sexta-feira, 12 de julho de 2019

Ai as casas!


Fez por estes dias quarenta e um anos que mudámos para esta casa. Por essa altura já me tinha resignado a ficar cá por Leiria para a vida e viemos para uma casa nossa. Nós dois, a filha mais velha – com três aninhos – e a minha avó espanhola, que me criou e que comigo viveu até ao fim da sua vida.

No ano seguinte, em Abril, chegou a filha mais nova. Depois veio a minha mãe e partiu a minha avó.

De tudo se passou nesta casa: alegrias – muitas; tristezas – algumas (e essas cavam sempre mais fundo); perdas – mais que suficientes… Grandes mudanças na vida – mas a casa sempre tudo amparou.

A minha mãe também partiu cedo, poucos anos depois da minha avó.

Mais tarde, as filhas trouxeram namorados – que rejuvenescimento!! Grandes festas de primos e de amigos, bons Natais de família em casa, férias juntos – inesquecíveis!

Depois, as filhas saíram para estudar e depois disso para trabalhar – nunca mais voltaram a viver na casa. Foram viver as suas vidas nas suas casas. Nós dois sozinhos. Na casa.

E, aos poucos, foram aparecendo os netos que, pontualmente e sempre que preciso, animaram a vida e a casa.

Agora sobro eu. E sobra casa.





Dá-me para recordar aquele lindo poema de Ruy Belo que diz assim:

Oh as casas as casas as casas

«as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores.(…)»


sábado, 6 de julho de 2019

Partiu João Gilberto, o pai da bossa nova

Morreu, aos 88 anos, o cantor, compositor e músico que,  nos idos de 50/60,  lançou a bossa nova.

Presença e voz serenas que tão bem transmitem o pulsar de uma música bela e igualmente serena.

Para o relembrar e homenagear, aqui fica o «Desafinado» - que era coisa que ele não era...




sexta-feira, 5 de julho de 2019

A Capela do Alto de Santo Amaro de Alcântara

Não me estão a ver numa festa de marchas populares, pois não? Eu também não! Mas a Terra todos os dias dá uma volta e, por isso, tudo pode acontecer...

Num belo fim de semana passado em Lisboa com familiares, aconteceu irmos ver desfilar uma pequenina familiar dos meus familiares que veio da Guarda . A sua marcha, do Bairro  da Luz da Guarda fez um intercâmbio com a marcha de Alcântara e foram convidados a virem a Lisboa desfilar.

Claro que não faltaram os comes e bebes com a bela sardinha assada, caracóis e bifanas, como não faltou a musiquinha tipo pimba e assim...  Mas passou-se um bom bocado apesar do vento que se fazia sentir lá no alto.

Havia marchantes de todas as idades, mas todos vertidos a rigor e a cantar alto e bom som.

Foi uma forma diferente de nos despedirmos dos Santos Populares.
















Mas o que valeu mesmo foi ver e visitar a Capela do Alto de Santo Amaro que não conhecia e que tem uma configuração algo diferente. Em redondo, a capela quinhentista é protegida por um corredor circular coberto de lindos azulejos do século XVIII e fechado por pesados portões em ferro forjado.













Capela aberta com os três andores que saíram em procissão

(Santo Amaro)

(A bela vista sobre o Tejo)

(Pórtico de entrada para o adro da capela)

(Alto da escadaria com cruzeiro que desce até ao rio)

(Em forma de quilha de barco - bastante simbólico)

Há quem diga que foi aqui que Vasco da Gama veio rezar antes de embarcar para a sua viagem até à Índia.

Lendas... ou talvez não...

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Este país é um ESPANTO!!!

Quem não se lembra daquele excelente programa de televisão do Jô Soares «O Planeta dos Homens» aí pelos anos 70/80! E de tantas expressões que ficaram no nosso ouvido e que ainda hoje repetimos - «perguntar não ofende, oh triqui- triqui», o «tem pai que é cego!», ou o «casa, descasa, casa, descasa», ou ainda o «cale essa boca, sua múmia paralítica!»




Hoje e aqui, lembro a expressividade e o pasmo com que o Jô Soares dizia «Isto é um ESPANTO! Um ESPANTO!

Assim estou eu, PASMADA com este nosso país que é um ESPANTO!

Eu passo a explicar e espero que não pensem mal de mim… Nos quase 48 anos que estivemos casados, eu e o meu marido tivemos contas bancárias separadas. Aliás, apesar da enorme cumplicidade que sempre existiu entre nós e com as filhas – tudo sempre foi falado e discutido à frente delas à mesa do jantar – havia uma enorme liberdade de vida, d vida social, profissional, até cultural – tudo enfim! – e foi assim que nos demos bem. Muito bem!

