sábado, 13 de outubro de 2018

Ai as pessoas que dizem ser frontais!


(daqui)

Talvez seja por ter sido educada para a contenção, mas não lido bem com quem apregoa aos quatro ventos que é frontal.

A frontalidade, assim como a assertividade, são conceitos atuais que têm por princípio a franqueza e a sinceridade, mas numa base de boas maneiras. E é este último traço é que falha muitas, mas muitas vezes.

Quando vejo alguém muito ufano a anunciar que é muito frontal, quase adivinho borrasca…

Quem tem uma qualidade, um talento, uma aptidão, não tem necessidade de andar a apregoá-los por aí, sob pena de mostrar que de facto não os tem, mas gostaria…

Uma pessoa que se dirige a outra ou a outras anunciando à partida alto e bom som «eu cá sou muito frontal» deixa, de imediato, prever que é daquelas que usa a chamada frontalidade para mostrar a sua grosseria. E logo, logo berra, gesticula e barafusta. Acontece muito com quem tem um enorme autoconceito e não sabe o que são bons modos.

Tenho pena de não conseguir reagir de igual forma quando sou alvo de um desses comportamentos. Sorrio e respondo o mais serenamente que consigo o que leva a pessoa “frontal” a pensar que ganhou o diálogo porque sou mesmo “totó”. Depois fico danada comigo própria e passam dias até que me passe a birra.

Aconteceu-me ontem à tarde e ainda não me passou…


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Os animais também se auto mutilam...




A minha gatinha preta tigrada, a Boneca Pipoca, tem estado intermitentemente internada desde o início de setembro. Sofreu o segundo atropelamento que lhe afetou a parte traseira: a cauda ficou sem sensibilidade e por algum tempo deixou de conseguir controlar os esfíncteres.

Foi sempre uma gatinha pouco feliz: foi a mais débil de uma ninhada de cinco gatinhos de uma gata da vizinha da frente que fugiam para o meu quintal. Foi sempre protegida pelo único irmão que era bem robusto e sofreu o primeiro atropelamento uma vez que atravessou a nossa rua. Foi depois disso que a adotei definitivamente.





Está bastante melhor, embora ainda tenham de lhe amputar a cauda.  Hoje fui buscá-la para vir passar o fim de semana a casa …

Num dos compartimentos ao lado, estava uma gatinha a miar pedindo festinhas que lhe prodigalizei… Tinha uma ferida enorme no pescoço protegida por um daqueles colares horríveis que não os deixam lamber-se como eles tanto gostam. Disse a veterinária que sofria de stress. A dona ficou doente e foi lá para casa uma pessoa para tratar de tudo. Com a ausência da dona, a gatinha começou a coçar-se incessantemente. A princípio fazia peladas que melhoravam quando a dona voltava para casa. Da última vez que se viu “abandonada” conseguiu esburacar o pescoço…

Verdadeira auto mutilação.

Por momentos passaram-me pelos olhos imagens daqueles adolescentes (lá da minha escola) que, com vidas tão difíceis, tão problemáticas, traziam os braços ou as pernas cheias de cortes feitos por eles próprios como forma de tentarem esquecer os seus problemas, as suas tristezas, as suas outras dores. Auto mutilavam-se. Uma e outra e outra vez… Prometiam não repetir, mas lá voltavam ao mesmo escondendo os golpes com as roupas. Penso que por necessidade, ou para aliviarem a pressão, mostravam-nos ou falavam disso a um(a) ou outro(a) colega ou a algum adulto em quem confiassem bastante.
Prometiam não voltar a fazê-lo, continuavam a cortar-se…


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Charles Aznavour (1924-2018)

Na verdade o século XX está a deixar-nos dia a dia... No passado dia 1, foi a vez de Charles Aznavour nos deixar também.

Ficam as suas belas canções. Fica esta voz inconfundível...



sábado, 6 de outubro de 2018

Montserrat Caballé (1933 - 2018)




Morreu a Diva!

Duas vozes extraordinárias
que, infelizmente, não se encontram já 
entre nós...



sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Pedimos desculpa pela interrupção





E nem posso dizer que «prometemos ser breves» ou que «o programa segue dentro de momentos».

