para agradar aos troikinos, empregados do grande capital (já pareço o camarada Jerónimo a falar…) e para armazenarem mais algum para se armarem em bonitinhos para as eleições, lembraram-se de contrabandear a colecção do Miró para a Christie’s, até porque o pessoal aqui no país é tão burgesso, tão ignorante, que lá se interessa se temos ou não temos mais uns Miró!

Aí aparecem uns tantos de um qualquer lobby dos artistas, ou dos intelectuais, ou dessa gente assim para o esquisito, que pretendem impedir essa venda recorrendo aos tribunais.

Entretanto o “governo” apela para a sua submissa comunicação social e informa que, se não houver permissão para a venda dos quadros, terão de ser pagos cinco milhões de indemnização à leiloeira. O tipo de chantagenzinha que os senhores do “governo” estão habituados a exercer sobre os tribunais, certos que o povinho está pelo lado deles.

Aí a juízazinha tremeu e decidiu autorizar a venda dos famigerados quadros. Mas, à cautela, deixou umas brechas abertas no texto. Que a saída dos quadros do país fora feita de forma ilegal e mais não sei o quê. É que o secretário de Estado, um senhor saído de um filme do Harry Potter, enviou, melhor, contrabandeou os quadros para Londres sem dar cavaco (ai!) às instituições legais como está previsto na lei. Que contentinho terá ficado o senhor secretário com a decisão da senhora juíza!

Só que em Londres, graças ao Senhor (e ao estado civilizacional), as coisas não funcionam «à Lagardère» como aqui em Portugal e a Christie’s também não é uma leiloeira qualquer pelo que resolveu cancelar o leilão enquanto as legalidades não forem repostas. Muito bem!

Sabemos que as legalidades não constam das prioridades nem das convicções deste “governo” pelo que auguro algo de mau. Como o “governo” tem por hábito vingar-se das decisões das instituições externas nos reformados e nos funcionários, já me estou a ver a pagar mais uma taxa não de solidariedade – que essa já pago e bem! – mas de compensação da multa da Christie’s…

Digam lá: Fellini não faria melhor, pois não?!

sábado, 2 de novembro de 2013

Tradições

Não sou – nunca fui – fundamentalista das tradições. Não sou daquelas pessoas que acham que forçosamente temos de passar aos jovens aquelas “coisas maravilhosas” dos nossos tempos de meninice ou aqueles hábitos e/ou ensinamentos com que os nossos pais e os nossos avós nos criaram e educaram. Por isso não lamentei amargamente o facto de as criancinhas não terem vindo ontem em bandos tocar às campainhas logo pelas oito da manhã a berrarem aquele tremendo «Ó Tia, dá bolinho?» porque estes energúmenos do “governo” fizeram desaparecer o dia 1 de Novembro do calendário dos feriados.

Lamento profundamente, isso sim, o facto de estarem a cortar indiscriminadamente feriados, como mais ninguém faz por essa Europa fora, em nome de uma demagógica e hipocritamente propalada produtividade que mais não serve senão para mostrar uma subserviência genufletida perante “os diligentes povos dos países do Norte” a quem devemos vénia e deferência (Passos dixit).

Agora lamentar e temer que a tradição se perca, isso não faço, não! Tenho cá para mim (e peço desculpa se pareço arrogante) que só se perde (ou ganha) aquilo que tem de se perder (ou ganhar) e, por outro lado, é como com os valores: perdem-se, ou melhor, desaparecem uns para aparecerem outros. Tudo de acordo com a mudança dos tempos; tudo a ver com a mudança das vontades. Tudo com a noção de uma grande relatividade.

Bom! Mas tudo isto para chegar a dizer que tenho uma familiar por de mais habilidosa que, desde que se aposentou, faz umas prendinhas mimalhas que oferece aos mais próximos com o “bolinho” da zona de Leiria. Eu sou das recebe, mesmo sem ligar nenhuma à tradição…

Vejam só o mimo!

(Fechado)

(Aberto e com recheio...)

(Olhem só o recheio...)



Ainda vou fazer umas destas "merendeiras" da zona de Leiria e depois deixo aqui a minha receita...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

"Quem tem alma não tem calma"

“Felizmente” atacou-me o febrão e mais não sei o quê que me alquebrou (mas não quebrou…) e desde domingo que não via nem ouvia notícias.

