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segunda-feira, 5 de março de 2018

Se rido se piango

Não, não vou comentar os resultados das eleições de ontem em Itália porque, apesar dos resultados que Berlusconi, a entrar na 4ª idade, possa ter e apesar de os italianos virem a ter um chefe de governo com idade e carinha de bebé, não sei o suficiente para o fazer.

A expressão italiana tem a ver como uma qualquer canção que me veio à lembrança porque, de facto, não sei se ria, se chore.

E porquê? É que não me sai da cabeça uma das notícias domésticas mais escandalosas dos últimos dias. Um senhor que completou uma licenciatura tarde e a más horas (e não por ter sido trabalhador-estudante) ministrada por uma qualquer universidade privada, com uma qualquer média final; um senhor sobre o qual pende uma fraude escondida pelos amigos pátrios mas descoberta pelas contas europeias; um senhor que manteve no seu governo um outro senhor que se disse licenciado por aquela mesma universidade sabendo que nem o primeiro ano tinha completado; um senhor que mentiu todo o tempo ao país e o estraçalhou enquanto governou; um senhor que sempre mostrou uma enorme falta de cultura de toda a ordem, a começar pela linguagem que utilizava e grande falta de cidadania; um senhor que não estudou, não investigou, não pesquisou, não escreveu…

… esse senhor vai dar aulas em três universidades públicas e privadas?

… esse senhor vai dar aulas no mestrado e no doutoramento de Administração Pública, devendo fazê-lo na categoria de professor convidado catedrático?

… esse senhor vai ter uma espécie de equiparação salarial à de professor catedrático, o topo da carreira no ensino universitário?

Às primeiras impressões dá vontade de dar umas enormes gargalhadas. Mas depois, quando penso na deceção dos “alunos” e na fúria dos catedráticos de carreira que tanto tiveram de estudar e de se sujeitar a constantes avaliações e concursos para lá chegarem… ah! Aí dá-me cá uma vontade de chorar que nem vos digo.

Pobre país este.





quarta-feira, 1 de abril de 2015

terça-feira, 10 de março de 2015

O «politicamente correto»

Insuportável a expressão bem como o conceito do «politicamente correto». À semelhança da «assertividade» (de que falarei noutra altura) soa a hipocrisia, soa a falso. 

Encontrei uma definição de «politicamente correto» que acho por de mais completa; dizem ser de um aluno da Universidade de Griffith, na Austrália e diz assim: «Politicamente correcto é uma doutrina, sustentada por uma minoria iludida e sem lógica, que foi rapidamente promovida pelos meios de comunicação, e que sustenta a ideia de que é perfeitamente possível pegar num pedaço de merda pelo lado limpo.»

Admiro os articulistas que, nos jornais, fazem o seu comentário ou dão a sua opinião da forma mais escorreita possível sem problemas de «politicamente correto». Admirava as opiniões de Baptista-Bastos como admiro a forma desassombrada com que Pedro Marques Lopes, um PSD assumido, todos os domingos "derrete" (quase) todos os políticos, ou melhor, aquela espécie de políticos, em que ele próprio votou.


Esta semana, ataca (aquela espécie de) primeiro-ministro apresentando uma dualidade entre o Passos Coelho primeiro-ministro e o Passos Coelho cidadão concluindo: «Ao Passos cidadão, homem consciente das suas imperfeições, humilde, avesso ao puritanismo, com noção de que a importância dos pecados muda com o tempo, não perdoaria o Passos Coelho primeiro-ministro. Estou aliás convencido de que ultimamente quando olha para o espelho e vê o cidadão Pedro Passos Coelho lhe diz: "És um piegas, pá."»


Entretanto, e a propósito do caso das dívidas à Segurança Social do dito pm, aponta o dedo ao ministro da Segurança Social e a Cavaco que vieram, pressurosos, defender "o seu menino"...

Só uma coisa com a qual não posso concordar: é que termina a crónica dizendo: «Ao que Cavaco Silva chegou.» Por mim penso que Cavaco Silva sempre assim foi. Pequenino, mesquinho, tendencioso, pretensioso, preconceituoso. Vil.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A política do «custe o que custar»



Que este primeiro-ministro que, por incúria de alguns – ou de muitos – «foi ao pote», ou seja, tomou o poder de assalto, não tem política(s) não é novidade para ninguém neste país.

Que este mesmo primeiro-ministro não tem uma linguagem cuidada e usa muitas expressões do registo coloquial que não quadra com o nível de um chefe da governação, também já nos espanta.