O certo é que sinto que devo interromper a emissão porque me vi entregue a outros projetos que, para já, me ocupam muito tempo – mas que me estão a dar bastante prazer.

E como não tenho, para já, disponibilidade mental para aqui vir escrever diariamente como costumava e gosto, nem consigo visitar e comentar os blogs amigos como é meu dever, resolvi «dar um tempo» sob pena de deixar de dormir de noite…

Sabem já os meus amigos de longa data que me rejo pelo pensamento de Matisse:

«Je travaille tant que je peux et le mieux que je peux, toute la journée. Je donne toute ma mesure, tous mes moyens .Et après, si ce que j'ai fait n'est pas bon, je n'en suis plus responsable; c'est que je ne peux vraiment pas faire mieux. »

Vou aparecendo sempre que possa e tenha matéria.

Fiquem bem!

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Inês de Leiria

A propósito da "princesa do Lis" como me chamou o nosso amigo Manuel Veiga, lembrei-me de um poema do poeta/escritor leiriense Afonso Lopes Vieira que tínhamos na Selecta Literária no tempo do Liceu, nos idos de 60, e que se chama Inês de Leiria.

Deve ser muito pouco conhecido porque não no acervo de Mister Google...

Diz assim:

Encontrou Fernão Mendes
no interior da China
(e em que apuros ele ia!)
a velha portuguesa
chamada Inês de Leiria,
que de repente reza:
Padre Nosso que estais nos céus…
Era, de português, o que sabia.

Ouvindo Fernão Mendes
esta voz que soava
(Fernão cativo e cheio de tristeza!),
o Português sorria…

Padre Nosso que estais nos céus…
A velha mais não sabia,
mas bastava.

Boa Inês de Leiria,
cara patrícia minha,
embora te fizesse
a aventura imortal
de Portugal
chinesa muito mais que portuguesa,
- pois por esse sorriso de Fernão
tocas-me o coração.

Deste-lhe em tal ensejo
entre as misérias da viagem,
o mais gostoso e saboroso beijo
- o da Linguagem!

Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa (1940)
Afonso Lopes Vieira








sábado, 22 de setembro de 2018

Ai coitada da nossa Língua!


Podem os meus amigos ficar descansados que, por agora, não vou voltar ao acordo ortográfico, nem vou repetir que há na Língua aspetos mais determinantes que a ortografia.

Hoje realizou-se a festa do 21º aniversário do Museu Escolar de Marrazes em Leiria do qual, de alguma forma, faço parte. É habitual apresentar-se um tema relacionado com a escola e com a educação sobre o qual um ou dois convidados falam, seguindo-se uma visita ao Museu e um simpático beberete. Muitas vezes assiste-se a um momento musical ou de bailado. Este ano tivemos um grupo de jovens da Filarmónica que apresentou três belos temas de jazz.

O tema escolhido para este ano foi a Telescola – e porque há que ligar o Museu à atualidade para não dar a impressão que ficou preso nas teias do antigamente, pensou-se relacionar aquela realidade mais antiga com o atual e-learning a chamou-se ao evento “Ensino a Distância: da Telescola ao e- learning”.

A diretora técnica do Museu, que faz o favor de confiar no meu parco conhecimento da gramática, pôs-me a questão: “ensino à distância” ou “ensino a distância”?  Naturalmente que defendi a contração da preposição a com o determinante artigo definido a o que dá à – à distância, claro! O problema é que os documentos emanados do ensino superior que falam do e-learning que encontrámos pela net fazem-no em termos de a distância. E lá saiu o convite para a festa de aniversário com “ensino a distância” com a boca bem fechadinha –que é este o nosso destino: fecharmos as vogais o mais possível, não sei porquê…

Hoje, antes do evento, tive oportunidade de questionar a amável Professora Doutora que veio falar sobre o e-learning acerca da razão de usarem o “ensino a distância”. Parece-me que ficou um tudo nada perplexa, mas tratou de me explicar que foi para, de algum modo, encurtar as distâncias…

Deu-me vontade de rir… Lembrei-me logo da Costa de Caparica…

Assim se dão as evoluções semânticas – aos saltos!

Assim evolui a Língua – as Línguas – aos saltos…

















Algum dos meus amigos frequentou a telescola?

E já experimentaram o ensino a distância ou à distância?!  :))