Mas hoje, ao fim da tarde, pus-me a passar uma roupita a ferro, que, tal como lavar loiça, é uma das minhas tarefas de relaxe intelectual durante a qual me permito agendar tarefas a realizar e alinhavar textos a escrever. Nem queiram saber o de ofícios de resposta a encarregados de educação, à (inutílima) DREC e ao (ainda à época não implodido ME) e o de guiões para reuniões que pus em tópicos no tempo da escola enquanto realizava estas tarefas “inferiores”…

Ora como já nada mais me resta de “criativo” para escrever senão estes miseráveis textos aqui para o blog, liguei um daqueles canais de informação e nem queiram saber o montão de novidades que recebi e que me vou permitir (não digo «partilhar» porque não gosto da palavra por estar por de mãos gasta e por ser por de mais moralista e, direi mesmo, hipócrita) dividir convosco.

Juro que nunca ouvi dizer tantas mentiras e tantas falácias em tão pouco tempo e com tanta convicção desde a última conferência de imprensa que o “nosso” “presidente” deu na Suécia.

Mas fiquei a saber que:

  •  O “governo” está a preparar com a Europa um “programa cautelar” que não é um segundo resgate conforme adiantou toda a oposição. O “nosso” primeiro logo explicou que quem não sabe a diferença entre um segundo resgate e um programa cautelar não está minimamente preparado para governar; e, por outro lado, um segundo resgate seria o que aconteceria se fosse o PS que estivesse no governo. (O “nosso” primeiro lá sabe já que quando se teve de pedir o resgate em 2011 foi ele e a trupe dos seus incluído o senhor de Belém que a tal forçou). 

  • Perguntado pela tão apregoada “reforma do Estado”, o “nosso” primeiro afirmou perentoriamente que está a ser feita há dois anos. Mas lembrando-se daquela que era para ser apresentada em Julho pelo “nosso” vice, logo emendou e informou que poderá ser discutida aquando da discussão do OE. (Sei pouco da arte da politica mas parece-me que uma reforma seja do que for tem de apresentar uma série de linhas orientadoras que têm de ser apresentadas e conhecidas antes de um orçamento o qual deverá decorrer daquela(s). Penso eu, claro!)

  • A secretária loira do “nosso” vice prometeu que em 2015 as medidas de aperto exigidas aos portugueses – leia-se a chamada “peste grisalha” e os proscritos dos funcionários públicos – serão aliviadas (que é para votarem “neles” outra vez, pois então!)O “nosso” primeiro afiança que «não sabe o que se vai passar em Portugal»; de facto, um PM não tem obrigação nenhuma de saber o que se espera para o país que governa…

  • Por último mas não em último, fiquei a saber que Vale e Azevedo foi expulso da Ordem dos Advogados por falta de idoneidade moral. É justo. Mas depois pus-me aqui a maquinar: então e o que é que aconteceu em termos profissionais a Miguel Relvas, Dias Loureiro, Duarte Lima, Arlindo de Carvalho, Rui Machete, entre “muitos, muitos, muitos, muitos” (Cavaco dixit in Panamá) outros…





quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Carta Aberta

(imagem da net)

Hoje (mas não é de agora) eu queria, do alto da minha idade, da minha experiência e das minhas vivências, boas e más, dizer ao senhor Pedro e ao senhor Paulo e ao senhor Nuno e às donas Assunções e à menina Luís e ao mestre Aníbal de Boliqueime que não queria voltar a ver como vi a mulher da casa a rebuscar os tostões pela casa para poder ir à praça comprar o almoço.

Que não queria voltar a ver a senhora que lavava a roupa ao tanque e passava o chão a pano de joelhos a ser paga em pouco mais que tostões e a levar os restos do almoço dos patrões para dar de comer à família.

Que não queria voltar a ver o homem da casa a ficar sem emprego e ato contínuo sem qualquer provento para continuar a manter a família.

Que não queria voltar a ver as crianças a abandonarem a escola porque os pais não conseguem mantê-los lá nem a isso são obrigados.

Que não queria voltar a ver as crianças e as pessoas portadoras de deficiência a serem escondidas em casa – quem não aparece, não existe.

Que não queria voltar a ver os doentes – os que puderem, claro! – serem tratados em casa ou em instituições privadas porque os hospitais não têm condições para os receber. E que não puderem morrer se deixam.

Que não queria voltar a ver o afastamento e a subserviência dos pobres, que serão cada vez mais, relativamente aos abastados, que serão também cada vez mais.

Que não queria voltar a ver chegar um qualquer «salvador da pátria» e tomar conta disto tudo e de todos nós em nome do equilíbrio das finanças.

Mas a avaliar pelo caminho que as coisas estão a levar, já não sei não!



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Dia Mundial da Saúde Mental

Fiquei a saber ainda agora que se celebra hoje o Dia Mundial da Saúde Mental. E também fiquei a saber que - infelizmente - o nosso país é dos primeiros países europeus em que há mais casos de pessoas com problemas de saúde metal. O que - bem vistas as coisas - não admira pois se estamos entregues a uma súcia de loucos como estes!















PUM!!!




NÃO HÁ QUEM AGUENTE!