Mas daí a utilizar a mesma vulgar expressão em sentidos contrários é que é de mais!

Então o senhor Passos Coelho, pouco tempo após ter chegado ao pote, digo, ao governo, afirmou aos quatro ventos que «temos de pagar a dívida custe o que custar». Mas ontem, depois de se saber que uma mulher de 51 anos que sofria de hepatite C morreu porque não lhe pôde ser ministrado o medicamento respectivo porque o hospital não tinha dinheiro para o comprar, depois de se saber que as pessoas morrem nas urgências sem que um médico chegue perto de si, depois de se saber que as mortes nos hospitais têm sido aos milhares e não apenas por efeito do pico de gripe, o insigne primeiro vem a público e afirma, como se de um nazi se tratasse, para quem o quis ouvir que «deve-se fazer tudo para salvar vidas, mas não custe o que custar».

Facilmente se conclui destas – e de outras muitas – afirmações desta espécie de primeiro-ministro que nos calhou em sorte que há que fazer de tudo para pagar aos agiotas que nos emprestam dinheiro para podermos continuar a aumentar a dívida soberana, mas que não temos de fazer de tudo para salvar vidas de cidadãos.

Que bem entregues estamos!

domingo, 28 de dezembro de 2014

O ano de...

Sabe quem frequenta o facebook que, neste final de ano, o administrador daquela rede social brindou cada um dos inscritos com uma breve resenha das fotografias que fomos publicando ao longo do ano e a que chamou «O ano de...» e onde se pode ler a seguinte legenda:«Foi um ano espetacular! Obrigado por fazeres parte dele!»

Curiosamente o meu «ano de Graça» (assim se chamou o meu ano) inicia-se na capa com uma fotografia (que deixo abaixo) dos quadradinhos fofos que faço e que os meus netos muito apreciam - não sei se a intenção é chamarem-me gulosa, mas se é... acertaram!




Ora tive acesso ao «ano de Pedro», cuja capa é esta:




E terminava assim:



Que vos parece?! Alguma reclamação a fazer ao facebook?!...


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A salsicha (educativa) de Passos Coelho

Que aquela espécie de primeiro-ministro que muitos de nós - salvo seja! - fizeram chegar ao governo é um borgesso sem tamanho já (quase) toda a gente sabe tendo em conta o tipo de linguagem que amiúde utiliza e as expressões de baixo nível (género «que se lixem as eleições» e outras) que lhe saem boca fora. 

Hoje, na sessão solene de abertura do ano letivo do Conselho Nacional de Educação, brindou os presentes e o país em geral com mais uma das suas pérolas culturais (que, desculpem-me a sobranceria, decerto lhe vêm do curso na Lusíada) quando teve a seguinte tirada: "Sabemos melhor do que ninguém que aumentar a chamada salsicha educativa não é a mesma coisa que ter um bom resultado educativo. Foi assim que, no passado, a generalização de novos graus de ensino não corresponderam a um salto qualitativo mais exigente no produto escolar. Temos muitos mais alunos a frequentar o ensino básico e secundário, esperamos poder vir a ter significativamente mais alunos a frequentar o ensino superior, mas é importante que o resultado final corresponda a uma melhoria da qualidade do ensino que é prestado."

Não vou demorar-vos aqui e agora a perorar sobre a história de (pobre) educação em Portugal nem sobre a diferença entre quantidade e qualidade em educação e como ao longo dos ainda exíguos 40 anos de democracia tivemos de nos ater à quantidade dadas as nossas baixíssimas taxas de instrução e só depois dos anos 90 é que começámos a ter algumas preocupações de qualidade - tudo coisas de "somenos importância" que o senhor Passos Coelho deveria aprender com pessoas de nível como Roberto Carneiro e outros.

O comentador da notícia ainda lhe deu o benefício da dúvida e refere que o senhor primeiro de baseou num escrito do professor escocês Neil Smith que, por sua vez, se inspirou em Marx. Por mim acho esta explicação profunda de mais para Passos e avanço uma razão mais ao seu nível: a ideia da "salsicha educativa" veio-lhe do tempo em que se movia no campo das Doce e assim e do vídeo da música dos Pink Floyd...

Senão vejam...





segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Ridículo!