Ora com a sua morte algo inesperada – por tão breve ter acontecido – desconhecia por completo que deveria fazer um determinado pagamento nesse mês. Assim, deixei passar a data limite e só depois o banco me avisou da minha falta. Não chegou a uma semana a falha do pagamento que fiz assim que me informaram. Aconteceu isto no mês de abril.

Para grande espanto meu e até algum constrangimento, há umas duas ou três semanas fui para pagar, como habitualmente, as minhas compras semanais no Continente, do qual possuo o chamado e muito anunciado Cartão Universo que é um cartão de registo de descontos das compras e, ao mesmo tempo, funciona como cartão de crédito – faço as compras semanais e pago no fim de cada mês. Há anos que assim é – fui para pagar com o dito cartão, dizia eu, e a máquina diz, sem apelo nem agravo: «o seu crédito está temporariamente bloqueado. Contacte o número tal e tal…»

Assim fiz. Falei com uma senhora de um qualquer call centre a quem disse que nunca tinha falhado qualquer pagamento nem sequer alguma vez tinha alcançado o plafond do cartão. Depois de consultar o meu registo, disse-me amavelmente que não tinha nenhuma dívida com eles, mas tinha falhado um pagamento num outro organismo e até me disse o montante exato do dito.

Fiquei sobre brasas, como devem calcular e dirigi-me ao “simpático” banco onde o chamado “gestor da conta” me esclareceu que assim que há uma falha de qualquer pagamento, eles (uns queridos!)  avisam não sei que entidade nacional que, de imediato, passa a notícia a todos os bancos. Mas que não me preocupasse porque isso rapidamente se trataria. Seria uma questão de dias.

Só que, em finais de junho, o meu cartão Universo continua bloqueado. De novo me dirigi ao “simpático” banco e queixei-me alto e bom som que estava a ser tratada por eles como a maior das caloteiras do país. E perguntei se fazem o mesmo a um Berardo, ou a um Dias Loureiro, ou a um Duarte Lima! A funcionária “amavelmente” respondeu que esses senhores não eram clientes deles e, receosa de que eu me comportasse mal, passou-me ao dito “gestor de conta”. Este consultou o computador, fez uns tantos telefonemas e voltou a dizer-me que a situação se resolveria em alguns dias.  Só que me anda a falar em “alguns dias” desde abril…

Dá para entenderem a minha fúria?! Porque é que o Berardo – que esse sim, é um caloteiro de papel passado – e outros, enfim, não têm os seus cartões bloqueados?!

E eu que sempre fui cumpridora e certinha em tudo, sinto-me ... sei lá... enxovalhada - ou pior!

 Não me digam que este país não é um ESPANTO!!!!     




sábado, 22 de junho de 2019

Summertime

É sempre uma enorme tentação de cada vez que chega o Verão - recordar a lendária canção «Summertime» que integra a ópera «Porgy and Bess» escrita por G. Gershwin nos anos 30 do século passado. 

As bandas de jazz trataram-na, adaptaram-na e logo se tornou um enorme sucesso. Como melhor a conhecemos é pelo saxofone de  Louis Armstrong e na voz da Ella Fitzgerald.

Mas hoje vou deixá-la aqui nesta versão anterior.



Se bem que o original na peça de teatro era este - que é uma verdadeira delícia.

Ora deliciem-se!




quarta-feira, 19 de junho de 2019

A Fortaleza de Peniche

Então lá fomos com o objetivo de visitar o Museu da Resistência e da Liberdade que visou transformar a prisão dos dissidentes políticos do regime de Salazar em espaço museológico de Memória e de Liberdade.

(Também fomos com o propósito de comer uma bela de uma caldeirada, mas isso é outra história...)




(1935)

(Entrada do mar)



(Entrada principal)







(Memorial dos presos políticos)

(O chamado parlatório)





(O Parlatório por Júlio Pomar)

(Retrete)







(Vieira da Silva)




(O Fortim Redondo)

(...onde se encontravam três solitárias)




(História de uma fuga)





(A grande fuga de 1960)


(Uma parte da fortaleza está rodeada pelo mar)
(daqui)


(... e atiravam-se ao mar...)


(Ali por trás enxergam-se as celas ainda não visitáveis)


(Mas não faltava a capela...)


(... de Santa Bárbara)

(Monumento à Liberdade)




Foi uma visita intensa...