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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Máscaras!

Agora é só escolher...



domingo, 3 de maio de 2020

Mãe!

(Maternidade - Almada Negreiros)



Confidências

Mãe! eu não sei nada! Eu não me lembro de nada!
Ah! lembro-me!
Lembro-me de ter ajudado a levar pedras para as pyramides do Egypto!
Tambem me lembro de me ter chamado José, antigamente, com meus irmãos
e uma mulher!

Mãe!
Estou a lembrar-me! Tu já fôste a menina loira! Eu já fui o menino
verdadeiro a quem tu davas de mamar! Eu já estive comtigo na terceira
oleografia!
Lembro-me exactamente! Quando tu me beijavas, o sol não doía tanto
na minha pelle!

Mãe!
Estou a lembrar-me!
E as tardes quando iamos todos juntos soltar palavras no caes e vêr
chegar mais laranjas!

Outras vezes juntavamo-nos na praia para nadar melhor do que os
outros e deixar o sol queimar quem mais merecêsse. Já as laranjas
estavam contentes com o que chegasse primeiro! O melhor jovem ganhava
a melhor rapariga. Os outros sabiam aquella que tinham ganhado. Eu
tinha ganho a minha!

(…)

Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar historias ricas que ainda não
viageie. Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta
côr de sangue, sangue! verdadeiro, encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de
viagens! Eu vou viajar. Tenho sêde! Eu prometo saber viajar.

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu
vou aprender de cór os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me
a teu lado. Tu a cosêres e eu a contar-te as minhas viagens, aquellas
que eu viagei, tão parecidas com as que não viagei, escritas ambas
com as mesmas palavras.

Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a meza. Eu tambem
quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa
casa, como a meza.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

(in Invenção do Dia Claro, Almada Negreiros, 1921)


(daqui)    Almada Negreiros ao colo da mãe, Elvira Sobral de Almada Negreiros, 1894 

domingo, 4 de agosto de 2019

A exposição dos 500 anos de Leonardo da Vinci

Foi por um acaso que demos com a exposição dos 500 anos de Leonardo da Vinci, o Inventor, em Lagos, no Edifício Infante - uma iniciativa do Programa Ciência Viva.




Deixo aqui algumas imagens - algumas com pouca qualidade porque era noite e a luz não era muito boa - se bem que, se puderem, vão visitar que vale a pena. Está patente aos público até 27 de Outubro próximo.

Segundo nos foi explicado, os desenhos encontram-se em Espanha, na Biblioteca Nacional e foi tendo em conta esses desenhos que os artefactos exposto foram construídos.






O levantador de colunas




Género tanque de guerra












O carro sintético

A grua torre

O barco de pás

Aparelho voador



O para quedas (desenho descoberto apenas no séc. XIX)

Outros desenhos:

A metralhadora 

A cidade moderna

O robot

Esboço da Virgem, Santa Ana e o Menino

Reprodução da Mona Lisa

Reprodução de um fidalgo 

E por fim, construções para os visitantes se divertirem.


A neta em construção...



sábado, 2 de março de 2019

Deprime-me o Carnaval


Deprime-me a época do Carnaval. E não é por não gostar desta quadra como afirma grande parte das pessoas minhas conhecidas. Eu sempre me considerei uma pessoa divertida e que gosta de se divertir, por isso gosto, ou melhor, gostava de brincar ao Carnaval.

Lembro-me, ainda em Algés, que a minha avó me levava de elétrico ao cinema do Restelo em Belém, às matinées para crianças onde muitas delas estavam mascaradas e onde se atiravam serpentinas e papelinhos de cores bem vivas e os já muito esquecidos saquinhos de serradura que tanto faziam doer em quem eles acertavam… E, claro, as irritantes bisnagas de água com nos molhavam a cara e os cabelos. E eu, que era uma menina educada sozinha com os meus avós, sossegada e tímida, achava tudo aquilo tão divertido, tão fora do meu mundo cinzento…

Depois, Sintra, já na adolescência, no tempo do colégio felizmente misto, vieram as festas em casa desta e daquela, os primeiros bailes dos meus Diamantes, o primeiro baile na garagem não sei de quem lá para baixo para a Rua da Pendoa ou para a Rua da Biquinha, os bailes da SUS, aquela loucura anos 60 – se bem que uma loucura algo permitida, algo dominada – as festas em nossa casa, as mascaradas trapalhonas, os primeiros beijos…. Viviam-se as semanas a estudar muito para restar todo o tempo livre para as festas nos fins de semana.

A Faculdade trouxe outra etapa, outros amigos, outro namorado. Adeus Diamantes! As festas de receção aos caloiros no Espelho de Água, os bailes de carnaval nas Belas-Artes, a louca música dos carnavais brasileiros e os próprios dos jovens brasileiros que por cá andavam e estudavam. Tanto divertimento! Tanta emoção!

E já adultos e casados, ainda houve festas de Carnaval e de Passagem de Ano, com muita música e muita dança e muito divertimento. Mas nunca nada de desfiles ou de corsos com aqueles deprimentes carros alegóricos cheios de meninas em bikini a fingir que sambam, mas a tiritar com frio. Esse nunca foi o meu Carnaval.

Porém a vida, na sua inexorável trajetória, começou a descrever o arco de volta inteira (ou de volta abatida, sei lá!) e as festas e as folias deixaram de surgir e de fazer sentido. Ficou a memória e uma certa nostalgia, pois que mais poderia restar.

E são essa memória e essa nostalgia – junto com os primeiros estremeções que a primavera nesta altura do ano dá no ar e este novelo labirinticamente emaranhado em se me move a mente – que me deprimem.

Hélas! 



sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Rapsódia de Bethlehem

Decalcada na belíssima Bohemian Rhapsody dos míticos Queen, não se resiste a ver e rever e divulgar esta Bethlemian Rhapsody que, de forma bem divertida, relembra o nascimento de Jesus.

Se não conhecem, não percam. (só lamento que as legendas não sejam em português)

E, já agora, Bom Natal!




segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O sentido prático das mulheres...

Caros Amigos,

Como ando sem tempo para escrever coisas sérias e interessantes (?!) para editar aqui, nem para visitar e comentar as vossas edições lá nos vossos espaços dadas todas a "aventuras" em que me meti, deixo, pelo menos, umas brincadeiras para, ao menos, vos fazer sorrir...




quarta-feira, 27 de junho de 2018

Exposição de José Luís Tinoco

As belas instalações do Banco de Portugal em Leira, depois do encerramento daquela dependência, foram transformadas em espaço para exposições de arte.



Ontem, com tempo que me sobrou de alguns “recados” que tinha para fazer, e também para refrescar do calor do início da tarde, entrei para visitar a exposição “Os Ateliers” do leiriense José Luís Tinoco. Esse mesmo: o da música!

José Luís Tinoco nasceu em Leiria em 27 de dezembro de 1932. (o resto da vida de Tinoco dedicada às artes poderão lê-la aqui)









O amolador noturno

Ceia

Claraboias 





Autorretrato



Sultanas







Jardim

Desenhou muitos selos para os "nossos" CTT.

















E na música






Um verdadeiro artista!