Foi das imagens mais ridículas que tenho visto nos últimos tempos: o “nosso” primeiro armado em cidadão comum a conduzir um pequeno Clio (que dizem que é de 2009) em direcção ao Algarve com a família para passar as “merecidas férias” numa altura em que o país, já meio ou mais de meio destruído por força da sua ignóbil governação, enfrenta mais um descalabro económico perpetrado por mais um dos “grandes” da enorme família que é o PSD da qual saíram nomes de monta como o de Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Duarte Lima, Arlindo de Carvalho e outros.




Apetece transcrever a opinião do sempre crítico Sérgio Lavos que li hoje: «Não há memória de tal demonstração de cobardia política, de tanta cobardia pessoal. A imagem de Passos Coelho em trajes menores passeando pelo areal de Manta Rota enquanto fala para as câmaras sobre a falência do BES com a leviandade de um inimputável ficará como corolário de uma governação marcada por uma trágica sucessão de actos e acontecimentos indignos.»





Esta imagem de pessoa séria, comum, poupadinha, provinciana (um Salazar dos tempos modernos) deu frutos no período eleitoral e nas primeiras semanas de governação. Presentemente duvido que ainda haja muitos portugueses que acreditem no ar tipo «escuteirinho de Massamá» a entrar no mar com a mulherzinha atrás…

Ridículo!!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Calimero em versão nacional

Até há uns meses atrás a culpa de tudo o que acontecia de mal neste país era imputado ao Sócrates. Agora, depois de inventarem que ele ia para a cama com outros homens (e se fosse, qual era o crime?); depois de inventarem todas as trapaças e mais algumas sobre roubos, contas off shore e desvios orçamentais colossais que nunca conseguiram provar, o homem foi finalmente deixado um pouco em paz e preterido pelo Tribunal Constitucional.

Portugal foi considerado hoje o 2º país da Europa com menos apoio às famílias – culpa do Tribunal Constitucional!

Bruxelas e o FMI reviram em baixa o crescimento da economia portuguesa – culpa do Tribunal Constitucional!

Portugal é visto como um país de empresas de baixa facturação – culpa do Tribunal Constitucional!

O número de pessoas e famílias a viver no limiar e abaixo do limiar da pobreza aumenta em velocidade de cruzeiro – culpa do Tribunal Constitucional!

A taxa do desemprego vai descendo não por criação de emprego, mas porque os desempregados vão deixando de ter direito ao cada vez mais encolhido subsídio de desemprego passando à qualidade de indigentes – culpa do Tribunal Constitucional!

São cerca de 40 mil professores que se candidataram a um número diminuto de mil e novecentas vagas do quadro – culpa do Tribunal Constitucional!

Até o ministro da Saúde vem dizer «vamos lá ver se não temos de fazer cortes na Saúde» - tudo por culpa do Tribunal Constitucional!

O “nosso” primeiro queixou-se de que a sua governação foi posta em causa – culpa do Tribunal Constitucional! (é que foi a primeira vez que tal aleivosia aconteceu!)

E por fim, o “nosso” primeiro teve de cancelar a visita ao Brasil para assistir ao encontro inaugural da Selecção – culpa do Tribunal Constitucional, claro!!

São duas as inferências que se me assomam à ideia:   
                                                                               
Primeiro, que o “nosso” primeiro é uma vítima de todas as malvadezas e estão todos contra ele, coitadinho! Como dizia o Calimero (quem não se lembra dele?) «It’s not fair!!»



Depois, em modo bem mais duro que nada tem a ver com o boneco animado do tempo das minhas filhas, só me apetece citar o ex-secretário de Estado da Cultura: «Vão tomar no cu!» (Desculpem-me o vernáculo, mas estou a citar um conhecido escritor da praça.)



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Foi para isto?!



Já nem vale a pena falar nas mentiras que Passos Coelho pregou ao pessoal na campanha eleitoral que essas já lá vão…

Vale a pena é repisar a falta de idoneidade pessoal, política e ética por parte da súcia que ascendeu ao “governo” a começar pelo seu principal.

Disse ele: “Nós, na próxima semana, iremos comunicar essas medidas. Não são medidas que incidam em matéria de impostos, salários ou pensões, creio que já esclareci bem essa matéria e não creio sinceramente que devemos estar todos os dias a criar uma notícia em volta dessa matéria”.

Para atingir a meta de défice de 2,5% em 2015, o primeiro-ministro referiu que terão de ser identificadas “poupanças ao nível da máquina do Estado que honrem esses compromissos”.

Não é um trabalho que se faça de um dia para o outro, mas é um trabalho que será apresentado ao país muito proximamente e creio que, sinceramente, não há nenhuma razão para estar a criar um bicho-de-sete-cabeças à volta desses cortes que o Estado vai ter de fazer para o próximo ano”, sublinhou.

Passos Coelho salientou que, na próxima semana, será divulgado “o essencial dessas medidas, que serão depois completadas com a apresentação do Orçamento de Estado para 2015.

Vivemos, felizmente cada vez mais, tempos de normalidade e não deixaremos de transmitir com muita transparência aos cidadãos aquilo que são as nossas intenções”, afirmou. (Negócios Online).»

Passadas duas semanas, Passos Coelho e os seus ministros fazem o oposto do que prometeram. E aprovado o DEO – abençoada a moda das siglas que ajudam a tapar a lançar poeira para os olhos dos já cegos – ficamos a saber que:

  • Esta espécie de governo aumenta IVA para 23,25% e agrava TSU aos trabalhadores;

  • As pensões a partir de €1000 vão sofrer cortes definitivos entre 2% e 3,5%;

  • Os funcionários públicos terão os salários cortados durante oito anos (com a falácia de que vão começar a reaver o que lhes foi cortado);

  • Haverá 6 mil milhões de euros de austeridade até 2016;

  • A dívida pública ainda sobe mais em 2014.


E toda esta trapaça acompanhada por pérolas como estas:

«O aumento do IVA será amigo da economia(Passos Coelho)

«O DEO é um bom documento para a economia(Pires de Lima)

«O aumento da TSU deveu-se ao exigido pelo Tribunal Constitucional que quis equidade(Mª Luís Albuquerque)

«O aumento de impostos serve para sustentar as pensões dos reformados(Passos Coelho)

«O governo tem a preocupação de proteger os mais desfavorecidos.» (Mª Luís Albuquerque)

Privatizações ultrapassam os números da troika, mas o governo quer mais…



Foi para isto (e para muito mais) que a autodenominada esquerda impoluta e o senhor presidente da República tanto se empenharam em fazerem eleger esta espécie de governo?!


terça-feira, 8 de abril de 2014

Programa Cautelar

O nosso Henriquamigo da Travessa do Ferreira que atualmente está em Goa, soube por lá, penso que em primeira mão, que Portugal vai sair do programa de ajuda financeira, com um programa cautelar. E até me mandou uma fotografia de como vai ser.

Ora vejam.



terça-feira, 1 de abril de 2014

Dia das Mentiras

Com a cambulhada de mentirosos que integram aquela espécie de governo que nos calhou na  rifa das eleições, o dia das mentiras cá em Portugal podia ser celebrado quase dia sim, dia também. Mas hoje, que é o Dia das Mentiras mesmo,  merecem uma homenagem especial. 

Prémio «O Mais Mentiroso da Legislatura»














Chega assim, não vos parece?
Num país verdadeiramente democrático, estes senhores 
estariam já demitidos!

(imagens retiradas do Google) 

terça-feira, 18 de março de 2014

Subserviência ou… vamos contar mentiras

«O primeiro-ministro afirmou ontem em Berlim que Portugal conseguiu "uma mudança estrutural na economia portuguesa, que é hoje muito atrativa para o investimento estrangeiro e que proporciona uma perspectiva de crescimento económico quer para este ano quer para os seguintes".

"O crescimento voltou e o desemprego está ser reduzido. Transformámos o desequilíbrio crónico da conta corrente num superavit, já significativo, de dois por cento do PIB em 2013. As nossas exportações vêm a crescer a uma taxa mais rápida do que na zona euro, desde 2010, superando 40% do PIB em 2013 a partir de um ponto baixo de 28% em 2009", relatou.

Estes fatores fazem a chanceler alemã olhar com entusiasmo para Portugal, considerando que o ajustamento "está no bom caminho" até "melhor do que estava previsto".

Angela Merkel manifestou o apoio a "qualquer decisão" que Passos Coelho vier a anunciar sobre a estratégia de saída do programa de ajustamento português, tendo desvalorizado as "divergências" entre o Governo e a oposição.»

«Num voto de confiança a Passos, acrescentou: "Portugal está no caminho certo. Está no bom caminho."

Passos Coelho, pelo seu lado, agradeceu à chanceler "todo o empenho" da Alemanha ajudando Portugal ao longo do memorando.»

E aí lembrei-me!



Atual, né?!


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Até para ser cão é preciso ter sorte!



Digo isto muitas vezes. Porque, ao contrário do que muita gente diz – que «a sorte se constrói» e assim – eu acredito mesmo na sorte. Indiscriminada. Aleatória. Desaparelhada. Sorte apenas!

Há muitos anos, lá para os finais de 80/ inícios de 90, assisti, de muito perto, ao desfazer de uma fraude de alguma envergadura no meio. No meio profissional e social. Um professor de carreira, na direção de uma escola C+S, como se dizia à época, dando provas de bom desempenho profissional,  de quem se provou ter forjado as habilitações e que não tinha feito mais do que o antigo 5º ano (actual 9º). Foi um caso sério como devem calcular. Não tenho como desculpar o seu feito, nem é desculpável, naturalmente. Mas nunca mais me esqueço da “armadilha” que um grupo de colegas lhe armou, nem o olhar de gáudio – senão mesmo de algum ódio – de uma delas ao apresentar a denúncia.

Nunca mais ouvi falar dele, nem sei o que lhe aconteceu. Nem me interessou saber, face à humilhação da pessoa – que até nem era das minhas maiores simpatias.

E é aqui que entra a sorte. Aquela com que comecei o texto de hoje. O «dr» Relvas não fez mais do aquele meu ex-colega de que falei: aldrabou, forjou, aproveitou-se. Só que enquanto o meu ex-colega teve um grupo de colegas que o cercou e abateu, naturalmente com justiça, o «dr» Relvas, depois de ser cercado e denunciado, saiu pelo seu próprio pé, refugiou-se no Brasil desempenhando um qualquer cargo (para o qual não tem habilitação, nem saber) e agora é resgatado pelo grande amigo (que por acaso é o primeiro-ministro de Portugal) que muito lhe deve (ou direi tudo?) e volta para a ribalta política, pela porta grande – mesmo sendo a porta grande de um palco pequenino como é o da vida politico-governamental deste país. Também pequenino.

Estão a ver porque é que eu digo que ate para ser cão é preciso ter sorte?

sábado, 28 de dezembro de 2013

Acorda, povo!

Para um povo que aguentou, de cabeça baixa, 48 longos anos de ditadura abençoada pela Igreja e que ainda hoje suspira por esse tempo, não chegam as manifestações que se têm feito um pouco por todo o lado, nem as críticas à destruição do país nas redes sociais e nos fóruns - que a comunicação social está, de um modo geral, submetida ao poder - nem os dilacerantes testemunhos de quem tudo perde diariamente e passa fome, nem os suicídios (de igual modo calados pela comunicação social), nem o desesperado movimento hemorrágico («Diáspora» chama-lhe aquele senhor metido a presidente, sem saber muito bem o que diz) da juventude qualificada para outros países que lhes abrem as portas e os braços, para abrir os olhos e perceber que é preciso agir!

Mesmo assim - ou talvez por isso - é preciso continuar a mostrar por palavras simples e por números, o buraco, a lama em que este "governo", esta "maioria" e este "presidente" nos estão a atolar. E porque há quem o faça muito melhor que eu, transcrevo a crónica da Câncio no DN de ontem. 

Vale a pena ler. Há que acordar Portugal!



Passos natais passados

Em 2010, na oposição, Passos garante que, devido à crise, lá em casa só haverá presente para "a mais nova". "Foi um ano muito duro", diz no vídeo de Natal. "Pelo desemprego, pelo aumento dos impostos, na redução dos salários, na quebra do investimento. Enfim, é um período de grande tensão e de incertezas tanto para os mais jovens como para os menos jovens." Com o IVA a aumentar um ponto percentual nos três escalões e o IRS a subir para todos com um novo escalão de 45% acima dos 150 mil euros, o ano fecha com desemprego de 10,8%, dívida pública de 92,4%, e PIB a crescer 1,9%.

2011: mensagem natalícia é já de PM. O que cortou meio subsídio a toda a gente e anuncia que em 2012 funcionários públicos e pensionistas ficarão sem os dois (Natal e férias). Medidas que não estavam nem no memorando nem no seu programa eleitoral, mas não o impedem de falar de confiança: "É um ativo público, um capital invisível, um bem comum determinante para o desenvolvimento social, para a coesão e para a equidade. São os laços de confiança que formam a rede que nos segura a todos na mesma sociedade. Um dos objetivos prioritários do programa de reforma estrutural do governo consiste precisamente na recuperação e no fortalecimento da confiança." Ano fecha com défice de 4,2% (abaixo do previsto), dívida pública 107,2%, desemprego 12,7%. PIB contrai 1,6%.

2012 é o ano do anúncio do aumento da TSU para trabalhadores, que cairá pela contestação, e do "enorme aumento de impostos" para 2013, depois do IVA no máximo para a restauração, eletricidade e gás. Se desemprego alcança 15,7%, respetivo subsídio é reduzido em duração e valor, como indemnizações por despedimento. RSI e Complemento Solidário para idosos sofrem cortes. Tudo ao contrário da mensagem natalícia do PM, que exorta "todos [a] fazer um pouco mais para ajudar quem mais sofre, quem perdeu o emprego" e a celebrar os 120 mil lugares vazios dos emigrantes: "Esta quadra natalícia será um momento especial para recordarmos aqueles que estão mais longe, ou aqueles que se afastaram de nós no último ano." Tanto sacrifício para défice subir aos 6,4%, muito acima do acordado, dívida pública atingir 124,1% e PIB contrair 3,2%.

2013, e eis Passos redentor: "Começámos a vergar a dívida externa e pública que tanto tem assombrado a nossa vida coletiva. Fizemos nestes anos progressos muito importantes na redução do défice orçamental, e não fomos mais longe porque precisámos dos recursos para garantir os apoios sociais e a ajuda aos desempregados." De facto: num ano cortou-se CSI a 4818 idosos pobres e no OE 2014 vêm mais cortes, também no RSI e ação social. Prevê-se 17,4% de desemprego, com o de longa duração e jovem a aumentar (por mais que o PM jure que se criaram 120 mil empregos). Dívida vai a 127,8%, PIB contrai 1,5% e défice deverá ficar em 5,9%, 1,4 pontos acima do acordado em 2012. Mas o Pedro vê cenas. Este ano, às tantas, até houve presentes para todos lá em casa.

(Fernanda Câncio, DN/ 27/Dez/2013)



sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O guionista



Passos Coelho arranjou uma tarefa adequada para o seu Vice-Primeiro: fazer guiões! O dr. Portas está para apresentar o guião da reforma do Estado, que anda a escrever desde Novembro de 2012. Que esteve para ser apresentado em Fevereiro, que esteve para ser apresentado antes das férias de verão, depois do regresso da birra e agora é que é. Era para ser amanhã mas fica para a próxima quinta-feira. Quem já esperou um ano pode esperar mais uma semana. Estamos todos em pulgas para ler o guião de Paulo Portas…. Isto é, para ver como ele safa o rabo que Passos Coelho lhe espetou, ao associar o seu guião da reforma do Estado, com a realidade da austeridade.

(ideia aproveitada do facebook)




segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Cambada de desbragados!


Todos nos lembramos bem do criado de libré – o meu muito apreciado Ferreira Fernandes chamou-lhe mordomo, mas a figura do «mordomo» é séria e fina de mais para qualificar semelhantes badamecos. Mas afirmava eu que estamos todos bem lembrados do criado de libré que, aqui há uns anos, serviu uns cafés ao Bush e ao Blair nos Açores e que depois a mando destes seus patrões jurou a pés juntos que o Iraque estava minadinho com armas de destruição maciça. E a troco disso livraram-no de chefiar um governo fraquinho e também de coligação com o irrevogável Portas e mandaram-no para chefiar a Comissão Europeia (ao que a Europa chegou!) não sem antes ele gritar a plenos pulmões que «o país estava de tanga».

Pois foi este ilustrado senhor que no passado sábado veio a um qualquer fórum de empresários realizado em Vilamoura e, certamente encomendado pelos seus congéneres deste “nosso” “governo”, lançou mais umas tantas barbaridades pela boca fora do género: «Portugal tem de cumprir os passos previstos» pela troika e acrescentou que «o recado é válido para todos» incluindo o Tribunal Constitucional (imagine-se o atrevimento!). E no fim, em jeito de conclusão, deixou esta pérola: «Quando as pessoas começam a duvidar, começam a vender dívida pública portuguesa, os juros começam a aumentar e lá temos outra vez o caldo entornado.» Uma expressão de tom elevado que em tudo define a personagem que a proferiu.

Temos de admitir que os “nossos” políticos são de facto pessoas que, além de muito bem formados, bem dominam os níveis da nossa formosa língua portuguesa, espacialmente o nível popularucho que, garanto-vos, não consta da Gramática do Professor L. Cintra… Temos igualmente presentes expressões deste nível de língua preferidas pelo “nosso” primeiro, desde o famoso «que se lixem as eleições!» até ao «Está a sair-nos do lombo», ao «Não estamos a pôr porcaria na ventoinha» e a culminar o «Para trás mija a burra» com que respondeu a uma idosa na campanha eleitoral do mês passado.

Perante uns “governantes” assim desbragados que nos apodam de tudo o que é mau, que nos desrespeitam, nos ignoram, nos vilipendiam, que governam à nossa revelia e contra nós, estamos de facto muito mal entregues!


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O mentiroso compulsivo

Eu bem sei que muitos dos meus queridos seguidores não falham a leitura das crónicas das 4ªs feiras do jornalista/escritor Baptista-Bastos pelo que se torna repetitivo transcrevê-las para aqui. Mas a crónica de hoje é por de mais relevante e atual - e por de mais bem escrita - para não a reproduzir.

Não posso deixar de chamar a vossa atenção para o vocabulário meticulosamente escolhido para que o efeito nos leitores tenha a força contundente tão grande e tão contundente como é a atuação do visado sobre o povo. Muito bom!

O mentiroso

«Pouco há a fazer senão demonstrarmos a nossa indignada repulsa. O homem é um mentiroso compulsivo. Há dois anos ameaçou-nos com o empobrecimento, "única alternativa", dizia, à soberba que de nós se apossara para vivermos "acima das nossas possibilidades." Íamos, pois ficar mais pobres do que temos sido. Depois, como a Fénix que renasce das cinzas, gozaríamos de um cintilante futuro. O rol de miséria que se seguiu causou-nos infortúnios e desditas sem nome. Agora, o mesmo homem, possuído de amnésia contumaz, veio afirmar que nenhum político seria capaz de afirmar tal destino. A SIC, pressurosa e cheia de zelo informativo, foi aos arquivos e retransmitiu a primeira e a segunda mensagens. Acaso para avivar a lembrança do desmemoriado ou, simplesmente, para reforçar o que dele sabemos: transformou a mentira numa banalidade.

O pior de tudo é que não nos podemos esconder nem fugir deste homem. Ele está em todo o lado, com rostos diversos e múltiplos, a mesma voz enfática, a mesma mentira travestida, as mesmas maneiras afáveis e frias. Mentir a nós, que temos cama, mesa e roupa lavada asseguradas, é o menos. Mentir aos desempregados, aos velhos, aos miúdos famintos nas escolas, aos moços e moças que não sabem o que fazer porque lhes foi tirada a mais ínfima parcela de sonho - essa, sim, é uma mentira monstruosa, a merecer todas as maldições, os maiores dos desprezos, a mais vil de todas as execrações.

Como é possível que haja gente, presuntivamente de bem, a apoiar este mentiroso que não só nos empobreceu materialmente como nos enfraqueceu a alma, nos amolgou o espírito com perseverança infame, e continua a impelir-nos para uma perdição tão maldosa que, ela própria, nos escapa; como é possível?

A mentira multiplicada quebrou a coesão e colocou portugueses contra portugueses, numa endemia moral que irá prolongar-se. Com extrema dificuldade, os governos que se seguirão conseguirão repor o que nos indicava como o povo mais lógico, por mais unido, da Europa. O mentiroso conseguiu o que mais ninguém obteve, com repressão ou com o montante. Levou-nos até ao desgosto da palavra, porque houve quem acreditasse na voz de tenor, falsamente casta, e na insistência maviosa dos temas.


Redignificar a função, reabilitar a grandeza do falar verdade, é tarefa de resgate incomum; e não vejo quem disponha da elevação necessária e urgente para tal empreitada. Os políticos entenderam a facilidade como norma de uma vitória sobre o tempo, e abandonaram, por incúria e ignorância, as convicções e a consciência de missão. O seu combate é outro. E no caso português muito mais evidente, pelas debilidades culturais dos intervenientes. O mentiroso comum é desprezível; o mentiroso político, abominável: pertence a uma época estimulada pela incerteza, e incapaz de se opor às estruturas ideológicas que tomaram conta da Europa.»




terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tão baixo, tão baixo...

Quem não se lembra das anedotas de tão … tão?

«Era uma beata tão beata, tão beata que passou um homem e fumou-a!»

«Ela era tão magra, tão magra que engoliu uma azeitona e parecia estar grávida!»

«Ela era tão magra, tão magra que passava pelo meio dos pingos da chuva!»

Hoje lembrei-me destas tolices ao ouvir e ler as luminárias que o “nosso” primeiro-ministro lançou pela boca fora no encerramento da “universidade” de verão do seu iluminado partido. (Nem me falem no ridículo de chamarem universidade às reuniões que os partidos fazem no fim do verão em que uns tantos meninos jotinhas se inscrevem para serem vistos por quem os possa chamar para lugares que lhes assegurem a vidinha.)

E perguntam-me vocês o que terão as bacoradas que o senhor pm (com letra pequena!) largou boca fora a ver com as piadas de tão…tão? Bom, eu explico: é que o senhor pm não fez mais nada senão tropeçar nas palavras e nas frases que usou. E aí lembrei-me da piada que falava daquela anã que era tão baixinha, tão baixinha que tropeçava no cordão do tampax…

Pois o senhor pm não é baixinho (embora seja pequenino) nem usa tampax, mas realmente tropeçou nas palavras, nas frases, nas ideias que lançou ao acusar os juízes do Tribunal Constitucional de «falta do bom senso» (já sabem como eu odeio a expressão bom senso, mas não é por aí que….) e por arrasto, sem se dar conta disso, acusou o presidente da mesma falta de bom senso…

Não contente com isto, ainda largou aquela outra pérola que toda a gente já referiu e que foi: «O que é que a Constituição fez pelos 900 mil desempregados?» Que tropeção! Pior, bem pior do que a pobre anã que todos os meses tropeçava no cordãozito do tampão…

Não vou gastar palavras a comentar esta incomensurabilidade porque já toda a gente o fez; posso no entanto sugerir um desses comentários que achei muito bom.

Não posso porém deixar de dizer que, face a estes tropeções e a estas trapalhadas antidemocráticas, anticonstitucionais, baixas, boçais e torpes, em qualquer país civilizado – que não é o caso do nosso, infelizmente – este pm seria forçado pelas instituições a demitir-se.



domingo, 7 de abril de 2013

Como tirá-los de lá?


Desenganem-se se pensam que estive à espera das seis e meias da tarde para ouvir as “novidades” (ou deverei dizer “patranhas”?) que o pm tinha para anunciar ao país! E até me recusei a escutá-lo. É que eu já sabia o que o escuteirinho de Massamá ia dizer (não estão mesmo a vê-lo com o cabelinho muito penteadinho, de calçõezinhos, peúgos até ao joelho e lencinho ao pescoço, à laia da juventudezinha alemã daqueles tempos, sabem?) Que o Tribunal Constitucional criou um problema ao país, que não teve em conta a situação de emergência em que nos encontramos, que o governo está cheio de legitimidade para governar, que o maior partido da oposição – que foi quem nos pôs nesta situação – não ajuda nada antes pelo contrário e que agora preparem-se que vão pagá-las!

Estavam à espera que, com aquela encenação da reunião de conselho de ministros durante o sábado e a palhaçada do pedido de reunião de urgência com o senhor presidente, era para se demitirem ou, pelo menos, anunciar a demissão do ministro das finanças (ou deverei dizer das «fananças»?) Queriam! Ninguém os tira de lá! Pois se eles estão lá tão bem! Ninguém lhes vai ao ordenado, não têm de ser solidários à força como os reformados e os pensionistas, continuam a auferir de todas as mordomias (aquelas que negavam na campanha eleitoral e no início da sua desastrada governação. De não esquecer como o pm começou a usar a classe económica e agora só não usa os Falcon da Força Aérea para ir para Massamá porque não tem onde aterrar…) E, ainda por cima, contam com a prestimosa proteção do senhor presidente que funciona também como sua própria proteção porque, já que lá chegaram (ao «pote») com tanto trabalho e ao fim de tantos anos de espera, há que se manterem lá o máximo de tempo possível! É que até se pode dar o caso de, ao fim do mandato, ganharem outro e outro! Com a desculpa estafada de que «não existe alternativa», que «a alternativa não é credível», este povo lá os vai aguentando sem se dar conta que, naquele afã ultra liberal, lá vão destruindo tudo o que foi conquistado nos últimos 30 anos. (Salazar aguentou-se lá 48 anos porque as alternativas também não eram credíveis e porque este povo ignorante e medroso aguenta tudo e agradece!)

Já aqui disse e repito: da mesma forma que a Merkel (e apaniguados) está a vingar-se da Europa pela humilhação sofrida por terem perdido a Segunda Guerra, também estes “nossos” governantes continuam a sua vingançazinha sobre o 25 de Abril que há-de continuar até ao desastre final.

Não vejo como tirá-los de lá! Para nosso mal.